sábado, 30 de junho de 2012

As perspectivas da economia brasileira e o cenário global! - por Marcos Doniseti!

As perspectivas da economia brasileira e o cenário global! - por Marcos Doniseti! 


Três informações divulgadas ontem mostram uma sensível melhor da situação das contas públicas brasileiras neste ano de 2012, e que são os seguintes: 
 
1) A dívida pública (líquida) caiu para 35% do PIB em Maio deste ano. E é provável que ela feche em um patamar ainda menor ao final do ano ou, então, na pior das hipóteses, neste mesmo nível. 

Assim, ela será a menor dívida pública em muitos anos, aproximando-se do patamar no qual se encontrava ao final do governo Itamar Franco, que era de 30% do PIB. É bom lembrar que quando FHC saiu do governo, a dívida pública estava em gigantescos 51,5% do PIB. Então, desde o início do governo Lula nós tivemos uma redução real de 32% da mesma;

2) O déficit público nominal (que inclui os gastos com juros da dívida pública) deverão fechar 2012 em apenas 1,4% do PIB. Em 2002 ele foi de 4% do PIB. Desta maneira, desde 2003 ele caiu 65%;

3) Os gastos com juros da dívida pública irão representar 4,5% do PIB neste ano, contra 7,5% do PIB em 2003 e 5,7% do PIB em 2011. Assim, eles tiveram uma queda real de 40% no período 2003-2012.

Com a dívida pública e o déficit público nominal despencando desta maneira, o governo Dilma pode reduzir ainda mais a taxa Selic. Afinal, os credores do Estado brasileiro sabem que este tem as suas contas em situação cada vez melhor e que ele honra os seus compromissos.

Foi justamente por isso (a redução da dívida e do déficit público) que o governo Lula pôde iniciar um processo de redução da taxa Selic, e que teve continuidade no governo Dilma, com a mesma sendo reduzida de 25% ao ano (em Dezembro de 2002) para os atuais 8,5% ao ano e com boas perspectivas de que ela diminua ainda mais, para cerca de 7% ao ano, até o final de 2012.

Assim, a economia brasileira poderá continuar a crescer de forma sustentada nos próximos anos, dando sequência ao Ciclo de Crescimento de longo prazo que começou em 2004, no segundo ano do governo Lula, após sofrer com uma Longa Estagnação, que durou de 1981 a 2003, na qual a taxa de crescimento da economia foi pouco superior a 2% ao ano, pouca coisa maior do que a taxa de crescimento demográfico do período.

E o mais importante é que o atual ciclo de crescimento da economia tupiniquim se dá graças a uma sensível melhoria da distribuição de renda. 

Vários estudos feitos pelo IPEA e pela FGV comprovam que tanto a renda do trabalho está sendo melhor distribuída, como a participação da renda do trabalho na renda nacional está aumentando.

Como resultado disso, temos a menor concentração de renda (segundo o economista Marcelo Neri, da FGV) desde 1960, quando a mesma começou a ser calculada no país. 

Aliás, essa melhoria da distribuição de renda foi uma das grandes responsáveis, junto com o aumento das exportações brasileiras a partir de 2003 (elas cresceram de US$ 60 bilhões, em 2002, para US$ 256 bilhões em 2011, acumulando um crescimento de 327% no período) pela retomada do crescimento da economia brasileira.

O aumento do poder de compra do salário mínimo em 66% entre 2003-2012, a redução da taxa de inflação (de 12,5% em 2002, para 5,9% em 2010; teve uma pequena alta em 2011, para 6,5%, mas deverá fechar o ano de 2012 com uma taxa entre 4,5% e 5% ao ano) e da taxa de desemprego, que foi reduzido de 10,5% em Dezembro de 2002 para 4,7% em Dezembro de 2011, também contribuíram para essa retomada do crescimento da economia brasileira.

Todas essas significativas melhorias que tivemos no Brasil, a partir de 2003 (aumento de exportações, redução e controle da inflação, diminuição da dívida e do déficit público, aumento real do salário mínimo, queda da taxa Selic, melhoria da distribuição de renda) são as responsáveis pela retomada do crescimento da economia brasileira de forma sustentada e por dar início a um novo Ciclo de Crescimento de longo prazo. 

Inclusive, como resultado disso, até mesmo a indústria brasileira registrou um crescimento expressivo, gerando 920.000 novas vagas entre 2007-2010.  

Alguns economistas tupiniquins, que são (como diz o José Simão) integrantes da 'turma do primário mal-feito', ainda não se deram conta de tudo isso que aconteceu e continuam pregando no deserto, dizendo que o Brasil irá afundar a qualquer momento, embora sem citar qualquer dado que fundamente essa sua discurseira vazia, ridícula e patética. 

Muitos destes supostos economistas são empregados da Grande Mídia reacionária, a mesma que adora apoiar Golpes de Estado contra governos democraticamente eleitos, como o que aconteceu recentemente no Paraguai. 

E é justamente em função dessa sensível melhora que tivemos no Brasil a partir de 2003 que, mesmo com a economia mundial enfrentando a sua pior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930, esse processo de crescimento econômico do Brasil não foi interrompido. 

Em 2008 tivemos a quebra do sistema financeiro privado dos EUA, que foi devidamente resgatado (ou seja, foi salvo) pelo Estado ianque. 

Somente esse salvamento, promovido pelo 'ineficiente e obsoleto' Estado, é que impediu que os EUA mergulhassem numa Grande Depressão de longo prazo, semelhante àquela que atingiu o país na década de 1930. 

Na verdade, os EUA até enfrentaram uma 'mini-Depressão' recentemente, que durou de meados de 2008 até meados de 2009, mas ela foi interrompida pela ação Estatal, que salvou o sistema financeiro da total falência. 

E foi justamente em função dessa operação de salvamento que a dívida pública ianque praticamente dobrou deste então, passando de 45% para 100% do PIB, e que o déficit público disparou, chegando a atingir 11% do PIB. 


Agora, com essa tímida retomada da economia americana, o déficit público sofreu uma queda, para algo em torno de 8% do PIB. 

Mas até agora o mercado de trabalho do país não se recuperou, tendo um índice de desemprego ainda superior aos 8%, contra 4,4% em meados de 2007. 

E se os trabalhadores que desistiram de procurar emprego forem incluídos no cálculo, o desemprego nos EUA está num patamar muito maior, chegando a 14% da sua força de trabalho. 

Agora, em 2011-2012, estamos vendo a possibilidade de que o sistema financeiro privado europeu tenha o mesmo destino que o do americano em 2008, ou seja, que vá à falência devido à virtual quebra de alguns dos seus principais devedores, que são os governos dos chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Spain-Espanha), que estão todos falidos. 

E se estes países quebrarem e deixarem de pagar os seus compromissos, o sistema financeiro europeu também irá para o buraco. 

E é justamente para evitar que isso aconteça que a UE está promovendo o chamado 'resgate' dos PIIGS, ou seja, está tentando tirá-lo da falência em que se encontram. 

Mas, como essa política implicou em forte crescimento do desemprego (chegando a quase 25% na Espanha, no qual mais de 50% dos jovens estão desempregados) e em cortes drásticos nos salários e nos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, resultando num rápido processo de empobrecimento dos europeus, a mesma se tornou altamente impopular em toda a Europa.

Com isso, nas  recentes eleições realizadas na Alemanha (regionais), Grã-Bretanha (municipais), Itália (municipais) e França (nacionais) tivemos a vitória de partidos que se opõem, parcial ou totalmente, a tais políticas. 

Na Grécia, o Syriza (partido que uniu inúmeros partidos e movimentos da Esquerda Radical do país) teve um crescimento expressivo em pouco tempo, tornando-se a segunda maior força política-eleitoral do país e se tornando uma alternativa real de poder na terra de Sócrates e de Platão. 

Essa reação dos europeus às políticas de austeridade é que levou a UE a adotar essas medidas que procuram estimular a economia do Velho Mundo, ao mesmo tempo em que aliviam um pouco as exigências sobre os PIIGS. 

Basta ver que no caso da Espanha a concessão de empréstimos de até 120 bilhões de euros aos bancos do país ibérico não implicou na imposição de maiores exigências ao país, tal como aconteceu na Grécia, por exemplo.

Assim, foi a resistência popular crescente dos europeus que obrigou a UE a tomar um rumo distinto daquele que estava seguindo e que, basicamente, impotos pela odiada Chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Esta, como se nota nas recentes reuniões realizadas entre os governantes europeus, perdeu a primazia e ficou em segundo plano, limitando-se a comentar as decisões tomadas pelos demais dirigentes da UE.

