sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Entre países do G-20 que cresceram mais do que o Brasil em 2013, somente a China têm um PIB maior que o brasileiro - por Marcos Doniseti!

Entre países do G-20 que cresceram mais do que o Brasil em 2013, somente a China têm um PIB maior que o brasileiro - por Marcos Doniseti!



Se pegarmos a lista do FMI com a relação das vinte maiores economias do mundo em 2013, veremos que o Brasil teve o oitavo maior crescimento mundial, sendo que o país cresceu menos apenas do que a China, Indonésia, Índia, Turquia, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Austrália.

No entanto, dos sete países que cresceram mais do que o Brasil em 2013, quatro deles (que são a Coreia do Sul, Indonésia, Turquia e Arábia Saudita) possuem PIBs bem menores do que o brasileiro, segundo o FMI.

Senão, vejamos os PIBs destes oito países que mais cresceram no mundo em 2013 e que estão entre as 20 maiores economias mundiais (dados do PIB são do FMI para 2013):

1) China US$ 8,250 trilhões (crescimento de 7,7%);
2) Indonésia US$ 894 bilhões (crescimento de 5,3%);
3) Índia US$ 1,946 trilhão (crescimento de 4,4%);
4) Turquia US$ 783 bilhões (crescimento de 3,8%);
5) Arábia Saudita US$ 657 bilhões (crescimento de 3,6%);
6) Coreia do Sul US$ 1,151 trilhão (crescimento de 2,8%);
7) Austrália US$ 1,542 trilhão (crescimento de 2,5%);
8) Brasil US$ 2,673 trilhões (crescimento de 2,3%).

Notem que a economia brasileira equivale à soma dos PIBs da Austrália (12o. PIB do Mundo) e da Coreia do Sul (15o. PIB do Mundo) somadas (US$ 2,693 trilhões). 

E o tamanho da economia brasileira também é superior à soma dos PIBs da Índia (10o. PIB do Mundo) e Arábia Saudita (19o. PIB do Mundo), cujo valor chega a US$ 2,603 trilhões . Ou então, o PIB brasileiro é praticamente igual à soma dos PIBs da Coreia do Sul, Indonésia (16o. PIB do Mundo) e Arábia Saudita, que somados atingem os US$ 2,702 trilhões.

Assim, da lista de países cujas economias cresceram mais do que a do Brasil em 2013, e que estão entre as 20 maiores economias do Mundo, somente a China possui um PIB maior do que o brasileiro.

E porque eu estou chamando a atenção para isso? É que é conhecido o fato de que países cujas economias possuem um PIB bem maior do que outros, geralmente crescerem a um ritmo inferior (em %) quando comparado com os países com PIB menor.

Assim, vamos fazer uma outra lista, apenas com países cujos PIBs têm um tamanho próximo ao brasileiro e comparar o crescimento de suas economias em 2013.

França    -  PIB de US$ 2,875 trilhões   (5o. do Mundo)    Crescimento de    0,2%;
Brasil      -  PIB de US$ 2,673 trilhões    (6o. do Mundo)    Crescimento de    2,3%;
R. Unido -  PIB de US$ 2,585 trilhões    (7o. do Mundo)    Crescimento de    1,7%;
Itália         -  PIB de US$ 1,980 trilhão      (8o. do Mundo)    Crescimento de  -1,8%;
Rússia     -  PIB de US$ 1,953 trilhão     (9o. do Mundo)     Crescimento de   1,5%;
Índia         -  PIB de US$ 1,946 trilhão     (10o. do Mundo)   Crescimento de    4,4%;
Canadá   -  PIB de US$ 1,770 trilhão      (11o. do Mundo)   Crescimento de    1,7%.

Nesta relação de países cujos PIBs não são tão diferentes, vemos que apenas a Índia cresceu mais do que o Brasil em 2013. E não podemos esquecer que a renda per capita indiana ainda é bem menor que a brasileira e que seu PIB é US$ 727 bilhões menor do que o brasileiro. Para se ter uma ideia da diferença, um país cujo PIB tivesse esse valor seria a 19a. maior economia mundial, superando a da Arábia Saudita (US$ 657 bilhões).

Na lista das 20 maiores economia mundiais, segundo o FMI, o ranking do crescimento em 2013 ficou assim:

1) China 7,7%;
2) Indonésia 5,3%;
3) Índia 4,4%;
4) Turquia 3,8%;
5) Arábia Saudita 3,6%;
6) Coreia do Sul 2,8%;
7) Austrália 2,5%;
8) Brasil 2,3%;
9) Suíça 2,0%;
10) EUA 1,9%;
11) Japão 1,7%;
12) Reino Unido 1,7%;
13) Canadá 1,7%;
14) Rússia 1,5%;
15) México 1,2%;
16) Holanda 0,7%;
17) Alemanha 0,5%;
18) França 0,2%;
19) Espanha -1,2%.
20) Itália -1,8%.

Link:

Lista dos 20 países com maiores PIBs do Mundo em 2013:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_nominal

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O PT, a crise do Capitalismo Global e a Social-Democracia! - por Marcos Doniseti!

O PT, a crise do Capitalismo Global e a Social-Democracia! - por Marcos Doniseti!

(atualizado no dia 25/02/2014)

A concentração de renda no Brasil ainda é muito elevada, mas é a menor da história, desde que o índice de Gini começou a ser empregado no país. 

Uma crítica muito frequente que se faz ultimamente é a de que o PT se distanciou dos movimentos sociais. Mas tenho sérias dúvidas a esse respeito.

