quarta-feira, 29 de junho de 2016

Europa, América Latina e os Nacionalismos! – Marcos Doniseti!

Europa, América Latina e os Nacionalismos! – Marcos Doniseti!
Getúlio Vargas criou a Petrobras e o monopólio estatal do petróleo, bem como a CLT, o BNDES e a Vale do Rio Doce. A atuação do Estado foi fundamental para se promover o desenvolvimento econômico e social brasileiro nas décadas seguintes.  
Considerei muito interessante e pertinente a reflexão do Rodrigo Vianna sobre a saída do Reino Unido da UE, bem como sobre a questão do Nacionalismo, que ele publicou em seu blog.

Ele chama a atenção para algo importante em seu texto, de que o Nacionalismo na Europa sempre teve um caráter fortemente conservador, xenófobo, racista e imperialista.

Fascismo, Nazismo, Salazarismo, Franquismo, foram todos movimentos políticos de Direita Nacionalista. 

Mas no caso da América Latina, historicamente subjugada pelos Impérios Capitalistas (da própria Europa, inclusive) o Nacionalismo teve (e ainda tem) um perfil mais progressista e próximo das reivindicações das classes trabalhadoras, das camadas populares.

Assim, foram governos nacionalistas que, na América Latina, implantaram uma legislação social, trabalhista e previdenciária (CLT no Brasil, por exemplo), que nacionalizaram os recursos naturais (petróleo, cobre, etc), que criaram empresas estatais que investiram fortemente em infra-estrutura e no desenvolvimento científico, tecnológico e industrial destes países.

No Brasil, por exemplo, onde essa política teve maior alcance e foi mais bem sucedida, tivemos a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce, do BNDES, da Telebras, da Eletrobras, da Embraer, das siderúrgicas estatais (CSN/Cosipa/Usiminas/CST), das petroquímicas, todas frutos dos investimentos feitos pelo Estado, sem os quais o processo de modernização e de desenvolvimento do país não teria sido levado adiante.

Aqui, na América Latina, o chamado Liberalismo sempre foi golpista, excludente, elitista, reacionário e entreguista, sendo um notório defensor de um Estado Mínimo quando se trata de defender os trabalhadores, e de um Estado Máximo quando se trata de beneficiar o Grande Capital privado, nacional e estrangeiro.

Também não de pode esquecer que os liberais latino-americanos sempre gostaram de promover Golpes de Estado às pencas, bem como de apoiar inúmeras Ditaduras, principalmente as Militares. E isso continua a acontecer, mesmo no século XXI (vide os Golpes de Estado em Honduras, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Equador e, agora, no Brasil). 
O nazismo foi um movimento nacionalista, extremista, imperialista, militarista e racista, que visava escravizar exterminar os povos e 'raças' que considerava como sendo inferiores. 
Portanto, o Liberalismo latino-americano, diferente do Europeu, nunca esteve ligado à ampliação dos direitos políticos e sociais da maioria da população, muito pelo contrário. 

Na Europa, esse foi o principal efeito das chamadas Revoluções Burguesas (Liberais) que explodiram no Velho Mundo a partir da Revolução Francesa (1789-1799). No século XIX, elas aconteceram, praticamente, em todo o continente europeu (Espanha, Portugal, França, Alemanha, Itália...).

Uma das consequências da Revolução Francesa (Liberal) de 1830, por exemplo, foi a adoção do voto universal masculino.

Enquanto isso, na América Latina, as eleições (durante todo o século XIX) contavam apenas com a participação dos mais ricos (era o voto censitário). No Brasil, por exemplo, o voto censitário deixou de existir apenas com a Proclamação da República (1889).

Porém, a partir da segunda metade do século XIX, em especial, o Nacionalismo europeu também adquiriu características fortemente negativas, em função da própria realidade europeia, promovendo ideias xenófobas, racistas, militaristas e também, em vários casos, imperialistas (o que resultou na criação do Fascismo e do Nazismo).

Na Europa dos séculos XIX/XX existiam várias Nações ou Impérios multinacionais (o Russo, o Austro-Húngaro e o Turco-Otomano - parte europeu e parte asiático - eram os principais), nas quais conviviam povos das mais variadas nacionalidades, cada um com suas línguas, culturas, costumes e tradições.

Assim, o único jeito de uma nacionalidade se afirmar era atacando, expulsando ou eliminando aquelas que estavam presentes em ‘seu’ território.

Com isso, o nacionalismo europeu tornou-se reacionário.

E em vez de termos inúmeros povos convivendo pacificamente dentro de um mesmo Estado Nacional, ocorreu exatamente o contrário.


Stalingrado em 1943? Berlim em 1945? Não. Sarajevo (Bósnia) em 1995. 
Obs: Aliás, essa coexistência pacífica entre inúmeros povos, e sob um mesmo governo, é o principal objetivo do processo de integração europeu que começou no Pós-Guerra e que resultou na União Europeia. Sua finalidade é construir uma união política que englobe toda a Europa.  

Isso ajuda a explicar, por exemplo, o genocídio dos turcos contra os armênios entre 1915-1923, que ocorreu numa época em que os turcos otomanos estavam querendo fortalecer o seu Império, que sofria um processo de decadência que já durava várias décadas, e no qual viviam inúmeros povos: turcos, gregos, armênios, judeus, curdos.

Também tivemos inúmeros conflitos entre sérvios e croatas, romenos e húngaros, entre muitos outros que estouraram na Europa desde então.

A ‘Guerra da Iugoslávia’ (1991-1995) foi resultado, em grande parte, dos vários Nacionalismos que existiam no país.