Neste sentido, a recente vitória de François Hollande, na França, foi fundamental para que se promovesse essa mudança de rumo, pois enquanto Sarkozy apoiava Merkel em tudo, o novo presidente francês diverge bastante da governante germânica e defende um alívio nas medidas de austeridade e a adoção de medidas pró-crescimento, que foi exatamente o caminho adotado a partir desta semana. Assim, Merkel ficou isolada.

 Então, em função de todo esse cenário global conturbado, principalmente na UE, é claro que o Brasil é afetado pelo que acontece no mundo afora. Afinal, vivemos num mundo totalmente globalizado, certo? Mas isso se dá de forma muito menos intensa quando comparamos com o que acontecia no passado, antes do governo Lula, quando 'a Tailândia espirrava e o Brasil pegava uma pneumonia'. Agora, são os EUA e a UE que pegam uma pneumonia e o Brasil é que se limita a espirrar.

Antes, uma crise em países com um PIB de tamanho reduzido, de pequeno para médio, e com os quais temos uma relação econômica-comercial muito limitada (como são o caso da Indonésia, Malásia, Filipinas e da Tailândia, países da Periferia Asiática que quebraram em 2007) já era suficiente para jogar o Brasil de joelhos, levando o governo brasileiro (FHC, é claro) a elevar fortemente a taxa Selic, a reduzir drasticamente os gastos públicos, a arrochar violentamente os salários, a elevar os impostos e a pedir dezenas de bilhões de dólares emprestados junto ao FMI (foram três empréstimos entre 1998-2002, no valor total de US$ 86,5 bilhões, jogando o país na recessão, aumentando o desemprego e a pobreza. 

Atualmente, entretanto, são as maiores economias do mundo (EUA, UE e Japão, em especial) que entraram em crise e, mesmo assim, o Brasil continua crescendo, a um ritmo menor, o que é algo normal, pois até as economias da China e da Índia, que são as que mais crescem no mundo há muitos anos, enfrentam uma forte redução do seu ritmo de crescimento neste momento. A China cresceu apenas 8% no 1o. trimestre de 2012, contra mais de 10% nos anos anteriores.

Tudo isso afetou a economia brasileira, é claro, mas sem que o processo de crescimento da economia tupiniquim fosse interrompido, como acontecia antigamente, quanto o país entrava em recessão mesmo quando a economia de alguns poucos países, de importância reduzida na economia global, entravam em crise.

Agora, com as recentes medidas tomadas pela UE nesta semana, tudo aponta para uma redução da intensidade da crise no Velho Mundo nos próximos meses, embora muito ainda precise ser feito para tirar a economia européia do péssimo estado em que se encontra, principalmente no caso dos PIIGS. 

As sucessivas derrotas de candidatos neoliberais, defensores de uma rígida austeridade, em vários países da Europa é que levaram à mudança de rumo nas políticas adotadas pelo Bloco Europeu e, com isso, haverá uma retomada da economia européia em breve, contribuindo para que a economia global volte a se acelerar.  E é evidente que isso irá beneficiar o Brasil.

Assim, caso a UE seja bem-sucedida nas mudanças adotadas em suas políticas nesta semana, que dão um fôlego maior para os PIIGS e estimulam a retomada do crescimento, tudo indica que o pior momento da Grande Recessão (como é chamada pelo FMI) que começou nos EUA a partir do segundo semestre de 2007, já passou.

Aliás, não foi por outro motivo (a perspectiva de melhora da situação econômica européia) que as bolsas tiveram uma forte valorização e o preço do petróleo já aumentou bastante nestes dias, pois um maior crescimento global implicará em aumento do consumo do produto. E o mesmo irá acontecer com as demais commodities, como algumas daquelas que são exportadas pelo Brasil (minério de ferro, soja, milho, etc).

Essa aceleração do crescimento econômico mundial irá contribuir, sem dúvida alguma, para que a economia brasileira volte a crescer de forma mais rápida nos próximos anos, o que permitirá dar continuidade ao atual processo de crescimento econômico combinado com inclusão social que foi iniciado no governo Lula. 

As recentes medidas tomadas pelo governo Dilma (redução da Selic, aumento dos investimentos públicos, redução de impostos para automóveis, etc)também  irão contribuir decisivamente para uma aceleração do crescimento brasileiro. 

Logo, deveremos ter, nos próximos meses, uma combinação de melhorias no cenário internacional e interno. 
E com isso, a presidenta Dilma continuará batendo novos recordes de popularidade, tal como a pesquisa CNI-Ibope demonstrou nesta semana. 

Em função da continuidade da melhoria das condições de vida da população em seu governo, o que já havia começado no governo Lula, Dilma tem um índice de aprovação pessoal de 77% e o seu governo é considerado como ótimo/bom por 59%. 

Nem mesmo o ex-presidente Lula tinha tamanha popularidade com o mesmo tempo de governo. Mas, é bom ressaltar que Lula herdou um país quebrado (que não conhecia emprestar um mísero centavo no mercado internacional e que devia até as calças para o FMI) e teve que tomar algumas medidas amargas no início do seu mandato, enquanto Dilma recebeu um país que havia melhorado muito durante a gestão do ex-líder sindical. 

Tudo aponta, portanto, para uma aceleração do crescimento da economia brasileira nos próximos meses.

E para concluir, quero dizer apenas mais uma coisa: Fora, Angela Merkel! 

Links:

UE adota medidas para combater crise financeira e estimular o crescimento:

UE irá criar organismo de supervisão bancária:


Bolsas européias fecham no seu maior nível em 7 semanas:

Dívida pública cai para 35% do PIB! Déficit público e gastos com juros diminuem!

CMN reduz taxa de juros e aumenta oferta de crédito para agropecuária para R$ 115 bilhões:

Indústria brasileira criou 920 mil novas vagas entre 2007 e 2010:

domingo, 24 de junho de 2012

A Constituição do Paraguai explica porque Lugo sofreu um Golpe de Estado! - por Marcos Doniseti!

A Constituição do Paraguai explica porque Lugo sofreu um Golpe de Estado! - por Marcos Doniseti!



Encontrei na Internet a íntegra da Constituição do Paraguai.


E nela estão as informações que provam, indiscutivelmente, que o presidente legítimo e constitucional do país, Fernando Lugo, foi vítima de um Golpe de Estado neste final de semana. 

A lei máxima do Paraguai prevê, sim, a possibilidade do afastamento do Presidente da República, do Vice, dos Juízes da Suprema Corte e de uma série de outros agentes públicos. O artigo 225 da Constituição trata justamente desse assunto.

Porém, essa mesma Constituição garante, aos acusados, o direito de defesa, que foi exatamente o direito violado no caso do processo de Impeachment de Lugo. 

E é justamente devido a essa violação do direito de defesa que o afastamento de Lugo da Presidência do país foi um Golpe de Estado.

O artigo 17 da Constituição do Paraguai, que trata dos Direitos Processuais, diz (em seu item 5) que toda pessoa (ou seja, todo e qualquer cidadão paraguaio, o que inclui o Presidente da República e demais agentes públicos, é claro) tem o direito de se defender por si mesma ou por meio de defensores de sua livre escolha.

No item 7 do mesmo artigo, também garante-se ao acusado o acesso ao conteúdo prévio das acusações que lhe são feitas e que o mesmo deverá dispor de cópias dos documentos com o conteúdo das mesmas, bem como DOS MEIOS E PRAZOS INDISPENSÁVEIS PARA A PREPARAÇÃO DE SUA DEFESA DE FORMA LIVRE.

Portanto, foi justamente aqui, no aspecto do amplo direito de defesa, que se permite dizer, com base na própria Constituição do Paraguai, que o presidente Fernando Lugo sofreu um Golpe de Estado, pois o mesmo foi acusado, julgado e condenado num prazo recorde de 30 horas, e que é totalmente insuficiente para que ele possa se inteirar das acusações e preparar a sua defesa.

No Brasil, por exemplo, quando do processo de Impeachment do então presidente Fernando Collor, este teve TRÊS MESES para preparar a sua defesa.

Enquanto isso, Fernando Lugo teve apenas algumas poucas horas para fazê-lo. 

Assim, a Constituição do Paraguai prevê a possibilidade de afastamento do Presidente da República (do seu Impeachment, portanto), mas também reconhece a todos os cidadãos (incluindo o Presidente do país, é claro) o direito de tomar conhecimento de todas as acusações que lhe são feitas e de dispor dos MEIOS E DOS PRAZOS necessários à preparação de sua defesa, a fim de que possa ter um julgamento justo.