Afinal, se isso é verdade, então porque é sempre o PT que é o partido mais votado entre os trabalhadores e os mais pobres? E porque o PT sempre é bem melhor votado nas periferias das cidades brasileiras, onde vivem os proletários e os pobres do país, do que nos bairros de classe média alta ou dos ricos? Então, de quais movimentos sociais o PT teria se afastado? 

Só se for o movimento dos médicos coxinhas e reacionários que fizeram de tudo para inviabilizar o programa 'Mais Médicos', cujos maiores beneficiários serão justamente a população de pobres desse país que, em grande parte, nunca viu um médico na vida, pois os médicos brasileiros desejam apenas trabalhar nas grandes cidades e nas regiões mais ricas das mesmas. 

Entendo que o distanciamento existe, sim, entre os partidos minúsculos da 'Esquerda Radical' (PSOL, PSTU, PCO, PCB) e os trabalhadores, pois os mesmos mal chegam a atingir 1% dos votos nas eleições presidenciais e quase não elegem parlamentares e prefeitos pelo país afora. 

Não penso que exista distanciamento entre o PT e os movimentos sociais autênticos, legítimos (o que não é o caso de Black Blocs e assemelhados). Podem existir divergências, o que é normal, mas não distanciamento. 

O que existe, por parte do PT, é outra coisa: É a responsabilidade de governar um país complexo e com problemas sociais imensos, que foram acumulados durante mais de 500 anos, o que os minúsculos partidos de esquerda radical não tem. Nesse contexto, fica muito fácil criticar, né? Afinal, não são eles que estão governando, mesmo, certo?

Como dizem os integrantes da classe média reacionária: 'Aeroporto virou rodoviária'.

Pelo que me lembro, o Movimento dos sem-teto sempre reivindicou a criação de uma política de construção de moradias para a população de baixa renda, certo? Daí, questiono: O que é o Minha Casa Minha Vida, afinal? Acesso ao Ensino Superior para os mais pobres? O que são as cotas, o Fies, o ProUni e a construção de 14 novas universidades federais? Ampliação dos direitos sociais e trabalhistas? O que são a PEC das Domésticas e a política de aumento real anual para o salário mínimo (que a oposição já demonstra claramente que deseja extinguir)?

Na agricultura familiar, o Pronaf nunca teve um orçamento tão grande, que chegou a R$ 21 bilhões em 2014. Ele beneficia a quem? Aos pequenos agricultores, é claro. E o próprio agronegócio é extremamente importante para o Brasil, sendo que o mesmo é responsável por TODO o superávit comercial do país.

Sem o mesmo viraríamos pedintes do FMI novamente, tal como nos tempos de FHC.

Obs: No entanto, isso não me impede de afirmar que os representantes políticos do agronegócio são, de fato, um bando de trogloditas. Para confirmar basta ver como atua politicamente a senadora Kátia Abreu... Mas daí a negar a importância do agronegócio para a economia brasileira, vai uma gigantesca distância.

Entre as principais entidades representativas dos movimentos sociais temos a CUT e a UNE, que muitos criticam dizendo que teriam sido 'cooptados' pelo governo federal. 

Mas eles tiveram várias das suas reivindicações atendidas pelo governo federal, certo? Então, porque eles ficariam contra tal governo? Isso seria incoerente, no mínimo. O normal é que os movimentos sociais fiquem contra um governo que não atende as suas reivindicações. Mas ficar contra um governo que o faz, seria algo bastante estranho, surrealista, realmente.

Como diz a oposição: 'O Brasil está acabando'... É verdade, mas é com o desemprego. 

Além disso, eu nunca vejo ninguém dizer que um banqueiro, um latifundiário ou um grande industrial foi cooptado quando o mesmo assume um cargo no governo. 

Somente se diz isso a respeito de representantes de movimentos sociais populares (estudantil, operário, negros, mulheres, LGBT).

Porque será, hein?

Neste contexto, para mim, a função do PT, hoje, é bem simples: governar.

Estamos administrando o Capitalismo? Sim, e não se trata de qualquer Capitalismo.

Não estamos falando do Capitalismo da sua chamada 'Era de Ouro' (1948-1973), como a definiu o historiador britânico marxista Eric Hobsbawm. Este foi o período no qual o Capitalismo passou pelo maior expansão da sua historia.

Hoje estamos falando de um Capitalismo Global que está enfrentando uma forte crise e que passa por profundas mudanças no mundo inteiro, em função de todo um processo de reorganização e de reestruturação da economia capitalista globalizada que começou já há algumas décadas, que se espalhou pelo mundo todo e que ainda está longe de terminar, bem como de mudanças de caráter geopolítico que se desenvolveram neste período. 

Entre as principais e mais importantes mudanças tivemos:

1) Emergência do capital financeiro especulativo como fator fundamental na definição de políticas por parte de Governos e Estados Nacionais do mundo inteiro;

2) Crescimento econômico acelerado de países emergentes (China em especial, com o seu 'Capitalismo planejado e orientado pelo Estado');

3) Fim da URSS e do Bloco Socialista;

4) Criação da UE e da Zona do Euro;

Aumento da pobreza é um dos mais graves problemas que atingiu uma das principais economias da União Europeia.

