domingo, 5 de março de 2017

Brasil: Um País sem Estado é o objetivo final do Golpe! - Marcos Doniseti!

Brasil: Um País sem Estado é o objetivo final do Golpe! - Marcos Doniseti!
PNAC (Projeto para um Novo Século Americano) prevê a implantação de uma Ditadura Global dos EUA durante todo o século XXI. E para isso é necessário destruir os países que não se submetem aos interesses dos EUA.
Muitos estão dizendo que Temer será derrubado do cargo de Presidente para que algum tucano possa vir a governar o país e que o objetivo dos líderes golpistas teria sido sempre esse. 

Mas entendo que esse é um dos objetivos secundários do Golpe. Porém, este Golpe de 2016 vai muito além de substituir um governo (nacionalista e reformista) por outro (neoliberal e privatizante). 

Esse Golpe de 2015/2016 visa atingir um objetivo bem maior, que é o desmonte do Estado Nacional brasileiro, o que poderá provocar a própria desintegração do país, que se dividiria em outros menores, tal como aconteceu com a América Espanhola logo após obter a independência no século XIX. 

Os golpistas tupiniquins são apenas os instrumentos para se chegar a este resultado. 

Esse Golpe (tal como tantos outros que tivemos na história brasileira) conta com a participação segmentos sociais, facções de classe e interesses locais muito poderosos, cada um preocupado mais com a sua própria agenda política do que com o interesse geral do próprio movimento golpista. 
Síria: Antes e Depois da Guerra na qual os EUA e a OTAN tiveram uma participação fundamental. O governo de Assad não se submetia aos interesses dos países capitalistas imperialistas. 
Isso explica, por exemplo, porque inúmeros deputados federais já avisaram que votarão contra a 'Reforma da Previdência' (na verdade, a destruição dela), sendo que o governo Temer já percebeu que será derrotado na votação da mesma. 

Já está em andamento, inclusive, uma campanha do PMDB dizendo que se a 'Reforma da Previdência' não for aprovada os programas sociais serão extintos. 

Mas se o objetivo do Golpe não é colocar algum tucano na Presidência da República para que o mesmo governasse o Brasil e adotasse uma política neoliberal, então qual seria?

Bem, da mesma forma que o PMDB e os partidos fisiológicos foram instrumentos para que os tucanos chegassem a participar do governo federal, ocupando um grande número de ministérios e cargos, o PSDB e o DEM (que são os partidos da Direita Neoliberal brasileira) também são instrumentos dos EUA para destruir o Estado Brasileiro e, no limite, o próprio país. 

Logo, não se trata apenas de implantar uma política neoliberal de 'Estado Mínimo' no Brasil, mas de destruir o Estado Brasileiro, mesmo. E a meta final é a balcanização do Brasil, dividindo o mesmo em países menores, tal como foi feito com a URSS e com a Iugoslávia. Mais recentemente, a mesma política foi adotada na Líbia, na Síria e na Ucrânia. 
Livro 'Império do Caos', de Pepe Escobar, mostra como as guerras e os processos de desestabilização promovidos pelos EUA geram o Caos pelo mundo afora. 
Mas para se fazer algo assim, em escala global, é necessário a participação fundamental de uma força muito maior e mais poderosa do que apenas as forças conservadoras brasileiras (agronegócio, Grande Mídia, classes médias retrógradas, sistema financeiro, multinacionais, Grandes industriais e comerciantes). 

Terminei de ler ontem um livro excelente de Pepe Escobar (Império do Caos, que é uma coletânea de textos que ele publicou ao longo de vários anos, chegando até o final de 2014) que mostra claramente como os EUA trataram de desmantelar o Estado previamente existente em países como Iraque, Ucrânia, Síria e Líbia, por exemplo, fazendo com que estes países mergulhassem no Caos (daí a expressão 'Império do Caos' para se referir aos EUA e que foi usada, originalmente, por Alain Joxe, autor de um outro livro de mesmo nome).

Nestes casos, os EUA não se limitaram a promover a instabilidade política e processos de desestabilização que visavam apenas a derrubar um governo e a colocar outro em seu lugar. 

Os EUA já fazem isso há muito tempo, desde o Golpe de Estado que a CIA e o MI6 (serviço secreto britânico) promoveram no Irã, em 1953, para derrubar o governo nacionalista, laico, secular, democrático e reformista de Mossadegh. O modus operandi deste Golpe foi, posteriormente, muito utilizado na América Latina, incluindo o Brasil durante o governo Jango, o que resultou na vitória do Golpe de 64. 

A mesma política de desestabilização foi, depois, também usada pela CIA exaustivamente por toda a América Latina, sendo que a Guatemala, em 1954, foi a primeira experiência bem sucedida, quando a agência secreta ianque derrubou o governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz, pois este ousara fazer uma Reforma Agrária, o que prejudicou os interesses da United Fruit, grande empresa dos EUA que possuía muitas terras no país. 

Atualmente, a política dos EUA vai muito além disso. 
'A Doutrina do Choque', de Naomi Klein, mostra como os EUA exportaram o Neoliberalismo para o mundo todo e que isso exigiu a promoção de inúmeros Golpes de Estado, a implantação de Ditaduras e a promoção de Guerras pelo mundo todo.
O que os EUA fazem, agora, é usar de forças políticas, sociais, militares, empresariais, jurídicas e policiais dos próprios países para derrubar os Governos nacionalistas e reformistas e, depois, desmantelar o Estado. 

E sem um Estado Nacional forte e organizado, tais países e povos tornam-se presa fácil para que os EUA possam atingir os seus objetivos, que são assumir o controle das suas riquezas (petróleo, minérios, terras, água, etc) e inviabilizar qualquer política que fortaleça econômica e politicamente tais países, mesmo que isso aconteça apenas em suas regiões. 

Logo, muitas vezes, estes objetivos são a abertura dos mercados destes países, para que empresas dos EUA passem a deter o controle das riquezas (petróleo, gás natural, minérios) e do patrimônio público (bancos e empresas estatais). Um pouco antes da invasão do Iraque, em 2003, as maiores empresas dos EUA fizeram uma ampla reunião na qual elas decidiram quem iria assumir o controle das empresas e riquezas do país de Saddam Hussein.

É bom lembrar que Saddam chegou ao poder, em 1978, por meio de um Golpe de Estado no qual contou com o importante apoio da CIA e recebeu tecnologia para a produção de armas químicas dos EUA-OTAN, as mesmas que ele usou, depois, contra os iranianos e contra os curdos. E posteriormente os EUA usaram desse pretexto (que o Iraque Saddam possuía armas de destruição em massa, incluindo as químicas) para invadir o Iraque, derrubar e enforcar o próprio Saddam Hussein... 

Em outras oportunidades, no entanto, tais Golpes perpetrados pelo Império do Caos (EUA, é claro) vai muito além de derrubar um governo e instalar outro, submisso aos interesses dos EUA, no lugar. 
Foi durante a reunião dos BRICS em Fortaleza, em Julho de 2014, que o grupo decidiu criar um Banco de Desenvolvimento e um Fundo de Reserva próprios, com o objetivo de competir com o FMI e com o Banco Mundial, o que é considerado inaceitável pelos EUA. 
As políticas atuais dos EUA visam destruir o próprio Estado Nacional, para que tais países não possam vir a possuir um governo forte o suficiente e que tenha condições de resistir às políticas e interesses globais dos EUA que adotou, a partir do governo de Bush Jr, o chamado 'Projeto para um Novo Século Americano', que tem o objetivo de impor uma Ditadura Global dos EUA até o final do século XXI. 

E um dos principais itens deste PNAC é justamente o de impedir que qualquer país, em qualquer lugar do planeta, venha a se fortalecer de tal maneira que possa contrariar os interesses dos EUA. 

Quando isso acontece, os EUA imediatamente começam a desenvolver um processo de desestabilização, que visa promover a derrubada do Governo local por meio das chamadas 'Revoluções Coloridas', mesmo que isso implique em promover um Golpe de Estado que jogue a Constituição do país na lata de lixo. E se necessário for, serão criados (pelos EUA) grupos de milícias privadas que promoverão assassinatos que, depois, serão  falsamente atribuídos ao Governo local, o que atrairá a repulsa internacional (devidamente manipulada pela Grande Mídia ocidental). 

Isso foi feito, com sucesso, na Ucrânia, por exemplo. 

Assim, uma combinação de várias ações de propaganda negativa e um verdadeiro terrorismo midiático (promovido por uma Grande Mídia que é ligada aos interesses ianques) são levados adiante para aumentar a insatisfação popular e jogar o povo contra os governantes do país, que passam a ser acusados de 'corruptos', mesmo que nenhuma prova disso seja apresentada (Lula e Dilma que o digam...).

Para isso, os EUA promovem ações políticas de propaganda (por meio de Mídia, ONGs, CIA, espionagem, sanções econômicas) que promovem a radicalização e a divisão interna destes países. 

É a famosa política do 'Dividir para Reinar', muito utilizada por vários Impérios ao longo da história.
O Brasil encerrou 2014 com a menor taxa de desemprego da história (4,8% na média anual). Isso aumentou o poder de barganha dos trabalhadores nas negociações com as empresas, permitindo que eles conquistassem significativos ganhos reais. 
Se necessário, até mesmo grupos terroristas ou milícias privadas serão criados, apoiados e armados com essa finalidade. Neste processo, os EUA sempre contam com a participação de forças sociais e políticas internas e também obtém a colaboração de países vizinhos ou que são inimigos do país que está para ser destruído. 

Assim, para destruir a Líbia, os EUA (junto com França, Itália, Reino Unido) contaram com uma importante participação dos governos da Arábia Saudita e do Qatar, bem como de extremistas islâmicos (da Al-Qaeda, por exemplo) que foram financiados e armados por tais países.  

No caso da Síria, para tentar derrubar Assad e desmantelar o Estado, os EUA contaram com a participação da Arábia Saudita, Israel, Turquia, Qatar e de outros países da OTAN (França, Reino Unido) e de inúmeros grupos extremistas islâmicos, do qual o Estado Islâmico/ISIS é apenas o mais famoso. 

O objetivo destas guerras contra Síria e Líbia não era apenas errubar os governos destes países e colocar outros no lugar, mas destruir o Estado que os mantinha unidos. 
A partir do início do movimento golpista a economia brasileira entrou em profunda recessão, da qual não conseguiu sair até agora. Com isso, o desemprego disparou e já se encontra em 12,6%. E durante 2017 essa taxa irá aumentar bastante. 
E isso foi plenamente alcançado na Líbia, que agora mal possui um governo central que controle a maior parte do território e que é inteiramente dependente dos EUA-OTAN. A Líbia tem o seu território controlado por vários grupos de extremistas islâmicos e tribos e o que se chama de Governo tem pouco controle sobre o país. 

Assim, a Líbia não tem mais um governo central forte em condições de adotar políticas que contrariem os interesses dos EUA-UE, tal como acontecia na época de Khadafi. 

Khadafi queria, por exemplo, criar um Bloco Africano que teria uma moeda própria, o que era algo inaceitável para os EUA e UE, que possuem as duas mais utilizadas no mundo (como reserva de valor e nas transações comerciais e financeiras internacionais); 

Na Síria, o processo de destruição do Estado Nacional somente não foi completado porque a Rússia, China e Irã se uniram para defender o governo laico e secular de Assad, que também contou com o importante apoio de grupos étnicos e religiosos que seriam eliminados caso os extremistas islâmicos derrubassem Assad.

No Brasil, o movimento golpista que derrubou o governo Dilma e enfraqueceu fortemente as forças progressistas (PT e PCdoB, em especial) levou ao poder forças políticas e sociais extremamente retrógradas, que adotaram políticas econômicas e sociais anti-nacionais e anti-populares, incluindo:
A Grande Mídia sempre foi contra os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. A campanha do jornal 'O Globo' contra a criação do 13o. salário, que foi sancionada pelo presidente João Goulart, é a comprovação disso. Agora, a mesma Mídia pressiona pelo fim da CLT, pela Terceirização generalizada e por uma 'Reforma da Previdência' que irá destruir a mesma.
A) Privatizações desnacionalizantes, com a entrega do pré-sal e da Petrobras ao capital estrangeiro; 

B) Arrocho Salarial e aumento do Desemprego para um patamar que reduza fortemente o custo da força de trabalho, beneficiando apenas aos Capitalistas;

C) Extinção gradual das políticas de inclusão social (Bolsa Família, Fies, ProUni, etc);

D) Criminalização e Repressão contra os movimentos sociais progressistas;

E) Eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários;

F) Políticas que beneficiam apenas ao Capital Financeiro (nacional e estrangeiro), tais como: aumento da taxa real de juros, valorização do Real e elevação do superávit primário;

G) Política externa que promove uma total submissão aos interesses dos EUA e que hostiliza os governos progressistas latino-americanos e elimina a atuação brasileira junto aos países em desenvolvimento. 

Tais políticas estão promovendo um verdadeiro desmonte do Estado Brasileiro. E o que está sendo colocado no lugar? 

Nada.
'O Precariado', livro de Guy Standing, ajuda a entender o processo de criação do Precariado, que engloba um número cada vez maior de trabalhadores em todos os países capitalistas. 
Na sociedade, não existe o vácuo. Se o Estado Nacional abre mão de adotar as políticas que se esperam dele (segurança interna e externa; desenvolvimento econômico e social, estabilidade política), então este espaço será ocupado por outras forças, que se voltarão apenas para defender aos seus próprios interesses, localizados, e pouco irão se importar com os destinos do país. 

E o resultado será a desintegração do Brasil enquanto Nação, levando ao surgimento de países menores e mais fracos onde antes havia um Estado Nacional forte e que possuía as condições e os instrumentos necessários para defender os interesses nacionais.

Mas é exatamente isso que não interessa aos EUA, tal como o PNAC deixa bem claro. 

E é justamente em função disso que o Golpe de 2016 é muito pior do que o de 1964, pois ele não visa apenas derrubar um governo e colocar outro no lugar, mas destruir o Estado Nacional brasileiro e que é o grande responsável por manter o país unido. 

Sem um Estado Nacional forte, o Brasil deixará de existir enquanto Nação, tal como aconteceu com a Iugoslávia, Iraque, Líbia, Síria e Ucrânia, que se dividiram de forma praticamente irreversível.

Portanto, o que está acontecendo neste momento não é apenas um Golpe de Estado, mas a destruição do Brasil. 
O jornalista investigativo estadunidense Jeremy Scahill mostra, em seu livro 'Guerras Sujas', que o governo dos EUA espalhou drones assassinos e tropas especiais pelo mundo todo a fim de espalhar o Caos e impor a sua vontade aos outros países, mesmo que isso resultasse no assassinando de milhares de inocentes todos os anos.

Links:

Pepe Escobar e a Guerra Híbrida contra os governos Lula-Dilma:

http://www.vermelho.org.br/noticia/278485-9

Pepe Escobar: Brasil e Rússia sob ataque da Guerra Híbrida comandada pelos EUA:

http://www.ocafezinho.com/2016/03/31/brasil-e-russia-sob-ataque-de-guerra-hibrida/

Vídeo - Documentário 'Dirty Wars' (Guerras Sujas'), de Jeremy Scahill:

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