E qual foi o motivo de Lugo ter sofrido um processo de Impeachment tão rápído, assim? Simples: Impedir que ele dispusesse do tempo necessário para articular a resistência popular ao processo de Impeachment. 

Pesquisa feita em Janeiro deste ano mostrou que Fernando Lugo contava com aprovação popular de 58%. Assim, ele teria plenas condições de organizar a população que sustenta e apóia o seu governo caso os Golpistas respeitassem o que diz o Artigo 17 da Constituição paraguaia, inviabilizando totalmente a possibilidade do Golpe de Estado ser vitorioso. 

Assim, não é necessário ser um seguidor de correntes políticas de Direita ou de Esquerda para se saber se ocorreu um Golpe de Estado no Paraguai.

Basta ler a Constituição paraguaia e se comprovar este fato.

Fora, Golpistas! Fora, Fascistas! Respeitem a Constituição!

Democracia Já! 


Links:

A Constituição do Paraguai (na íntegra):

http://www.oas.org/juridico/mla/sp/pry/sp_pry-int-text-const.pdf

Popularidade de Lugo chegou a 58% em Janeiro de 2012:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120621_lugo_entenda_mc.shtml

sábado, 23 de junho de 2012

Luis Nassif, Collor, Lugo e os Golpes de Estado! - por Marcos Doniseti!

Luis Nassif, Collor, Lugo e os Golpes de Estado! - por Marcos Doniseti!



Em seu blog, o jornalista e economista Luís Nassif escreveu o seguinte:

"O presidente do Paraguai foi alvo de um golpe de Estado, assim como Fernando Collor, do Brasil e Andrés Perez, da Venezuela.".

Considero que essa comparação que o Nassif fez em seu texto é totalmente descabida e sem nenhuma fundamentação histórica.

Existem inúmeras diferenças nos processos de afastamento destes três governantes latino-americanos. E é justamente sobre elas que irei comentar agora.

Vamos lá, então.

Fernando Collor foi afastado após ter enfrentado uma das maiores campanhas populares da história brasileira, na qual milhões de brasileiros, de todas as classes sociais e de todas as regiões, saíram às ruas de todo o país exigindo o seu Impeachment.

Pesquisas feitas pouco antes do seu afastamento, pela Câmara dos Deputados, em 29 de Setembro de 1992, mostravam que o apoio ao seu governo não chegava sequer a 10%.

Pesquisa Datafolha feita no dia 01 de Junho de 1992 mostrou o seguinte resultado na avaliação popular do governo Collor:

Ótimo-Bom - 9%;
Regular - 21%;
Ruim-Péssimo - 68%.

Notem que essa pesquisa foi feita três meses antes da Câmara dos Deputados ter votado pelo afastamente de Collor da presidência e, com o desgaste que ele sofreu neste período de tempo, tudo indica que a sua popularidade era ainda menor e que a sua rejeição era muito maior do que em Junho.

Enquanto isso, o presidente legítimo e democraticamente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, possuía 58% de aprovação popular em Janeiro deste ano.

Aliás, essa popularidade elevada de Lugo explica porque não tivemos uma campanha popular exigindo o seu Impeachment. Porque o povo paraguaio iria exigir o afastamento de um presidente tão popular, cuja gestão ele aprova? Isso não tem lógica nenhuma.

O Golpe de Estado contra Lugo foi resultado, portanto, de um movimento restrito às elites do país (Igreja, Grande Mídia, Partidos Políticos e Latifundiários, em especial) e não contou com qualquer processo de mobilização popular.

Além disso, entre o afastamento da presidência e o seu julgamento pelo Senado paraguaios, passaram-se apenas algumas horas. Isso mostra, de forma nítida, que não houve respeito algum ao princípio (universal e democrático) de respeito ao Direito de Defesa.

Toda e qualquer pessoa, quando é submetida a um processo, mesmo que político (o que é o caso do Impeachment) tem o direito de se defender e, é claro, que ela precisa de bem mais do que de apenas algumas horas para articular e organizar a sua defesa.

Aliás, é justamente a elevada popularidade de Lugo (58% de aprovação em Janeiro deste ano) que explica porque ele foi julgado tão rapidamente, pois se o legítimo Presidente do Paraguai dispusesse de várias semanas ou meses para articular a sua defesa e mobilizar os setores da população que lhe dão sustentação política, é claro que ele poderia conseguir inviabilizar o Golpe de Estado que foi aplicado contra si.

Já o então presidente brasileiro, Fernando Collor, por sua vez, somente foi julgado pelo Senado brasileiro TRÊS MESES depois do seu afastamento pela Câmara dos Deputados. Logo, ele teve tempo de sobra para organizar a sua defesa e, até, mobilizar e organizar os setores sociais que, eventualmente, ainda defendessem a sua manutenção no cargo.

O fato concreto é o seguinte: Não existe processo de Impeachment justo e legítimo sem que se respeite o amplo Direito de Defesa. E no caso de Fernando Lugo, isso não foi respeitado! Logo, ocorreu um claro Golpe de Estado no Paraguai.





Quanto ao ex-presidente venezuelano, Carlos Andrés Perez, o seu caso é totalmente diferente do de Fernando Lugo e, logo, também não permite esse tipo de comparação, totalmente equivocada e descabida, que Luis Nassif fez.

Carlos Andrés Perez se elegeu presidente da Venezuela em 1989, usando um discuso nacionalista e reformista, dizendo que iria melhorar os salários e as condições de vida dos venezuelanos.

No entanto, logo depois de assumir o cargo ele colocou em prática uma política econômica de natureza neoliberal, adotando medidas que foram 'recomendadas' pelo FMI, como a redução dos subsídios dos alimentos e dos combustíveis, o que fez disparar os preços destes produtos essenciais para o povo venezuelano.

Tais medidas provocaram, tão logo foram adotadas, em Fevereiro de 1989, uma revolta popular que entrou para a história com o nome de 'Caracazo' e que foi violentamente reprimida pelo governo de Perez. Este ordenou aos militares (Polícia e Exército) que reprimissem duramente aos protestos populares.

Embora o seu governo tenha dito que morreram pouco mais de 300 pessoas, vítimas da brutal repressão promovida por ordens de Perez, há fontes independentes que dizem que o número real passou de 3000 mortos.

O resultado desse massacre foi a total desmoralização do governo de Perez, que havia acabado de tomar posse, e gerou duas tentativas de Golpe de Estado contra o seu governo (um deles foi liderado pelo então Tenente-Coronel Hugo Chávez, que acabou julgado, condenado e preso, mas que se tornou, após ser libertado, a maior liderança política e popular da Venezuela) e que contaram com ampla simpatia popular, tal era a impopularidade de C.A. Perez.

No ano de 1993, com o seu governo já totalmente desmoralizado e sofrendo com altíssimos níveis de rejeição popular, Perez foi acusado de envolvimento com corrupção e acabou tendo aprovado o seu processo de Impeachment, no qual o seu direito de defesa também foi devidamente respeitado e tudo se fez de acordo com as leis e com a Constituição do país .

Assim, não há como comparar essas três situações, tal como fez Nassif em seu comentário, que é totalmente equivocado, a meu ver.

O fato concreto é que o legítimo e constitucional presidente Fernando Lugo foi vítima de um Golpe de Estado.

 E fato de que os golpistas paraguaios tentem dar um 'ar de legalidade' ao Golpe contra Fernando Lugo não constitui nenhuma novidade. Isso acontece em quase todos os Golpes de Estado. 

Exemplo: Quando ocorreu o Golpe de Estado que derrubou João Goulart da Presidência da República, os golpistas tentaram dar esse mesmo 'ar de legalidade' para o fato, com o então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarando 'vaga' a Presidência da República, porque supostamente o então presidente Goulart teria saído do território sem comunicar o fato ao Congresso Nacional, o que era uma mentira deslavada.

Então, essas tentativas, feitas por um bando de direitistas reacionários e golpistas (o que, definitivamente, não é o caso de Nassif) de tentar justificar os Golpes de Estado contra governantes de Esquerda e Nacionalistas-Reformistas que subiram ao poder através de vitórias eleitorais legítimas são totalmente patéticas e resultam da sua total e absoluta ignorância histórica.

Eles não sabem absolutamente nada sobre a história dos Golpes de Estado latino-americanos e todas as suas tentativas de justificá-los são apenas maneiras pela qual demonstram todo o seu reacionarismo estúpido e a sua ignorância abjeta a respeito da história da América Latina.

A todos eles, eu digo o mesmo: Vão estudar, cambada de fascistas analfabetos e de imbecis!