5) Crise econômica, financeira e social muito grave nos países ricos (EUA, UE e Japão) a partir da crise de 2007-2008 (hipotecas subprime, quebra do Lehman Brothers, quebra dos fundos de hedge e de derivativos, dando origem a uma verdadeira 'Década Perdida' em termos de crescimento econômico e de geração de empregos, sacrificando toda uma geração de jovens;

6) Os EUA assumindo ambições Imperialistas de caráter global, visando inviabilizar ou, no mínimo, dificultar o processo de fortalecimento e de surgimento de novas potências (China, Índia, com forte atuação na Ásia-África, e o Brasil, com este concentrando a sua atuação na América Latina e, também, na África) ou de tentar impedir a recuperação de velhas potências (Rússia);

7) Eclosão de novas guerras (Chechênia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, etc) que representam um novo processo de expansão imperialista por parte dos EUA-Arábia Saudita-Israel, e com o Qatar, Reino Unido, Alemanha e França participando como 'sócios minoritários' deste processo;

8) Movimentos golpistas 'suaves' (baseados nas ideias de Gene Sharp), com o 'povo' nas ruas, que resultaram na Primavera Árabe e na Revolução Laranja e no Golpe de Estado de 2014 na Ucrânia. Porém, geralmente o 'povo' que vai para as ruas protestar não é o proletarizado, mas o das classes médias e alta que simpatizam com os EUA e que repudiam processos de inclusão social e econômica promovidos por governos de caráter nacionalista e progressista (Venezuela, Brasil, Equador, Bolívia, etc);

9) Retomada do processo de frequentes tentativas de Golpes de Estado na América Latina, que ocorreram na Venezuela, Bolívia, Equador, Honduras e Paraguai.

Estas são algumas das principais mudanças que se processaram no mundo nas últimas décadas e que ainda estão em andamento.

Este é um mundo caótico e cada vez mais imprevisível, no qual a margem de manobra para mudanças e transformações revolucionárias parece ter, claramente, diminuído em relação às décadas anteriores. Os anos 1949-1979, em especial, foram um período muito fértil em termos de Revoluções pelo mundo afora: Revolução Chinesa, Revolução Cubana, Guerra do Vietnã, Descolonização africana e asiática, Revolução Sandinista, Guerrilhas na América Central (El Salvador, Honduras, Guatemala), ditaduras e guerras civis na Grécia, etc.

Taxa de inflação se mantém estável no Brasil. Desde 2005 que a taxa média anual fica em torno de 6%, o que contribui para o aumento do poder de compra da população.

Mas entendo que o governo petista está administrando esse 'Capitalismo de Crise e Mudança' de uma maneira diferente daquela que tradicionalmente foi adotada neste país, principalmente no período 1500-1930 e entre 1964-2002.]

Se não fosse assim, melhorias econômicas e sociais não estariam acontecendo no país em benefício dos trabalhadores e dos mais pobres e teríamos resultados semelhantes aos da Ditadura Militar, quando a economia ia bem e o povo ia mal, como reconheceu o Ditador-General Garrastazu Médici (1969-1974).

O que se cobra do PT, hoje, ou seja, que o mesmo faça uma Revolução Socialista ou quase isso, levando adiante um processo de mudanças radicais na estrutura econômica, política e social do país é inviável.

E isso acontece por vários motivos, como o fato do PT ser um partido médio que é obrigado a fazer um amplo governo de coalizão, com partidos conservadores, para poder governar e que depende de decisões tomadas no Poder Legislativo para poder levar adiante um projeto de desenvolvimento econômico e social que combina crescimento econômico, estabilidade econômica, geração de empregos formais, aumentos reais de salários, ampliação do Estado na economia e na área social, combinação de políticas que resultou numa melhor distribuição de renda.

Aliás, é bom ressaltar que, nos últimos anos, governar esse país também ficou muito mais difícil, devido à crescente atuação política do Poder Judiciário, vide a anulação do reajuste do IPTU do governo Haddad (pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa) e a atuação política cada vez mais intensa do próprio STF, que passou, literalmente, a atuar como um partido político de oposição ao governo federal, com ministros como Gilmar Mendes e Marco A. Mello falando e agindo como se fossem líderes da oposição ao governo federal. Quanto à Joaquim Barbosa, este nem precisa ser citado, né? Basta ver como ele atua no julgamento da AP 470 para se constatar a sua atuação descaradamente política.

E este papel de partido de oposição ao governo federal também é desempenhado pela Grande Mídia do país (Rede Globo, Veja, Folha, Estadão, BAND, SBT, RBS), o que pode ser conferido diariamente, bastando ler qualquer um dos grande jornais do país, ouvir algumas das emissoras de rádio que 'tocam notícia' ou assistir a qualquer telejornal, seja da TV aberta ou da TV paga.

Número de empregos formais criados entre 2003-2013 chegou a 15.800.000

Portanto, o PT percebe claramente que há limites para o que ele pode fazer, mesmo comandando o Poder Executivo Federal. Aliás, até Hugo Chávez soube quais eram os seus limites na Venezuela. E Maduro também sabe.

Chávez nunca decretou moratória da dívida externa e continuou vendendo petróleo para os EUA, mesmo com esse país financiando e apoiando ostensivamente uma oposição retrógrada e golpista na Venezuela. 

Caso acontecesse o contrário, com Maduro tentando derrubar o governo Obama, alguém tem alguma dúvida de qual seria a resposta do Império Ianque? Teríamos uma invasão e ocupação da Venezuela pelos militares dos EUA, no mínimo.

E olha que, hoje, o presidente Nicolás Maduro tem o apoio da maioria absoluta do Parlamento, a maioria dos juízes da Corte Suprema é simpática ao governo (lá eles são eleitos diretamente pelo povo), o PSUV possui 20 dos 23 governadores e 75% dos prefeitos são de partidos aliados de Maduro, principalmente do PSUV. E mesmo assim Chávez enfrentou e, agora, Maduro enfrenta dificuldades imensas para levar adiante o seu projeto de 'Revolução Bolivariana'.