Ela foi a mais brutal e sangrenta guerra que ocorreu na Europa depois da Segunda Guerra Mundial e foi insuflada pelos vários movimentos nacionalistas que existiam neste país de caráter multinacional, multiétnico e multi-religioso, no qual conviviam sérvios, croatas, eslovenos, bósnios, macedônios, bem como católicos romanos, cristãos ortodoxos e muçulmanos.

Mesmo o liberal Reino Unido, foi sacudido, no século XX, por conflitos envolvendo ingleses e irlandeses. Estes promoveram uma guerra de independência, que resultou na separação da maior parte da ilha da Irlanda, que deu origem à República do Eire, de maioria católica, enquanto que a parte norte da ilha (Ulster), de maioria protestante, originou a Irlanda do Norte.
Cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos pelos turcos entre 1915-1923. O Genocídio Armênio foi um dos mais brutais crimes da história.
Portanto, temos que diferenciar o Nacionalismo europeu (liberal no princípio, mas reacionário – racista, xenófobo, militarista e imperialista - mais adiante) do Nacionalismo latino-americano (que visava promover o desenvolvimento econômico nacional soberano – com o Estado controlando as riquezas nacionais - e a expansão dos direitos sociais e políticos das camadas populares).

Eles são expressões distintas, que se referem a fenômenos políticos e sociais, bem como a momentos históricos, radicalmente diferentes.

Link:

Rodrigo Vianna - O Nacionalismo e as Esquerdas:


Veja de que maneira a UE trata países do bloco cujos governos são contra as políticas neoliberais e de arrocho! - Marcos Doniseti!

Veja de que maneira a UE trata países do bloco cujos governos são contra as políticas neoliberais e de arrocho! - Marcos Doniseti!
Angela Merkel e Wolfgang Schauble querem reforçar o domínio alemão sobre a União Europeia e a Zona do Euro, a fim de fortalecer as políticas neoliberais e de arrocho. Parece que eles não aprenderam nada com o Brexit. 
Olha só que picaretagem que o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, fez:

1) Ele veio a público dizer que o governo de Portugal seria obrigado a pedir um novo empréstimo, a fim de sanear a sua economia;

2) Se isso acontecesse, Portugal seria obrigado a aceitar uma série de exigências por parte da UE para ter acesso aos novos empréstimos (mais arrocho, com privatizações, redução de salários e eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários);

3) Logo depois, a notícia foi desmentida.

Mas o estrago já estava feito.

Agora, só pelo fato do ministro das Finanças do país mais rico e poderoso da UE, o da Alemanha, falar isso já se criam inúmeros problemas para os portugueses.

Agora, por exemplo, os especuladores financeiros irão adotar uma postura mais rígida em relação aos títulos da dívida de Portugal, passando a exigir juros maiores para continuar financiando os gastos do governo português ou até mesmo recusando-se a comprar tais títulos.

Com isso, haverá muita especulação contra os títulos do governo de Portugal, piorando a situação econômica e financeira do país, levando-o a uma nova crise econômica.

4) Assim, com a piora da sua situação econômica e financeira, o governo português pode vir a ser obrigado, mesmo contra a sua vontade, a pedir um novo pacote de resgate, tal como já fez há alguns anos;

5) Portugal enfrentou uma crise muito forte desde o estouro da crise mundial, em 2008. O seu sistema financeiro faliu. O desemprego cresceu fortemente. Sua taxa de desemprego é de 12,4%. Entre os jovens, essa taxa é de 29,9%. Mais de 20% dos portugueses emigrou nos últimos anos, principalmente os mais jovens, em busca de empregos, inexistentes em Portugal.

É contra esse país que o ministro das Finanças alemão promove um terrorismo descarado, a fim de agravar a crise e obrigá-lo a se sujeitar às políticas pela Alemanha e pela UE.

E ele faz isso porque o atual governo de Portugal é fruto de uma aliança que reúne partidos de Esquerda e Centro-Esquerda (Bloco de Esquerda, Comunista, Verdes e Socialista) e está procurando, de forma gradual, enterrar as políticas neoliberais e de arrocho, .

É muita picaretagem.

É por causa deste tipo de safadeza que os governantes da UE são tão impopulares em todo o bloco e mesmo na França há uma grande parte da população, a maioria absoluta, que rejeita a União Europeia. Isso ajuda a explicar, também, porque os britânicos preferiram sair da UE.

Isso também comprova que é necessário se promover uma mudança significativa nas políticas da UE, que prejudicam imensamente aos trabalhadores, aos jovens e aos mais pobres, principalmente.

Links:

Ministro das Finanças alemão diz que Portugal precisará de novo pacote de resgate:


O plano secreto da Alemanha para reforçar seu controle sobre os demais países membros da UE e da Zona do Euro:

sábado, 25 de junho de 2016

Brexit: Macri, Temer, Hollande e a UE: Tudo a Ver! - Marcos Doniseti!

Brexit: Macri, Temer, Hollande e a UE: Tudo a Ver! - Marcos Doniseti!
Merkel impõe aos países membros da UE as políticas neoliberais e de arrocho que interessam ao grande capital financeiro, o alemão, em especial. Ela consegue, assim, manter todos os povos do bloco europeu na dependência da inexistente boa vontade germânica. Merkel consegue, assim, por meio do Euro, o que Hitler não alcançou promovendo guerras brutais.  
1) Quem diria que grande parte da Esquerda brasileira iria defender o atual projeto de integração da UE, que impõe, a todos os países membros do bloco, políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho, por meio das quais eliminam-se direitos sociais, trabalhistas e previdenciários e promove-se a precarização do trabalho?;

2) Estas são as mesmas políticas que o governo FHC implantou e que o governo golpista e ilegítimo de Temer está querendo trazer de volta, no Brasil, e contra as quais lutamos diariamente. E são as mesmas políticas que o governo Macri está adotando na Argentina;

3) Para se comprovar isso, basta ver que enquanto Temer quer aprovar a terceirização generalizada, destruir a CLT e os programas sociais, o presidente da França, François Hollande (do Partido Socialista), quer aprovar uma reforma trabalhista que irá promover uma generalizada precarização do mercado de trabalho, aumentando jornadas de trabalho, reduzindo-a capacidade de mobilização e de luta dos sindicatos e das centrais sindicais, arrochando salários. 

Qual é a diferença, afinal, entre os governos Macri, Temer e Hollande quanto à natureza de suas políticas? Nenhuma. Todos eles são neoliberais, adotando políticas que são totalmente contrárias às necessidades e demandas dos trabalhadores e dos mais pobres e atendem, exclusivamente, aos interesses do capital financeiro;

4) Na Europa, as novas forças de Esquerda são bastante críticas do atual projeto da UE, que é neoliberal, excludente, elitista e retrógrado. Nenhuma destas novas forças é contra o processo de integração europeu. O que se faz é lutar por uma outra Europa;
Catarina Martins e Mariana Mortágua são duas das principais líderes do Bloco de Esquerda, que deseja construir uma outra Europa, voltada para beneficiar os cidadãos e não os banqueiros. 
5) Entre as novas forças da Esquerda europeia, nós temos o Bloco de Esquerda (Portugal), o Podemos (Espanha) e o Syriza (Grécia). 

Eles não são, ao contrário do que a Grande Mídia diz, radicais ou de extrema-esquerda. Isso é asneira, discurso feito por mentirosos ou desinformados. Seus programas são tipicamente Social-Democratas, de Centro-Esquerda, defendendo a reconstrução e manutenção de um Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) na UE;

6) No caso do Brexit, quem votou pela saída do Reino Unido da UE foram os mais pobres, os trabalhadores de baixa renda, aposentados, que empobreceram ultimamente e que sentem prejudicados pelas políticas impostas pela UE;

7) O sistema financeiro e os banqueiros britânicos e europeus, queriam manter o Reino Unido na UE, pois o projeto desta atende aos seus interesses;

8) Na questão do Brexit e da crise da UE não se fala, praticamente, das políticas de arrocho neoliberal que a UE obriga todos os países a adotar. 

No governo de Tsipras/Syriza, a Grécia tentou mudar, abandonando tais políticas, e foi impedida pela UE, que agiu de forma extremamente autoritária em relaçao ao povo grego. 

Em resumo, a UE disse aos gregos: Se quiserem abandonar as políticas neoliberais e de arrocho, então vocês terão que sair da UE!;

9) Isso é Democracia? Isso é defender um projeto progressista? Que piada. Um projeto de integração que não permite a adoção de políticas alternativas, possui, inegavelmente, um caráter ditatorial;
Membros da CGT, central sindical francesa, protestam contra as políticas de arrocho e de austeridade que são impostas pela UE. Atualmente, a UE conta com 26 milhões de desempregados. Entre os jovens, o desemprego tornou-se um problema crônico, atingindo a taxa de 18,8% no bloco europeu.
10) Outro aspecto altamente negativo do atual processo de integração europeu é quanto ao fato de que quem o lidera, quem governa a UE, não ter sido eleito pelo povo. 

O historiador britânico marxista Eric Hobsbawm já dizia isso há muitos anos, ou seja, que as decisões de governo na UE eram cada vez mais tomadas por tecnocratas não eleitos pelo povo;

11) Enquanto isso, na UE, os dirigentes que o povo elege (parlamentares, presidentes e primeiros-ministros) perdiam seus poderes, transferindo-os aos tecnocratas do bloco;

12) O projeto atual da UE é anti-democrático, neoliberal, excludente, concentrador de renda e beneficia apenas ao capital financeiro;

13) Nos últimos anos, em especial após o estouro da crise mundial, em 2008, as políticas neoliberais e de arrocho foram intensificadas na UE, o que reduziu o padrão de vida da população: o valor dos salários e dos benefícios previdenciários foram reduzidos, impostos foram aumentados, novas privatizações foram realizadas. A UE enfrentou uma Grande Recessão. 

Com isso, a renda per capita diminuiu, as desigualdades sociais cresceram e o desemprego tornou-se um problema estrutural. Entre os jovens europeus, o desempregou tornou-se um problema crônico. 

14) Taxa de Desemprego entre jovens na UE: 

1) Grécia 50,4%; 
2) Espanha 45%; 
3) Croácia 39%; 
4) Itália 36,9%; 
5) Portugal: 29,9%; 
6) Chipre: 28,2%; 
7) Bélgica: 24,5%; 
8) Eslováquia: 24,2%; 
9) França: 23,5%; 
10) Finlândia: 22,2%; 
11) Romênia: 20,9%; 
12) Suécia: 18,4%; 
13) Bulgária: 17,4%; 
14) Polônia: 17,1%; 
15) Eslovênia: 16,6%; 
16) Irlanda: 15,3%; 
17) Letônia: 14,3%; 
18) Hungria: 14,2%; 
19) Lituânia: 13,8%; 
20) Luxemburgo: 13,8%; 
21) Reino Unido: 13,2%; 
22) Dinamarca: 11,6%; 
23) Estônia: 11,6%; 
24) Holanda: 11,1%; 
25) Áustria: 10,4%; 
26) República Tcheca: 9,5%; 
27) Malta: 8,9%; 
28) Alemanha: 7%. 