Os recentes Golpes de Estado em Honduras (2009) e no Paraguai (2012) mostram que a Direita latino-americana percebeu que não ganha mais eleições democráticas e abandonou a defesa da existência de regimes liberais-democráticas, passando a apelar para os Golpes de Estado a fim de manter os seus privilégios intactos.

Na América do Sul, por exemplo, a Direita foi derrotada em eleições presidenciais realizadas no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Equador e Peru.

A direita troglodita e reacionária governa apenas na Colômbia (que é uma ditadura militar disfarçada) e no Chile. Mas, neste último, o governo Piñera está muito enfraquecido e Michele Bachelet é a favorita disparada para voltar a governar o país, segundo pesquisas.

Mesmo na América Central, um tradicional quintal dos EUA, desde as últimas décadas do século XIX, temos casos de governos progressistas na Nicarágua (governada por Daniel Ortega, da FSLN, recentemente reeleito) e em El Salvador (governado por Mauricio Funes, da FMLN). Sem falar de Cuba, é claro, que resiste desde 1959 às agressões e ao bloqueio promovido pelo Império Ianque.

Assim, a única maneira que os direitistas brucutus latino-americanos tem encontrado de chegar ao poder, nos últimos anos, é através de Golpes de Estado.

Outras tentativas golpistas organizadas pelas retrógradas e pré-históricas direitas latino-americanas foram levadas adiante, nos últimos anos, porém acabaram fracassando, na Venezuela (2002), Bolívia (2008) e Equador (2010)

Se quisermos preservar a democracia e a liberdade na América Latina, então o Golpe de Estado contra Fernando Lugo não pode ser vitorioso.

Até porque, se isso acontecer, a tal 'cláusula democrática' do Mercosul se transformará em letra morta e o caminho estará aberto para novas tentativas golpistas em toda a América Latina.


Portanto, os governos sul-americanos não podem hesitar e devem condenar o Golpe de Estado no Paraguai, deixando bem claro ao governo golpista-fascista que o mesmo não será reconhecido e que seu país pagará muito caro se não respeitar a vontade democrática do povo paraguaio, que foi quem elegeu Lugo e que somente este possui a necessária legitimidade para governar.


Até porque, dos dez países sul-americanos, sete possuem governos de Esquerda ou de Centro-Esquerda (Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador), se todos eles condenarem o Golpe no Paraguai e isolarem o país, então penso que há grandes chances de que o movimento golpista venha a fracassar.

Caso isso não seja feito, então é bom que Dilma, Cristina, Mujica, Chávez, Evo, Correa e Ollanta coloquem as barbas de molho, pois serão os próximos a enfrentar tentativas de Golpe de Estado.

Quem viver, verá!


No Pasarán!



Links:

Texto de Luis Nassif sobre Golpes de Estado:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/paraguai-foi-golpe-de-estado-sim

Popularidade de Collor em Junho de 1992, segundo pesquisa Datafolha:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=23

Aprovação de Fernando Lugo era de 58% em Janeiro de 2012:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/06/sem-apoio-lugo-tera-duas-horas-para-se-defender-de-impeachment.html

Auro de Moura Andrade declara vaga a Presidência da República:

http://www.youtube.com/watch?v=B-3Ng_eaG2I

Venezuelanos homenageiam os mortos do 'Caracazo':

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/882168-venezuela-homenageia-mortos-da-revolta-popular-el-caracazo.shtml

Fernando Lugo teve apenas duas horas para se defender de Impeachment:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-06-21/presidente-do-paraguai-tera-duas-horas-para-se-defender-de-impeachment.html



Caracazo: Para não esquecer!


http://economiasocialistads.blogspot.com.br/2009/02/caracazo-20-anos-para-nao-esquecer.html

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Os discursos de Dilma em rede nacional e a hipocrisia da Grande Mídia! - por Marcos Doniseti!

Os discursos de Dilma em rede nacional e a hipocrisia da Grande Mídia! - por Marcos Doniseti!





O colunista Guilherme Fiúza, da revista 'Época', publicou um texto no qual critica o uso, pela presidenta Dilma Rousseff, de uma rede nacional de rádio e TV a fim de se comunicar com o povo brasileiro. 

Mas, e essa é uma informação que o sr. Fiúza parece que desconhece, emissoras de rádio e TV são concessões públicas.


E se a dona Rede Globo, que tanto se beneficiou com acordos espúrios e ilegais com a Time-Life ianque e dos investimentos feitos pelo ESTADO na época da Ditadura Militar, não gosta de discursos presidenciais em rede nacional, então a solução é bem simples: é só devolver a concessão, oras!

Ninguém irá reclamar se os filhos do dr. Roberto Marinho fizerem isso...

No texto em questão, o sr. Fiúza critica o DNIT, que chegou a ser comandado pelo PR no primeiro ano do governo Dilma. 

O PR é o mesmo partido que a Grande Mídia demotucana dizia que era formado por 'mensaleiros fedorentos'.

Pois então, tal legenda (que é a mesma do Tiririca...) declarou apoio à candidatura do Serra para prefeito de São Paulo.

E então, você não tem nada a comentar sobre isso, não, Fiúza? Sabe o 'mensaleiro' Valdermar Costa Neto? É do PR e, agora, apóia o Serra, o amigão do Paulo Preto, a quem nunca se deve abandonar na beira da estrada...

Quanto aos juros (sobre os quais Fiúza comenta em seu texto), eles são os menores da história do país, e a inflação está despencando, para a 'surpresa' de um bando de 'analistas econômicos' que não entendem lhufas sobre economia, como são o caso da dona Miriam Leitão e do Sardenberg.

Já o Cachoeira, ele adora comprar mansões de governadores tucanos com preços superfaturados, e é amigão do peito do 'ético' Demóstenes Torres. E ele também é especialista em montar matérias fajutas para órgãos midiáticos reacionários e golpistas, do tipo da 'Veja' e 'Época'. 

E é claro que os empregados de veículos da Grande Mídia, amam o Cachoeira: afinal, ele já mandava as matérias prontas para publicar, não é mesmo? Nem precisava revisar nada, certo? 

Emprego bom, esse, de vocês: ganham bem e sem fazer nada.

Link:


Apanasenko: O Herói Esquecido da 2a. Guerra Mundial! - por Marcos Doniseti!

Apanasenko: O Herói Esquecido da 2a. Guerra Mundial! - por Marcos Doniseti 


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 24/01/2011)


Um dos 'Heróis Esquecidos' da Segunda Guerra Mundial foi um general soviético, Josef Apanasenko, que comandou o Exército Vermelho no Extremo Oriente durante o conflito.


Mesmo sem disparar um único tiro ele desempenhou um papel fundamental para que a URSS conseguisse resistir e, ao fim, se tornasse uma das nações vitoriosas do conflito.


Não sei se alguém conhece a história dele.


Bem, quando a Alemanha Nazista invadiu a URSS (em 22/06/1941) os japoneses ficaram esperando os soviéticos começarem a transferir divisões do Extremo Oriente para lutar contra os alemães e, assim, com o Exército Vermelho enfraquecido, os japoneses invadiriam a URSS.


Inclusive, os alemães esperavam por esse ataque japonês, mas ele não aconteceu, o que impediu a URSS de ser destruída numa guerra em duas frentes. Porém, a questão é: Por que o ataque japonês contra a URSS nunca aconteceu? Qual foi o motivo disso?


Aí é que o Apanasenko entra na história.


Ele decidiu substituir as divisões (bem treinadas e bem equipadas) para enfrentar os alemães por novas divisões (de segunda classe). Mas ele decidiu tentar enganar os japoneses e deu, para as novas divisões, o mesmo nome e número das divisões enviadas para enfrentar os alemães. E os japoneses nunca descobriram isso.


Dessa maneira, os japoneses pensaram que o Exército Vermelho estava tão forte, no Extremo Oriente, quanto antes da invasão alemã.


E como os japoneses já haviam sido derrotados em 1939, na Batalha de Khalkhin-Gol, pelo Exército Vermelho, os mesmos decidiram que somente atacariam a URSS novamente quando tivessem uma grande superioridade sobre os soviéticos.


Mas, o trabalho brilhante de Apanasenko inviabilizou isso e impediu que a URSS tivesse que lutar a SGM em duas frentes (contra Alemanha e Japão). E o mais incrível é que ele fez isso usando apenas os recursos (materiais e humanos) da própria região, sem receber qualquer ajuda do governo central soviético.