Hugo Chávez deu início à Revolução Bolivariana que, agora, continua sob a liderança de Nicolás Maduro. 

E olha que entre 1998 e 2013, os chavistas venceram quase todas as votações que se realizaram no país, incluindo nesta lista as eleições nacionais, estaduais, municipais e referendos, tendo sido derrotados em apenas uma oportunidade.

E mesmo agora, com essa mais recente tentativa de Golpe de Estado que ocorreu na Venezuela, qual foi a reação do governo Maduro e dos chavistas? Eles chamaram a oposição para o diálogo, incluindo até o governo Obama nessa proposta. Assim, quem apostou na radicalização foi a oposição reacionária e golpista e não o governo venezuelano. 

O governo de Maduro chamou o povo para ir às ruas a fim de resistir ao Golpe, mas procurou acalmar a situação, tendo inclusive controlado os ânimos de integrantes das milícias chavistas que desejavam partir para cima dos golpistas, que estavam apelando para a violência irracional e desenfreada. 

E Maduro agiu assim justamente porque sabe que a radicalização interessa apenas a quem está na oposição. 

Enquanto isso, e na melhor das hipóteses, o PT é um partido médio no Brasil. Ele têm apenas 89 dos 513 deputados federais e apenas 12 dos 81 Senadores. Logo, o PT possui apenas 17% dos congressistas. E quantos governadores de estado o PT possui? Apenas 4 (RS, BA, DF, AC). Na região Sudeste, a mais rica e desenvolvida do país, o PT não tem nenhum governador.

Assim, entendo que cobra-se do PT que ele faça algo que ele não tem força política, institucional e social suficientemente organizada e mobilizada para realizar, que seria um governo de Esquerda de caráter bem mais radical.

Financiamentos do BNDES para o setor produtivo da economia brasileira cresceram fortemente, passando de R$ 38 bilhões em 2002 para R$ 190 bilhões em 2013, acumulando um crescimento de 397,4%.

Qualquer pessoa que conheça um mínimo que seja sobre o sistema político-partidário brasileiro sabe, muito bem, que sozinho o PT não governaria coisa nenhuma.

Um governo federal exclusivamente petista (e mesmo que fosse apoiado por legendas como PCdo B, PSOL, PSTU, PCB e PCO) e com um caráter esquerdista radical não duraria seis meses. E olha que estou sendo otimista...

Se formo analisar friamente, pelo menos 80% dos deputados federais e senadores são de partidos conservadores (PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, PTB, PRB, PSC...). 

Acreditar que seria possível governar com, no máximo, 20% de apoio dos congressistas e com um Congresso Nacional dominado pela Direita é piada. Quem diz isso é porque não entendeu lhufas de como funciona o sistema político brasileiro, onde tudo o que o Chefe do Poder Executivo (Presidente, Governadores, Prefeitos) deseja fazer precisa ser aprovado pelo Poder Legislativo.

Exemplos: Quer aumentar o Salário Mínimo? Deseja criar um novo programa social? Quer nomear um novo nome para presidir o Banco Central ou um novo embaixador? Quer aprovar o Orçamento do próximo ano? Então saiba que tudo isso, e muito mais, precisa ser aprovado pelo Poder Legislativo.

Logo, um governo formado pelo PT e mais uns poucos partidos de Esquerda (PCdoB, PSOL, PSTU, PCO, PCB), somados, não governariam porcaria nenhuma, pois é mais do que evidente de que um Congresso com 80% de parlamentares conservadores jamais aprovariam projetos que tivessem uma natureza esquerdista radical ou revolucionária. 

O governo de Jango (1961-1964) tentou fazer isso (com as chamadas 'Reformas de Base') e não conseguiu. Salvador Allende (1971-1973), no Chile, tentou seguir o mesmo caminho, mas suas tentativas de promover reformas mais radicais acabaram bloqueadas por um Congresso predominantemente conservador. 

Quem acredita numa bobagem dessas, que o PT e as pequenas legendas de Esquerda e Centro-Esquerda poderiam governar o Brasil sozinhas, também deve acreditar em Papai Noel, Cegonha, Monstro do Lago Ness, Saci Pererê e no Abominável Homem das Neves. Sem falar dos ETs...

Alguns críticos também dizem que o PT teria se transformado num partido predominantemente Social-Democrata, adotando uma linha keynesiana.

Neste contexto histórico em que vivemos e nas circunstâncias atuais, penso que foi exatamente isso o que aconteceu (até já publiquei um texto sobre esse assunto aqui no blog) e não porque o PT assim o desejasse. Para confirmar isso, basta ver que Lula se candidatou à Presidência da República em três oportunidades seguidas e nas quais recusou-se a fazer acordos e alianças com legendas e lideranças conservadores. Resultado: Lula perdeu as três eleições (1989, 1994 e 1998). Lula somente foi vitorioso quando ampliou o leque de alianças e passou a incluir os conservadores nas mesmas. 

Mas isso, um governo de caráter essencialmente Social-Democrata Keynesiano, é o que é possível de ser feito quando se tem apenas 101 de 594 parlamentares no Congresso Nacional, 4 de 27 governadores e pouco mais de 600 prefeitos de um total de mais de 5500.

Tirar 40 milhões da pobreza extrema. Para muitos críticos do PT, isso não teve importância alguma. Mas vão dizer isso para as pessoas que saíram dessa situação...