Em todo o bloco, a taxa de desemprego entre os jovens é de 18,8%;
Na Grécia, o PIB do país desabou cerca de 22% após a adoção das políticas de arrocho que foram impostas pela Troika (BCE, UE, FMI). A taxa de desemprego entre os jovens do país chega a espantosos 50,4%.
15) Por tudo isso é que há um cansaço generalizado na UE contra essas políticas impostas pelos banqueiros europeus, alemães, em especial;

16) E como quase toda a Esquerda europeia tradicional (socialistas, trabalhistas, social-democratas) aderiu ao Neoliberalismo puro e duro (chamando essa rendição ao Neoliberalismo de 'Terceira Via'), uma grande parte da população europeia buscou refúgio em outras forças políticas (de Direita, Extrema-Direita e também em uma Nova Esquerda), que passaram a condenar as políticas neoliberais e de arrocho; 

17) Em alguns países surgiram novas forças de Esquerda, como são os casos do Syriza (Grécia) Bloco de Esquerda (Portugal) e do Podemos (Espanha), Die Linke (Alemanha). 

No Reino Unido, o Partido Trabalhista britânico elegeu um social-democrata e centro-esquerdista autêntico, Jeremy Corbyn, para ser o seu novo líder, apontando para um abandono das políticas neoliberais da 'Terceira Via' que vigoraram na época de Tony Blair/Gordon Brown.

Tais forças são totalmente favoráveis à integração europeia, mas discordam do rumo que essa tomou a partir do momento em que a imposição de políticas neoliberais e de arrocho tornou-se obrigatória dentro do bloco europeu;
A forma arrogante com que a Alemanha e a UE trataram a Grécia, após a vitória do Syriza na eleição de 2015, mostrou que as demandas e necessidades da maioria dos europeus não são levadas em consideração pelos governantes do bloco. 
Na Itália, por sua vez, surgiu um movimento (M5S, Movimento 5 Estrelas) que se diz 'nem de Direita, nem de Esquerda', mas que cresceu muito nos últimos anos defendendo maior participação popular no governo, renovação da classe política e condenando as políticas neoliberais e de arrocho impostas pela UE. 

Recentemente, o M5S conquistou as prefeituras de Roma e Turim;

18) Podemos, Syriza, Bloco de Esquerda, entre outras forças desta Nova Esquerda europeia, defendem a integração europeia com base em ideias de justiça social e participação popular, tornando o projeto de integração europeu mais democrático, justo e transparente;

19) Esconde-se, também, que a UE não possui nenhum mecanismo ou instrumento por meio do qual a população possa participar das decisões. Os tecnocratas é que decidem tudo;

20) Não existe eleição direta (popular) para escolher o presidente da Comissão Europeia. 

Um nome é indicado pelo Conselho Europeu (que é integrado pelos Chefes de Estado ou de Governo dos países membros) e o Parlamento Europeu aprova o mesmo. 

A participação popular neste processo é nenhuma. 

É como se os governadores de estado indicassem alguém para ser o Presidente da República do Brasil e o mesmo fosse eleito pelo Congresso Nacional; 
A taxa de desemprego disparou na Espanha após o estouro da crise mundial, que começou em 2008, com a quebra do Lehman Brothers. 
21) O caso da Grécia, quando elegeu Tsipras/Syriza, foi bem didático. A UE deixou claro, ali, que qualquer país que desejar permanecer no bloco tem que adotar as políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho. 

Tal atitude da UE deixou bem claro para a maioria dos europeus que o projeto atual de integração não atende aos seus interesses, mas apenas aos do sistema financeiro, principalmente dos banqueiros alemães;

22) Assim, a UE atual é, na prática, uma espécie de Ditadura das Finanças. Os banqueiros mandam e os demais abaixam a cabeça e obedecem;

23) É essa postura ditatorial dos atuais governantes da UE que está levando ao crescimento da Nova Esquerda e da Extrema-Direita em muitos países do bloco;

24) A saída do Reino Unido é bem esclarecedora: Os mais prejudicados com o atual projeto de integração (pobres, trabalhadores de menor renda e de baixa escolaridade, aposentados) foram justamente os que disseram 'Não' à UE; E os que mais se beneficiam com o processo de integração europeu (capital financeiro, pessoas de maior renda e escolaridade) votaram a favor da permanência do Reino Unido na UE;

25) Logo, o atual projeto da UE só beneficia as elites, aos mais ricos, principalmente ao capital financeiro. O 'povão', a massa trabalhadora, é imensamente prejudicado com esse projeto. 
Alberto Garzón, líder da tradicional 'Izquierda Unida', e Pablo Iglesias, líder do 'Podemos', nova força política progressista espanhola. Os dois movimentos se uniram para a eleição de Junho de 2016 e poderão vir a liderar a formação de um governo progressista que enterre as políticas neoliberais e de arrocho que são impostas pela UE.
26) A UE precisa mudar; 

27) E é exatamente isso que as novas forças da Esquerda europeia democrática e progressista (Podemos, Syriza, Bloco de Esquerda) defendem. 

Elas lutam não para destruir o projeto de integração europeu, mas para modificá-lo, tornando-o mais democrático, transparente, para que o mesmo passe a beneficiar a maioria da população e não apenas ao capital financeiro;

28) Ou a UE muda, tornando-se mais democrática e mais voltada para beneficiar a maioria da população,e não só aos banqueiros, ou ela irá acabar.

29) O que ninguém aguenta mais é a arrogância da UE, que trata os povos dos países membros como se eles fossem um monte de lixo. A insatisfação com a UE é generalizada e está espalhada por todos os países do bloco europeu. Ou a UE muda, ou ela acabará. 

30) A questão é: Será que os reais detentores do poder na UE, aqueles que controlam o capital financeiro, irão permitir que essa mudança venha a acontecer?

