sábado, 29 de agosto de 2015

Sobre a possível volta da CPMF! - Marcos Doniseti!

Sobre a possível volta da CPMF! - Marcos Doniseti! 
Carga tributária aumentou nos governos FHC e Lula, mas o aumento ocorrido no governo tucano foi o dobro daquele que tivemos no governo petista. As diferenças é que no governo FHC o aumento foi usado para pagar os juros da dívida pública (que chegaram a 45% ao ano), enquanto que no governo Lula ele foi usado para financiar os programas de inclusão social e de distribuição de renda. 

Quais foram os motivos que levaram a direita troglodita a acabar com a CPMF, no final do primeiro mandato do Presidente Lula? É isso que irei responder agora. 

1) Inviabilizar a melhoria da saúde pública e justificar a privatização da Previdência Social, já que o dinheiro da CPMF se destinava a financiar a Seguridade Social brasileira (Saúde Pública, Previdência Social e Assistência Social). Sem os recursos da CPMF e, assim, o discurso a respeito do 'déficit da Previdência' ficaria mais forte;

2) Dificultar o combate à sonegação de impostos promovido pelos mais ricos, pois a CPMF permitia cruzar dados para descobrir quem está sonegando. E como a Operação Zelotes demonstrou, os maiores sonegadores do Brasil são as grandes empresas privadas;

3) Quem pagava a maior parte da CPMF eram os mais ricos, que movimentam a imensa maioria do dinheiro que circula no mercado financeiro. Assim, era um imposto que cobrava mais de quem ganhava ou faturava mais, diferentemente do IPI e ICMS, que são pagos, basicamente, pelas classes trabalhadoras assalariadas e de menor renda, pois os custos dos impostos são repassados aos preços dos produtos, independente deles serem pagos ou não;

4) O governo federal também poderia propor que somente pagaria a CPMF quem movimentasse mais de 10 salários mínimos mensais (o controle não seria feito por contas individuais, mas pelo número de CPF ou do CNPJ). Assim, somente 3,24% dos brasileiros pessoas físicas pagariam a CPMF, pois este é o percentual da população que ganha mais de 10 salários mínimos mensais;

5) Além disso, a CPMF tinha uma outra vantagem importante, neste momento em que o Estado brasileiro está cortando os seus gastos. É que o custo de manutenção da CPMF é praticamente zero, visto que é cobrado diretamente no momento em que ocorre a movimentação financeira, inexistindo a necessidade de uma gigantesca burocracia para fiscalizar e cobrar o mesmo, tal como acontece com o IPI e ICMS, que são impostos declaratórios, que movimentam toneladas de papel e muitos funcionários para analisar os mesmos;

6) Assim, o que o governo Dilma poderia fazer é sugerir uma troca de impostos. 

Recriava-se a CPMF, mas teríamos uma redução do IPI e do ICMS, compensando a recriação da CPMF. A vantagem maior da recriação da CPMF seria com relação ao custo de arrecadação, cobrança e fiscalização (bem menor no caso da CPMF em relação aos do ICMS-IPI) e ainda é um imposto que facilita o combate à sonegação (ajudando o Estado brasileiro a equilibrar as suas contas públicas) e é cobrado, essencialmente, dos mais ricos, colaborando para a promoção da justiça tributária. 

Talvez, assim, fosse possível obter a aprovação da recriação da CPMF. 

Diogo Costa - PELA VOLTA DA CPMF

A CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) surgiu no governo de Itamar Franco, em 1993, com o nome de IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira).
A partir de 1997 o nome mudou de IPMF para CPMF. A contribuição social vigorou então entre 1997 e 2007. A prorrogação do tributo foi derrubada pelo Senado, em dezembro de 2007. E de lá para cá, passados quase 08 anos, a CPMF nunca mais voltou.
A CPMF é um tributo impossível de ser sonegado e por é atacada dia e noite pelos maiores movimentadores de valores no sistema financeiro. É um tributo justo, que propicia que o rico e o pobre paguem a mesma alíquota, de forma proporcional aos valores que movimentarem.
A última versão da contribuição, extinta em 2007, tinha uma alíquota de 0,38%. Ou seja, alguém que movimentava R$ 10.000,00 descontava apenas R$ 38,00 a título desta contribuição.
Uma movimentação de R$ 100.000,00 gerava R$ 380,00 de tributação e uma movimentação menor, de R$ 1.000,00, gerava irrisórios R$ 3,80 de tributação.
A esmagadora maioria do povo brasileiro não movimenta valores superiores a R$ 10.000,00 por mês. Aliás, sequer fazem isso num ano e no máximo fazem isso quando adquirem, por exemplo, a casa própria.
Não encontrei dados consistentes mas arriscaria a dizer que mais de 95% das movimentações financeiras feitas no Brasil são inferiores a R$ 10.000,00.
Os mais incomodados com esse tributo, do qual não se pode escapar e através do qual ricos e pobres pagam de forma justa e proporcional, são os abastados que movimentam verdadeiras fortunas no sistema financeiro.
A CPMF é um tributo que incomoda os ricos e por isso os ricos não querem nem ouvir falar na sua volta.
Eu quero a volta da CPMF, sem dúvidas nenhumas.