Além disso, entendo que seria muita burrice o PT levar adiante um processo de radicalização política, social e ideológica em um momento em que ele governa o Brasil em situação de partido médio e minoritário no conjunto das forças políticas e partidárias do país. Isso somente faria sentido caso o PT tivesse um projeto ditatorial de poder, o que nunca foi o caso.

Radicalização e polarização crescente dos conflitos políticos e sociais é algo que interessa apenas a quem está FORA do governo. Somente tais forças se beneficiam com isso.

Se alguém tem alguma dúvida a respeito, então quero sugerir a leitura de três livros fundamentais para se entender como se desenvolve um processo de desestabilização e derrubada de governos reformistas e progressistas que foram democraticamente eleitos e que contavam com amplo apoio popular, que são:

1) 'Todos os Homens do Xá', de Stephen Kinzer, sobre o Golpe de Estado no Irã, em 1953, que foi financiado e organizado pela CIA e que derrubou o governo de Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo e criado as leis sociais e trabalhistas no país;

2) 'O governo João Goulart - As Lutas Sociais no Brasil: 1961-1964', de Luiz Alberto Moniz Bandeira;

3) 'Fórmula Para o Caos', também do Luiz Alberto Moniz Bandeira, sobre o governo de Salvador Allende.

Estes foram governos progressistas e nacionalistas e que justamente em função de um processo de radicalização desenfreado que se desenvolveu acabaram inviabilizados e derrubados. E nos três casos tivemos a participação fundamental dos EUA (via CIA, principalmente), o mesmo país que, desde os atentados às Torres Gêmeas, em 11 de Setembro de 2001, promoveram o início de uma guerra unilateral contra todos os governos, de todos os países, que não se submetam à sua vontade. 

Jango tentou articular uma resistência de última hora ao Golpe de Estado, mas já era tarde demais para isso. 

Caso façam essas leituras, então daí vocês irão entender porque penso que o PT tem que ser cauteloso, sim, ao governar o Brasil, até pelas debilidades do partido (que já apontei aqui) e também em função dos limites que existem ao exercício do poder Executivo aqui no Brasil, e que também já apontei anteriormente quais são.

Entendo que o processo de mudanças que os governos Lula e Dilma iniciaram no Brasil ainda está em seu começo. Que ainda há muito o que mudar, avançar e melhorar em nosso país, isso é mais do que óbvio. Mudanças mais profundas são mais do que desejáveis.

Mas acreditar que isso será feito por meio de um processo de radicalização inconsequente, ao qual somente irá beneficiar a oposição retrógrada que está doida para recuperar o controle do poder federal que perdeu em 2002, e negar que melhorias econômicas e sociais importantes já aconteceram em nosso país é um absurdo total. 

E tal postura e comportamento somente podem vir de pessoas que não têm a menor noção de qual era a situação econômica, financeira e social do Brasil antes do governo Lula. E tais pessoas, com certeza, também não conhecem lhufas sobre a história de governos progressistas que foram desestabilizados e derrubados por Golpes de Estado que contaram com a decisiva participação dos EUA, via CIA, como foram os casos que citei aqui (Mossadegh, Jango e Allende).

Aqueles que se lembram disso sabem que tivemos, nos governos Lula e Dilma, conquistas importantes e que não devem ser desprezadas. Caso contrário acabaremos jogando fora o que conquistamos e ainda amargaremos um gigantesco retrocesso em nosso país, tal como já aconteceu com o Golpe de Estado de 1964 e com a subsequente implantação da Ditadura Militar que durou longos e intermináveis 21 anos (1964-1985).


Retrocesso Nunca Mais!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Lula, Dilma, a vaia em estádios e os eleitores indecisos inventados por Josias de Souza! - por Marcos Doniseti!

Lula, Dilma, a vaia em estádios e os eleitores indecisos inventados por Josias de Souza! - por Marcos Doniseti!




Como têm 'jênio' (como diz o PHA) nesse mundo: Leitor da 'Folha' publica comentário no blog do Josias de Souza dizendo que pesquisas eleitorais não têm importância alguma e o que vale mesmo são as vaias que se recebe em um estádio de futebol.

Bem, o então Presidente Lula foi vaiado no Maracanã, na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, em 2007, e isso não o impediu de apoiar e eleger Dilma para a Presidência da República em 2010.

É quando vejo comentários desse nível desta oposição retrógrada que eu concluo que o PT tem tudo para governar o Brasil por uns 200 anos seguidos, no mínimo.

Com uma oposição dessas (a mesma que tenta levar médicos cubanos do Brasil para Miami e chama o Bolsa Família de 'Bolsa Esmola' ), quem é que vai se arriscar a trocar de governo, hein?

Só se o povo enlouquecer. 





Agora, o pior mesmo foi a conclusão do Josias de Souza de que os indecisos irão decidir a eleição presidencial. Mas quando se analisa esta pesquisa Datafolha vemos que esse percentual não passa de 6%. Esse é o percentual de quem respondeu 'Não Sabe' nesta pesquisa do Datafolha. Este é o eleitor indeciso.

Os outros 18% não são indecisos, mas eleitores que rejeitam todos os candidatos, sem exceção. Eles estão decididos a não votar em qualquer candidato.

Logo, como eles podem ser considerados indecisos, hein, sr. Josias de Souza?

E mesmo que os 6% de eleitores que são, de fato, indecisos, fossem todos para Aécio e Campos, mesmos assim Dilma seria reeleita no 1o. turno, pois ela teria 47% dos votos contra 35% de Aécio-Campos.

