quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Inflação menor, superávit comercial elevado e queda do déficit externo em 2016 já eram previstos! Governo Temer não teve nada a ver com isso! - Marcos Doniseti!

Inflação menor, superávit comercial elevado e queda do déficit externo em 2016 já eram previstos! Governo Temer não teve nada a ver com isso! - Marcos Doniseti!
A taxa de Inflação brasileira ficou 11 anos consecutivos dentro das metas (que vai de 2,5% a 6,5% ao ano) entre 2004 e 2014. Em 2004, o teto da meta era maior e por isso a taxa (de 7,6%) ficou dentro da meta. Somente em 2015 é que a inflação superou as metas, ficando em 10,57%, devido à seca e à maxidesvalorização do Real. Mas em 2016, como já era previsto, ela voltou a ficar dentro das metas.

A inflação de 2016 (que ficou em 6,29%) foi menor do que a de 2016 (10,57%) devido a vários motivos, que eram perfeitamente previsíveis e com os quais os governo Temer não tem qualquer conexão.


Os motivos foram:

1) A forte seca que tivemos em 2014 obrigou o governo Dilma a acionar as usinas termelétricas (que tem um custo de geração muito maior do que o das hidrelétricas) e isso foi repassado (por obrigações contratuais) para as tarifas de energia, elevando a inflação. 

Com o fim da seca, as hidrelétricas voltaram a ser acionadas e as termelétricas foram desligadas, barateando as tarifas, contribuindo para a desaceleração da inflação.

A respeito deste assunto, sugiro que leiam esse trecho de uma matéria do 'Deutsche Welle' de 05/02/2015:

O peso da geração térmica no setor elétrico praticamente quadruplicou em dois anos. Em 2011, as termelétricas geraram 4,5% da energia consumida no país, e em 2013, 16,3%. Em dezembro de 2014, período em que a demanda aumentou devido ao início do verão e à estiagem prolongada, a cifra chegou a 30,13% - o dado anual anda não foi divulgado."A participação das termelétricas na matriz energética brasileira nos últimos anos cresceu exponencialmente", diz André Nahur, coordenador de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil... A geração térmica, porém, é muito mais cara que a hidrelétrica ou eólica. Enquanto, o megawatt-hora (MWh) das usinas eólicas e hidrelétricas custa em torno de 100 reais, nas termelétricas, esse valor pode ultrapassar os 800 reais. E a partir deste ano, o custo da geração térmica será repassado às tarifas de energia elétrica.".

http://www.dw.com/pt-br/termel%C3%A9tricas-pesam-no-bolso-do-consumidor-brasileiro/a-18236852


O salário minimo teve um aumento real de 91,3% durante os governos de Lula e Dilma. Com isso, o mesmo passou a permitir a compra de 2,17 cestas básicas em 2010, contra 1,42 em 2002.

2) Com a depressão econômica que tivemos em 2016, ano em que o PIB caiu 5% no acumulado de Janeiro a Outubro, os empresários (da indústria, comércio, serviços) ficaram sem condições de aumentar os preços.


Afinal, o desemprego disparou, o poder de compra da população está diminuindo e o consumo interno está desabando (as vendas do comércio varejista brasileiro desabaram 6,4% em 2016) e, nestas condições, não é possível aos empresários aumentar os preços dos seus produtos e serviços, como eles fazem na época de crescimento econômico;

3) No ano de 2015 tivemos uma maxidesvalorização do Real, que resolveu o problema das contas externas (reduzindo fortemente o déficit externo), mas isso encareceu os preços dos produtos importados, gerando um aumento de custos que foi repassado para os preços e isso elevou a taxa inflação em 2015.

Em 2016 este processo de repasse de custos já estava encerrado ,diminuindo as pressões inflacionárias;

4) Assim, com o fim da seca, a reativação das hidrelétricas, a forte queda do consumo interno, a gigantesca queda do PIB em 2016 e o fim dos efeitos inflacionários gerados pela maxidesvalorização do Real era mais do que previsível que a inflação de 2016 seria menor do que a de 2015. 
Em Dezembro de 2014 o Brasil teve a menor taxa de desemprego da sua história (4,3%). Daí tivemos o início do movimento golpista (Terrorismo Midiático, Pautas-Bomba, operação Lava Jato, boicote aos projetos do governo Dilma no Congresso Nacional) e o resultado é que, agora, o Brasil já tem uma taxa de desemprego de 11,8% e que irá aumentar ainda mais em 2017, como até o governo de Temer admite.

Logo, o governo Temer não teve nada a ver com isso.

Em Julho de 2015 eu já dizia, aqui mesmo, que a inflação iria desacelerar.

Vejam o que escrevi naquele momento:

"Desta maneira, o próprio Banco Central prevê uma inflação de 4,8% para o final de 2016. E o Boletim Focus do BC, que reúne as previsões do mercado financeiro, apontam para uma taxa acumulada de 5,45% em 2016. Assim, com a sensível queda da inflação que acontecerá no próximo ano, em 2016 teremos o início de um processo de redução da taxa Selic, que hoje está em 13,75% ao ano, mas que em termos reais, descontada a inflação acumulada em 12 meses, que é de 8,89% segundo o IPCA (IBGE), fica em 4,9% ao ano".

E o que aconteceu em 2016? A taxa de inflação foi menor do que a de 2015 e a Selic começou a ser reduzida. 

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2015/07/indices-ja-mostram-desaceleracao-da.html

Em Janeiro de 2016 voltei a escrever e publicar um texto no qual afirmava que a inflação iria diminuir naquele ano. Olha a prova aqui:

"A inflação será bem menor em 2016 e deverá ficar próxima do teto da meta, em torno de 6,5%, contra uma taxa de 10,5% em 2015. Com isso, os juros (Selic) poderão ser reduzidos, estimulando o crescimento econômico".

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/01/o-ajuste-economico-ja-foi-feito-agora-e.html

A inflação de 2016 ficou em 6,29%, contra uma estimativa de 6,5% que eu havia feito em Janeiro do ano passado. 

Acertei novamente. 
Reservas internacionais líquidas brasileiras cresceram de US$ 16,3 bilhões (2002) para US$ 379 bilhões (2014). Atualmente, elas estão em US$ 373 bilhões. Elas superam a dívida externa total do país, que é de US$ 333 bilhões. 

Então não venha o governo Temer e os golpistas usar o discurso de que a desaceleração da inflação em 2016 foi obra do governo ilegitimo, não.


Essa desaceleração da inflação já era prevista desde meados de 2015. 

5) Ajuste nas Contas Externas:

Outra coisa que eu afirmei aqui, nestes textos de 2015 e 2016, é que a maxidesvalorização do Real iria permitir que se fizesse o ajuste das contas externas, reduzindo sensivelmente o déficit das mesmas.

Dito e feito.

Em novembro de 2016 o IPEA anunciou que o ajuste das contas externas já tinha terminado, sendo que o Brasil fechará o ano com um pequeno déficit, de apenas 1% do PIB, que é facilmente financiável, por meio do superávit comercial e da atração de investimentos estrangeiros produtivos.
Em texto publicado aqui em Janeiro de 2016 eu escrevi o seguinte:

"Ajuste das contas externas já está em andamento. Para isso, é necessário manter o dólar no patamar atual, entre R$ 3,80 e R$ 4,10, pelo menos. Essa desvalorização do Real permitirá o aumento das exportações, principalmente de produtos industrializados (o que já está acontecendo), e o início de um processo de substituição de importações (que também já está em pleno andamento)... E a balança comercial, que se tornou deficitária na época da supervalorização do Real (1995-2000 e em 2013), agora voltou a ser superavitária. Em 2015, o superávit comercial ficou em quase US$ 19,7 bilhões, sendo o maior desde 2011. E para 2016 a previsão é de um superávit comercial ainda maior. As estimativas vão de US$ 35 bilhões a US$ 50 bilhões.".

Acertei novamente, pois o superávit comercial brasileiro ficou em US$ 47,7 bilhões em 2016.

Como se percebe, todas essas melhorias no cenário econômico brasileiro (desaceleração da inflação, queda do déficit externo, aumento do superávit comercial, redução da taxa Selic) já eram previstas para este ano.

Logo, o governo de Temer não tem absolutamente nada a ver com estas melhorias.

Elas aconteceram apesar do governo Temer e não em função dele.

É isso.
A Dívida Pública Líquida despencou durante os governos Lula e Dilma, caindo de 60,4% do PIB (2002) para 34,9% do PIB (2014). E no final de 2015 ela estava em 35,6% do PIB. Agora, com o governo ilegítimo comandando o país, ela já subiu para 43,8% do PIB. 

Links:


Texto de Janeiro de 2016: Ajuste econômico já foi feito! Agora é hora de voltar a crescer:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2016/01/o-ajuste-economico-ja-foi-feito-agora-e.html

Inflação medida pelo IPCA fecha 2016 em 6,29%:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-01/inflacao-de-2016-e-de-629

Vendas do comércio varejista brasileiro despencaram 6,4% em 2016:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-01/varejo-cresce-em-novembro-mas-vendas-caem-64-no-acumulado-do-ano

PIB do Brasil desaba 4% entre Janeiro e Setembro de 2016:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/11/pib-do-brasil-recua-08-no-3-trimestre-de-2016.html

OCDE prevê forte queda do PIB brasileiro em 2016 e estagnação em 2017:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/11/ocde-projeta-estagnacao-do-brasil-em-2017.html

Uso de termelétricas emergenciais irá encarecer custo de energia no Brasil:

http://www.dw.com/pt-br/uso-cont%C3%ADnuo-de-termel%C3%A9tricas-emergenciais-deve-encarecer-energia-no-brasil/a-17492997

IPEA anuncia que o ajuste das contas externas já foi feito e que déficit externo despencou:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,para-ipea-ajuste-em-contas-externas-acabou,10000086305

Déficit Externo cai para apenas 1,1% do PIB em 2016:

https://www.bcb.gov.br/htms/notecon1-p.asp

Brasil fecha 2016 com superávit comercial de US$ 47,7 bilhões:

http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2017/01/pais-fecha-2016-com-saldo-comercial-recorde-de-us-47-7-bilhoes-974.html

Governo Temer: Dívida Pública Líquida sobe para 43,8% do PIB:

https://www.bcb.gov.br/htms/notecon3-p.asp

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