quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! - Marcos Doniseti!

A aliança entre China e Rússia e a Nova Globalização Inclusiva que derruba a hegemonia global dos EUA! - Marcos Doniseti!
Xi Jinping e Putin lideram um projeto de Globalização Inclusiva, na qual todos os países participantes são beneficiados, algo que nunca aconteceu no processo de Globalização Neoliberal (liderado pelos EUA), no qual apenas os países ricos se beneficiaram.  

Se dependesse apenas dos EUA, do Japão e da UE, a economia global ficaria estagnada por muitos anos, pois são economias que crescem muito menos do que as dos países emergentes. 


Desde o estouro da crise neoliberal global de 2008/2009 que quase todo o crescimento econômico que tivemos no Mundo foi de responsabilidade exclusiva dos países emergentes, principalmente dos BRICS. 

Os BRICS estão, inegavelmente, ganhando cada vez mais influência no cenário mundial, principalmente a Rússia e a China. 

O Brasil também estava conseguindo fazer o mesmo (principalmente na América Latina e na África), durante os governos Lula e Dilma, mas o Golpe de Estado e a operação Lava Jato fizeram o país perder muito espaço no cenário internacional ao enfraquecer a Petrobras e as empreiteiras brasileiras, que estão entre as mais capacitadas do mundo.

Assim, não é à toa que Temer e Meirelles são praticamente ignorados nos principais eventos globais, como nas reuniões dos BRICS, do G20 e no Fórum Econômico Mundial (Davos). O fato concreto é que ninguém mais se importa com o Brasil, que diminuiu muito de tamanho no cenário mundial após o Golpe de Estado vitorioso em 2016. 

Mas é bom esclarecer uma coisa: A China defende o livre-comércio, sim, mas não defende as políticas neoliberais e de arrocho que foram impostas pelo FMI e pelo Banco Mundial. E o seu projeto de Globalização (Um Cinturão, Uma Estrada), que conduz junto com a Rússia, não é Neoliberal e tampouco Imperialista, como é o caso da Globalização Neoliberal que foi imposta pelos EUA nas últimas décadas (desde o governo Reagan). 
Dois dos principais projetos da Nova Rota da Seda serão ferrovias de alta velocidade (TGVs) que ligarão o Extremo Oriente (Rússia e China) com a Espanha, atravessando inúmeros países asiáticos e europeus.
A Globalização Neoliberal e os seus desastres!!

O FMI e o Banco Mundial foram instrumentos fundamentais da Globalização Neoliberal que Ronald Reagan e Margaret Thatcher impuseram ao mundo a partir da década de 1980. 

Já o modelo de Globalização defendido por Rússia e China não tem absolutamente nada a ver com a finada e falida Globalização Neoliberal.

Na época da Globalização Neoliberal, os empréstimos que as duas instituições (FMI e Banco Mundial) ofereciam a países em crise (América Latina, África, Ásia, Europa Central e do Leste) vinham acompanhados de uma série de exigências que arruinavam as economias destes países, tais como: 

A) Privatizações desnacionalizantes, como essas que estamos vendo o governo ilegítimo de Temer promover de forma acelerada (da Petrobras e do petróleo do pré-sal, em especial); 

B) Abertura unilateral da economia para investimentos, capital financeiro, produtos e serviços importados (originários dos países desenvolvidos, é claro);

C) Arrocho salarial e aumento de impostos, empobrecendo a população;

D) Reformas previdenciária e trabalhista, que são imensamente prejudiciais aos trabalhadores, aos mais pobres e aposentados; 

E) Cortes drásticos dos investimentos públicos (em infra-estrutura e na área social);

F) Extinção de políticas industrializantes.

Tais políticas aumentavam a concentração de renda, as desigualdades sociais, o desemprego, a pobreza e a miséria nos países que recorriam ao FMI e ao Banco Mundial. 
Um dos projetos da Nova Rota da Seda será a construção de um TGV (trem de alta velocidade) que ligará Pequim a Moscou. Ele terá 7000 quilômetros de extensão e o custo do projeto é de 'apenas' US$ 278 bilhões. 
A Globalização Inclusiva da China e Rússia!!

Já no processo de Globalização Inclusiva que é comandado pela Rússia e pela China não se faz nada disso. 


Vejam que o projeto da China-Rússia, que se chama 'Um Cinturão, Uma Estrada', irá disponibilizar US$ 900 bilhões em empréstimos para os países que aderirem ao mesmo e não irá impor nenhuma condição ou exigência para se poder liberar os recursos. E os países que fizerem tais empréstimos ainda irão pagar juros baixos e terão longos prazos para poder pagar os mesmos. 

Assim, a aliança China-Rússia defende e implementa um projeto de Globalização Inclusiva, que é muito diferente daquele (Neoliberal e Imperialista) que os EUA e o Reino Unido impuseram ao Mundo nos últimos 35 anos.

O projeto russo-chinês de Globalização é baseado no princípio 'ganha-ganha' (Pepe Escobar explica isso direto em seus textos), ou seja, todos os países participantes serão beneficiados pelo mesmo.

Os gigantescos investimentos que serão feitos em ferrovias de alta velocidade, oleodutos, gasodutos, sistema de telecomunicações, portos, aeroportos irão beneficiar a todos os países que se integrarem ao projeto 'Um Cinturão, Uma Estrada'.

Vejam o que Pepe Escobar escreveu em um texto publicado em Abril de 2015 no site 'Oriente Mídia' (ver link abaixo):

"A parceria estratégica em constante evolução não tem a ver só com energia – incluindo a possibilidade de investimentos controlados pela China em projetos russos cruciais de petróleo e gás – assim como na indústria da defesa; é cada vez mais assunto de investimentos, banking, finança e alta tecnologia.

O alcance da parceria é extremamente amplo, desde a cooperação Rússia-China dentro da Organização de Cooperação de Xangai, até a participação Rússia-China no novo banco de desenvolvimento dos BRICS e o apoio russo ao Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura, BAII [orig. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)] liderado pelos chineses, passando pelo apoio russo à Fundação Rota da Seda que os chineses controlam. Pequim e Moscou, com outros países BRICS, estão andando rapidamente em direção ao comércio independentemente do dólar norte-americano, usando suas próprias moedas.".

Enquanto isso, o falido e finado projeto de Globalização Neoliberal anglo-saxônico era baseado no princípio 'ganha-perde', com os países ricos ficando com todos os benefícios e os países emergentes sendo sugados de suas riquezas de tudo quanto é jeito, com os países desenvolvidos usando do FMI e do Banco Mundial como os instrumentos de imposição destas políticas, que arruinaram as economias de muitos países em todos os continentes, tais como a Rússia, Polônia, Argentina, África do Sul, entre outros (Naomi Klein explicou isso muito bem em seu livro 'A Doutrina do Choque').
A União Europeia enfrenta uma grave crise. Políticas neoliberais e de arrocho que são impostas aos países membros são rejeitadas pela maioria da população do bloco. Isso gerou a saída do Reino Unido, a derrota de Renzi no referendo italiano e a desistência de Hollande de tentar a reeleição na França.

Essa diferença entre os dois projetos de Globalização explica porque inúmeros países da Ásia, África e Europa irão participar do projeto russo-chinês de integração econômica. Até mesmo a Hungria, integrante da UE, já se associou ao mesmo. E o número de países africanos que deseja participar do 'Um Cinturão, Uma Estrada' é cada vez maior. 


O fracasso da Globalização Neoliberal!!

E o fracasso da Globalização Neoliberal é mais do que evidente por uma série de acontecimentos recentes, tais como:

1) A vitória de Trump na eleição presidencial nos EUA, derrotando a candidata dos Neocons e dos Neoliberais (Hillary);

2) A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit);

3) A derrota de Matteo Renzi, primeiro-ministro que adotou políticas neoliberais e de arrocho em seu governo, no referendo realizado na Itália;

4) O rápido crescimento do M5S ('Movimento 5 Estrelas'), que é um partido italiano anti-neoliberal (que é liderado por um humorista, Beppe Grillo), e que foi o grande vencedor das eleições municipais italianas realizadas em 2016;
Frauke Petry lidera o 'Alternativa para a Alemanha', partido direitista, anti-imigrantes e xenófobo que cresce rapidamente no país. Ela é jovem, carismática, bonita e sorridente, mas defende que os militares alemães tem o direito de atirar em qualquer imigrante ilegal que tente entrar no território alemão. O fortalecimento de partidos como o liderado por Petry são um sinal mais do que evidente da grave crise pelo qual passa o projeto de integração europeu. 

5) O partido de Angela Merkel sofre sucessivas derrotas em eleições regionais na Alemanha, sendo que o partido que mais cresce é o 'Alternativa para Alemanha', de Frauke Petry, anti-imigração e xenófobo;


6) Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, irá para o segundo turno na eleição presidencial francesa deste ano.

Um Mundo Multipolar está nascendo!

Com todas essas mudanças que ocorrem no cenário mundial, a tendência é que o projeto de Globalização Neoliberal vá se esvaziando rapidamente, como já está acontecendo, e o projeto globalizante e inclusivo da Rússia e China vá se fortalecendo cada vez mais. 

Desta maneira estamos assistindo ao nascimento de um Mundo Multipolar, gostem ou não os Neocons e os Neoliberais e demais fãs e defensores do Imperialismo Ianque.

A verdade é que vocês fracassaram, neocons e neoliberais anglo-saxônicos.

Agora chegou o momento de vocês saírem de cena e deixarem o palco para os novos protagonistas globais: China e Rússia e a sua Globalização Inclusiva.  
Trump já ameaçou a Ford, Toyota, GM e BMW com a imposição de elevadas tarifas de importação (de 35%) caso elas insistam em construir fábricas no México e exportar a produção para os EUA. Como se percebe, Trump não está para brincadeiras. 

Links:

Pepe Escobar explica as origens da Nova Rota da Seda e mostra porque o Oceano Pacífico não é mais um 'lago anglo-saxônico':


Pepe Escobar: Nova Rota da Seda (da China) encontra a União Eurasiana (da Rússia):


China ambiciona o poder global com Nova Rota da Seda:


Primeiro trem de carga da China para a Grã-Bretanha chega a Londres:


Trump ameaça BMW com elevadas tarifas de importação se ela construir fábrica no México:


Maduro afirma que Trump não pode ser pior que Obama:


Vitória de Trump e o fim do neoliberalismo 'progressista':


Ricardo Bellino: De louco o Trump não tem absolutamente nada:


A expansão da Rota da Seda até o Ocidente e as suas implicações Geopolíticas:


Deputado da Croácia compara OTAN com a Alemanha Nazista e critica Imperialismo dos EUA:


Frauke Petry: A nova cara da extrema-direita na Alemanha:


O nacionalismo excludente ressurge na Alemanha:


Vitória de Trump representa a derrota de Wall Street:


Halford J. Mackinder - Visão Geoestratégica:


Primeiro-Ministro da França admite que Marine Le Pen poderá vencer eleição presidencial em 2017:


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