Depois os colunistas da Grande Mídia não sabem porque eles são levados cada vez menos a sério.


Datafolha de Fevereiro:

Dilma 47%;
Aécio 17%;
Campos 12%;
Brancos-Nulos-Nenhum 18%;
Não Sabe 6%.

E notem que em Outubro o resultado tinha sido o seguinte:

Dilma 42%;
Aécio 21%;
Campos 16%;
Brancos-Nulos-Nenhum 16%;
Não Sabe 7%.

Logo, a variação de votos 'Brancos-Nulo-Nenhum' foi de 16% para 18%, oscilando 2 p.p. para cima entre as duas pesquisas. E no caso dos indecisos (Não Sabe) ela foi de 7% para 6%, oscilando 1 p.p. para baixo. Somando-se os dois, em Outubro eles chegavam a 23% e agora, em Fevereiro, estão em 24%. 

Portanto, nestes quatro meses, não houve virtualmente nenhuma mudança real, significativa, no percentual de 'Brancos-Nulos-Nenhum-Não Sabe'. Ele ficou estabilizado.

Então, não é possível acreditar que esse eleitorado vá mudar alguma coisa na disputa presidencial. 

O que poderia alterar o cenário seria uma nova candidatura que conquistasse muitos dos eleitores dos três candidatos e também daqueles que não escolhem ninguém atualmente. Ou então, teria que ocorrer algum fato que afetasse fortemente a imagem de Dilma, derrubando violentamente a sua popularidade e, portanto, as suas intenções de voto.

Caso contrário, as chances de mudança no cenário da disputa presidencial até Outubro são mínimas. 

Link:
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2014/02/22/datafolha-futuro-esta-nas-maos-dos-indecisos/

Pesquisa Vox Populi/CartaCapital mostra Dilma com 41% (63,1% dos votos válidos) - por Marcos Doniseti!

Pesquisa Vox Populi/CartaCapital mostra Dilma com 41% (63,1% dos votos válidos) - por Marcos Doniseti!



Pesquisa Vox Populi feita entre os dias 13 e 15 de Fevereiro deu os seguintes resultados (entre parêntesis coloco os resultados em votos válidos):

Dilma 41% (63,1%);

Aécio 17% (26,2%);
Campos 6% (9,2%);
Outros 1% (1,5%).
Não Sabe 20%;
Nenhum 15%.

Essa pesquisa do Vox Populi mostra um percentual de indecisos muito maior do que o da pesquisa Datafolha (que mostrou apenas 6% de indecisos). Já o percentual de Nenhum, de 15%, se aproxima do resultado do Datafolha (18%).

A pesquisa Vox Populi mostra duas coisas importantes: 

1) Muitos eleitores deverão se abster ou não votarão em ninguém nesta eleição presidencial. É claro que o percentual de 'Não Sabe', em especial, deverá diminuir bastante até a eleição. 

Mas é bom lembrar que, na eleição para a prefeitura de SP, um terço dos eleitores não votou em ninguém, preferindo se abster, votar branco ou nulo. 

Então, é provável que esse percentual também seja bastante elevado na próxima eleição presidencial. 

2) O índice de aprovação (ótimo-bom) do governo Dilma é de 34%, com 44% dizendo que o mesmo é regular e com 22% afirmando que o mesmo é ruim-péssimo.

Nota-se que o percentual de ruim-péssimo (22%) é quase igual ao dos candidatos de oposição (24%), com a diferença ficando dentro da margem de erro.

3) Mesmo com um elevado percentual de quem considera o governo regular (44%), Dilma alcança 41% das intenções de voto, acima dos 34% de quem aprova o governo. 

Isso deve acontecer porque boa parte dos que consideram o governo regular o aponta como 'regular positivo', ou seja, vê mais pontos positivos do que negativos no governo Dilma. 

Mas seria muito bom se esse percentual de ótimo-bom aumentasse até o dia da eleição, a fim de consolidar a vitória de Dilma. 

4) Além disso, mesmo com um índice de 44% de regular e 22% de ruim-péssimo, nenhum candidato da oposição chega a empolgar e, na verdade, eles perderam intenção de voto em relação à pesquisa anterior. Aécio caiu de 20% para 17% (entre a pesquisa de Outubro e a de Fevereiro) e Campos caiu de 10% para 6% no intervalo entre as duas pesquisas. Somados eles perderam 7 p.p.

Então, percebe-se uma certa insatisfação de uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, mas este não confia na oposição (à qual grande parcela da população deve enxergar como sendo uma ameaça às conquistas acumuladas até o momento) e prefere continuar votando em Dilma.

Isso explicaria o sentimento, apontado por várias pesquisas, de que parcela significativa da população diz que o país precisa de mudanças, desde que elas sejam conduzidas pelo governo atual. 

Então, e como já escrevi aqui dias atrás, Dilma deve procurar mostrar, nos próximos meses, que o seu governo já iniciou estas mudanças e que ela é a mais qualificada para dar continuidade às mesmas e aprofundá-las. 


Link:

http://tijolaco.com.br/blog/?p=14504

Como será possível derrotar e isolar o movimento golpista no Brasil! - por Marcos Doniseti!

Como será possível derrotar e isolar o movimento golpista no Brasil! - por Marcos Doniseti!

'Manifestantes' em SP e a sua principal palavra de ordem: "Escuta Dilmaaa, cê vai caí; abre seu olho qu'a Ucrânia é aqui"! 

Nazistas ucranianos, que passaram a ser muito admirados pelos 'manifestantes' brasileiros que desejam inviabilizar e derrubar o governo Dilma. 

Em sua página no Facebook, o Breno Altman, como sempre, postou um excelente texto a respeito de qual deve ser a resposta do governo Dilma e das forças democráticas e progressistas brasileiras à essa crescente radicalização política e social que é promovida por grupos políticos extremistas minoritários, mas que são bastante agressivos e barulhentos, como são os tais Black Blocs e os seus aliados (PSOL, PSTU, Rede, PSDB, etc).

Mas discordo do caminho que ele aponta como sendo a solução para derrotar essa mobilização que tem, claramente, o objetivo de inviabilizar e derrubar o governo Dilma, que é o de fazer como Nicolás Maduro, ou seja, o de levar o povo para as ruas do país e confrontar os golpistas.

E discordo do Breno porque penso que isso é uma armadilha.

Senão, vejamos: As esquerdas democráticas e progressistas (PT, PCdoB, CUT, MST...) colocam o povo nas ruas, certo?

Daí os fascistas de sempre se ouriçam, dão o troco e promovem caos, baderna e vandalismo pelo país afora, o que eles já demonstraram que sabem fazer muito bem, mesmo que em pequenos grupos.

E como a quase totalidade dos brasileiros é contra essa quebradeira irracional que ocorre nas ruas do país, vide pesquisa Datafolha de Outubro de 2013, que mostra que 95% dos paulistanos rejeitam a tática Black Bloc, é claro que Lula-Dilma-PT e as forças democráticas e progressistas é que serão os maiores prejudicados, política e eleitoralmente, com a instalação da desordem em todo o território nacional. 

E daí o PT, Lula e Dilma voltarão a ser identificados pelo povo brasileiro, pelo cidadão comum como sendo sinônimo de baderna, caos, violência e vandalismo, jogando a população contra os mesmos. 

Aliás, é exatamente isso o que derrotava Lula e o PT nas eleições presidenciais antes de 2002, tal como o André Singer demonstrou em 'Os Sentidos do Lulismo'.

Então, penso que adotar a estratégia da confrontação pura e dura contra os movimentos golpistas (minoritários, mas barulhentos e agressivos), é justamente o que eles mais desejam.

Até porque foi exatamente assim que os movimentos golpistas de 1961-1964 e de 1971-1973 foram vitoriosos no Brasil e no Chile, respectivamente, o que resultou na derrubada dos governos progressistas, democráticos e constitucionais de João Goulart e de Salvador Allende.

Então, entendo que a resposta, aqui, tem que ser outra, se diferenciando tanto daquela que o governo deposto da Ucrânia adotou (a repressão pura e simples, que somente alimentaria e fortaleceria ainda mais ao movimento golpista), como a que o governo de Maduro deu, apelando para a massiva mobilização popular, que levaria a uma crescente radicalização política, social e ideológica da qual os maiores beneficiários seriam justamente os movimentos golpistas. 

No Brasil, me parece que os dois caminhos (tanto o ucraniano, como o venezuelano) serão rejeitados pela população que, majoritariamente, deseja ordem e progresso para si e para o Brasil.

 O povo foi para as ruas em 1964. Mas as forças reacionárias e golpistas também foram. E todos sabem qual foi o resultado disso... Um processo de radicalização política, social e ideológica é algo que interessa apenas a quem está fora do governo. Para quem está governando, e para a imensa maioria da população, o importante é que haja desenvolvimento econômico e social. E isso não se consegue promovendo o caos, a desordem e nem o vandalismo, que beneficiam apenas a grupos minoritários, extremistas e que não conseguem chegar ao poder pelo caminho das urnas. E justamente por isso apelam para o caos, a violência e o vandalismo. 

Penso que a resposta aos movimentos extremistas e golpistas, em nosso país, deve se dar em duas direções:

1) Continuar adotando e aprofundando políticas públicas que melhorem as condições de vida da população, investindo cada vez mais em educação, saúde, transporte coletivo, saneamento básico, segurança pública, etc;

2) Isolar os radicais e extremistas, de todas as estirpes (sejam os de extrema-direita ou os de extrema-esquerda), evitando de fazer aquilo que eles mais desejam, que é justamente a de promover uma crescente radicalização e polarização da sociedade brasileira, levando a que o caos e a desordem se tornem rotineiras no país.

Taxa de desemprego brasileira de Janeiro de 2014 foi a menor da série histórica.

Assim, entendo que se as condições de vida da população brasileira continuarem melhorando e os grupos extremistas ficarem isolados, essa pregação radical e essas posturas extremistas ficarão restritas a pequenos grupos, sem maior representação social. Eles cairão no vazio e ficarão pregando no deserto. E o povo brasileiro irá ignorá-los. E sem a sustentação de uma base popular mínima o Golpe de Estado que tais grupos desejam promover estará inviabilizado.

Não podemos esquecer que, em 1964, os Golpistas vitoriosos tiveram, sim, o apoio forte e decidido de setores importantes e poderosos da sociedade brasileira, como a Igreja Católica, o grande capital nacional e estrangeiro, a classe média tradicional, a Grande Mídia, os latifundiários e a alta e média oficialidade das Forças Armadas.

Até o momento os grupos extremistas 'brazileiros' (pois é mais do que evidente que eles contam com financiamento externo, tal como acontece na Venezuela e na Ucrânia e que as fontes de financiamento são as mesmas, made in USA) estão longe de conseguir o apoio destes segmentos sociais. Eles até podem contar com simpatizantes e apoiadores dentro de todos estes setores da sociedade, mas daí a dizer que a maioria deles apoia um movimento golpista vai uma certa distância.

Os golpistas brasileiros ainda não conseguiram um nível de apoio popular organizado minimamente satisfatório para que tenham condições de levar os seus planos golpistas adiante e fazer com que os mesmos venham a ser vitoriosos. E eles ainda estão longe de conseguir isso.

Já na Ucrânia e na Venezuela as teses golpistas conseguiram um apoio popular infinitamente maior, sem dúvida alguma, entres setores expressivos da sociedade, que se opõem radicalmente aos governos de seus países.

Até porque a situação econômica brasileira é bem melhor do que a da Venezuela (que sofre com as sabotagens do empresariado) e da Ucrânia, cuja economia está virtualmente quebrada.

A situação da economia brasileira é, de longe, muito melhor do que a destes dois países.


Já são 10 anos consecutivos com a taxa de inflação dentro das metas estabelecidas pelo CMN, o que é inédito na história do país.


No Brasil o cenário é radicalmente distinto e enquanto a população tiver emprego, seus salários continuarem subindo, a inflação continuar controlada e o país continuar oferecendo possibilidades concretas de ascensão social e econômica para a maioria da população, penso que a chance de que os grupos extremistas venham a conseguir uma grande adesão popular a seus intentos golpistas é praticamente nula.

O Brasil têm crescimento econômico moderado (em torno de 2,5% em 2013), mas constante e que é um dos maiores entre as grandes economias do mundo (em 2013, a economia dos EUA, por exemplo, cresceu apenas 1,6%, a economia do México cresceu somente 1,3% e economia da Zona do Euro cresceu apenas 0,4%), inflação controlada (6% ao ano, em média, desde 2005), desemprego reduzido (ficou em apenas 4,3% em Dezembro de 2013, a menor taxa da história), salários e renda familiar aumentando anualmente e sempre acima da inflação, contas públicas em boa situação (dívida pública líquida diminui a cada ano), robustas reservas internacionais (US$ 376 bilhões) e crescentes investimentos em infra estrutura (energia, transportes, telecomunicações), bem como no setor industrial (petróleo, refinarias, fertilizantes, construção naval, etc), além de promover um inegável processo de redução das desigualdades sociais.

A safra de grãos brasileira bateu novo recorde histórico em 2013, ultrapassando os 188 milhões de toneladas. E para 2014 a previsão é de que a mesma passará dos 195 milhões de toneladas. 
O índice de Gini (que mede a distribuição da renda do trabalho) se encontra no menor patamar de nossa história, desde que o mesmo começou a ser usado no país, em 1960. E a participação da renda do trabalho na renda nacional está aumentando desde 2004, segundo o respeitado economista Márcio Pochmann, acumulando um crescimento de 14% entre 2004-2010.

E aqui também não existe uma 'Ucrânia do Oeste' pró-Ocidente e nem uma 'Ucrânia do Leste' pró-Rússia. E tampouco atingimos o grau de polarização e de radicalização política, social e ideológica da Venezuela.

Então, a nossa resposta para esses barulhentos movimentos extremistas e golpistas, porém minoritários na sociedade brasileira, deve ser diferente.

E essa resposta PRECISA ser diferente, senão estaremos cometendo um grave erro, sem dúvida alguma.

Então, entendo que a resposta do governo Dilma e das forças democráticas e progressistas do país a esse crescente processo de radicalização que a extrema-direita e a extrema-esquerda (que estão, claramente, unidas e coesas em torno do objetivo de inviabilizar e derrubar o governo Dilma) estão promovendo é justamente a de continuar melhorando as condições de vida do povo brasileiro e a de isolar os extremistas. 

Segundo o Dieese, desde 2003 o salário mínimo brasileiro teve um aumento de 72,35% no seu poder de compra. Isso beneficia cerca de 48 milhões de pessoas, cuja renda está atrelada ao valor do salário mínimo.

Qualquer outra estratégia será fazer o jogo do inimigo, não importando se a mesma será a da repressão indiscriminada (que foi o fracassado caminho ucraniano) ou a de sair para as ruas, radicalizando os conflitos políticos e sociais que se processam em nosso país atualmente (que é o caminho venezuelano).

E isso é tudo o que não podemos fazer.

Links:

Manifestantes em SP gritam palavra de ordem defendendo a solução ucraniana (Golpe de Estado) para o Brasil:


Participação da renda do trabalho na renda nacional cresceu 14% entre 2004 e 2010:


Dieese: Salário Mínimo acumula aumento real de 72,35% em uma década:



Salvador Allende fez um governo moderado. Daí o que o governo dos EUA fez para derrubá-lo? Estimulou a radicalização política, social, econômica e ideológica, apoiando grupos de extrema-direita e, também, os de extrema-esquerda. Qualquer semelhança com o que está acontecendo, hoje, no Brasil (embora com uma escala e intensidade menores do que no Chile), na Venezuela e na Ucrânia não é mera coincidência. 

Taxa de desemprego de Dezembro de 2013 é de 4,3%, a menor da série histórica:


Taxa de inflação no governo Dilma (2011-2014) fechará no mesmo patamar do alcançado no governo Lula (2003-2010):


Renda real dos trabalhadores cresceu 3,6% em 2013:


Faturamento real da indústria brasileira cresceu 3,8% em 2013:


Brasil bate recorde e produz 188,2 milhões de toneladas de grãos em 2013: