terça-feira, 25 de março de 2014

As agências de classificação de risco merecem ser levadas a sério? - por Marcos Doniseti!

As agências de classificação de risco merecem ser levadas a sério? - por Marcos Doniseti!


As reservas internacionais líquidas do Brasil representam 17,1% do PIB e são uma das maiores do mundo.

Essa agência de classificação de risco, a S&P, que rebaixou a nota brasileira é uma piada. Como ela pode ter feito isso, se:

1) O crescimento econômico do Brasil em 2013 foi o segundo maior entre as 8 maiores economias do mundo e um dos maiores entre as 20 maiores economias mundiais; 

2) O Brasil também foi um dos que mais cresceu (17,8%) entre as 20 maiores economias do mundo desde que estourou a crise financeira de 2008;

3) O superávit primário de 1,9% do PIB em 2013 é um dos maiores entre as 20 maiores economias do mundo e foi suficiente para que a Dívida Pública líquida caísse de 35,3% para 33,8% do PIB em 2013-2014;

4) As reservas internacionais líquidas são de US$ 377 bilhões, representando 17% do PIB, e são suficientes para pagar 18 meses de importações;

5) A dívida pública bruta do Brasil diminuiu de 58,8% para 57,2% do PIB em 2013;

6) Os investimentos externos produtivos foram de US$ 196 bilhões entre 2011-2013 (média anual de US$ 65,3 bilhões), o que coloca o Brasil no G5 dos países que mais recebem investimentos externos no mundo.

7) Os investimentos produtivos aumentaram 6,3% no Brasil em 2013.

Outros países do G20 possuem uma situação econômica-financeira muito, mas muito pior do que a brasileira e, no entanto, as suas notas não foram rebaixadas.

Afinal, a quais interesses servem as agências de classificação de risco, hein? Aos do sistema financeiro globalizado, que deseja sugar e saquear as riquezas dos países emergentes, é claro. Quando elas rebaixam a nota de um país, isso serve como fator de pressão para que o governo adote medidas que beneficiem ao sistema financeiro especulativo. E é claro que isso irá implicar na redução dos gastos sociais, em arrocho salarial e na diminuição dos investimentos públicos em saúde, educação e na infra-estrutura. 

Portanto, as agências de classificação de risco atuam como uma espécie de Xerife que está à serviço do sistema financeiro internacional, de caráter essencialmente especulativo. Elas são os Xerifes que castigam os países (rebaixando as suas notas) quando os governos destes adotam políticas econômicas que não são aquelas que interessam aos especuladores globalizados. 

E é o que acontece no Brasil, desde quando o governo Lula decidiu adotar uma política econômica anticíclica, marcada pelo aumento dos investimentos públicos, dos gastos sociais, redução de impostos, aumentos reais de salários, fortalecimento das empresas estatais (somente a Petrobras, em 2013, investiu R$ 104 bilhões) e dos bancos públicos (BB, CEF, BNDES). 

Para que isso fosse possível, o governo Lula, e também o de Dilma, reduziu o superávit primário (que é a parcela do Orçamento que é utilizada para pagar os juros da dívida pública), o que prejudica os interesses do sistema financeiro, ao qual as agências de classificação de risco são ligadas de forma umbilical. 

Isso explica a atuação delas na crise financeira de 2008, da qual os países ricos ainda estão longe de se recuperar (enfrentando altíssimas taxas de desemprego, por exemplo), quando elas avaliavam o sistema financeiro destes países como estando em excelente situação. E o faziam porque a remuneração delas estava atrelada às notas que elas davam para tais instituições financeiras. E as agências de classificação de risco fizeram o mesmo com aplicações financeiras de altíssimo risco, às quais avaliavam com notas máximas.

Assim, como alguém ainda pode levá-las a sério?

Fala sério, vai...

Links:

http://www.brasil247.com/+ia85d

Belluzzo: Agências não tem credibilidade:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,que-significado-isso-tem-isso-e-coisa-de-estelionatarios-afirma-belluzzo,1144746,0.htm

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