Diogo Costa - Não foi a política econômica atual; Foi o esgotamento da anterior!

Diogo Costa - Não foi a política econômica atual; Foi o 

esgotamento da anterior! 
Preços das principais commodities despencaram justamente no último trimestre de 2014. Crises da Grécia-Zona do Euro e da China também se desenvolveram apenas em 2015. Logo, nem a Presidenta Dilma e nem ninguém tinha como adivinhar que a crise econômica e financeira mundial iria se agravar tanto. 
Algumas pessoas insistem com a falácia de dizer que as dificuldades atuais do governo federal, em matéria fiscal, se devem à mudança na política econômica.
O fato incontestável é que no ano passado, em plena vigência da política anticíclica, tivemos um déficit fiscal primário de 0,6 por cento do PIB. Não tínhamos um déficit primário desde o ano de 1997.
Não foi a mudança da política econômica, de anticíclica para pró-cíclica, que ocasionou as restrições fiscais, mas sim o exaurimento da própria política anticíclica vigente até o ano passado.
E quem dizia isso com todas as letras não era nenhum neoliberal, mas sim o ex Ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Ele passou o ano passado inteiro dizendo que era preciso recompor as finanças públicas e rever a política anticíclica, visto que o exaurimento da mesma apresentava-se de modo iminente.
Durante 06 anos consecutivos, entre 2009 e 2014, o governo federal sustentou a economia e a renda nacionais.
E fez isso com base em investimentos que cresciam acima do PIB e em amplas desonerações para setores específicos da economia.
Dilma Rousseff, que criou e manteve a política anticíclica bem sucedida que tivemos até o ano passado, não se desfez dessa política por traição ou por vontade própria, mas sim porque não há mais orçamento para mantê-la.
Até o último trimestre do ano passado a questão fiscal do Brasil estava bem equacionada.
Tanto isso é verdade que os relatórios dos dois maiores bancos privados do país, Bradesco e Itaú, apontavam um superávit fiscal do governo federal. E apontaram isso DEPOIS da eleição, em fins de outubro!
Foi no último trimestre do ano passado, em função da abrupta queda no valor das commodities, que as finanças se deterioraram com grande rapidez.
Vejam o que dizia o relatório do Itaú, de 31 de outubro de 2014 (depois da eleição):
''À luz dos resultados recentes, revisamos nossa projeção para o superávit primário oficial do ano de 0,9% para 0,5% do PIB... (...)''
Ou seja, previam para todos os seus clientes nacionais e internacionais, para as pessoas físicas e jurídicas, que o Brasil teria superávit primário em 2014, e não déficit.
Outro fato inconteste é que praticamente todo mundo foi pego de surpresa com a deterioração fiscal do último trimestre do ano passado.
Dilma não tinha outra solução a não ser mudar de rota e impedir que o déficit fiscal se mantivesse, em condições ainda piores, neste ano de 2015.
E como foi provado por A + B, não foi a mudança na política econômica que causou a restrição fiscal atual, mas sim o exaurimento da política econômica anterior, anticíclica. O resultado fiscal de 2014 é a prova cabal disso.
Termino com a seguinte constatação: em 2013 o setor público consolidado terminou com um superávit primário de 1,9 por cento do PIB. Em 2014 o superávit se transformou em déficit primário, de 0,6 por cento do PIB.
Se mantivéssemos essa trajetória de deterioração fiscal em 2015, terminaríamos o ano com um déficit primário colossal, de 3,1 por cento do PIB. Nem a Grécia tem déficit primário dessa magnitude.
As consequências dessa brutal deterioração fiscal, se não fosse estancada como está sendo, seriam ainda mais perniciosas para a população.
Teríamos mais inflação, taxas de juros ainda maiores e uma explosão cambial incalculável. O efeito disso no emprego e na renda das gentes seria sem dúvidas algumas o mais deletério possível.
Recuperando a parte fiscal se abre espaço para relaxar a política monetária.