Se a resposta a essa questão for negativa, o futuro da UE é sombrio. Ela deverá caminhar para a desintegração. 

Infelizmente. 
Em 2015, Jeremy Corbyn tornou-se o novo líder do Partido Trabalhista, o que poderá conduzir o mesmo a adotar políticas e propostas mais progressistas, próximas das origens do partido, que foi o grande responsável por construir o Estado de Bem-Estar Social no Reino Unido do Pós-Guerra. 
Links:

Brexit é um passo forte no rumo da desagregação da UE:

http://www.esquerda.net/artigo/brexit-e-um-passo-forte-de-desagregacao-da-ue/43378

Francisco Louçã: União Europeia é um projeto fracassaddo:

https://www.publico.pt/mundo/noticia/e-a-uniao-europeia-e-um-projecto-falhado-1736179

Catarina Martins: Tem de haver outra Europa:

https://www.publico.pt/politica/noticia/catarina-martins-fala-do-falhanco-da-uniao-europeia-tem-de-haver-outra-europa-1736283

Marisa Matias critica a UE por ignorar necessidades dos cidadãos:

https://www.publico.pt/politica/noticia/marisa-matias-critica-ue-por-governar-nas-costas-dos-cidadaos-1736289

Mulheres lideram e renovam o Bloco de Esquerda:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/01/1732771-trinca-de-mulheres-reinventa-bloco-de-esquerda-na-politica-de-portugal.shtml

A UE aprendeu a lição? Tudo indica que não: 

https://www.publico.pt/mundo/noticia/1a-europa-aprendeu-a-licao-tudo-leva-a-crer-que-nao-1736282

Brexit: O terremoto de grande intensidade que a Europa há muito temia: 

https://www.publico.pt/mundo/noticia/brexit-o-sismo-de-grande-intensidade-que-a-europa-ha-muito-temia-1736264

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Quem tirou o Reino Unido da União Europeia foi a classe trabalhadora, os mais pobres e os idosos! - Marcos Doniseti!

Quem tirou o Reino Unido da União Europeia foi a classe trabalhadora, os mais pobres e os idosos! - Marcos Doniseti!
A votação do referendo que tirou o Reino Unido da União Europeia dividiu a população do país: Entre os idosos, o apoio ao Brexit chegou a quase 70%. A população de menor renda, com menor escolaridade, que vive no interior do país e em áreas com grande número de imigrantes também votou, majoritariamente, pelo Brexit. Apoio pela permanência na UE foi muito forte entre os jovens (75%) e entre a população dos grandes centros urbanos, de maior renda e de maior escolaridade. Resumindo: O projeto europeu beneficia as elites. E este é o seu grande problema. 
Quem votou contra a permanência do Reino Unido na UE foram os trabalhadores de menor renda, de menor escolaridade, aposentados e pensionistas, trabalhadores que enfrentam a concorrência dos imigrantes pelos mesmos empregos, enfim, foi o povão, a classe trabalhadora.
O sistema financeiro e as elites endinheiradas é que defendiam a manutenção do Reino Unido na UE.
E é fácil de se entender isso porque o atual processo de integração europeia é, essencialmente, neoliberal, elitista e retrógrado. Ele não tem nada a ver com os seus objetivos originais, que foram concebidos pelos socialistas franceses, lá nos anos 1950, que eram consolidar a democracia, reduzir as diferenças entre países ricos e pobres, promover a justiça social e europeizar a Alemanha, integrando-a numa Europa desenvolvida e democrática.
Além disso, desde a criação do Euro que o processo de integração europeia adotou um caráter essencialmente neoliberal, elitista e retrógrado, ignorando-se totalmente os interesses da classe trabalhadora, dos idosos e dos mais pobres. 
Desde então, este processo de integração passou a ser liderado pela Alemanha, ou melhor, pelos banqueiros alemães, que subjugaram os demais países membros do bloco, a fim de saquear as suas riquezas e explorar a sua força de trabalho, barateando-a ao extremo.
Aliás, qualquer semelhança com o 'Plano Temer' (o 'Ponte para o Futuro') não é mera coincidência, não, ok?
Para se comprovar isso basta tomar conhecimento dos termos do 'acordo' que a UE impôs à Grécia, mesmo depois que o povo grego havia recusado as imposições da Troika (BCE, UE, FMI). Dizer que são draconianos é poucos. São 'merkelianos', mesmo.

Aliás, não é à toa que tivemos uma forte votação anti-UE nas áreas que, antigamente, votavam maciçamente no Partido Trabalhista, ou seja, entre os trabalhadores de menor renda. 
E não é nada espantoso que numa era de crise econômica mundial, que começou em 2008 e que está muito longe de terminar (o FMI já a denominou de 'Grande Recessão'), os povos sempre se voltam para dentro do seu próprio país, fechando mercados e fronteiras.
Isso aconteceu na época da Grande Depressão. E ocorre o mesmo, agora, na época da Grande Recessão.
Surpreendente seria se isso não estivesse acontecendo.

Links:
Antigos bastiões do Partido Trabalhista deram forte apoio à saída da UE:


Brexit: Análise do perfil do eleitorado que votou pela saída ou permanência do eleitorado: 
Francisco Louçã: Projeto da União Europeia fracassou!

União Europeia: Projeto original foi abandonado! Capital financeiro alemão sequestrou a UE! Desemprego disparou! - Marcos Doniseti!

União Europeia: Projeto original foi abandonado! Capital financeiro alemão sequestrou a UE! Desemprego disparou! - Marcos Doniseti! 
Livro do sociólogo alemão Ulrich Beck, que há vários anos apontava os riscos de um processo de germanização da União Europeia.
Projeto atual da União Europeia é neoliberal, elitista e retrógrado! 

1) Eu sou um crítico do atual projeto de integração da UE porque ele foi totalmente desvirtuado das suas intenções originais, que eram: 

A) Consolidar a democracia liberal-representativa; 

B) Diminuir a distância entre países ricos e pobres; 

C) Europeizar a Alemanha, integrando-a numa Europa democrática; 

D) Reduzir as desigualdades sociais. 

2) Desde a introdução do Euro que estes objetivos foram abandonados, pois o sistema financeiro alemão assumiu o controle do processo de integração europeu. 

Daí em diante o que tivemos foi o seguinte:

A) Tecnocratas não eleitos pela população tomam as decisões na UE, esvaziando-se o poder dos governos e dos parlamentos nacionais (Eric Hobsbawm já falava a respeito disso), que são eleitos diretamente pela população; 

B) A distância entre países ricos e pobres está aumentando; 

C) A Alemanha é que está germanizando a Europa (sugiro a leitura do livro do Ulrich Beck, sociólogo alemão, a respeito, que se chama 'A Europa Alemã'); 

D) As desigualdades sociais estão crescendo e não diminuindo na UE, inclusive no Reino Unido;

3) A imposição de políticas neoliberais e de arrocho é que estão aumentando a concentração de renda, as desigualdades sociais, a pobreza e a miséria na UE. 

E é isso o que está alimentando o crescimento da extrema-direita e do neofascismo na Europa. Mas esse processo não é generalizado. Em vários países, quem está crescendo é uma 'nova Esquerda', o que são os casos de Portugal (com o 'Bloco de Esquerda') e da Espanha (com o 'Podemos' que, agora, se uniu à mais antiga e tradicional 'Izquierda Unida). 
Atualmente, a taxa de desemprego na Espanha está em 21%. Já são 5 anos consecutivos com taxa superior a 20%. 
No próprio Reino Unido, um trabalhista histórico e autêntico, Jeremy Corbyn, tornou-se o novo líder do Partido Trabalhista, desbancando a ala neoliberal - da Terceira Via - de Tony Blair/Gordon Brown;

4) Em 2008, o mundo entrou na pior crise econômica mundial desde os anos 1930. O FMI a denominou de 'Grande Recessão'. Desde 2008, 68 milhões de trabalhadores ficaram desempregados, segundo a OIT. 

Na UE temos cerca de 26 milhões de desempregados, sendo que as taxas entre os jovens são típicas de uma sociedade que enfrenta uma Grande Depressão. 

Na França ela é de 23,5%. Na Itália ela é de 36,9%; Na Espanha, ela chega a 45% e na Grécia ela atinge os 50,4%. Então, como se pode esperar que essa juventude continue a acreditar nos governos atuais da UE se nem um emprego eles conseguem? 

Isso ajuda a explicar o crescimento da 'Nova Esquerda' e da Extrema-Direita em muitos países europeus; 

5) A UE foi literalmente sequestrada pela Alemanha, que impede a adoção de políticas anti-neoliberais nos países do bloco. A Grécia queria abandonar tais políticas, mas a UE (Alemanha, especialmente) não permitiu, obrigando os gregos a engolirem um programa de arrocho que se fosse adotado no Brasil levaria o povo a botar fogo no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, no mínimo;

6) Para se entender melhor o processo de germanização da Europa, sugiro a leitura do livro de Ulrich Beck (sociólogo alemão). Há uma edição brasileira do mesmo, publicado pela Editora Paz e Terra.

Título: A Europa Alemã; Subtítulo: A Crise do Euro e as Novas Perspectivas de Poder; Autor: Ulrich Beck; Editora: Paz e Terra; 128 páginas; Ano: 2015.

7) Abaixo, publico a taxa de desemprego em cada um dos 28 países que integram a UE. 

Na média do bloco, a taxa é de altíssimos 18,8%. 

Taxa de Desemprego entre os jovens na União Europeia:

1) Grécia: 50,4%;
2) Espanha: 45%;
3) Croácia: 39%;
4) Itália: 36,9%;
5) Portugal: 29,9%;
6) Chipre: 28,2%:
7) Bélgica: 24,5%;
8) Eslováquia: 24,2%;
9) França: 23,5%;
10) Finlândia: 22,2%;
11) Romênia: 20,9%;
12) Suécia: 18,4%;
13) Bulgária: 17,4%;
14) Polônia: 17,1%;
15) Eslovênia: 16,6%;
16) Irlanda: 15,3%;
17) Letônia: 14,3%;
18) Hungria: 14,2%;
19) Lituânia: 13,8%;
20) Luxemburgo: 13,8%;
21) Reino Unido: 13,2%;
22) Dinamarca: 11,6%;
23) Estônia: 11,6%;
24) Holanda: 11,1%;
25) Áustria: 10,4%;
26) República Tcheca: 9,5%;
27) Malta: 8,9%;
28) Alemanha: 7%.


Link:

http://pt.tradingeconomics.com/european-union/unemployment-rate

Espanha está há 5 anos e meio com taxa de desemprego superior a 20%:

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/28/internacional/1461825960_689667.html

Brexit: Hegemonia do capital financeiro alemão está destruindo a integração europeia! – Marcos Doniseti!

Brexit: Hegemonia do capital financeiro alemão está destruindo a integração europeia! – Marcos Doniseti!
Livro do sociólogo alemão Ulrich Beck já avisava sobre os aspectos negativos da hegemonia do grande capital financeiro alemão sobre processo de integração europeu.
A decisão dos britânicos, tomada neste histórico dia 23/06/2016, de optar pela saída da União Europeia mostra, claramente, que esta vive uma crise que poderá levar a mesma a um processo de desintegração. A insatisfação popular no Velho Mundo com as políticas impostas pela União Europeia é generalizada.

Se o Reino Unido saiu da UE, qualquer outro país poderá optar por fazer o mesmo, com exceção, talvez, daqueles que sejam excessivamente dependentes do capital, tecnologia e do mercado consumidor alemão. Para os demais, a tentação, agora, ficou muito grande.

E isso tem muito a ver com a ascendência alemã sobre o processo de integração europeu, como é o caso das políticas neoliberais e de arrocho que são, fundamentalmente, impostas pelos alemães a todos os países que integram a União Europeia.

Os maiores derrotados com a saída do Reino Unido são, sem dúvida alguma, os ‘burrocratas’ germânicos que estão a serviço do capital financeiro alemão, em especial, e que se apossaram de todos os aparatos institucionais da UE. Hoje, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, é quem dá as ordens na UE. O que ele fala, vira lei. E os outros obedecem cegamente.

Aliás, questiono: Será que os ‘burrocratas’ germânicos que mandam na UE estão arrependidos da maneira como trataram a Grécia, quando esta quis abandonar as políticas neoliberais e de arrocho, mesmo sem abandonar o bloco?
E aí, Angela Merkel, gostou do Brexit? 
Pois qual foi o sinal que a UE deu, no caso grego, para todos os países e povos que fazem parte do bloco? O de que os interesses nacionais e de cada povo não contam, não valem nada. O que vale é o interesse do capital financeiro germânico e mais nada. E os governantes do bloco europeu limitam-se a dizer sempre sim aos banqueiros alemães.

Mas é claro que a saída do Reino Unido muda radicalmente o cenário europeu. Já li declarações de vários líderes políticos europeus (caso de François Hollande, presidente da França) batendo na mesta tecla: Ou a UE muda ou ela acabará.
Mas será que os ‘burrocratas’ a serviço do capital financeiro alemão entenderam o recado? Tenho sérias dúvidas.

A saída do Reino Unido é, talvez, a última grande chance de se promover uma reforma da União Europeia, diminuindo-se o poder dos ‘burrocratas’ e aumentando-se o processo de participação popular nas decisões mais importantes. Fica claro que as pessoas querem ser ouvidas e que não aceitam mais as imposições de um único país (Alemanha, é claro) e de ‘burrocratas’ não eleitos sobre todos os interesses dos países e das populações de todo o bloco.

De forma catastrófica, o pensamento único neoliberal predomina na UE desde a criação do Euro, por meio do qual o capital financeiro alemão aprisionou os demais países numa camisa-de-força, obrigando-os a adotar políticas neoliberais e de arrocho.
Quando Alexsis Tsipras, líder do Syriza, quis abandonar as políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho, a União Europeia não permitiu. Isso abriu os olhos de muitos europeus para o caráter anti-popular e anti-social da integração europeia que é comandada de acordo com os interesses do capital financeiro, especialmente do alemão. 
A forma como os ‘burrocratas’ germânicos trataram a Grécia (recusando-se a promover quaisquer mudanças nas políticas neoliberais e de arrocho) deixou claro para os europeus que os interesses dos trabalhadores e os da grande maioria da população não são levados em consideração pela União Europeia, que se preocupa apenas em governar voltada para os interesses do capital financeiro, o germânico, em especial.

Assim, a partir da criação do Euro, a União Europeia se transformou em uma verdadeira Ditadura das Finanças (que é, essencialmente, a mesma que o governo ilegítimo de Michel Temer quer impor aos brasileiros).

Mas os europeus se cansaram disso.

Na França e na Itália, importantes lideranças políticas locais (Marine Le Pen e Beppe Grillo, que lideram movimentos contrários ou que são muito críticos à UE) já falam em pedir referendos sobre uma possível saída de seus países da UE.

Do jeito que a UE está, atualmente, ela caminha, inevitavelmente, para a desintegração. Se forem mantidas as atuais políticas neoliberais e de arrocho e se os interesses da população continuarem a ser ignorados pelos governantes, então os europeus irão preferir abandonar o bloco. Os europeus irão preferir recuperar a soberania e a participação que tinham nos governos nacionais e que perderam com o desvirtuamento do processo de integração que ocorreu a partir do momento em que a Alemanha passou a impor a sua vontade a todos os demais países que integram o bloco.
Alberto Garzón e Pablo Iglesias lideram, respectivamente, a Izquierda Unida e o Podemos. As duas grandes forças políticas da Esquerda espanhola se uniram e poderão vir a liderar a formação do novo governo espanhol. 
Da atual União Europeia sobrará, no máximo, uma Europa Central e sulista dominada pela Alemanha, com alguns países mais pobres, atrasados e que são fortemente dependentes da economia alemã (em capital, tecnologia, acesso a mercado consumidor, financiamentos).

São os casos, por exemplo, de países como Polônia, Áustria, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Croácia e Eslovênia que, de certa maneira, ‘orbitam em torno do Sol alemão’.

Assim, a verdade é que o processo de integração europeu está sendo destruído pela Alemanha, que decidiu usar o Euro para submeter os outros países aos interesses do seu capital financeiro (a Grécia que o diga...).

Originalmente, a ideia de criação de um bloco europeu surgiu no Pós-Guerra e foi iniciativa dos socialistas franceses, que o viam como uma maneira de reforçar os laços da Alemanha com os demais países europeus, a fim de impedir que os germânicos iniciassem uma nova guerra europeia e mundial, tal como fizeram em 1914 e em 1939.

Portanto, antes do Euro, a ideia dominante do processo de integração europeu era o de 'europeizar' a Alemanha, integrando-a numa Europa unificada, evitando-se que os alemães provocassem novas guerras gerais devastadoras no continente, como aquelas que iniciaram em 1914 e em 1939.

No entanto, com a criação do Euro, a ideia hegemônica no processo de unificação europeu passou a ser a de 'germanizar' a Europa, com os alemães assumindo o controle do processo de integração e passando a submeter os demais países membros à sua vontade.
Apesar de ser um líder fraco e submisso aos interesses do capital financeiro, até mesmo o presidente francês François Hollande já reconheceu que o processo de integração europeu terá que passar por mudanças, caso contrário irá desmoronar. 
Esta é, essencialmente, a origem da atual crise que a União Europeia enfrenta.
Angela Merkel está usando o Euro para conseguir aquilo que Hitler tentou por meio de guerras e que ele não conseguiu atingir, que é dominar toda a Europa.

A Alemanha não aceita promover quaisquer mudanças nas atuais políticas europeias, impostas por ela, seja nas de caráter econômico, fiscal, financeiro ou social.

Exemplo disso é a imposição de políticas de arrocho e de eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários na União Europeia a partir do estouro da crise neoliberal mundial de 2008, que levou à falência de todo o sistema financeiro privado dos EUA e da União Europeia.

Atualmente, tais políticas são imensamente rejeitadas no bloco europeu, mesmo por parte de forças políticas e sociais conservadoras, de Direita, como é o caso da Frente Nacional francesa, que é liderada por Marine Le Pen. Beppe Grillo, criador do M5S italiano (Movimento 5 Stelle, ou seja, 5 Estrelas) é outro líder político em ascensão na Europa que defende o abandono dessas políticas neoliberais e de arrocho, exigindo o fim das privatizações, por exemplo.

Não é à toa que o seu partido/movimento (M5S) foi o grande vencedor das recentes eleições municipais realizadas na Itália, conquistando as prefeituras de Roma e Turim.

Na Espanha, a eleição deste final de semana terá, como grande novidade, segundo as pesquisas mais recentes, a ascensão da Esquerda anti-arrocho e anti-neoliberal, representada pelo ‘Unidos Podemos’, que reúne o Podemos (liderado por Pablo Iglesias) e pela Izquierda Unida (liderada por Alberto Garzón).
David Cameron era defensor da manutenção do Reino Unido no bloco europeu e renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro após a vitória do Brexit.
O instituto Metroscopia mostra o ‘Unidos Podemos’ com 26% das intenções de voto, contra 29% do PP (Direita Neoliberal).

Porém, somando-se a votação do ‘Unidos Podemos’ (26%), do PSOE (20,5%) e de alguns grupos autonomistas, o ‘Unidos Podemos’ poderá vir a conquistar a maioria absoluta no Parlamento, vindo a liderar a formação de um novo governo na Espanha.

Em Portugal, por sua vez, já temos um governo anti-neoliberal e anti-arrocho e que é formado pelo Partido Socialista, Partido Comunista, Verdes e Bloco de Esquerda.

Na França, Marine Le Pen (da Frente Nacional) também lidera as pesquisas mais recentes, sendo que ela é uma defensora da saída da França do bloco europeu.  

Portanto, é mais do que evidente de que há um cansaço e uma rejeição generalizados na União Europeia com relação às políticas de arrocho, que empobreceram a população nos últimos anos. Na Espanha, por exemplo, a renda per capita diminuiu de US$ 34.840 (2007) para US$ 32.270 (2014). Na Itália, a renda per capita caiu de US$ 32.830 (2007) para US$ 28.484 (2014).

Ninguém aguenta mais essas políticas neoliberais e de arrocho e, mesmo assim, elas continuam a ser aplicadas, porque a Alemanha assim exige e impõe.
Portanto, a saída do Reino Unido do bloco europeu é um sinal claro de que a política de 'germanização' da Europa fracassou.

Logo, ou a UE muda ou ela acaba.
Entre os idosos, o apoio ao Brexit chegou a quase 70%. A população de menor renda, com menor escolaridade, que vive no interior do país e em áreas com grande número de imigrantes também votou, majoritariamente, pelo Brexit. Apoio pela permanência na UE foi muito forte entre os jovens (75%) e entre a população dos grandes centros urbanos, de maior renda e de maior escolaridade. Resumindo: O projeto europeu beneficia as elites. E este é o seu grande problema. 
Obs1: O sociólogo alemão Ulrich Beck (falecido em 2012) publicou um pequeno, mas importante, livro sobre a ascendência alemã sobre o processo de integração europeu após a criação do Euro e que se chama 'A Europa Alemã'.

Há uma edição brasileira do mesmo, publicado pela Editora Paz e Terra.

Título: A Europa Alemã; Subtítulo: A Crise do Euro e as Novas Perspectivas de Poder; Autor: Ulrich Beck; Editora: Paz e Terra; 128 páginas; Ano: 2015.

Obs2: Outra coisa a se destacar destes resultados é que a partir do momento em que os escoceses votaram tão fortemente pela permanência na União Europeia (62%), isso poderá levar os mesmos a votar para, futuramente, sair do Reino Unido e, desta maneira, poder permanecer na UE.

Na Irlanda do Norte, a votação também foi favorável à permanência na UE, que obteve 55,7% dos votos.

Logo, é possível que Escócia e Irlanda do Norte venham a sair do Reino Unido, pois esta é a única maneira que terão de permanecer na União Europeia.

Links:

Reino Unido abandona a União Europeia:


Brexit derruba Bolsas de Valores em todo o planeta:


Outros países poderão abandonar a União Europeia:


Bolsas de Valores europeias desmoronam após o Brexit:


Uma análise dos votos no referendo britânico pelo perfil sócio-econômico:


Escócia: Primeira-Ministra anunciou que país fará novo referendo sobre saída do Reino Unido: