sábado, 30 de abril de 2016

A 'Guerra do Contestado' e o atual cenário político e social brasileiro! - Marcos Doniseti!

A 'Guerra do Contestado' e o atual cenário político e social brasileiro! - Marcos Doniseti!
A 'Guerra do Contestado' durou quase 4 anos e foi uma das mais longas guerras da história brasileira. Pequenos proprietários do sertão catarinense se rebelaram contra a entrega das suas terras, nas quais viviam já há muitas décadas, para uma empresa dos EUA, pertencente a Percival Farquhar. Este era um empresário bilionário dos EUA, bem como se tornou um dos maiores investidores externos da América do Sul. Ele também foi o responsável pela construção da Ferrovia Madeira-Mamoré.
A TV Brasil exibiu, na madrugada deste Sábado, o filme de Sylvio Back, 'A Guerra dos Pelados', sobre a 'Guerra do Contestado', que ocorreu entre 1912-1916, no sertão de Santa Catarina.
Tal guerra está ligada à disputa pela posse da terra e a promoção de investimentos estrangeiros que não levaram em consideração os interesses dos pequenos proprietários de terra, do oeste catarinense, e que já viviam em suas propriedades já há muito tempo.
As elites agrárias de latifundiários locais (chamados de 'coronéis') se associaram ao investidor ianque Percival Farquhar, que ganhou do governo federal a concessão para construir uma ferrovia ligando SP ao RS. E ele também recebeu a posse de todas as terras localizadas a 15 km de distância, de cada margem da ferrovia.
Trajeto da Ferrovia construída por Percival Farquhar, ligando SP ao RS. A desapropriação das terras dos pequenos proprietários desencadeou uma forte resistência popular. O massacre promovido contra os sertanejos foi um dos maiores da história brasileira, provocando a morte de 20 mil pessoas, equivalente a 1/3 da população catarinense da época. 
A construção desta ferrovia iria beneficiar, imensamente, aos latifundiários, que poderiam transportar os seus produtos por meio da mesma, bem como ao empresário ianque, Farquhar, que havia instalado gigantescas serrarias na região (as maiores da América do Sul, naquela época), visando extrair madeira que seria transportada pela ferrovia. 
Mas, para viabilizar esse imenso negócio, os pequenos proprietários teriam que abandonar as suas terras, que foram doadas (pelo governo federal, dominado pelos grandes proprietários rurais da época) a Farquhar.
É claro que os pequenos proprietários (que nâo eram contrários à construção da ferrovia, mas contra o roubo de suas terras) lutaram e resistiram ao roubo de suas terras por um grande capitalista dos EUA. 
E assim começou o conflito entre os pequenos proprietários, de um lado, e os latifundiários, o governo federal (que enviou o Exército para massacrar os sertanejos) e Farquhar, de outro lado. E como os sertanejos rasparam a cabeça, eles passaram a ser chamados de 'Pelados', enquanto que as tropas do Exército eram chamadas de 'Peludos'.
A forte resistência popular dos sertanejos levou a que o Governo Federal enviasse (tal como aconteceu em Canudos, em 1896-1897) o Exército para reprimir e destruir o movimento de resistência popular, pois as forças policiais do estado de Santa Catarina haviam sido derrotadas pelos sertanejos (em Canudos aconteceu o mesmo).
Imagem do 'monge' José Maria, que exerceu uma grande influência entre o povo pobre da região do Contestado, ao qual ajudava com remédios naturais, rezas e orientações. Ele liderou os sertanejos na primeira batalha da guerra, na qual foi morto por tropas da polícia paranaense. Mas ele passou a ser considerado 'santo' pelos sertanejos, que esperavam pelo seu retorno, comandando um exército celestial que levaria os sertanejos à vitória final. Com o desenrolar do conflito, que foi ficando cada vez mais brutal, as lideranças religiosas perderam influência para os líderes militares, como era o caso de Adeodato Ramos.
Mesmo assim, os pequenos proprietários lutaram por quase 4 anos, opondo uma forte resistência aos que estavam roubando as suas terras e às tropas do Exército brasileiro, que atuaram como uma força repressiva à serviço dos interesses do grande capital, nacional e estrangeiro. Até mesmo aviões foram usados na repressão ao movimento popular de resistência dos sertanejos catarinenses.
É curioso notar os paralelos históricos que se podem estabelecer entre o contexto da Guerra do Contestado, que terminou há 100 anos, com o atual momento político brasileiro.
Agora, também temos uma união de forças políticas e sociais reacionárias que desejam tomar, por meio de um Golpe de Estado, o controle do Governo Federal. 
Tropas do Exército brasileiro que reprimiram brutalmente aos sertanejos que lutavam pela posse das suas terras, nas quais já viviam há muito tempo, e que o governo Federal da época entregou ao bilionário ianque Percival Farquhar. Este investiu na construção de grandes serrarias e usava da Ferrovia SP-RS para transportar a madeira extraída na região de Santa Catarina.
Tais forças também representam os interesses do Grande Capital financeiro, nacional e internacional, reunindo o sistema financeiro, grandes grupos de mídia privados, Fiesp/CNI, Agronegócio, Grande Comércio, classe média tradicional e abastada, Igrejas neopentecostais que são geridas como um grande negócio e que desejam impor as suas políticas, marcadas por um forte sentimento de preconceito e intolerância, por meio do Estado, que poderá vir até mesmo a perder o seu caráter laico, algo que existe desde a Proclamação da República.
Assim, ao assumir o o controle do Governo Federal, as forças reacionárias e golpistas poderão levar adiante um projeto político anti-nacional e anti-popular, que visa entregar as nossas maiores riquezas para o capital estrangeiro (as estatais e o petróleo do pré-sal, em especial), bem como irão priorizar a eliminação de direitos históricos dos trabalhadores (sociais, trabalhistas e previdenciários). 
Tais forças desejam, também, praticamente extinguir os principais programas sociais que foram implantados nos governos Lula e Dilma entre 2003-2016 (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, Pronatec, Fies, Ciência Sem Fronteiras). 
A destruição da legislação trabalhista e o arrocho salarial são duas das políticas que serão adotadas pelo governo de Michel Temer, um dos principais líderes do Golpe de Estado que se promove no Brasil atualmente.  
Enquanto isso, tais forças reacionárias também irão promover o início de uma feroz repressão aos movimentos sociais e políticos que irão resistir a adoção deste conjunto de políticas recessivas e excludentes, tal como os sertanejos catarinenses o fizeram entre 1912-1916.
Inclusive, os Latifundiários do agronegócio já pedem que o futuro governo golpista de Michel Temer use das Forças Armadas para reprimir os movimentos sociais que lutam pela reforma Agrária, principalmente o MST. 
Assim, tais políticas, que são claramente defendidas por Michel Temer, não são nada muito diferentes daquilo que foi feito com os pequenos proprietários da região do Contestado há 100 anos, portanto. 
Em ambos os casos, trata-se de, fundamentalmente, intensificar o processo de exploração da força de trabalho em favor do Grande Capital, nacional e estrangeiro, e de destruir os direitos e a capacidade de luta e de resistência os trabalhadores e dos segmentos mais pobres da população.
Como se percebe, o caráter retrógrado, elitista, anti-democrático, anti-nacional e anti-popular das elites brasileiras não é nenhuma novidade, muito pelo contrário. Tais características fazem parte do DNA destas elites, cuja mentalidade retrógrada e escravocrata está mais viva do que nunca. 
Tudo isso é tão antigo quanto as próprias elites.
Até mesmo aviões foram usados, pelo Governo Federal, para massacrar os sertanejos. Ao final do conflito, cerca de 20 mil trabalhadores sertanejos haviam sido mortos pelas tropas do exército brasileiro. 
Antonio Tavares, Adeodato Ramos e Chico Ventura foram 3 dos principais líderes do movimento de resistência dos sertanejos, que chegou a atrair até mesmo fazendeiros da região que estavam perdendo as suas terras para os grandes 'coronéis', que se beneficiaram com a construção da Ferrovia e que eram aliados de Farquhar.
Percival Farquhar reunido com a elite da Primeira República (1889-1930). Ele é o terceiro, sentado, à esquerda. À direita, olhando para a frente, vemos o Presidente da República, Affonso Pena, de óculos e barba. 
Link

domingo, 24 de abril de 2016

De que maneira é possível derrotar um Golpe de Estado? - por Marcos Doniseti!

De que maneira é possível derrotar um Golpe de Estado? - por Marcos Doniseti!
Livro de Flávio Tavares, que era jornalista do 'Última Hora' (jornal que defendia o Trabalhismo e as Reformas de Base) e que fez a cobertura 'in loco' da luta e da mobilização em defesa da Constituição e da Democracia que foi liderada pelo governador Leonel Brizola.
Aproveitei esse feriado prolongado e fiz a leitura de um ótimo livro, chamado '1961 - O Golpe Derrotado', de Flávio Tavares (L & PM, 231 pággs).

Como o título já informa, o mesmo trata do Golpe de Estado que tivemos em 1961, liderado pelos ministros militares do governo Jânio Quadros, que havia renunciado em pleno Dia do Soldado (25/08).

Após a renúncia, os ministros militares anunciaram o veto à posse de Jango na Presidência da República, anunciando ainda que se o mesmo retornasse ao Brasil (Jango havia viajado para a URSS e para a China Comunista, enviado por Jânio) ele seria preso tão logo desembarcasse no país.

Porém, os ministros militares não contavam com a coragem e a audácia de um jovem governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que decidiu iniciar um movimento em defesa da Legalidade, para que a Constituição brasileira fosse respeitada.

Brizola criou uma Rede da Legalidade, uma cadeia de emissoras de rádio, que se espalhou pelo país, e do próprio Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, falava para milhões de ouvintes, em todo o país, em defesa da posse de Jango na Presidência da República.
Brizola, na rádio instalada no Palácio Piratini, discursava para o povo brasileiro, defendendo a posse de Jango na Presidência da República, tal como determinava a Constituição do país. A bandeira da Legalidade Democrática acabou conquistando maciço popular, tornando possível derrotar o Golpe de Estado liderado pelos ministros militares.
Seus discursos, inclusive, eram transmitidos para fora do país, em várias línguas (inglês, espanho, francês e até árabe).

Com isso, começou toda uma mobilização popular, principalmente no RS, com milhares de pessoas indo às ruas e praças, se mobilizando em defesa da Constituição, ou seja, da Democracia.

Quando foi anunciado, inclusive, que os ministros militares mandaram bombardear a sede do governo gaúcho, milhares de pessoas se colocaram à frente do mesmo, formando barricadas e, mesmo que não tivessem nenhum treinamento militar (eram cidadãos comuns.... operários, professores, funcionários públicos, estudantes) estavam dispostos a lutar em defesa da Legalidade democrática.

O fato dos discursos de Brizola serem transmitidos, para todo o país, foi fundamental para que a Resistência ao Golpe também se disseminasse. Com isso, ele conseguiu a adesão de dois governadores de estado, Mauro Borges, de Goiás,e o do Piauí.

Os discursos de Brizola também fizeram com que muitos oficiais das Forças Armadas se rebelassem contra o Golpe, levando a que muitos deles acabassem presos.

E o III Exército, comandado pelo general José Machado Lopes, aderiu ao movimento da Legalidade.
Jango anuncia a sua volta ao Brasil, mesmo correndo o risco de ser preso por ordem dos ministros mlitares golpistas, que vetaram a sua posse na Presidência da República, pois acusavam Jango de ser 'comunista', o que era uma asneira monumental.
Obs: Num primeiro momento, Machado Lopes defendia o Golpe, mas a crescente mobilização popular, a ordem que recebera para atacar o Palácio Piratini, mesmo com milhares de pessoas no local, e a postura de defesa da Legalidade pelos oficiais que estavam sob o seu comando, o fizeram mudar de posição, passando a apoiar a posse de Jango na Presidência da República, tal como determinava a Constituição.

E o principal: Brizola, com seus discursos em defesa da Constituição, da Democracia e da Legalidade, conseguiu fazer com que a imensa maioria da população ficasse contra o Golpe.

Entre a imprensa, somente 3 dos principais jornais do país apoiaram o Golpe contra Jango: 'Estadão', 'Tribuna da Imprensa' (de Carlos Lacerda, governador da Guanabara) e... 'O Globo', é claro.

No Congresso Nacional, os golpistas também jamais conseguiram ter apoio majoritário. Desde o início do Golpe, a imensa maioria do Congresso Nacional defendia a posse de Jango na Presidência da República.

Desta maneira, vários fatores combinados contribuíram para que o Golpe de Estado de 1961 pudesse vir a ser derrotado, tais como:
Povo gaúcho, nas ruas e praças, se mobilizou para lutar contra o Golpe dos ministros mlitares. Brizola, no Palácio Piratini, sempre carregando uma metralhadora. País viveu clima de Guerra Civil, que somente foi evitada porque o Golpe foi derrotado. A lição que a Direita Golpista tirou desta derrota é que, no próximo Golpe, ela teria que adotar um discurso de defesa da Constituição e que Jango não poderia ter como se comunicar com a população, para impedir que conseguisse mobilizá-la contra o Golpe. E assim foi feito.
1) Brizola e a população lutaram e resistiram desde o início; 

2) Mobilizando e organizando a população em defesa da Constituição e da Legalidade; 

3) Obtendo muitas adesões dentro das próprias Forças Armadas;

4) Fazendo com que os seus argumentos em defesa da Constituição e da Legalidade chegassem a todos os brasileiros;

5) Conseguindo apoio quase total do Congresso Nacional, que resistiu ao Golpe;

6) Denunciando o Golpe para o mundo;

7) Com a maior parte da imprensa e da população brasileira assumindo defesa clara do respeito à Constituição e da Legalidade.
Os ministros militares golpistas de 1961, que foram derrotados porque o Movimento da Legalidade, liderado por Leonel Brizola, obteve maciço apoio popular.
Assim, o governador Leonel Brizola conseguiu liderar essa gloriosa e heróica luta e pôde derrotar o Golpe de Estado comandado pelos ministros militares.

Desta maneira, Jango pôde retornar ao Brasil e tomou posse na Presidência da República, embora sob um regime Parlamentarista, que ele aceitou para tentar reunificar o país.

Analisando friamente, vemos que alguns dos elementos presentes no movimento da Legalidade, de 1961, não estão presentes atualmente (toda a Grande Mídia apoia o Golpe, por exemplo), mas hoje temos a Internet e as redes sociais, por meio das quais podemos quebrar o monopólio midiático oligárquico que existe em nosso país.

E outros elementos estão presentes, sim, tal como a vontade de milhões de pessoas, em todo o país, sair às ruas para defender a Democracia e a Constituição. A denúncia do Golpe para o Mundo já foi feita e toda a Mídia internacional o condena.
Brizola e Jango se encontram, após o retorno do novo Presidente ao país. Mas a atitude de Jango de aceitar a adoção do Parlamentarismo desagradou profundamente ao governador gaúcho, que sequer compareceu à posse de João Goulart na Presidência da República. 
Isso demonstra que se continuarmos a nossa luta, poderemos reverter o apoio popular à derrubada do governo Dilma. E assim poderemos derrotar, tal como já aconteceu em 1961, essa nova tentativa de Golpe de Estado que se desenvolve no Brasil atualmente.

Tudo isso mostra, claramente, que a luta popular pode, sim, derrotar um Golpe de Estado, mesmo depois que este já tenha acontecido.

Como já dizia Carlos Marighella: 'A única luta que se perde é aquela que se abandona'.

Portanto, não devemos esmorecer e temos que continuar lutando para derrotar o movimento golpista que se desenvolve no Brasil atualmente.

A luta continua! Golpe Não!
Jango toma posse na Presidência da República, em 08/09/1961, tendo Tancredo Neves como Primeiro-Ministro. Ambos eram herdeiros políticos de Getúlio Vargas, tal como o governador gaúcho, Leonel Brizola. 


sábado, 23 de abril de 2016

Vamos denunciar o Plano Temer para barrar o Golpe! - Marcos Doniseti!

Vamos denunciar o Plano Temer para barrar o Golpe! - Marcos Doniseti!
Temer que destruir a CLT e arrochar o valor do salário mínimo. 
Denunciar o Golpe e a Traição de Michel Temer é importante, mas não é suficiente.
Temos que dar prioridade para denunciar, e explicar para a população brasileira, quais são os planos de governo de Michel Temer-Eduardo Cunha, que prevê medidas imensamente prejudiciais aos trabalhadores e aos mais pobres, tais como:
1) Fim das vinculações orçamentárias para Educação, Saúde e Seguridade Social, o que provocará uma forte redução nos gastos e investimentos feitos nestes setores.
E os mais pobres e os trabalhadores serão os maiores prejudicados por tais mudanças;
2) Fim da política de aumento real anual para o Salário Mínimo, que passará a ser reajustado abaixo do índice de inflação, levando-o o mesmo a perder poder de compra;
3) Privatização e desnacionalização do pré-sal, da Petrobras, BB, CEF e BNDES;
4) Fim dos subsídios que tornam possíveis a existência de vários programas sociais importantes, como o Minha Casa Minha Vida e o ProUni, entre outros;
Além de arrochar o valor dos benefícios previdenciários, que passarão a ser reajustados sempre abaixo da inflação, o Plano Temer também deseja impor uma idade mínima para as aposentadorias, de 65 anos para os homens e de 60 anos para as mulheres. 
5) Fazer com que os acordos trabalhistas assinados entre empresas e trabalhadores tenham validade legal, mesmo que estabeleçam regras como o não pagamento do 13o. salário, de férias e folgas remuneradas, se impondo sobre o que está na Lei (CLT, Constituição).
Assim, o acordado (entre patrões e trabalhadores) valerá mais do que as Leis do país (CLT, Constituição);
6) Forte aumento da taxa de juros, visando derrubar a inflação, que já está em queda, o que aumentará o déficit público nominal e provocará uma recessão ainda maior na economia nacional;
7) Grande aumento do superávit primário, aumentando fortemente os gastos com o pagamento da dívida pública, o que obrigará o governo a reduzir as despesas com o funcionalismo e com a área social e com os investimentos públicos;
8) Desvinculação entre a taxa de inflação e os reajustes dos benefícios previdenciários que, hoje, são reajustados com base no INPC;
9) Maior abertura comercial, o que levará a um grande aumento das importações, provocando falências de empresas brasileiras, aumentando ainda mais o desemprego no país;
Caso Dilma venha a ser derrubada pelo movimento golpista, Michel Temer se tornará Presidente da República e Eduardo Cunha, na prática, será o Vice...
10) Abandono do Mercosul e, com certeza, dos BRICS, levando o Brasil a adotar uma postura de total submissão aos interesses dos EUA, na América Latina e no Mundo;
11) Aprovação do PL 4330 no Senado, permitindo um processo de terceirização generalizada na economia brasileira.
Trabalhadores terceirizados trabalham mais, ganham menos, tem piores condições de trabalho e possuem menos direitos e benefícios sociais e trabalhistas;
12) Um programa com estas características seria profundamente recessivo, elevaria fortemente o desemprego no país, de maneira muito rápida, diminuiria o poder de compra dos trabalhadores, dos mais pobres e dos aposentados e pensionistas do INSS.
Enfim, tal programa promoveria um aumento brutal da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria em nosso país.
Todas estas medidas, previstas no plano de Temer, 'Tempo Para o Futuro', precisam ser denunciadas e explicadas para a população brasileira.
Com isso, será possível reduzir substancialmente o apoio popular que o Golpe contra Dilma possui atualmente.
E desta maneira, teremos chances maiores de derrotar o Golpe no Senado.
No mínimo, Temer será um Presidente fraco, rejeitado pelo imensa maioria da população, e não terá condições de governar de forma contrária aos interesses do povo e da Nação brasileiros, adotando o seu plano, chamado hipocritamente de 'Tempo para o Futuro'.
Temer Não! Arrocho Não! Nenhum Direito a Menos!
Uma das propostas do Plano Temer é a de eliminar subsídios que tornam possível a existência de programas sociais, como é o caso do Minha Casa Minha Vida.
Links:

Plano Temer/PMDB - Tempo para o Futuro:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-10/pmdb-critica-excessos-economicos-do-governo-e-aumento-de-impostos

Temer/PMDB preparam ajuste econômico que sacrificará os mais pobres, os trabalhadores e a classe média:

http://odia.ig.com.br/brasil/2016-04-18/conheca-o-plano-de-governo-de-temer.html

Temer/PMDB preparam ajuste econômico que sacrificará os mais pobres, os trabalhadores e a classe média:

http://www.cartacapital.com.br/politica/michel-temer-do-sonho-ao-pesadelo

Temer/PMDB prepara ajuste econômico que sacrificará os mais pobres, os trabalhadores e a classe média:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/03/27/pmdb-prepara-ajuste-para-cortar-subsidios-e-diminuir-gasto-publico.htm

Temer/PMDB preparam ajuste econômico que sacrificará os mais pobres, os trabalhadores e a classe média:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,pmdb-prepara-ajuste-para-cortar-subsidios-e-diminuir-o-gasto-publico,10000023314

Governo Temer poderá barrar ações de combate à corrupção:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,impeachment-pode-fazer-com-que-acao-anticorrupcao-desapareca-no-brasil--diz-jornal-britanico,10000026941

Afinal, Jango tentou ou não resistir ao Golpe de 1964? - Marcos Doniseti!

Afinal, Jango tentou ou não resistir ao Golpe de 1964? - Marcos Doniseti!
Excelente livro de dois dos principais historiadores brasileiros, Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, a respeito do governo Jango e do Golpe de 64.
Frequentemente leio comentários de inúmeras pessoas, nas redes sociais, dizendo que o então Presidente João Goulart não teria tentado resistir ao Golpe de 1964. 

Bem, acabei de ler um ótimo livro (cuja leitura eu recomendo), chamado '1964' (vide imagem), de dois dos principais historiadores brasileiros (Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes) e nele fica claro que Jango tentou organizar uma resistência, sim, contra o Golpe que começou em 31/03/1964 e que se consumou vitorioso no dia seguinte, o Dia da Mentira,  01/04/1964. 

Mas o Presidente João Goulart percebeu que, de fato, o rumo que os acontecimentos tomaram naqueles dois dias acabaram por inviabilizar que uma Resistência pudesse ser vitoriosa ou, ao menos, que ela pudesse impedir que o país passasse a ser controlado pelos golpistas: 

1) Além de ter o apoio do governo dos EUA, dos banqueiros, grandes industriais (Fiesp), latifundiários, classe média tradicional, da maioria da Igreja Católica (D.Paulo Evaristo Arns foi ao Rio de Janeiro, para abençoar as tropas de Mourão Filho) os golpistas tinham apoio majoritário das Forças Armadas, principalmente da média e alta oficialidade. 

Esta oficialidade desenvolveu um verdadeiro ódio pelas Esquerdas em geral (UNE, CGT, PCB, FMP,  Ligas Camponesas; Brizola, Arraes, Prestes, Francisco Julião e pelo próprio Jango) em função do fato de que os esquerdistas, de forma absolutamente irresponsável, estimulavam e respaldavam atos de rebelião dentro das Forças Armadas, por parte de sargentos e marinheiros, em especial. 
Amaury Kruel comandava o II Exército, sediado em Sao Paulo. Sua adesão ao Golpe representou um duro revés para Jango, que tentava resistir ao movimento golpista. 
Para esta oficialidade, as Esquerdas estavam agindo, deliberadamente, para quebrar a unidade das Forças Armadas, destruindo a hierarquia e a disciplina, dois dos alicerces sem os quais a própria existência das mesmas é impensável.

Até o momento do Golpe de 64, a imensa maioria da oficialidade das Forças Armadas era constituída de oficiais legalistas, defensores do respeito à Constituição. 

Foi por isso, por exemplo, que a imensa maioria desta oficialidade defendeu a posse de JK e Jango em 1955 e garantiu a mesma, em Janeiro de 1956. Foi também em função deste sentimento legalista majoritário que, em 1961, a mesma oficialidade, na sua imensa maioria, se colocou ao lado da posse de Jango na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, mesmo com o veto dos ministros militares à posse deste. Centenas de oficiais das Forças Armadas foram presos, na época do Golpe de 1961, pelo fato de que defendiam a posse de João Goulart na Presidência da República, tal como determinava a Constituição que vigorava na época, que era a de 1946. 

Mas, em 1963-1964, as ações dos esquerdistas radicais em apoiar as mobilizações e rebeliões de sargentos e marinheiros, bem como a recusa de Jango em punir os mesmos por suas ações, jogaram essa oficialidade legalista nos braços dos golpistas.  
O general Olímpio Mourão Filho e o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, comemoram a vitória do Golpe que derrubou o governo democrático de João Goulart. O governador de São Paulo, Adhemar de Barros, foi outro importante líder civil do Golpe de 64. 
Logo, foram as ações políticas das Esquerdas Radicais que minaram o apoio militar ao governo Jango. E o fato de que este se recusou a punir aqueles que participavam destas rebeliões, convenceu a esta oficialidade de que o próprio Presidente da República estaria apoiando as rebeliões ou sendo conivente com as mesmas, o que não era verdade. De fato, Jango apenas seguia uma antiga tradição da política brasileira, que era a de sempre anistiar os envolvidos em rebeliões militares. 

Foi assim, por exemplo, que aconteceu com os envolvidos nas rebeliões de Jacareacanga (1956) e de Aragarças (1959), que foram tentativas golpistas de direita de tentar derrubar o governo de JK-Jango, mas que acabaram fracassando em função do fato de que tais rebeliões não tiveram nenhum apoio significativo dentro das Forças Armadas e na sociedade. 

Mas em 1964, o próprio ambiente de polarização e de radicalização política que envolveu o Brasil, desde 1961, inviabilizava a continuidade dessa política de se conceder anistia aos militares envolvidos em rebeliões. Mas isso é algo que somente ficou claro após a vitória do Golpe de 64, que contou com um apoio majoritário da oficialidade das Forças Armadas. 

Foi em função destas ações irresponsáveis das Esquerdas Radicais, de estimular a quebra da hierarquia e da disciplina dentro das Forças Armadas que, quando o Golpe começou, por ordem do governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto (31/03/1964), ordenando que Mourão Filho fosse com as suas tropas ao Rio de Janeiro, para depor Jango da Presidência da República, em pouco tempo a imensa maioria da oficialidade das Forças Armadas aderiu ao mesmo;
Comício da Central do Brasil, realizado em 13/03/1964, deveria ser o primeiro de uma série de grandes manifestações populares em defesa das 'Reformas de Base', defendida por Jango e pelo PTB desde os anos 1950. 
2) Foi somente quando se deu conta de que a imensa maioria das Forças Armadas e que os principais governadores (de SP, MG, RS, Guanabara) apoiavam o Golpe, e que o mesmo contaria com grande ajuda dos EUA (vide Operação Brother Sam), que Jango percebeu que a resistência seria inútil e que acabaria sendo facilmente derrotada. 

Jango se deu conta de que a maior parte da oficialidade das Forças Armadas havia aderido ao Golpe e que a resistência ao mesmo provocaria uma Guerra Civil e que, nesta, os EUA iriam ter um papel fundamental, intervindo fortemente no conflito brasileiro, em favor do movimento golpista, é claro. 

Tanto isso é verdade que, tão logo ficaram sabendo das movimentações das tropas de Mourão Filho, que iam em direção ao Rio de Janeiro para depor Jango, os EUA organizaram, às pressas, a 'Operação Brother Sam', que enviaria armas, munição e combustíveis aos golpistas brasileiros. 

Aliás, quem confirmou essa informação, a respeito da iminente intervenção dos EUA no Brasil, em favor dos golpistas, foi o virtual ministro das Relações Exteriores do governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, Afonso Arinos de Mello Franco. Este avisou Santiago Dantas (ex-ministro e amigo de Jango) a respeito do fato, ou seja, de que os EUA iriam intervir em favor dos golpistas. Santiago Dantas, por sua vez, informou ao Presidente João Goulart. E tudo isso ocorreu já no dia 31/03/1964. 

Como já afirmei, num primeiro momento, a intervenção dos EUA se daria por meio do envio de armas, munição e combustíveis a favor do movimento golpista (vide a 'Operação Brother Sam'). Mas, num segundo momento, se os EUA entendessem que isso seria necessário, seriam enviados milhares de militares, soldados, para combater ao lado dos golpistas, contra o governo de João Goulart. 
O presidente João Goulart discursa no comício da Central do Brasil, realizado no Rio de Janeiro, no dia 13/03/1964, e que atraiu cerca de 300 mil pessoas. Jango recebeu ameaças de morte, mas decidiu participar do comício mesmo assim. 
Também não se pode esquecer que, nos anos anteriores, milhares de agentes secretos dos EUA já haviam se infiltrado no Brasil, usando de várias fachadas (entraram como se fossem estudantes, empresários, diplomatas, membros dos chamados 'Corpos da Paz' do governo Kennedy, etc) para disfarçar aquelas que seriam a sua verdadeira missão, ou seja, a de apoiar e de participar de um Golpe de Estado, ou até de uma Guerra Civil, que teria como objetivo promover a derrubada do governo João Goulart.

Após a vitória da Revolução Cubana, e da sua transformação em uma Revolução Socialista, o governo de John F. Kennedy ficou apavorado com a possibilidade de que outros países da região seguissem o exemplo da ilha de Fidel Castro e se tornassem Socialistas. 

Em função disso, evitar o surgimento de uma 'nova Cuba' passou a ser a principal prioridade do governo Kennedy para a América Latina. 

Jango percebeu que, em tal cenário, o Brasil corria o risco até de se fragmentar. Seria a nossa 'Guerra de Secessão', que resultaria na morte de centenas de milhares de pessoas e na divisão do país, acontecendo algo semelhante ao que ocorria na Coréia e no Vietnã, que se dividiram em dois países (Norte e Sul).

E também é bom lembrar que Jango era um político nacionalista e reformista, mas o mesmo nunca foi um revolucionário ou um extremista de esquerda, muito pelo contrário.
No início do governo Jango, este chegou a ter um ótimo relacionamento com John F Kennedy. Jango chegou a discursar ni Congresso dos EUA, onde defendeu as 'Reformas de Base' e, mesmo assim, foi muito aplaudido. Mas ao adotar uma política externa independente e se recusar a apoiar a política do governo dos EUA contra Cuba, Goulart virou alvo da fúria do Imperialismo ianque. Assim, nas eleições para o Congresso Nacional, que se realizaram em Outubro de 1962, o IBAD recebeu milhões de dólares do governo dos EUA e os repassou para candidatos direitistas e conservadores, para que lutassem contra as 'Reformas de Base' defendida pelo governo Jango. Mesmo assim, o PTB foi o partido que mais cresceu nas eleições, elegendo quase o mesmo número de deputados federais que o PSD, que contituiu a maior  bancada.
Jango era um político que acreditava que as 'Reformas de Base' deveriam ser feitas, sim, mas dentro das regras do regime democrático, respeitando-se a Constituição, o Congresso Nacional e os demais poderes da República. Tais mudanças seriam feitas por meio de acordos políticos, negociados entre todas as forças políticas e sociais do país. 

Tais reformas seriam mais moderadas do que as defendidas pelas Esquerdas Radicais, sim, mas ao menos elas seriam colocadas em prática, permitindo que se levasse adiante, dentro de um regime liberal-democrático, mudanças que iriam, progressivamente, modificando as estruturas da sociedade brasileira. 

É bom esclarecer que mesmo algumas das principais forças políticas mais conservadoras não eram contrárias às 'Reformas de Base', mas é claro que elas desejavam que as mesmas fossem mais moderadas e feitas de maneira mais lenta e gradual. Mas havia, sim, por exemplo, apoio à Reforma Agrária até mesmo dentro do PSD e da UDN. 

Logo, era possível, sim, negociar com as forças conservadoras a promoção das "Reformas de Base". E Jango sabia disso. 

Inclusive, as pesquisas feitas pelo Ibope, naquela época, mostravam que havia um grande e majoritário apoio, entre toda a população brasileira (mesmo entre a classe média e os mais ricos), às Reformas de Base (agrária, urbana, política-eleitoral, universitária, tributária). 

Mas estas pesquisas também mostravam que a imensa maioria dos brasileiros também desejava que tais 'Reformas de Base' fossem realizadas dentro das regras do jogo democrático, ou seja, concordavam inteiramente com a política de Jango que, aliás, era um Presidente muito popular. 

Aliás, pesquisa Ibope daquele período mostra que Jango, mesmo sem poder se candidatar, era o candidato preferido da população para vencer a eleição presidencial prevista para Novembro de 1965. Assim, mesmo que ele não pudesse se candidatar, o Presidente João Goulart seria um importante 'cabo eleitoral' naquela disputa. 
O 'Última Hora' mostra foto do comício da Central do Brasil. O jornal apoiava ostensivamente as 'Reformas de Base' e foi o único jornal que ficou contra  o Golpe de 64, o que o levou a pagar um alto preço por isso. 
Mas as Esquerdas Radicais do período, que controlavam as principais entidades ligadas aos movimentos sociais (CGT, UNE, FMP, PCB, Ligas Camponesas) e seus principais líderes (Brizola, Arraes, Prestes, Francisco Julião) eram favoráveis a uma estratégia de se promover as Reformas de Base 'na lei ou na marra'.

As Esquerdas Radicais chegavam até a defender o fechamento do Congresso Nacional e a eleição de uma Assembleia Constituinte, da qual as forças conservadoras seriam excluídas, para que se elaborasse uma nova Constituição para o Brasil, pois os esquerdistas radicais entendiam que a mesma inviabilizava a aprovação e implantação das 'Reformas de Base'. 

Brizola também já havia iniciado o processo de constituição de um novo partido político, essencialmente revolucionário, cujo embrião eram os 'Grupos dos Onze', que ele havia criado em 1963 e que estavam se espalhando pelo país inteiro. 

Leonel Brizola era o principal porta-voz das Esquerdas Radicais e vivia defendendo tais ideias publicamente, tendo feito isso, inclusive, no comício da Central do Brasil, no dia 13/03/1964. 

Assim, tínhamos um Presidente da República bastante popular, que defendia uma estratégia política, visando aprovar as 'Reformas de Base' de forma legal e democrática, mas que não dispunha de movimentos sociais organizados que dessem sustentação a tal política. 
JK, Brizola e Jango foram 3 dos principais e mais populares líderes políticos da época. Os três eram rivais, mas todos eles foram perseguidos pela Ditadura Civil-Militar. JK foi uma das vítimas da 'Operação Condor', conduzida de forma coordenada pelas ditaduras militares sul-americanas da época. Brizola e Jango também estavam na lista da morte desta operação.  
Simultaneamente, as Esquerdas Radicais dominavam os movimentos sociais e suas entidades representativas (UNE, CGT, FMP, Ligas Camponesas), mas não dispunham de apoio popular suficiente para levar adiante a sua estratégia de se promover as 'Reformas de Base' na lei ou na marra, promovendo o fechamento do Congresso Nacional e a sua substituição por uma Assembleia Constituinte exclusivamente formada por membros esquerdistas. 

Assim, enquanto Jango e as Esquerdas Radicais se digladiavam publicamente, as forças políticas e sociais mais conservadoras, tradicionalmente golpistas (vide os golpes que elas promoveram 1945, 1950, 1954, 1955, 1956, 1959 e 1961) foram, progressivamente, se unindo e, às vésperas do Golpe de 1964, elas se unificaram em torno da ideia de se derrubar Jango, mesmo que, para isso, tivessem que rasgar a Constituição e iniciar uma Guerra Civil no país. 

E no momento mesmo em que o Golpe aconteceu (dias 31/03/1964 e 01/04/1964), estes diferentes movimentos conspiratórios e golpistas, sendo que alguns deles já existiam há vários anos, desde o momento em que Jango tomou posse na Presidência da República (07/09/1961), surgiu a figura de um líder que unificou as diferentes facções golpistas, que foi a do General Castello Branco. Não foi à toa, portanto, que ele se tornou o primeiro ditador do novo regime ditatorial;
O Marechal Lott era um líder militar muito respeitado, sendo um intransigente defensor do respeito à Constituição. Sob a sua liderança, o Exército derrotou o golpe direitista de 1955 e garantiu a posse de JK e Jango, em Janeiro de 1956. Foi candidato a Presidente da República, em 1960, com o apoio das forças progressistas, mas acabou derrotado pelo furacão conservador e demagógico chamado Jânio Quadros, apoiada pelo UDN e que acabou renunciando em Agosto de 1961, com apenas 7 meses de mandato.
3) Em um primeiro momento, o Presidente João Goulart enviou tropas de elite para combater às tropas do general Olímpio Mourão Filho. Mas a adesão de Amaury Kruel, que comandava o II Exército em São Paulo, desequilibrou o cenário em favor dos golpistas. Foi depois disso que as tropas enviadas por Jango para combater as de Mourão Filho acabaram por aderir ao movimento golpista. 

Neste cenário totalmente desfavorável, Jango percebeu que os estados de SP-RJ-MG já eram territórios dominado pelos golpistas. Por isso, ele foi para Brasília, onde também constatou que tinha pouco apoio para poder resistir ao movimento golpista. Inclusive, o avião da FAB no qual ele pretendia viajar para o RS havia sido sabotado e Jango teve que usar um outro avião, bem mais lento. 

Chegando ao RS, Jango percebe que, mesmo ali (na terra natal do Trabalhismo Getulista do qual ele e Brizola eram os principais herdeiros políticos) a imensa maioria da oficialidade e das tropas já havia aderido ao Golpe quando chegou em Porto Alegre.

O general Ladário Teles, comandante do III Exército, foi claro quando (reunido com o Presidente João Goulart, Brizola e outros generais do III Exército) disse a Jango que a maioria das tropas do RS já havia aderido ao Golpe e que a vitória contra o movimento golpista dependia de um MILAGRE.

O uso da palavra MILAGRE, por parte de Ladário Teles, deixava claro que qualquer resistência seria inútil e que, naquele cenário, a mesma estava fadada ao fracasso;
A Marcha da Família com Deus pela Liberdade contribuiu fortemente para a vitória do Golpe de 64 e para a consolidação da Ditadura Civil-Militar. Outras Marchas do mesmo tipo realizaram-se nos meses seguintes à vitória do Golpe, em inúmeras cidades brasileiras, a fim de comemorar a vitória deste movimento golpista. A classe média conservadora era majoritária nestas manifestações direitistas.
4) O que inviabilizou uma resistência viável por parte do governo Jango foi, em grande parte, a traição de Amaury Kruel, que comandava o II Exército, sediado em SP. 

Hoje temos conhecimento de que Kruel foi subornado e que, em função disso, apoiou o Golpe contra seu amigo pessoal e compadre, o Presidente João Goulart. 

Sem o apoio de Kruel e do II Exército, a vitória do Golpe seria, no mínimo, incerta. O Golpe aconteceria, do mesmo jeito, mais cedo ou mais tarde, mas a sua vitória não seria inevitável. 

Caso Jango tivesse mantido o apoio do II e do III Exércitos, não teríamos tido um Golpe de Estado vitorioso em 1964. Neste cenário, as tropas do general Mourão Filho seriam facilmente derrotadas ou, até, retornariam para os quartéis sem combater. E os próprios EUA, com certeza, pensariam muito antes de iniciar uma intervenção militar no Brasil, pois não teriam forças militares dentro do país em condições de derrubar o governo de Jango;

5) Na época, ninguém imaginava, nem muitas das próprias lideranças golpistas (principalmente as lideranças civis, como os governadores Ademar de Barros (SP), Carlos Lacerda (Guanabara), Magalhães Pinto (MG) e  Ildo Meneghetti, do RS) que aquele Golpe de Estado iria resultar numa Ditadura Militar que iria durar 21 anos. 
Depois de 1945, Carlos Lacerda participou de inúmeros movimentos golpistas, a fim de impedir a posse ou de derrubar governantes eleitos democraticamente. Lacerda sonhava com a Presidência da República e apoiou o Golpe de 64 para se livrar dos seus maiores rivais (JK, Jango e Brizola), pensando que, assim, o caminho para a Presidência da República estaria livre. Mas ele se esqueceu de combinar isso com os militares... Quem mandou ele não ouvir o sábio ensinamento de Garrincha?
Acreditava-se que o militares ficariam algum tempo no poder, mas que devolveriam o controle do governo para os civis muito em breve o que, como se sabe, não aconteceu. 

Mas, na época, era essa a expectativa da imensa maioria dos líderes políticos brasileiros, mesmo dos golpistas.

Até porque, em 1945, os militares derrubaram Getúlio Vargas, encerrando a Ditadura do Estado Novo (1937-1945), à qual eles mesmo ajudaram a implantar e à qual sustentaram sem hesitar, e devolveram o poder aos civis. 

Em 1955, o Contra-Golpe dos Generais do Exército (ao qual o Marechal Lott aderiu e passou a liderar) também fez o mesmo. Lott e os generais derrubaram o golpista Café Filho e devolveram o poder aos civis, permitindo que JK e Jango tomassem posse do governo para o qual haviam sido eleitos, diretamente, pelo povo brasileiro. 

Então, havia uma tradição, no Brasil, naquela época, de termos uma intervenção militar temporária e que era seguida de rápida devolução do poder aos civis. 

Mas em 1964 isso não aconteceu, infelizmente. 

E em função disso, começou a Longa Noite dos Generais-Presidentes, Ditadores que passaram a ser escolhidos por uma espécie de 'Colégio Eleitoral' formado apenas pelos principais generais do Exército e aos quais o Congresso Nacional, castrado dos seus principais poderes, limitava-se a referendar. 
Até o momento imediatamente anterior ao estouro do movimento golpista, em 31/03/1964, este ainda não possuía uma liderança inconteste. Castello Branco assumiu esse posto no próprio momento em que o Golpe se desenvolvia. 
Então, não corresponde à verdade dos fatos dizer que o então Presidente João Goulart não tentou resistir ao Golpe de 64. 

Jango tentou, sim, organizar uma resistência, efetiva e com chances reais de vitória, mas quando se deu conta que a mesma seria inútil e fracassaria, ele optou por sair do país, evitando a Guerra Civil e a Secessão do Brasil, impedindo que este se transformasse em um gigantesco Vietnã.