quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!

Trump X Wall Street/Neocons: Quem vencerá? - Marcos Doniseti!
Trump venceu a eleição presidencial nos EUA derrotando Republicanos e Democratas. Afinal, ele nunca foi o candidato preferido dos líderes Republicanos (que preferiam Ted Cruz). E depois ele derrotou Hillary, defensora de políticas neoliberais e imperialistas. 

Trump venceu a eleição presidencial devido ao fracasso do governo Obama!


E também não há como negar: Trump é protecionista. 

A maneira como ele ameaçou a Ford, GM e Toyota, caso estas instalassem novas fábricas no México, a fim de exportar a produção para os EUA, dizendo que iria elevar fortemente as tarifas de importação para tais veículos, mostra que ele não está para brincadeira. 

Ele se elegeu Presidente dos EUA, principalmente, por ter explorado o imenso descontentamento popular existente no país com o processo de desindustrialização, que gerou o empobrecimento e o encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

Isso levou à criação de uma ampla camada de trabalhadores precários (o Precariado, como a denominou Guy Standing), que ganham baixos salários, submetem-se a longas jornadas de trabalho, não tem nenhuma perspectiva de ascender na carreira e não desfrutam de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 

Atualmente, quase 60% dos novos empregos que são criados nos EUA são precários e a cada década diminui a participação dos trabalhadores industriais, dos pobres e da classe média na renda nacional, enquanto aumenta a participação dos 20% mais ricos, que são o segmento que mais se beneficia com o processo de Globalização Neoliberal. 
Trump já avisou a Ford, a Toyota, a GM e a BMW de que não irá permitir a instalação de fábricas no México a fim de exportar a produção para os EUA. Trump não acredita no livre-comércio. 

Para reverter este processo, o governo de Trump vai querer promover o retorno de inúmeras industrias para os EUA, as mesmas que, nas últimas décadas, se transferiram para países com custos de produção bem inferiores aos dos EUA (México e China, principalmente). 


Para implantar tal política, Trump irá taxar fortemente as importações de produtos industrializados, principalmente as que são originárias do México e as da China.

É por isso que as falas de Trump a respeito do México e da China sempre são as mais agressivas. 

Adotar tal postura faz parte, na verdade, de uma estratégia de Trump que visa forçar os governos do México e da China a rever as suas políticas comerciais, de maneira a que a reindustrialização dos EUA, que Trump ambiciona promover, possa ser colocada em prática.

E se os governos chinês e mexicano se recusarem a fazer concessões (limitando por conta própria as suas exportações industriais para os EUA), Trump apelará para o protecionismo puro e duro. 

Por isso é que Trump 'fala grosso' com China e com México, para onde foram a maior parte das indústrias ianques nas últimas décadas (esse processo é chamado de 'deslocalização'). 
A concentração de renda aumentou bastante nos EUA entre 1970 e 2013. Neste período, a participação dos 20% mais ricos passou de 43% da renda nacional para 51%, enquanto que a participação da classe média caiu de 42% para 37% e a dos 20% mais pobres diminuiu de 15% para 12%.

Por isso é que Trump já avisou a Ford, GM e Toyota: Querem vender nos EUA? Então que produzam nos EUA. 


E para reindustrializar os EUA, o governo de Trump precisará de muito dinheiro, pois a política industrial que ele irá implementar fará uso de subsídios, incentivos fiscais, financiamento em condições favoráveis, aumento das tarifas de importação. 

Além disso, Trump quer investir US$ 1 trilhão em infra estrutura nos próximos 10 anos (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, etc). 

E para fazer tudo isso o governo de Trump irá necessitar de muito dinheiro. Mas Trump terá que encontrar uma maneira de fazer tudo isso sem: 

A) Aumentar a inflação (devido ao encarecimento de produtos e insumos importados), o que derrubaria a sua popularidade; 

B) Aumentar os juros (FED), devido ao aumento do déficit público (afinal as despesas para infra-estrutura e para reindustrialização serão imensas), o que jogaria a economia dos EUA na recessão; 
As políticas neoliberais e de arrocho que foram impostas em muitos países nas últimas décadas levaram à formação do Precariado, que é formado por trabalhadores que recebem baixos salários, são submetidos à longas jornadas de trabalho, não tem acesso a direitos sociais, trabalhistas e previdenciários (ou tem, mas de forma muito limitada) e que não possuem qualquer perspectiva de ascender profissionalmente. 

C) Valorizar fortemente o Dólar (pois o aumento dos juros pelo FED atrairia muito capital para os EUA), o que prejudicaria as exportações dos EUA. 


Para atingir os seus objetivos sem provocar estes efeitos negativos é que o governo de Trump precisará de um mundo mais tranquilo, com menos guerras e gastos militares menores, pois as despesas com a reindustrialização e a recuperação da infra estrutura dos EUA serão imensas. 

Com menos guerras e conflitos, seria possível reduzir os gigantescos gastos militares dos EUA (US$ 1,5 trilhão anuais) e usar os recursos economizados para financiar reindustrialização e investimentos em infra-estrutura (US$ 1 trilhão em 10 anos) nos EUA. 

Assim, se o governo de Trump reduzisse os gastos militares e com guerras em 20%, ele teria US$ 300 bilhões para gastar com os seus planos (reindustrialização e infra estrutura). E com isso, seria possível neutralizar os efeitos negativos que estas políticas poderiam provocar (ver itens A, B e C). 

É justamente por isso Trump deseja dialogar e fechar acordos com a Rússia e também quer esvaziar a OTAN, reduzindo significativamente a participação dos EUA na mesma. 

Trump quer usar a OTAN na guerra contra o Terrorismo e não para ficar destruindo outros países (Síria, Líbia, que se transformaram em territórios livres para a atuação dos extremistas islâmicos originários do mundo inteiro). 
A Síria foi devastada pela Guerra. O país foi invadido por dezenas de milhares de extremistas islâmicos, originários do mundo inteiro, e que foram armados até os dentes pela OTAN-CCG-Turquia-Israel. 

Trump também não quer mais usar a OTAN para ficar provocando a Rússia na Ucrânia (como o medíocre e superestimado Obama fez), onde um Golpe de Estado ('Revolução Colorida') patrocinado por Obama/Hillary colocou neoliberais e neonazistas para governar o país. 


E este novo governo ucraniano iniciou uma guerra contra as regiões do Leste do país, que possuem fortes laços com a Rússia (étnicos, linguísticos, culturais, econômicos, comerciais). Trump deseja, assim, reduzir os gastos dos EUA com a OTAN.  

Logo, se os países europeus quiserem uma OTAN forte e atuante e que promova guerras pelo mundo afora, atuando como um 'Xerife Global', então eles que paguem por isso. 

Eles (Alemanha, França, R. Unido, Itália) que saiam pelo mundo fazendo guerras.

As mudanças que Trump quer promover representam o início do fim do domínio da banca mundial (Wall Street e associados) sobre o planeta.

E é em função disso que Trump está sendo tão atacado pela Grande Mídia e por Hollywood, que são sustentados por Wall Street. 
As desigualdades sociais cresceram fortemente no Reino Unido e em todos os países desenvolvidos nas últimas décadas, o que é criticado por Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico que abandonou a Terceira Via neoliberal defendida por Tony Blair. Corbyn defende o estabelecimento de um Salário Máximo, a fim de se reduzir as diferenças entre os que ganham mais e aqueles que ganham menos.  

Hollywood e Grande Mídia não são mais lucrativos em praticamente lugar nenhum do 
Mundo. As novas mídias (Internet, Netflix, etc) estão enfraquecendo e levando ao desaparecimento de inúmeras publicações impressas e corroendo a audiência das grandes empresas de comunicação.

Exemplo disso é que as três maiores redes de TV dos EUA (CBS, ABC e NBC) tinham mais de 90% da audiência no início dos anos 1970 e, atualmente, elas chegam, no máximo, uns 25%. O grande público se bandeou para outras mídias (TV paga, Internet, Videogames, Netflix)

Também são poucos os filmes de Hollywood que geram lucros (praticamente só os blockbusters). 

Assim, como a Grande Mídia e Hollywood conseguem se manter? 

Wall Street banca. 

Literalmente. 

E isso acontece porque o papel atual das Mídias e de Hollywood não é o de gerar lucros, mas o de 'fazer a cabeça' da população mundial, exportando os heróis, valores, símbolos e estilo de vida ianques para o mundo inteiro. 
Síria? Iraque? Líbia? Não. Esta é uma antiga fábrica da Ford, que se localizava em Detroit, e que foi fechada devido ao processo de desindustrialização que atingiu com força aos EUA nas últimas décadas. Muitas destas fábricas foram transferidas para o México e China, onde os custos de produção são bem inferiores aos dos EUA. 

E isso, por sua vez, está intimamente associado às políticas expansionistas dos EUA pelo mundo inteiro, que visam criar uma Ditadura Global do país no seculo XXI (PNAC).


Os governos de Bush e de Obama entregaram o controle dos seus governos para Wall Street e para os Neocons (neofascistas defensores do PNAC, Projeto para um Novo Século Americano)

Por meio do PNAC, os EUA ambicionam implantar uma Ditadura Global e, para isso, querem impedir o surgimento de qualquer potência (mesmo que tenha alcance meramente regional) que possa contrariar aos interesses estratégicos dos EUA. 

Obama também tentou conter essa expansão (não-imperialista) do projeto russo-chinês do 'Um Cinturão, Uma Estrada' (que começou em 2013).

Tanto no caso da tentativa de expansão do poder dos EUA via PNAC, como no caso da polpitica de contenção do aumento da influência da Rússia-China (que fizeram uma aliança estratégica) na Eurásia, os EUA usaram de várias políticas:
Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz estão entre os principais líderes dos Neocons. Bush Jr. adotou as políticas imperialistas e neoliberais do grupo após os atentados de 11/09/2001. 

A) Guerras por Procuração (Líbia, Síria);


B) Golpes de Estado e Processos de Desestabilização (América Latina, Ucrânia, Egito, Tunísia);

C) Espionagem Global (NSA);

D) Guerras Secretas (Drones e Forças Especiais).

Mas as políticas de Bush/Obama fracassaram totalmente. 

E internamente o governo de Obama nada fez para impedir a continuidade do processo de desindustrialização, de aumento da concentração de renda e do empobrecimento e encolhimento da classe média e da classe trabalhadora industrial. 

As desigualdades sociais continuaram aumentando em seu governo. 

Aliás, tais desigualdades sociais aumentaram tanto nos países desenvolvidos que até mesmo a nova Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, do Partido Conservador, disse o seguinte em seu discurso de posse (14/07/2016):

"Isso significa lutar contra a injustiça ardente de que, se você nasceu pobre, vai morrer, em média, nove anos mais cedo do que os outros.Se você é negro, é tratado com mais rigor pela Justiça criminal do que um branco. Se é filho da classe operária, tem menos chance de ir para a universidade. Se estiver numa escola pública, é menos provável ter as melhores profissões do que se você recebeu educação privada. Se é mulher, vai ganhar menos do que um homem. Se tem problemas de saúde mental, não tem ajuda suficiente. Se é jovem, vai ser mais difícil do que nunca ter a própria casa.".
Assad e Putin: A atuação do governo russo em favor do governo e do povo sírios foi fundamental para que o Presidente da Síria conquistasse importantes vitórias na guerra que os extremistas islâmicos (quase todos estrangeiros) iniciaram e que promoveu uma brutal destruição no país, provocando uma crise de refugiados que atingiu em cheio a União Europeia. Trump quer fechar acordos com a Rússia, pois sabe que isso irá liberar recursos substanciais para reindustrializar os EUA e investir na infra estrutura do país. 

Com este duplo fracasso do governo Obama (interno e externo), uma mudança de política por parte dos EUA tornou-se inevitável.


E é justamente este fracasso que explica a vitória de Trump. 

Embora Trump possua inimigos poderosos (CIA, Wall Street, Hollywood, Grande 
Mídia, Indústria Bélica, Esquerda Neoliberal e Pós-Moderna), que tentaram até mesmo impedir que ele tomasse posse da Presidência, ele também conta com o apoio de uma parte significativa das elites capitalistas dos EUA que estão plenamente conscientes do fracasso das políticas adotadas pelos governos d Bush e de Obama. 

Isso explica porque Trump nomeou tantos representantes do Grande Capital para ocupar cargos importantes em seu governo. Afinal, ele é um membro das elites capitalistas ianques mas, tal como muitos outros integrantes das mesmas, Trump se deu conta do enfraquecimento dos EUA no cenário mundial. Logo, não é à toa que o seu lema de campanha foi o de 'Fazer a América Grande Novamente'. Como eu já escrevi, o Trump é o Gorbatchev dos EUA e ele tentará promover mudanças no país a fim de fortalece-lo novamente. 

A luta promete ser dura e a se levar em consideração o que aconteceu com Abraham Lincoln e John F. Kennedy, o novo presidente dos EUA deveria se preocupar bastante com a sua segurança. 
Theresa May é a líder do Partido Conservador britânico e faz duras críticas às políticas neoliberais, que começaram a ser impostas pelo governo de Thatcher. Ela também anunciou que o Reino Unido fará uma saída completa da União Europeia. O Brexit mostra o quanto as políticas neoliberais são rejeitadas atualmente. 

Links:


A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! 


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2017/01/a-alianca-entre-china-e-russia-e-nova.html

A eleição de Donald Trump e o fim do neoliberalismo progressista - Nancy Fraser - 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/46163/a+eleicao+de+donald+trump+e+o+fim+do+neoliberalismo+progressista.shtml

EUA armaram o Estado Islâmico e se recusaram a ajudar governo da Síria na luta contra o grupo terrorista: 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/37414/wikileaks+eua+armaram+estado+islamico+e+se+recusaram+a+ajudar+siria+no+combate+ao+grupo.shtml

Theresa May critica as desigualdades sociais no Reino Unido:

http://oglobo.globo.com/mundo/sem-falar-em-brexit-theresa-may-foca-discurso-em-justica-social-19708286

Dívidas dos estudantes universitários nos EUA ultrapassa US$ 1,3 trilhão:


Pepe Escobar: A Nova Guerra Híbrida do século 21:


Theresa May anuncia saída plena do Reino Unido da UE:


As Guerras Sujas dos EUA que matam milhares de inocentes pelo Mundo:


Vídeo - Documentário 'Guerras Sujas', de Jeremy Scahill (legendado em Português e na Íntegra): 

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