No Extremo Oriente, Apanasenko usou terras férteis, mas que estavam improdutivas, para alimentar os soldados. Fábricas que estavam com a sua capacidade ociosa foram colocadas para funcionar a pleno vapor. Até militares que haviam sido expurgados do Exército Vermelho em 1937-1938 o general Apanasenko mandou libertar dos campos de prisioneiros e convocou-os novamente para lutar pela URSS.


Com medidas como essa, Apanasenko tornou possível que a Divisão do Extremo Oriente se mantivesse extremamente forte e, assim, impediu que a URSS fosse invadida pelos japoneses e, assim, terminasse derrotada.


Fico imaginando quais teriam sido as consequências da URSS, no final de 1941, ter que enfrentar uma guerra em duas frentes, contra a Alemanha e o Japão. Creio não ser nenhum absurdo imaginar que as mesmas poderiam ser as seguintes:


1) Derrota da URSS na guerra;


2) Domínio de toda a Europa pela Alemanha Nazista;


3) Domínio do Extremo Oriente e de toda a Ásia pelo Japão, que poderia dividir as colônias britânicas e francesas (asiáticas e africanas) com os alemães;


4) Rendição da Grã-Bretanha, que não teria nenhuma condição de resistir, sozinha, por muito mais tempo, depois que a URSS fosse destruída;


5) Com o domínio da Europa, Ásia e África garantidos, Alemanha e Japão poderiam usar os 2 ou 3 anos seguintes para preparar um ataque conjunto contra os EUA.


6) O Japão atacaria pela Costa Oeste dos EUA e a Alemanha pela Costa Leste. Com isso, os EUA teriam sido derrotados.


Assim, Japão e Alemanha Nazista dominariam o Mundo inteiro e o dividiriam entre si. E hoje seria muito grande a possibilidade de que todos nós estivessémos sendo obrigados a gritar coisas horripilantes como 'Sieg Heil' e 'Heil Hitler'.


Foi 'apenas isso' que o Apanasenko impediu que acontecesse.


Fora isso, o Apanasenko não fez mais nada.


E o mais incrível: sem disparar um único tiro.


Link:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2011/01/apanasenko-o-heroi-esquecido-da-2a.html


Obs: As informações deste texto foram retiradas do livro 'Um Stalin Desconhecido', dos irmãos Roy e Zhores Medvedev. 

O fim da URSS e a atual Crise Global do Capitalismo! - por Marcos Doniseti!

O fim da URSS e a atual Crise Global do Capitalismo! - por Marcos Doniseti

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer e atualizado no dia 07/06/2012)



O leitor Filipe Rodrigues fez o seguinte comentário no blog do Nassif:


"Quem se beneficiou da revolução de 1917 não foi o povo russo, más a Europa Ocidental. Para minar a influência comunista surge o fenômeno do populismo, políticos conservadores (De Gaulle, Roosevelt, Vargas, Perón e etc)que passam a fazer políticas públicas de inclusão social (Estado bem-estar social).".


Sobre o mesmo, eu escrevi a seguinte resposta:

R - Concordo contigo. O medo da expansão do Comunismo pelo mundo afora é que levou as burguesias dos países capitalistas mais avançados (EUA, França, Alemanha, Grã-Bretanha), a fazer importantes concessões para as classes trabalhadoras, que passaram a desfrutar de inúmeros direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Neste aspecto, o Welfare State é um filho indireto da Revolução Russa e assemelhadas. Sem estas, o Estado de Bem-Estar Social não teria sido construído ou então não teria atingido tamanho desenvolvimento.

Aliás, bastou ficar claro que a URSS não tinha mais como competir com as economias capitalistas mais avançadas, o que se deu a partir dos anos 1970, que as burguesias iniciaram uma ofensiva global contra todas as conquistas dos trabalhadores pelo mundo afora, arrochando salários, eliminando direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, a fim de intensificar o processo de exploração da força de trabalho.

Com isso, tivemos o início da ofensiva Neoliberal e em todo o mundo, principalmente depois que Reagan e Thatcher passaram a governar os EUA e a Grã-Bretanha.

Porém, isso levou a um brutal aumento da concentração de renda em todo o mundo, com as desigualdades sociais crescendo rapidamente.

E daí o Capitalismo passou a intensificar o processo de exploração da força de trabalho em todo o mundo, aproveitando-se do fato de que países como China, Índia e os antigos países socialistas do Leste Europeu entraram no jogo da economia capitalista globalizada.

E isso jogou no chão os ganhos e os benefícios dos trabalhadores do mundo todo, principalmente dos países ricos, que passaram a ter o seu poder de compra fortemente arrochado. Nestas circunstâncias, de redução da renda real dos trabalhadores pelo mundo afora, como se faz a economia crescer?



Simples: o Capitalismo, para poder continuar se expandindo, apelou para um brutal processo de especulação financeira e de mega-endividamento, tanto de empresas, como dos consumidores. E foi justamente o colapso deste processo que gerou a atual crise global.

Assim, pode-se perfeitamente relacionar o fim da URSS e do 'Socialismo Real' com a crise que o Capitalismo enfrenta atualmente.

Tal crise deixa bem claro que é preciso existir algum tipo de alternativa ao Capitalismo (não importa o nome que tal alternativa tenha... geralmente chama-se a alternativa de Socialismo mesmo) para que o mesmo não caia num brutal processo de exploração da força de trabalho e de concentração de renda nas mãos de um número cada vez menor de pessoas e de empresas e não se crie, assim, um mundo cada vez mais desigual, injusto e violento e nos quais as crises se sucedam umas às outras numa velocidade cada vez maior, que é exatamente o cenário atual da economia mundial.

O governo Dilma, a Esquerda, a Correlação de Forças e a Maldição do Faraó! – por Marcos Doniseti!

O governo Dilma, a Esquerda, a Correlação de Forças e a Maldição do Faraó! – por Marcos Doniseti!


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 25/02/2011)




A verdadeira correlação de forças existente, de fato, na política e na sociedade brasileira está representada no Congresso Nacional, onde 80% dos parlamentares foram eleitos por legendas de Direita ou de Centro-Direita (PMDB, PP, PTB, PR, DEM, PSDB, PPS...).

A Centro-Esquerda (PT, PDT, PC do B, PSB) e a Esquerda (PSOL, PSTU, PCO, PCB) tem apenas 20% dos congressistas. E olhe lá...

Como o Brasil é um país Parlamentarista (envergonhado, mas é), onde TUDO precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para entrar em vigor, é pura maluquice acreditar que um programa radical de Esquerda (que defendesse a estatização do sistema financeiro, uma reforma agrária que desapropriasse os latifúndios produtivos do agronegócio, que promovesse o calote no pagamento da dívida pública, etc) seria aprovado por um Congresso controlado pela Direita.

Quem acredita nisso, também deve acreditar em Papai Noel, Cegonha, no Monstro do Lago Ness e na Maldição do Faraó.

Um Presidente da República eleito com apoio da Centro-Esquerda e de alguns segmentos da Esquerda (como Lula e Dilma) consegue, no máximo, equilibrar um pouco o jogo político-social, viabilizando políticas de redistribuição de renda (exemplos: aumento real do salário mínimo, programas sociais inclusivos) e obrigando as forças de Direita (que controlam tudo no país: Justiça, Poder Legislativo, atividades econômicas, Mídia, etc) a fazer algumas concessões em benefício dos mais pobres e dos trabalhadores.

Mais do que isso, é impossível!

Afinal, por que Lênin mandou fechar a Assembleia Constituinte russa logo na primeira sessão de funcionamento, em Janeiro de 1918? Porque os bolcheviques tinham eleito apenas 25% dos parlamentares para a mesma. Nada além disso. Sabem quando seria possível implantar o Socialismo numa situação dessas? NUNCA!

Daí, Lênin mandou essa tal de democracia às favas, fechou a Constituinte e seu sucessor (basicamente, Stalin, depois de alguns anos de NEP e da trinca Bukharin-Kamenev-Zinoviev governando a URSS) implantou o Socialismo Real nas terras soviéticas a base de 'ferro e sangue'.

Se alguém deseja implantar o Socialismo no Brasil, então só tem um jeito de se fazer isso: Fechar o Congresso Nacional e governar a base de 'ferro e sangue', na base de uma Ditadura de partido único que elimine com toda e qualquer oposição, pois é mais do que óbvio que a burguesia (nem a brasileira e tampouco a internacional) jamais entregará um país como o nosso (ainda mais agora, com a descoberta do petróleo do pré-sal) de mãos beijadas para os seus inimigos.

Aliás, quando foi que (ao longo da história da Humanidade) uma classe dominante, mesmo enfraquecida ou decadente, entregou o poder de graça para os seus inimigos? NUNCA!

A Nobreza feudal europeia fez isso? Claro que não. A Burguesia europeia promoveu inúmeras Revoluções para poder conquistar o poder em todo o continente europeu. Se não o tivesse feito, então ela jamais teria se tornado a classe dominante no Velho Mundo. E como os EUA conquistaram a sua Independência? Distribuindo florzinhas para os britânicos e pedindo, de forma educada e gentil, que eles encarecidamente fossem embora do seu país para que as 13 Colônias pudessem se tornar Independentes? Façam-me o favor... Nenhuma classe dominante jamais fez tal coisa. Isso é ficção-científica. E a burguesia também não o fará, é óbvio.

É mais fácil acreditar na Maldição do Faraó do que acreditar numa ‘transição pacífica’ para o Socialismo, algo que, pelo que me consta, jamais aconteceu em momento e em lugar algum na história da Humanidade. Quando foi que isso aconteceu? Onde?

Se a Esquerda brasileira (que é ridiculamente fraca se a limitarmos ao PSOL, PSTU, PCO e PCB) ou mesmo a Centro-Esquerda (PT, PDT, PSB e PC do B) tentar implantar o Socialismo, no Brasil, dentro das regras do jogo democrático, o fracasso será inevitável, pois a Burguesia direitista e reacionária partirá para o Golpe de Estado (como já fez em 1945, 1954, 1955, 1956, 1957, 1961 e, finalmente vitoriosa, em 1964) ou até, se necessário for, para a Guerra Civil.

Esse é o único jeito de promover mudanças radicais no país sem levar em consideração a correlação de forças existente no Estado e na Sociedade brasileira: na base do ‘ferro e sangue’.

Dentro das regras do jogo democrático-liberal, que vigora no país atualmente, e com a atual correlação de forças existente na sociedade brasileira, o máximo que conseguiremos avançar e conquistar é a construção de uma ‘semi-Social-Democracia’ à la Keynes/Roosevelt/Vargas/Lula, ou seja, uma mistura de políticas defendidas ou praticadas por todos eles (uma combinação de reformas sociais com nacionalismo), pois é claro que o Brasil da primeira metade do século XXI não é uma uma cópia fiel da realidade existente nos EUA e no Mundo da década de 1930/1940.

Mais do que isso é impossível.

O resto são sonhos de uma noite de verão, que podem até ser belos sonhos, mas que jamais se transformarão em realidade.

'Tea Party', movimento formado por bando de fanáticos estúpidos, ameaça o governo Obama e Republicanos 'moderados'! - por Marcos Doniseti!

'Tea Party', movimento formado por bando de fanáticos estúpidos, ameaça o governo Obama e Republicanos 'moderados'! - por Marcos Doniseti!


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 07/02/2010)



Um bando de fanáticos estúpidos e ignorantes criou, nos EUA, um movimento chamado 'Tea Party', que defende uma agenda política ultra-conservadora, cujas idéias fazem um anti-comunista histérico e imbecil como Ronald Reagan parecer um moderado.

Os integrantes do movimento são aqueles típicos imbecis desinformados, mentirosos e ultra-conservadores que, politicamente, estão à Direita de Gengis Khan e de Pinochet.

Um dos principais líderes do movimento, Richard Viguerie (foto acima), é tão extremista que considera que o governo Bush-Cheney foi excessivamente progressista. Para este pessoal, Hitler deve ter sido apenas um mero escoteiro bem comportado e nada além disso.

Mas, apesar de todas as mentiras propagadas e defendidas por eles, o fato é que este movimento patético está ganhando força nos EUA num momento em que o país enfrenta a sua pior crise econômica e financeira desde a Grande Depressão e o governo Obama encontra-se no seu pior momento em termos de popularidade e o Partido Democrata vem de sucessivas derrotas em eleições realizadas em estados importantes como New Jersey e Massachusetts.

Mas, parece que os integrantes deste movimento estúpido que é o 'Tea Party', esquecem que a atual crise enfrentada pelo EUA foi provocada pelo colapso das políticas Neoliberais e Imperialistas adotadas pelo governo dos EUA principalmente a partir do governo Reagan. Tais políticas foram apenas, parcialmente, atenuadas durante a gestão Clinton, mas jamais foram interrompidas, de fato.

Assim, enquanto os integrantes do 'Tea Party' fazem um discurso agressivo contra os impostos elevados o fato concreto, na verdade, é que estes foram reduzidos fortemente nas últimas décadas, principalmente nos governos de Reagan e de Bush Jr..

Essa significativa redução de impostos beneficiou as grandes empresas e os mais ricos. E após o 11 de Setembro, essa redução de impostos, junto com o brutal aumento dos gastos militares, com a 'Segurança Nacional' e com as guerras travadas no Iraque e no Afeganistão (tudo em nome da 'Guerra contra o Terror'), arrebentou com as contas públicas dos EUA.

Tanto isso é verdade que quando acabou o governo de Bill Clinton (1993/2001), os EUA tinham um superávit público anual superior a US$ 300 bilhões e previa-se a continuidade destes superávits anuais por, pelo menos, mais uma década, acumulando US$ 3 Trilhões de superávits durante 10 anos.

Inclusive, o grande debate travado no país naquele momento era o que se deveria fazer com o dinheiro do superávit público. Alguns defendiam que o mesmo deveria ser investido na melhoria da infra-estrutura do país, outros queriam guardar o dinheiro para pagar as pensões e aposentadorias da geração 'baby-boom' (que começou a se aposentar em 2008) e outros ainda queriam reduzir os impostos.

Mas, com o governo Bush Jr, as contas públicas dos EUA foram arrebentadas e um superávit público anual de US$ 300 Bilhões foi transformado num déficit público anual superior a US$ 450 Bilhões. Assim, houve uma inversão de US$ 750 bilhões anuais no governo Bush. Isso arrebentou com as contas públicas do país.

Com o colapso financeiro de 2008/2009, com as estatizações de empresas privadas falidas (Citigroup, GM, AIG) e com a adoção de pacotes de salvamento e de estímulo à economia a fim de se evitar uma nova Grande Depressão, o déficit público anual dos EUA passou de US$ 1,4 Trilhão no ano fiscal de 2008/2009 e se prevê algo próximo disso para o ano fiscal de 2009/2010.

Desta maneira, hoje os EUA têm um déficit público superior a 10% do PIB e a sua dívida pública bruta já se aproxima dos 90% do PIB.

Portanto, foram exatamente as políticas defendidas por estúpidos como esses integrantes do 'Tea Party' que levaram os EUA à sua atual crise.

Entre os objetivos deste movimento reacionário estão afastar os Republicanos tidos como moderados do partido e se apossar integralmente do Partido Republicano. O nível político-ideológico do movimento é tão baixo que uma das suas principais representantes é, simplesmente, a estúpida da Sarah Palin, a ex-vice do John McCain que espantou o país com o seu total e absoluto despreparo para ocupar qualquer cargo público de maior importância.



Todas as vezes em que ela abria a boca, durante a campanha eleitoral de 2008, McCain caía nas pesquisas e Obama subia. A situação ficou tão embaraçosa para McCain que Palin passou a ser devidamente escondida da população.

Caso estes ignorantes do 'Tea Party' atinjam os seus objetivos, podem ter certeza de que o processo de crise e de decadência que atingem os EUA atualmente irá se intensificar.

Quem viver, verá.

Link:

Onda conservadora anti-Obama abala política americana

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,onda-conservadora-anti-obama-abala-politica-americana,507623,0.htm

As 'democracias ocidentais' e o expansionismo Nazista na Europa durante a década de 1930! - por Marcos Doniseti!

As 'democracias ocidentais' e o expansionismo Nazista na Europa durante a década de 1930! - por Marcos Doniseti! 


(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 22/01/2011)

(Obs: texto escrito com base nas informações retiradas do livro 'Ascensão e Queda do Terceiro Reich', ao qual estou lendo neste exato momento).



Muito se fala e se discute, ainda hoje, a respeito do pacto germânico-soviético de 1939, entre Hitler e Stalin. Mas quase sempre a discussão vem acompanhada de um festival interminável de mentiras, omissões e de manipulações que acabam por impedir que se compreenda as razões do mesmo ter sido assinado.

O fato concreto é que Adolf Hitler tinha decidido invadir a Polônia no dia 01/09/1939 e, para se sentir seguro nessa nova 'aventura' (ele mesmo disse a Goring, uma vez, que eles eram um bando de aventureiros), ele precisava ter a garantia de que não enfrentaria uma guerra em duas frentes (contra URSS e a Polônia, no Leste, e contra a França e a Grã-Bretanha no Oeste).

Assim, Hitler ficou em estado de puro nervosismo e ansiedade com a perspectiva de fechar esse acordo com a URSS, pois daí ficaria livre para atacar a Polônia sem precisar temer em enfrentar uma guerra em duas frentes, a qual os próprios generais alemães diziam que, se tal cenário acontecesse, a Alemanha sairia derrotada do conflito.

Além disso, quem primeiro fez um acordo com a Alemanha Nazista foi a Grã-Bretanha e não a URSS.


Em Junho de 1935, o governo britânico assinou com a Alemanha Nazista o ‘Acordo Naval Anglo-Alemão’, que transformou o Tratado de Versalhes em pó e que permitiu a reconstrução da Marinha de Guerra alemã. Mas, hoje, parece que ninguém mais quer se lembrar de informações tão importantes, não é mesmo?

Obs: Quem também fez um acordo com o regime nazista foi o Vaticano, que assinou uma 'Concordata' com o mesmo e já em 1933, primeiro ano da ditadura de Hitler.

E quando a Alemanha Nazista invadiu a Renânia, em 1936, franceses e britânicos nada fizeram, mesmo sabendo que o poderio militar alemão, nesta época, ainda era muito limitado. Hitler usou apenas 3 brigadas (cerca de 30 mil soldados) para ocupar a Renânia. A França, cujo exército possuía um efetivo superior a 1 milhão de soldados, não fez nada.

É um consenso de que se a invasão da Renânia pelos alemães fracassasse, Hitler teria sido derrubado e sem maiores dificuldades. Aliás, o próprio Hitler reconheceu isso, na época. O mesmo poderia ter sido feito, por franceses e britânicos, quando ocorreu o Anschluss (anexação da Áustria).

Mas, novamente, franceses e britânicos não fizeram nada, bem como nada fizeram para salvar a Tchecoslováquia, entregando-a de mãos beijadas para a Alemanha Nazista, mesmo sendo um país democrático, industrializado e que possuía forças armadas modernas, bem equipadas e bem treinadas.


Aliás, a Tchecoslováquia era o único país da Europa Central com essas características. 

 Todos os outros países da Europa Central (incluindo a Polônia, Hungria, Romênia e Bulgária) eram governado por ditaduras, eram militarmente fracos e com economias basicamente agrárias. 

 Assim, qualquer possibilidade de se manter a Europa Central independente em relação à Alemanha Nazista dependia da manutenção da Independência e da integridade territorial da Tchecoslováquia (até Winston Churchill, um conservador e feroz anti-comunista, disse isso na época, inclusive).


Sem isso, toda a Europa Central cairia sob o domínio Nazista. 

 Portanto, foram as democracias ocidentais que entregaram toda a Europa Central de mãos beijadas para o controle da Alemanha Nazista. 

 Além disso, os próprios generais alemães avaliaram, na época, que não teriam como conquistar militarmente a Tchecoslováquia devido ao formidável sistema de fortificações que os tchecos construíram (com ajuda francesa) entre 1936 e 1938, na fronteira com a Alemanha. Quando os generais alemães visitaram tais fortificações (após a conquista do país pela Alemanha) eles fizeram boquiabertos e disseram que jamais teriam conseguido ultrapassá-lo. 

Assim, a Tchecolováquia era o único país da Europa Central, na época, que tinha condições reais de lutar e de resistir, com sucesso, contra uma invasão da Alemanha Nazista.

Mas, tal invasão não foi necessária, pois os governos britânicos e francês fizeram a 'gentileza', para Hitler, de lhe entregar o controle da Tchecoslováquia e, desta forma, de toda a Europa Central sem que fosse necessário disparar um único tiro.

Além disso, há muitos motivos pelos quais Stalin aceitou assinar tal pacto com o governo alemão. E são estes que iremos comentar agora.


Um destes motivos, o principal, foi a recusa dos governos franceses e britânicos em fechar um acordo militar com a URSS a fim de destruir com a Alemanha Nazista. 

Stalin fez tal proposta, de aliança, logo depois do Anschluss.


Inclusive, ele deu garantias ao governo da Tchecoslováquia, ou seja, de que se a Alemanha Nazista invadisse o país, o Exército Vermelho lutaria ao lado dos tchecos contra os nazistas. E ele voltou a fazer tal proposta de aliança logo após a conquista dos Sudetos pela Alemanha Nazista. 

Em ambas as oportunidades as propostas de Stalin foram rejeitadas por Chamberlain, primeiro-ministro britânico. Este chegou até a discursar no Parlamento britânico para justificar tal recusa.

 Até mesmo Winston Churchill (do Partido Conservador, o mesmo de Chamberlain) criticou duramente ao primeiro-ministro por tal recusa, alertando-o de que seria impossível derrotar a Alemanha Nazista sem fazer uma aliança com a URSS (a história provou que Churchill estava certo).

Além disso, e mesmo às vésperas do ataque alemão à Polônia, o governo deste país recusou a formação de uma aliança com a URSS (e também com a Grã-Bretanha e com a França).

 O governo soviético deu garantias ao governo polonês de que caso os alemães invadissem a Polônia, o Exército Vermelho lutaria ao lado dos poloneses. Mesmo assim, tal proposta do governo soviético foi recusada pelo governo polonês. 

 Obs: Ninguém diz, mas o governo polonês, na época, era uma Ditadura Militar de Direita que simpatizava com o regime nazista e com o qual já havia assinado vários acordos. Talvez isso ajude a explicar porque o mesmo se recusou a participar de uma aliança com a URSS a fim de conter o expansionismo nazista pela Europa. De certa maneira, não seria errado considerar que o governo polonês cometeu suicídio ao rejeitar tal aliança com os soviéticos, pois suas Forças Armadas eram mal equipadas e mal treinadas. E sua economia era basicamente agrária. E com uma base industrial frágil, ou inexistente, é literalmente impossível montar Forças Armadas poderosas, bem equipadas e bem treinadas. 

O Exército polonês era tão obsoleto que, durante a invasão alemã, uma divisão de Cavalaria do mesmo atacou uma divisão de Panzers alemã. Creio que não é difícil imaginar qual foi o resultado da batalha, não é mesmo?

Assim, as sucessivas propostas soviéticas para se montar uma grande aliança a fim de destruir com a Alemanha Nazista foram rejeitadas pelos governos da França e da Grã-Bretanha, e mesmo o governo polonês recusou a oferta de aliança, contra a Alemanha Nazista, feita pelo governo soviético.

Que Stalin foi um ditador brutal e cruel, isso estão todos 'carecas' de saber.  Até Lênin recomendou o afastamento dele do cargo de secretário-geral do Partico Comunista da URSS, justamente em função disso.

Mas no aspecto da contenção do expansionismo nazista pela Europa durante os anos 1930 ele,Stalin,  é quem menos teve culpa. As tais democracias ocidentais erraram muito, mas muito mais, mesmo. E os outros países aliados da França e da Grã-Bretanha, como o governo da Polônia, também erraram feio. 

Na verdade, quem estudou, mesmo, este período da história, também está ‘careca’ de saber que os governos britânico e francês estavam doidos para jogar a Alemanha Nazista numa guerra fratricida contra a URSS. Eles imaginavam que esta seria uma guerra brutal e que os dois países (e independente de quem fosse o vencedor) sairiam bastante enfraquecidos da mesma.

Com isso, França e Grã-Bretanha se livrariam destas duas Nações que os incomodavam tanto e, ainda, consolidariam e manteriam intactas a sua posição de grandes potências europeias.

Stalin (que pode ter sido um ditador cruel, mas que de bobo e burro nunca teve nada) percebeu claramente qual era o jogo dos franceses e dos britânicos e jogou a Alemanha Nazista de volta contra eles, assinando o pacto germânico-soviético.

Aliás, franceses e britânicos não eram os únicos que defendiam tal política, de jogar Hitler contra Stalin e, assim, promover a destruição de ambos.

Harry Truman, em 1941 (ainda como Vice-Presidente de Roosevelt) disse o seguinte na época: ‘Se a Alemanha estiver derrotando a URSS, então deveremos ajudar os soviéticos. Mas, se os russos estiverem ganhando a guerra, então deveremos ajudar aos alemães”.

Vejam como Truman era 'sensível' e ‘preocupado’ com o destino dos povos envolvidos nesta guerra. E dizer que esse cara virou Presidente dos EUA depois...

Felizmente, Truman não era o Presidente dos EUA nessa época, mas Roosevelt. Este era muito menos conservador politicamente do que o seu Vice, e jamais colocou tal política em prática.

Porém, quando se fala do pacto germânico-soviético, hoje em dia, todas estas informações são ignoradas.

Por que será, hein?

Para mim, a omissão de todas estas informações caracteriza um caso de deslavada desonestidade intelectual. Ou então é desinformação, mesmo. Nem mais, nem menos.



Link:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2011/01/as-democracias-ocidentais-e-o.html

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Salário Mínimo deveria subir para R$ 700 em 2013!- por Marcos Doniseti!

Salário Mínimo deveria subir para R$ 700 em 2013!- por Marcos Doniseti!



Economia mundial pisa no freio! Situação da Espanha se agrava e zona do Euro está cada vez mais frágil! EUA, China e Índia sofrem desaceleração econômica!

Por que o Governo Dilma tem que tomar medidas mais fortes para estimular o crescimento da economia brasileira!


Todas as informações mais recentes divulgadas sobre o comportamento da economia mundial mostram, claramente, que ela está desacelerando.

O ritmo do crescimento econômico está diminuindo no mundo inteiro e isso se dá ao mesmo tempo em todas as grandes economias.

Na China, por exemplo, a produção industrial e o PIB continuam a crescer, mas a taxa de crescimento econômico chinês deverá ficar em torno de 8% em 2012, bem abaixo dos 10,4% de 2010 e dos 9,2% de 2011.

Na zona do Euro, a taxa de desemprego está em 11% e a economia europeia (tanto da UE, como da zona do Euro) ficou estagnada neste primeiro trimestre de 2012, isso após sofrer uma queda de 0,3% no 4o. Trimestre de 2011.

A economia da Índia teve, por sua vez, no 4o. Trimestre de 2011, a sua menor taxa de crescimento anualizada dos últimos 10 anos, chegando a apenas 5,3%.

E nos EUA, o ritmo de crescimento econômico também diminuiu no primeiro trimestre de 2012, quando chegou a apenas 2,2% em termos anuais, contra 3% de crescimento anualizado no último trimestre de 2011.

E é claro que, em função desta forte desaceleração da economia mundial, e que atinge a todas as maiores economias do mundo simultaneamente, o Brasil também sofreria uma queda no seu ritmo de crescimento, o que aconteceu nestre primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 0,8% (comparado com o mesmo período de 2011).

Porém, no caso brasileiro, o alento é que esta queda esteve concentrada na agropecuária, que caiu 7,3%, enquanto que o setor industrial cresceu 1,7% (comparado ao 1o. Trimestre de 2011) e o de serviços avançou 0,6%. O consumo das famílias continuou crescendo, acumulando um crescimento de 2,5% quando comparado ao primeiro trimestre de 2011.

Um dado negativo foi a queda dos investimentos, que diminuiu 2,1% frente ao 1o. Trimestre de 2011.

Em função disso, já se prevê que o crescimento do PIB brasileiro, em 2012, será quase igual ao de 2011, ou seja, em torno de 2,7%, o que é menos do que esperava no início deste ano

Esses dados mostram que o governo brasileiro precisa tomar medidas que estimulem os investimentos produtivos, a fim de acelerar o ritmo de crescimento da economia.

Como o cenário internacional ainda permanece muito ruim, com todas as economias mundiais se desacelerando (como vimos aqui), é claro que somente um maior crescimento do consumo interno pode levar os empresários a voltar a elevar os seus investimentos.

E para isso torna-se fundamental que se adotem algumas medidas, tais como:

1) Continuidade da redução da taxa Selic (até porque a inflação está desacelerando e se aproxima do centro da meta, de 4,5% anuais) para cerca de 6,5% ao ano, o que permitiria, ao setor público, economizar várias dezenas de bilhões de reais anualmente. Tais recursos deveriam ser destinados para aumentar os investimentos públicos;

2) Aumento dos investimentos públicos, principalmente em obras públicas, em especial aquelas destinadas a melhorar a infra-estrutura urbana, como são os casos do transporte coletivo, saúde, saneamento básico, habitação e educação;



3) Redução do superávit primário neste e no próximo ano, pelo menos em 0,5% do PIB, a fim de estimular a economia; 

4) Sustentar o dólar cotado em um patamar de R$ 2 a R$ 2,10, aproximadamente, pois isso levará a um processo de substituição de importações, estimulando a produção industrial do país; 

5) Redução de impostos para setores (principalmente os industriais) que sofrem com o deslavado dumping cambial praticado pelas maiores economias mundiais (China, EUA, UE); 

6) Promover um maior aumento do salário mínimo previsto para 2013, elevando-o para R$ 700, situando-o em um patamar acima do que determina a política de valorização do mesmo (ou seja, ele é reajustado como resultado da soma da taxa de crescimento do PIB de 2 anos antes com o da taxa de inflação do ano anterior), pois isso estimularia o consumo interno e, claro, contribuiria para um maior crescimento da economia. 

Se o reajuste de 2013 for de acordo com a política atual de valorização do mínimo, o mesmo deverá ficar em torno R$ 667-670, aproximadamente.

Já com um salário mínimo de R$ 700 para o próximo ano, o mesmo teria um reajuste de 12,5%, contra uma inflação bem menor, de cerca de 4,5% em 2012.

Isso representaria um significativo ganho real para o mínimo, fortalecendo a política de valorização do mesmo, que contribui, de maneira importante, para o crescimento da economia, para a melhoria da distribuição de renda e para a redução da pobreza e da miséria no país.

Tal reajuste do salário mínimo teria, também, um componente simbólico importante, mostrando, para toda a população, a forte determinação do governo Dilma em apostar na manutenção das políticas de distribuição de renda para continuar com o processo de crescimento econômico do país que se iniciou no governo Lula.

Não se pode esquecer que o cenário internacional não é nada promissor, como já vimos aqui, e tudo aponta para o agravamento do mesmo nos próximos meses. 



Na Europa, em todas as mais recentes eleições (França, Alemanha, Grã-Bretanha) tivemos a derrota dos partidos e candidatos identificados com as políticas de austeridade e de arrocho, mostrando uma crescente insatisfação dos europeus com as mesmas.

A situação econômica da Espanha, que é uma economia bem maior e bem mais importante do que as da Grécia, Irlanda ou Portugal, se agrava a cada dia e mostra que a situação européia ainda deverá piorar muito antes que qualquer sinal de melhora apareça no horizonte.

Nos EUA, a taxa de desemprego parou de cair e até Obama já avisou, recentemente, a presidenta Dilma (na viagem que esta fez aos EUA) que o ritmo de recuperação da economia ianque será bem lento. China e Índia, como já vimos, também sofrem um rápido processo de desaceleração de suas economias.

Logo, qual a contribuição que a economia internacional poderá dar no sentido de promover um maior crescimento econômico do Brasil? Nenhuma, é claro. Muito pelo contrário.

Assim, é fundamental que o governo Dilma atue firmemente no sentido de se promover uma aceleração do crescimento econômico e, para isso, é necessário que se tome um conjunto de medidas que apontem nesta direção, como a de aumentos dos investimentos públicos, redução dos juros e de alguns impostos setoriais, manutenção da cotação do dólar no patamar de R$ 2 e um maior reajuste do salário mínimo para 2013, elevando-o para R$ 700.

Somente com uma economia interna aquecida será possível ao Brasil crescer cerca de 3,5% a 4% ao ano, pois o cenário internacional não irá ajudar em nada no crescimento da economia brasileira, muito pelo contrário.

Portanto, é hora de agir, presidenta Dilma.

Salário Mínimo de R$ 700 em 2013!


Links:



Economia chinesa cresce apenas 8,1% no 1o. trimestre de 2012:


http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1101537-china-reduz-juros-para-estimular-crescimento-economico.shtml
PIB dos EUA desacelera no primeiro trimestre de 2012:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/04/120427_eua_economia_desacelera_rn.shtml


PIB da Índia tem menor crescimento dos últimos 10 anos:

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201205311127_AFP_81261017

Economia européia fica estagnada no 1o. Trimestre de 2012:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1100961-exportacoes-evitam-recessao-na-zona-do-euro-no-trimestre.shtml

Diminui o ritmo de crescimento econômico da China:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2012/01/17/crescimento-do-pib-chines-se-desacelera-em-2011-92.jhtm

Produção industrial desacelera na China:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/05/120524_china_crise_rn.shtml

Desemprego na zona do Euro:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1098816-desemprego-se-mantem-em-11-na-zona-do-euro-e