Meu comentário sobre o texto do Diogo Costa. 

Ótimo texto do Diogo Costa (com o qual eu concordo, pelos motivos expostos na sequência). Ressalvo apenas que a atual política fiscal não irá reduzir o déficit público, mas talvez impeça que ele dispare e fuja ao controle. O que irá, mesmo, reequilibrar as contas públicas será a retomada do crescimento econômico.
Mas para que isso aconteça é necessário fazer algumas coisas fundamentais, como:

1) Reduzir a inflação: A previsão de inflação para 2016 está em 5,4%, contra cerca de 9,5% para 2015. Então, essa queda acontecerá no próximo ano;
2) Reduzir o déficit externo: A volta do superávit comercial. a redução dos gastos de turistas brasileiros no exterior e a diminuição da remessa de lucros para o exterior irão provocar a diminuição deste déficit.
3) Aumentar os investimentos produtivos: Neste aspecto, o Pacote de Concessão de R$ 198 bilhões, o Plano de Investimento em Energia de R$ 186 bilhões, o Minha Casa Minha Vida 3 e o Plano Safra de R$ 216 bilhões para o período 2015/2016, serão fundamentais.
Com isso, teremos uma progressiva retomada do crescimento econômico brasileiro.
Mas atenção: Isso acontecerá desde que a economia mundial não mergulhe em uma brutal Recessão, tal como poderá vir a acontecer com esse derretimento da bolha especulativa nas Bolsas da China e que poderá se alastrar para outras Bolsas em breve (de N.York, Londres, Frankfurt, em especial).

Condições fiscais e internacionais inviabilizaram 
políticas anti-cíclicas no Brasil, na China, na América 
Latina...

As atuais condições fiscais não permitem a adoção de uma nova política anti-cíclica pelo governo brasileiro, como aquela que tivemos entre 2008-2014.
Tal política se esgotou e isso ficou bem claro com os resultados fiscais e externos de 2014.
Mas também entendo que uma nova Recessão global não terá como ser resolvida por qualquer país isoladamente.

Será necessária uma grande articulação política global (liderada pelo G-20) para se adotar algum tipo de 'New Deal Global', a fim de se estimular a demanda e os investimento produtivos no mundo todo.
Na crise anterior, 2007/2014, os países emergentes (BRICS, em especial) seguraram as pontas da economia mundial, adotando as políticas anti-cíclicas. Agora, eles não tem mais como fazer isso.
Os BRICS foram a locomotiva da economia mundial entre 2007-2014. E agora, quem será essa locomotiva?
A UE, que tem pelo menos 5 países falidos (os PIIGS: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) com os quais se preocupar e onde a insatisfação social e política é crescente, levando ao crescimento da Esquerda (Grécia, Espanha) e da Extrema-Direita (França, Dinamarca)? Sem chance.
Ou a locomotiva serão os EUA, que formaram uma bolha especulativa nas suas Bolsas nos últimos anos em função das políticas de estímulo monetário e de juro de 0% ao ano do FED?
A recuperação dos EUA se baseou, essencialmente, na criação destas bolhas de crédito e do mercado acionário. Logo, quando elas implodirem (todas as Bolhas Especulativas implodem... pode até demorar um pouco, mas isso acaba acontecendo), daí podem dizer adeus à retomada da economia ianque.
Então, a terra do Tio Sam também não terá como ser a locomotiva que a economia mundial necessita neste momento.
Concluindo: a solução para a crise mundial não é mais econômica ou financeira, mas política.

Links:
Quatro ameaças ao crescimento da China
A China e a sua primeira crise capitalista
China: A Grande Muralha da especulação financeira desabou
Crise chinesa irá provocar Recessão mundial
Bolsas de Valores da Europa perderam 450 bilhões de Euros em apenas um dia (24/08)
FED criou uma nova Bolha Especulativa nas Bolsas de Valores dos EUA e ela está próxima de implodir:
Bolsa de Shanghai fecha em queda mesmo depois de BC da China diminuir os juros
Preço do barril de petróleo pode cair para US$ 35

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Alejandro Nadal explica o que provocou a crise na China e o que irá acontecer como resultado da mesma! - Marcos Doniseti!

Alejandro Nadal explica o que provocou a crise na China e o que irá acontecer como resultado da mesma! - Marcos Doniseti!
Desmoronamento da bolha especulativa na Bolsa de Shanghai zerou todos os ganhos obtidos pelos especuladores nos dois últimos anos. 
Vejam no link abaixo um excelente texto, de Alejandro Nadal, que explica o que foi que aconteceu na China, nos últimos anos, e que criou as condições necessárias para que as Bolsas do país estejam desmoronando neste momento. Vou resumir o que ele escreveu a respeito das causas da crise que ocorre atualmente na economia chinesa. 

Segundo Nadal, as causas desta crise são as seguintes:

1) Aumento brutal dos investimentos no setor de construção, em imóveis, em especial. Valor de mercado das obras que estavam sendo construídas na China em 2013 equivalem a quase o dobro do valor do PIB do país, um bolha imobiliária de porte inédito na história do Capitalismo;

2) Entrada excessiva de capital especulativo estrangeiro no mercado chinês, inflando o valor das ações, que se valorizaram em 150% nos 12 meses anteriores a Junho deste ano;

3) Forte aumento da oferta de crédito interna, promovida pelo governo chinês, que alimentou fortemente a especulação com títulos e ações;

4) Queda das exportações chinesas, em função da crise mundial iniciada em 2007/2008;

5) Redução da entrada de novos trabalhadores no mercado, o que é resultado da política de filho único adotada nas últimas décadas;

6) O desmoronamento das bolha especulativas imobiliárias e no mercado de ações não tem precedentes e ainda não terminou;

7) Toda essa crise irá resultar numa queda significativa do ritmo de crescimento da economia chinesa, o que irá afetar o mundo todo, visto que a China já possui o segundo maior PIB mundial. 

Link:

http://www.esquerda.net/artigo/china-grande-muralha-da-especulacao/38288

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Crise do Capitalismo Financeiro Globalizado irá se agravar muito nos próximos anos! Mundo precisa se unir para combater a Recessão Mundial que virá! - Marcos Doniseti!

Crise do Capitalismo Financeiro Globalizado irá se agravar muito nos próximos anos! Mundo precisa se unir para combater a Recessão Mundial que virá! - Marcos Doniseti!
China: Queda da Bolsa de Valores já chegou a 42% desde Junho deste ano. Economia chinesa (junto com a de outros países emergentes, principalmente dos BRICS) foi a principal locomotiva da economia mundial após o estouro da crise de 2007/2008. E agora isso acabou. Logo, surge a pergunta: Quem irá puxar a expansão da economia mundial, agora? Qual será a nova locomotiva? Papai Noel? O Monstro do Lago Ness? O fato concreto é que o Mundo todo caminha para uma severa Recessão nos próximos anos.  
1) Depois da crise global de 2007-2008 os países emergentes seguraram as pontas da economia mundial, adotando políticas de estimulo anti-cíclicas, tipicamente keynesianas, E agora isso acabou também. China, América Latina, Rússia, estão todos desacelerando rapidamente ou já estão em recessão;
2) Temos várias bolhas especulativas desmoronando na China e nos EUA simultaneamente. A União Europeia está patinando, crescendo, mas pouco. 
3) A Grécia está falida e isso já acontecia bem antes do Syriza vencer as eleições de Janeiro de 2015. Outros quatro países (Espanha, Portugal, Itália e Irlanda) também estão literalmente quebrados. Insatisfação social e política é crescente na Europa. Esquerda (Grécia, Espanha) e Extrema-Direita (França, Dinamarca) estão crescendo;
4) A economia dos EUA passou por uma recuperação nos últimos anos, mas a mesma tem pés-de-barro, pois ela ocorreu graças aos juros de 0% ao ano do FED e aos estímulos monetários de US$ 1 trilhão anuais adotados a partir de 2009. Os elevados preços do petróleo também ajudaram, pois levaram as empresas petrolíferas ianques a fazer grandes investimentos em extração de petróleo de xisto, mas que agora se tornaram não lucrativos após o derretimento da cotação do produto (fechou abaixo de US$ 40 nos últimos dias).
Mas isso gerou novas Bolhas Especulativas nas Bolsas de Valores dos EUA e que, agora, com a crise chinesa, tem tudo para desmoronar. E as ações negociadas nas Bolsas de Valores da Europa já se desvalorizaram em 1 Trilhão de Euros apenas em Agosto. Em apenas um dia, nesta segunda-feira (dia 24/08), as perdas foram de 450 bilhões de Euros;
5) A crise chinesa também é resultado do esgotamento das políticas anti-cíclicas aplicadas no país após 2007/2008 (aumento de investimentos em infra-estrutura, principalmente), mas também se deve ao desmoronamento de imensas Bolhas Especulativas criadas nos mercados de ações e imóveis pelo governo chinês. Nos últimos dois meses a queda da Bolsa de Shanghai chegou a 42%;

6) O comércio internacional teve, no primeiro semestre de 2015, a sua maior queda desde 2009. No primeiro trimestre de 2015 a queda foi de 1,5% e no segundo trimestre ela foi de 0,5%. Assim, aquela velha história de 'vamos sair da crise aumentando as exportações' ficou muito mais difícil para todos os países, sem exceção.

O máximo que se poderá fazer é substituir importações pela produção nacional, principalmente por meio de significativas desvalorizações da moeda nacional. Mas se todos os países fizerem isso ao mesmo tempo, o que é bastante provável, isso irá acelerar a velocidade da queda do comércio global, agravando ainda mais a crise; 
7) Se alguém tiver dinheiro sobrando no final do mês, sugiro que evite aplicar o mesmo em ações ou dólar. Estes são mercados altamente especulativos, dominados por grandes investidores, profissionais que os manipulam conforme os seus interesses, e que estão pouco se lixando para os pequenos investidores.
Eu aplico o que sobra na Caderneta de Poupança, mesmo. Não lucro nada, mas também não perco nada. Assim, o meu patrimônio está protegido. E numa época de crise mundial isso é o principal.
Links:

Crise na China provocará desaceleração da economia mundial
Crise atual é semelhante à de 1997; EUA poderão enfrentar forte queda das suas Bolsas de Valores
China enfrenta a sua primeira crise capitalista
Bolsas de Valores da Europa perderam 450 bilhões de Euros em apenas um dia (24/08)
FED criou uma nova Bolha Especulativa nas Bolsas de Valores dos EUA e ela está próxima de implodir:
Bolsa de Shanghai fecha em queda mesmo depois de BC da China diminuir os juros
Preço do barril de petróleo pode cair para US$ 35

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Economia mundial necessita de um New Deal global! - Marcos Doniseti!

Economia mundial necessita de um New Deal global! - 
Marcos Doniseti!
Desempregados em fila para receber sopa gratuita, em Detroit, em 1933. 
Os fatos das últimas semanas, como a crise da Grécia-Zona do Euro e implosão das bolhas especulativas na China (em imóveis e ações), ainda não tinham dado as caras em 2014, quando a Presidenta Dilma foi reeleita. E a economia dos EUA, que vinha se recuperando até 2014, também já está desacelerando em 2015, com o FMI já reduzindo a sua estimativa de crescimento para a economia ianque neste ano.
As vendas de imóveis novos despencaram 6,8% nos EUA apenas em Junho deste ano. Não esqueçam que a crise anterior, de 2007-2008, também começou pelo mercado imobiliário ianque, com a crise do subprime.
São elementos novos da crise global iniciada em 2007-2008, que parece ter começado uma nova etapa, na qual o centro do agravamento da situação econômica mundial não são mais os EUA, mas a China e, em menor grau, a UE, sobrando ainda para os países emergentes (América Latina em especial, devido à dependência das suas exportações de commodities agrícolas e minerais para a terra de Confúcio e cujos preços atingiram o seu menor nível desde 1999).
Nos primeiros anos da crise global, iniciada em 2007-2008, os principais países emergentes ( BRICS, em especial) adotaram um amplo conjunto de políticas anti-cíclicas keynesianas que sustentaram as suas economias, aumentando os investimentos públicos, elevando salários, reduzindo juros e impostos, aumentando a oferta de crédito para a economia, entre outras.
Tudo aponta para o fato de que tais políticas anti-cíclicas se esgotaram, não apenas no Brasil, mas em todos eles (China inclusa) devido à queda dos preços das commodities exportadas pelos países emergentes, pela redução das suas exportações para Europa-EUA devido à forte Recessão que atingiu estes países a partir de 2008 e à sensível redução do preço do petróleo (prejudicando países como Venezuela, Rússia, Nigéria e países do Golfo Pérsico). 
Embora os EUA tenham reduzido o seu patamar de desemprego (ele chegou a 10% em 2009 e agora está em 5,5%, contra 4,4% em 2007), a União Europeia ainda tem uma taxa de desemprego bastante elevada (9,6%) e possui mais de 23 milhões de trabalhadores desempregados. Na Zona do Euro a taxa é ainda maior, de 11,1%. Em alguns países ela atingiu níveis vistos apenas na época da Grande Depressão (está em 22,5% na Espanha e em 25% na Grécia) 
Algumas estimativas já apontam que a economia chinesa passará a crescer apenas 5% ao ano a partir de agora, contra mais de 10% ao ano antes de estourar a crise global de 2007-2008.
Capitalismo explora a classe trabalhadora de forma cada vez mais brutal, eliminando direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Com isso, o poder de compra dos trabalhadores fica estagnado ou diminui, empobrecendo a maioria da população, impedindo o crescimento econômico sustentável. 
Mas a questão é: Se os países emergentes mergulham na recessão ou em uma forte desaceleração de suas economias (caso da China, Rússia, América Latina, Oriente Médio), a economia dos EUA começa a fraquejar em 2015 e a União Europeia ainda não conseguiu sequer superar os efeitos da crise anterior (de 2007-2008), quem puxará o crescimento da economia mundial? Os marcianos? Papai Noel? O Monstro do Lago Ness?
Não existe, de fato, nenhuma grande economia, atualmente, que esteja crescendo em um ritmo que possa puxar a expansão das economias dos demais países, ou seja, que pudesse agir como uma locomotiva do crescimento mundial, tal como a China foi na última década, em especial. 
Então, tudo aponta para o fato de que uma crise dessas dimensões (que já não poupa nenhum país ou região do planeta) não pode mais ser tratada individualmente, por cada país isoladamente. Ela exige, urgentemente, uma grande articulação global, reunindo, no mínimo, os países integrantes do G-20.
De nada adianta a China, por exemplo, desvalorizar a sua moeda (como fez recentemente o governo do país), para tornar as suas exportações mais competitivas, pois os outros países seguirão o exemplo chinês e tomarão medida semelhante, desencadeando uma guerra cambial global que, na prática, representará um aumento do protecionismo, o que provocará a queda do comércio internacional, inviabilizando as tentativas de qualquer país de 'crescer puxado pelas exportações' e agravará ainda mais a situação econômica global. 
Logo, medidas adotadas isoladamente por cada país e que levam em consideração apenas os interesses do governo e da população do mesmo, não irão resolver coisa alguma, muito pelo contrário.
Então, os países que integram o G-20 precisam se reunir, urgentemente, para debater a crise e tomar medidas conjuntas para estimular a atividade econômica global.
O fato concreto é que não é mais possível continuar crescendo (tal como aconteceu nas últimas décadas) com base num processo de endividamento e de especulação financeira desenfreada e irracional, que joga as maiores economias do mundo em crise simultaneamente e agrava as condições de vida da imensa maioria da população mundial. 
Trabalhadores espanhóis desempregados em busca de trabalho. A Espanha possui uma das maiores taxas de desemprego do Mundo (de 22,5%). 
Somente entre 2008-2013 o número de trabalhadores desempregados no mundo aumentou em 61 milhões, segundo a OIT.
Esse modelo de capital financeiro desregulado já deu o que tinha que dar. Está esgotado e precisa ser, urgentemente, substituído por um modelo que privilegie a produção, o emprego, os salários e a melhoria contínua das condições de vida dos trabalhadores assalariados e da maioria mais pobre da população.
O que precisamos, urgentemente, é de um New Deal Global, que represente um grande estímulo aos investimentos produtivos, à geração de empregos, às melhorias salariais, tal como Franklin D. Roosevelt fez em seus primeiros anos de governo, em especial no período 1933-1937.
Afinal, se a crise é global e não poupa ninguém, então as soluções também terão que ser globais, com todos os governos das maiores economias do mundo procurando se entender a respeito de se adotar soluções para a mesma.
Assim, tais medidas teriam que ser tipicamente anti-cíclicas keynesianas (aumento dos investimentos públicos, redução de impostos, aumento de salários, maiores gastos sociais, etc) a fim de termos uma maior demanda global. E com mais demanda, teríamos mais produção e mais investimento. Tais políticas promoveriam uma ampla distribuição de renda em favor dos trabalhadores e dos mais pobres no mundo todo, o que daria início a um novo ciclo de crescimento global.
E tal programa (o New Deal Global) poderia ser financiado cobrando-se uma taxa sobre as movimentações financeiras globais, algo como uma 'CPMF global'. E os recursos seriam distribuídos com base em critérios econômicos e sociais claros, como a taxa de desemprego, o percentual da população abaixo da linha da pobreza, com maiores índices de analfabetismo e de mortalidade infantil, entre outros. 
Os líderes das 20 maiores economias mundiais precisam se reunir urgentemente e traçar uma estratégia comum de combate à crise mundial, que começou em 2007-2008 e que ainda está longe de terminar. É urgente criar um New Deal Global, a fim de estimular a demanda, gerar produção, empregos e investimentos produtivos no mundo todo, a fim de se melhorar as condições de vida da maioria população, especialmente dos assalariados e dos mais pobres. E poderia ser criada uma 'CPMF Global' para financiar tal programa. 
Assim, tal programa beneficiaria, principalmente, os países e as populações mais pobres do planeta, que passariam a ingressar no mercado de trabalho e no mercado consumidor, estimulando o aumento da produção, gerando empregos, aumentando os salários, elevando a arrecadação de impostos, entre outros inúmeros benefícios. 
Outros investimentos seriam feitos em obras de infra-estrutura (energia, transportes) e nas áreas sociais (saúde, educação, saneamento básico, transporte coletivo, habitação), que contribuem para gerar empregos e aumentam a produtividade da economia. 
Desta maneira, seria possível construir um mundo mais produtivo e menos desigual e seriam criadas as condições para a retomada do crescimento econômico mundial. E este crescimento se daria com base na melhoria das condições de vida da população e não por meio de um endividamento e de uma especulação financeira irracionais e que geram apenas crises sucessivas que acabam por aumentar as desigualdades sociais e por empobrecer ainda mais a população.
Caso o G-20 viesse a se reunir em torno de um programa dessa natureza, teríamos debates árduos? Sim. Interesses distintos entrariam em choque? Sem dúvida. 
Mas não há outra opção.
Capital especulativo global fez com que todas as economias do mundo ficassem sujeitas às decisões de especuladores que podem, em pouco tempo, provocar a derrocada econômica de economias nacionais inteiras, mesmo que sejam de grande porte. 
Se algo neste sentido não for feito, então não é de se duvidar de que venhamos a ter uma nova Grande Depressão, que foi evitada em 2007-2008 (ela até aconteceu, mas durou cerca de um ano e ficou restrita aos EUA, UE e Japão... na época os países emergentes - os BRICS, em especial - sustentaram a economia mundial, evitando que a Depressão chegasse a todo o planeta e fosse limitada no tempo), mas que, agora, talvez não possa ser mais.
A hora de agir é agora.

Links:

Paul Krugman: Políticas atuais agravarão a crise:


Política de juro Zero do FED criou bolha especulativa nas Bolsas dos EUA:


Situação da economia chinesa é bem pior do que se imagina, diz gestor de fundos especulativos:


Economia dos EUA cresceu em ritmo moderado em Junho:


Índice europeu de ações mostra perdas de 1 Trilhão de Euros em Bolsas europeias no mês de Agosto:


Bolsas de Valores desabam no mundo todo em 24/08/2015:


O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, criador do New Deal, que tirou os EUA da Grande Depressão, adotando um agressivo programa de aumento dos gastos sociais, de investimentos públicos e de geração de empregos para promover a retomada do crescimento econômico. As políticas do New Deal foram mantidas até que Ronald Reagan se elegeu Presidente e decidiu iniciar o seu desmonte. E o Mundo paga um alto preço por isso, neste momento, enfrentando sucessivas crises econômicas e sociais. Mal termina uma crise e já começa outra. 
China irá crescer apenas 5% ao ano a partir de agora:


Preços das commodities recuam para níveis de 1999:


Vendas de imóveis novos sofrem queda de 6,8% em Junho nos EUA:


China desvaloriza a sua moeda pela segunda vez consecutiva:


OIT: 61 milhões de trabalhadores ficaram desempregados no mundo entre 2008-2013:

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Mundo enfrenta uma nova etapa da Crise Global iniciada em 2007-2008! - Marcos Doniseti!

Mundo enfrenta uma nova etapa da Crise Global iniciada em 2007-2008! - Marcos Doniseti!
Antigamente eram as quedas das Bolsas de Valores dos EUA que puxavam a economia mundial para baixo. Agora é a Bolsa de Valores de Shanghai que espalha o vírus da crise pelo mundo todo. São os novos tempos da economia global, onde o papel da China é de grande importância. 
Essa é, na verdade, uma nova etapa da mesma crise global que começou em 2007-2008, com as crises das hipotecas subprimes, a quebra do Lehman Brothers e o desomoronamento dos mercados financeiros especulativos desregulados (fundos de hedge, derivativos, etc). 

Tal crise, e muito ao contrário do que o ex-presidente do Banco Central no governo FHC, Armínio Fraga, disse durante a campanha eleitoral, está muito longe de acabar.

Senão, vejamos:

1) Uma gigantesca Bolha Especulativa está desmoronando na Bolsa de Valores da China. E tem uma outra bolha que se formou por lá também, que é a do mercado imobiliário, que também deverá desmoronar em breve. 

E uma das medidas adotadas pelo governo chinês, a desvalorização da moeda chinesa (o renminbi), para combater os efeitos dessa crise irá desencadear uma guerra cambial global, com todos os países do mundo tendo que desvalorizar as suas moedas também. Caso contrário, eles irão perder mercado para os produtivos chineses, mergulhando numa crise econômica ainda pior.

Em termos práticos, uma guerra cambial global resultará num maior fechamento das economias nacionais, pois ao se desvalorizar a moeda nacional os produtos do país ficam mais barato e os importados se tornam mais caros. Isso irá que o comércio internacional volte a crescer e poderá resultar, até, na sua diminuição;

2) Nos EUA, uma nova Bolha Especulativa se formou nas Bolsas de Valores dos EUA nos últimos anos, graças à taxa de juros de 0% ao ano praticada pelo FED. E agora ela está pronta para desmoronar também. As vendas de imóveis novos despencaram quase 7% em Junho. 

A crise anterior (de 2007-2008), não se esqueçam, também começou pelo mercado imobiliário ianque (das hipotecas sub-prime), que movimenta boa parte do PIB e da oferta de crédito do país;

3) A crise da Zona do Euro também está longe de acabar.

Países como Grécia, Itália, Portugal, Irlanda e Espanha estão com seus Estados literalmente quebrados, endividados até o pescoço. A dívida pública grega é de 177% do PIB, a da Itália é de 132% do PIB, a de Portugal é de 130% do PIB, a da Irlanda é de 109% do PIB e a da Espanha é de 97,7% do PIB. 

É mais do que evidente que tais dívidas são impagáveis, pois acabam inviabilizando o crescimento da economia destes países, mantendo-os com as suas economias estagnadas por um longo período de tempo e com elevadas taxas de desemprego;

As próximas eleições que serão realizadas na Grécia (dia 20 de Setembro) poderão levar à formação de um governo que acabe por tirar o país da Zona do Euro. Depois disso, os outros quatro países falidos da Zona do Euro também passarão a ser vistos como os próximos da lista, agravando a crise na UE.

Na França, a candidata da Frente Nacional (extrema-direita), Marine Le Pen, lidera as pesquisas mais recentes para a Presidência do país (com 29% das intenções de voto), o que demonstra o elevado grau de insatisfação dos franceses com a situação econômica, social e política de seu país, que possui a segunda maior economia da Europa e a quinta maior do mundo;

4) Com o aprofundamento da crise nas três maiores economias mundiais (EUA, China, União Europeis), todos os outros países sofrerão o impacto da piora da situação econômica global, jogando América Latina, Ásia, África em uma situação de muito maior fragilidade, pois terão que enfrentar recessão, aumento do desemprego, das desigualdades sociais, da pobreza, da miséria e da insatisfação popular;

5) Se o Mundo escapar de uma nova Guerra Mundial e conseguir impedir a ascensão de governantes nazi-fascistas ou de qualquer tipo de Ditadura nos principais países do globo, então poderemos ter motivos para comemorar. Mas até isso é de se duvidar caso essa crise continua se agravando.

Link:

Bolsa de Valores da China despenca 8,5% no dia 24/08 e puxa para baixo as Bolsas do mundo todo:


Dilma tinha razão: Mundo enfrenta nova crise global:


Índice europeu de ações perde 450 Bilhões de Euros em apenas um dia:


A China e a sua primeira crise econômica capitalista:


FED criou uma nova Bolha Especulativa nas Bolsas de Valores e ele está próximo de implodir:


Marine Le Pen lidera pesquisa para eleição presidencial na França (será em 2017):