domingo, 26 de fevereiro de 2012

Boris Casoy, a separação de poderes, Lula, o câncer e Eliana Tranchesi! - por Marcos Doniseti!

Boris Casoy, a separação de poderes, Lula, o câncer e Eliana Tranchesi! - por Marcos Doniseti!


Nesta semana, o 'jornalista' Boris Casoy acusou o governo do presidente Lula de ter contribuído para o câncer de pulmão que matou a ex-proprietária da Daslu, Eliana Tranchesi, empresária que foi condenada pela Justiça Federal a 94 anos e meio de prisão devido à prática de vários crimes, incluindo formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica.

Com isso, Casoy mostra que é totalmente desinformado sobre questões de saúde e de medicina, pois o câncer de pulmão não pode ser provocado e nem agravado por ações de outras pessoas.

Não se desenvolve câncer de pulmão em função de bruxaria ou de macumba de qualquer espécie, mas devido ao tabagismo (que é a causa de 90% dos casos) e a outros fatores, incluindo os ambientais e os genéticos.

Aliás, o próprio ex-presidente Lula enfrenta, neste momento, uma luta contra um câncer de laringe, fato este que Boris também pareceu igrnorar em seu comentário. E se usarmos o mesmo 'raciocínio' (se é que um comentário tão estúpido pode ser considerado como tal) de Boris, então poderemos dizer que o tumor de laringe que atingiu Lula foi provocado pelas violentas críticas e ataques que a Grande Mídia (incluindo o próprio Boris) desferiu contra o ex-presidente ao longo de todos estes anos, certo? 

Ao fazer um comentário tão ridículo, pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que Boris Casoy praticou charlatanismo. Afinal, o que é que ele entende de Medicina? Nada. E sobre as causas do câncer? Nada também. Então, como é que ele pode fazer um comentário tão esdrúxulo se ele não é nenhum especialista em casos de câncer e desconhece tudo sobre as causas do mesmo? Ao que me consta, os especialistas em câncer são os Oncologistas e não os Jornalistas.

Mas, parece que Boris Casoy ainda não teve tempo suficiente, em sua longa vida, para diferenciar a Oncologia de Jornalismo.

Além disso, Boris Casoy destila todo o seu preconceito contra o governo Lula, que saiu da presidência da República com 87% de aprovação popular, mesmo tendo contra si toda a Grande Mídia do país, que lhe fez oposição cerrada e virulenta durante todos os seus 8 anos de mandato, fato este que o suposto jornalista faz questão de ignorar.

Em seu patético comentário, Boris também fala sobre o caso do 'Mensalão', cuja existência foi negada pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson quando este apresentou a sua defesa à Justiça.

Porém, novamente, Boris Casoy parece que não tomou conhecimento deste fato.

Vá ser desinformado, assim, lá na Cochinchina!

Além do mais, a Justiça Federal, que é separada e independente do Poder Executivo, fato este que parece ser totalmente ignorado por Boris Casoy, deu à Eliana Tranchesi o tratamento que ela fez por merecer pelos crimes, extremamente graves, que cometeu, e que gerou imensos prejuízos, de milhões de Reais, para os cofres públicos.

Foi a Justiça Federal que condenou Eliana Tranchesi e não o governo Lula. Foi a Justiça que mandou prender Eliana Tranchesi e os demais integrantes da organização criminosa da qual ela fazia parte e não o governo Lula.

E quem foi que disse que Eliana Tranchesi fazia parte de uma organização criminosa? A Justiça. Não foi eu, não, viu, Boris Casoy!

Outra informação importante que Boris Casoy parece ignorar é que, no Brasil, o presidente da República não comanda o Poder Judiciário, apenas o Poder Executivo.


Porém, em seu comentário, patético e ridículo, Boris Casoy parece ter se esquecido desse detalhe tão importante. Parece que ele nunca ouviu falar de uma coisa chamada separação de Poderes, que vigora no Brasil desde o início do período Republicano. 

Além disso, os R$ 500 milhões de Reais que foram sonegados pela empresa de Eliana Tranchesi fazem muita falta para a educação, saúde, saneamento básico, segurança, moradia, enfim, foram recursos que poderiam ter sido investidos nestes setores, mas não o foram, devido aos crimes cometidos por essa empresária que violou inúmeras leis brasileiras, fato este que a levou a ser condenada, justamente, pela Justiça Federal brasileira a 94 anos e meio de prisão. 

O comentário de Boris foi tão patético que o espirro que ele deu, logo depois desse comentário abjeto e repugnante, deve ter acontecido para que o seu organismo pudesse expulsar as bactérias produzidas pelo mesmo. Nem o organismo do próprio Boris aguentou tamanha asneira dita por ele.

Portanto, dizer que o governo Lula contribuiu para a doença que matou dona Eliana Tranchesi, como o fez Boris Casoy, não passa de uma afirmação totalmente ridícula e que não merece ser levada à sério. Isso é charlatanismo. Nada além disso.

Ao defender Eliana Tranchesi, sonegadora de impostos, integrante de organização criminosa e que foi condenada pela Justiça, dizendo que ela foi uma 'vítima' do governo Lula e que isso contribuiu para o agravamento do seu câncer, Casoy mostrou que seu compromisso com a informação correta e precisa é nenhum.

O que ele faz pode-se comparar com muitas coisas. Com jornalismo, não. 


Links:

Roberto Jefferson nega a existência do Mensalão:

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/09/13/jefferson-agora-nega-o-mensalao-o-pig-vai-chorar/

Boris Casoy diz que o governo Lula ajudou a matar a dona da Daslu:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gzh3xzDeNn0

Eliana Tranchesi é condenada a 94 anos e meio de prisão pela Justiça Federal:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/03/26/ult5772u3388.jhtm

As causas do câncer de pulmão:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?64

A Oncologia:

http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=2&id=474&menu=2

Valor sonegado pela Daslu chega a R$ 500 milhões:

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/estado-ainda-nao-viu-a-cor-do-dinheiro-da-daslu

Marcelo Neri: Queda da desigualdade e da pobreza continuaram no primeiro ano do governo Dilma! - por Marcos Doniseti!

Marcelo Neri: Queda da desigualdade e da pobreza continuaram no 1o. ano do governo Dilma! - por Marcos Doniseti!



Em artigo publicado hoje na 'Folha de S.Paulo', o economista Marcelo Neri, da FGV, mostra que a desigualdade e a pobreza diminuíram no primeiro ano de governo Dilma.

Entre os principais dados publicados no texto de Neri, temos:

1) A renda familiar per capita média cresceu 2,7% em 2011. Este crescimento é semelhante ao que tivemos no governo Lula até 2008;

2) Aumentou a velocidade do processo de redução da desigualdade. Segundo Neri, a desigualdade diminuiu 2,3% em 2011. Tal queda é quase o dobro da que tivemos entre 2001-2009, quando o ritmo de queda foi de 1,11% ao ano;

3) O ritmo de queda da pobreza atingiu 7,9% ao ano, superior aos 7,5% de redução anual média que tivemos entre 2002-2008.

De acordo com Marcelo Neri, em 2011 a redução da pobreza ocorreu em uma velocidade três vezes maior que a necessária para que o Brasil cumpra a Meta do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 25 anos.

Um outro dado importante, mas que não consta do texto de Marcelo Neri, diz respeito à taxa de desemprego, que caiu para 4,7% em Dezembro de 2011. Enquanto isso, tivemos uma taxa de 10,5% em Dezembro de 2002 e de  5,3% em Dezembro de 2010.

Portanto, o governo Dilma deu continuidade, também, ao processo de forte queda do desemprego que começou no governo Lula e a taxa de Dezembro de 2011 foi 0,6 p.p. inferior à de igual mês de 2010.

Renda familiar per capita média crescendo, desigualdade, desemprego e pobreza em queda explicam, sem dúvida alguma, o aumento da popularidade da Presidenta Dilma nos últimos meses do seu primeiro ano de governo e cuja aprovação pessoal chegou a 72%, segundo pesquisa da CNI-Ibope.

Esses números mostram a continuidade do processo de crescimento econômico e de redução da desigualdade, do desemprego e da pobreza e fica claro que o modelo de governo 'lulista-petista' de 2003-2010 não foi alterado por Dilma em seu primeiro ano de mandato, muito pelo contrário. Tal como se esperava, o mesmo foi marcado pela continuidade das políticas fundamentais implantadas durante o governo Lula.

Assim, o Brasil continua, no governo Dilma, combinando um processo de crescimento econômico com melhoria da distribuição de renda, redução do desemprego e da pobreza.

Tudo isso explica, melhor do que qualquer outra coisa, porque Dilma é cada vez mais popular.

 Links:

Marcelo Neri: governo Dilma dá continuidade ao processo de redução da desigualdade e da pobreza:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/27902-ano-1-depois-da-dilma.shtml

Taxa de desemprego de 2011 é a menor da história:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/01/120126_desemprego_rp_rn.shtml

Aprovação de Dilma chega a 72% em Dezembro de 2011, mostra CNI-Ibope:

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/aprovacao-a-dilma-sobe-em-dezembro-e-chega-a-72-mostra-pesquisa-cni/ibope-20111216.html

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O preconceito da Grande Mídia contra Lula e Andrés! - por Marcos Doniseti!

O preconceito da Grande Mídia contra Lula e Andrés! - por Marcos Doniseti!

Recomendo muito a leitura de um post do PHA (link: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/02/21/folha-usa-corinthians-para-ofender-lula/#comment-698883), no Conversa Afiada, a respeito da ausência do Presidente Lula no desfile de Carnaval em função de problemas de saúde. Lula obedeceu aos médicos e não foi ao Sambodrómo assistir a homenagem que lhe foi feita pela escola de samba da Gaviões da Fiel.

Daí, o que fez o repórter da 'Folha'? Ele passou a fazer perguntas preconceitusas e provocativas à Marisa, esposa de Lula, e o presidente licenciado do Corinthians, Andrés Sanchez, passou a responder de maneira irônica às questões formuladas pelo suposto 'jornalista'.


O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, trata os ‘jornalistas’ da Folha do jeito que o governo Dilma deveria tratá-los, usando de bordoadas e tiradas irônicas que expusessem esses patetas do PIG ao ridículo.


Se o Andrés fosse o Ministro das Comunicações, a Ley de Medios seria aprovada em uns 15 dias, no máximo.


Andrés para Ministro das Comunicações Já!


Aliás, Andrés demonstra seu desprezo e postura crítica com relação à Grande Mídia mesmo com o Corinthians tendo assinado contrato de direitos de transmissão com a Globo (mas todos os clubes fizeram o mesmo...). Ninguém definiu melhor a Globo do que o Andrés: São uns gângsters.


Já a ‘Folha’ sempre teve ódio do Lula e do Andrés. Ela nunca os perdoou: Lula por ter sido o melhor presidente da história do Brasil, e Andrés por ter sido o melhor presidente da história do Corinthians.


E isso acontece porque tanto Lula, como Andrés, tem origem popular. Isso representa, de forma nítida, um claro preconceito de classe contra os dois, pois ambos vieram de famílias muitos pobres e que tiveram que se esforçar muito para conseguir se tornar grandes vencedores.


Com seu talento e esforço, eles atingiram um elevado grau de sucesso e reconhecimento social, independente do que os seus mesquinhos e patéticos críticos digam. E ambos conseguiram isso em uma época em que não havia nenhum ProUni ou programa de inclusão social para beneficiá-los.


Mesmo assim, Lula tirou o Brasil da UTI do FMI e recuperou o orgulho e a auto-estima do brasileiro, fazendo o país ser respeitado no mundo inteiro.


E o Andrés tirou o Corinthians da falência e da Série B e o tornou um clube poderoso, vitorioso e respeitado novamente.


Parodiando James Carville: 'É o preconceito de classe, estúpido!". 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Governo Dilma - Enquete encerrada!

Governo Dilma - Enquete encerrada! - por Marcos Doniseti!
 
Foi encerrada a enquete sobre o primeiro ano de governo Dilma e o resultado do mesmo foi o seguinte:
 
Para você, o primeiro ano do governo Dilma foi:
 
Ótimo -          7 votos -   25%;
 
 
Bom    -         7 votos -   25%;
 
 
Regular -       6 votos -   22%;
 
 
Ruim -           3 votos -   11%;
  
 
Péssimo -      4 votos -   14%
  
 

Votos Totais: 27

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Imperialismo e a a Primavera Árabe! - por Marcos Doniseti!

O Imperialismo e a a Primavera Árabe! - por Marcos Doniseti!

Participei de um debate, com um leitor do blog do Nassif (chamado Andre Araujo) a respeito da Primavera Árabe e sobre o papel desempenhado na mesma pelo Ocidente Imperialista.


Abaixo, reproduzo alguns trechos (em vermelho) do texto do Andre (para ler o mesmo na íntegra, cliquem no link http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-decomposicao-politica-do-mundo-arabe#comment-795122) e as minhas respostas ao mesmo (e que estão em negrito).


Boa Leitura!




1) Muitos comentaristas aqui do blog estão reproduzindo clichês anti-imperialistas para o tema da Primavera Arabe no Egito, na Libia e agora na Siria. Os tres processos são bem distintos e não admitem uma abordagem uniforme.

R - 'Clichês imperialistas' é expressão usada por quem não tem argumentos para defender as suas idéias e prefere tentar desqualificar as dos outros. É uma asneira monumental.

E que os três processos são distintos, isso é óbvio para qualquer um que tenha mais do que 2 neurônios. 


2) Na realidade o que os tres paises tem em comum é que os EUA e a UE não estavam tendo dificuldades em conviver com os regimes da situação nesses tres paises.

R - Isso é verdade. Afinal, os EUA e a UE adoram qualquer ditador, por mais sanguinário e corrupto que seja, desde que seja um aliado dos seus interesses. Eles são, como dizia F.D.Roosevelt, 'os nossos FDP'.

3) Não partiu dos EUA e da UE a inicitiva do processo de insurgencia que foi codinominado de Primavera Arabe. Não haveria razão logica para EUA e UE se daram ao trabalho de se envolver em intricados problemas internos desses paises, porque suas relações externas com as grandes potencias eram satisfatorias.

R - E quem foi que escreveu tamanha asneira? Nunca li isso em lugar algum. A luta pela implantação de regimes democráticos no Egito, Tunísia, Marrocos, Barein, Líbia, etc, partiu de seus próprios povos, inicialmente.

4) No caso da Libia, o regime de Khadafi estava plenamente integrado ao sistema das majors de petroleo, alem disso tinha enormes contratos de obras publicas gerenciados em nivel geral pela empresa americana AECOM, a maior empresa de projetos de engenharia do mundo. Os EUA e a UE não tinham razão alguma para derrubar Khadafi. Irrompeu uma insurgencia na região oeste centrada em Benghazi e as potencias tiveram que correr para se ajustar à nova situação porque estava claro que o regime de Khadafi estava esgotado apos 42 anos no poder.

R - Khadafi era inimigo de Israel e das Monarquias Teocráticas e Reacionárias do Golfo (organizadas no CCG), principalmente da Arábia Saudita e do Qatar, e tinha as suas próprias políticas para a África, e que incluía a idéia de criação de uma moeda comum com outros países africanos, o que representava mais uma (entre tantas outras) ameaça à hegemonia do dólar, que é o que de fato sustenta o Império Ianque atualmente.

A Arábia Saudita defende o Wahabismo, uma vertente religiosa do Islamismo com origem local que prega o uso da violência e do terrorismo para se expandir pelo mundo afora. Na Chechênia, a interferência saudita foi tão grande que os líderes muçulmanos locais chegaram a declarar, em 2005, uma Guerra Santa contra o Wahabismo Saudita em função disso.


As lutas inciais dos líbios pela liberalização e democratização do país foram superadas pela intervenção da OTAN, que contou com a participação de agentes secretos ocidentais e forças militares (muitas delas mercenárias) recrutadas no exterior para derrubar Khadafi, bem como da Al-Qaeda.


E a OTAN jogou no lixo o que dizia a Resolução 1973 da ONU, que autorizava apenas a proteção aérea para a população civil líbia. Em vez disso, a OTAN começou uma guerra para derrubar Khadafi, fazendo picadinho da Resolução 1973. 



A OTAN de Obama desmoralizou totalmente a ONU, mais do que o próprio Bush havia feito.
É por isso, aliás, que Rússia e China votaram contra uma nova intervenção 'da ONU', ou seja, da OTAN, na Síria, pois sabiam que isso resultaria na derrubada de Assad e na instalação de um governo submisso ao Ocidente no país e que passaria a ser usado como base de ataques contra o Irã e de intervenção na região, como no Líbano e na Palestina. 


As milícias que hoje controlam a Líbia cometem inúmeras atrocidades, mas agora o Ocidente 'democrata, liberal e cristão' não dá a mínima, pois tem um governo totalmente submisso a ele no país. O atual governo ditatorial líbio não criará problemas para o Ocidente, portanto. E ele pode continuar torturando e matando à vontade, tal como já vem fazendo, segundo denúncias da Anistia Internacional.


5) No caso da Siria, os EUA e UE não gostavam do regime Assad mas tinham boas razões para conviver com ele, pela expectativa prudencial de que era um esquema de poder estavel e conhecido e o que o sucederia poderia ser muito pior e instavel. Mesmo Israel, no complicado xadres do Oriente Medio, já estava acostumado com os Assad, vizinhos há 41 anos e não teria nunca a iniciativa de derruba-lo.

R - A Síria é inimiga de Israel (tal como Khadafi também era), mantém boas relações com o Irã, apóia grupos libaneses que se opõem ao domínio israelense no país, tem bom relacionamento com a China e a Rússia, é rival das Monarquias Teocráticas do Golfo (afinal, o governo da Síria é laico, o que é o mesmo que ser demoníaco para os wahabitas da Arábia Saudita),apóia os Palestinos e seu governo não abaixa a cabeça para os EUA e para o Ocidente.

Estes são motivos mais do que suficientes para derrubá-lo, na  visão do Ocidente, de Israel e das Monarquias Teocráticas Obscurantistas do Golfo.


6) A insurgencia que vem do Sul da Siria, centrado em Homs e Aleppo, capitais economicas do Pais, faz o regime balançar e EUA e UE estão procurando se ajustar ao que parece ser o fim do regime Assad mais cedo ou mais tarde, esta claro que há uma rebelião interna e o nivel de repressão do Exercito sirio é dos mais violentos que se conhece, são 7.000 mortos contados pela ONU e bairros residenciais inteiros de Homs destruidos por tanques e artilharia contra ci is. É ridiculo dizer que as potencias é que estão por trás dos rebeldes. A insurgencia foi uma surpresa para todos e agora começa a haver um aumento perigoso de deserções no Exercito sirio.

R - Assad ainda tem apoio popular parcial e do Exército. Logo, não há nada que permita a alguém concluir que o seu regime já era. Isso não é análise, mas torcida. E há provas de envolvimento externo em atos terroristas visando derrubar o governo Assad.

Até o líder da Al-Qaeda conclamou os muçulmanos a derrubar o governo Assad. EUA e o Ocidente são aliados da Al-Qaeda nessa tentativa de derrubar um governo laico, mesmo que repressivo, na Síria. Caso seja bem-sucedidos, a Síria poderá ter, futuramente, um governo ainda mais repressivo, mas de natureza teocrática, tal como o da Arábia Saudita, por exemplo. Será um imenso retrocesso e haverá um gigantesco derramamento de sangue em função disso.


7) Aqui muitos comentaristas tem dito que o imperialismo está por detrás das insurgencias. Não tem a minima logica. As potencias estão reagindo a situações em decomposição visando a garantir seus interesses no novo e inevitavel governo, não são os grandes paises que estão fomentando as rebeliões, elas são reais e é ABSURDO muita gente aqui negar essa realidade.

R - Absurdo é negar que os EUA intervém pelo mundo afora para defender os interesses do Capitalismo Globalizado. Ou será que eles fazem todas essas guerras e intervenções militares em políticas apenas para se divertir? Isso, sim, é que é uma piada e que não merece ser levada à sério.

E no caso da Líbia, por exemplo, os EUA e o Ocidente não se limitaram a 'reagir' a um governo em situação de decomposição. Eles atuaram, claramente, no sentido de derrubar tal governo. O Ocidente Imperialista não se limitou a 'reagir', portanto, mas ele AGIU para defender e fortalecer os seus interesses ali. 




8) Todos os experientes analistas dos melhores centros de relações internacionais do mundo reconhecem que as insurgencias tem origem interna e respondem a décadas de opressão.

R - Quais Centros de Relações Internacionais? Cite-os. Dê o nome de cada um deles.

E estes 'Centros' são de quais países? Dos EUA e da UE, certo?

Logo, eles apóiam as políticas criminosas de seus governos contra povos e governos que não se submetem aos seus interesses. Eles não são objetivos e nem imparciais em suas 'análises', que são manipuladas de forma grosseira e que,  portanto, não merecem ser levados à sério.

Outra coisa: aposto que estes 'analistas' destes 'Centros' foram os mesmos que diziam que o Iraque possuía armas de destruição em massa e que Saddam tinha sido o responsável pela organização dos atentados de 11 de Setembro e que justificaram e apoiaram a Guerra do Iraque.

E falta a eles reconhecerem que essas rebeliões nos países árabes se deram contra regimes ditatoriais e obscurantistas apoiados, por décadas, pelo Ocidente (caso de Ben Ali, na Tunísia, e de Mubarak, no Egito).

Além disso, os mais brutais e repressivos regimes políticos do mundo muçulmano estão localizados no Golfo e são todos aliados do Ocidente, inclusive contando com bases militares dos EUA em seus territórios, como a Arábia Saudita, Barein, Kuwait e Qatar.

O Barein, uma dessas ditaduras obscurantistas, chegou a ser invadido, com o apoio dos EUA, por tropas enviadas pela Arábia Saudita para sustentar seu governo brutal e sanguinário no poder e, assim, poder reprimir as lutas do seu povo pela democratização do país.

Mas, sobre isso, ninguém diz nada no Ocidente, não é mesmo? Tampouco dizem alguma coisa esses patéticos analistas destes ridículos 'Centros de Relações Internacionais'.

Logo, os EUA somente ajudam a derrubar ditadores, mesmo que sejam antigos aliados deles, quando isso é conveniente para os seus interesses. Quando não é, lhes dão o seu total apoio.

Ocorreram manifestações populares na Arábia Saudita que foram brutalmente reprimidas e ninguém dos EUA e do Ocidente protestou contra isso. Nem os membros desses 'Centros de Relações Internacionais' patéticos e esdrúxulos. 




9) A intervenção das potencias tampouco é atruista ou principista, é para garantir seus interesses na nova situação, da mesma forma que o veto russo e chinês à Resolução do CS sobre a Siria é para defender seus interesses na região. Todos defendem seus interesses mas é preciso ver a situação com realismo e não com chavões de passeata.

R- O veto da Rússia e da China, contra uma intervenção da ONU-OTAN na Síria, se deu porque a OTAN rasgou e jogou no lixo a Resolução 1973 da própria ONU, que autorizou a sua atuação na Líbia, extrapolando totalmente o que o conteúdo dela permitia.

A Resolução 1973 autorizava, apenas, proteger os civis líbios contra supostos ataques do governo Khadafi e terminou com a OTAN atuando no sentido de derrubar Khadafi.

A OTAN desmoralizou a ONU, cujo atual secretário-geral é fraquíssimo e é totalmente submisso às políticas imperialistas do Ocidente.

É isso que explica o veto da Rússia e da China contra uma intervenção da ONU-OTAN na Síria.

Assim, é preciso, sim, analisar a situação com realismo e não inventando histórias da carochinha para boi dormir com o objetivo de defender o indefensável e justificar o injustificável, que é o que você faz.


Links:

Líder da Al-Qaeda manifesta apoio à derrubada do governo da Síria

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/19882/al+qaeda+declara+apoio+a+derrubada+do+governo+na+siria.shtml

A decomposição política do mundo árabe

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-decomposicao-politica-do-mundo-arabe#comment-795122

Pepe Escobar - Síria: Sombras por trás do espelho

http://midiacrucis.wordpress.com/2012/02/08/siria-sombras-por-tras-do-espelho-pepe-escobar/

Forças Especiais do Qatar e do Reino Unido entraram na Síria:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=9&id_noticia=175315


Khadafi defendia integração política, econômica e militar da África:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111021_khadafi_analise_africa_rc.shtml

Conheça a lei de FHC que proibiu a construção de escolas técnicas federais! - por Marcos Doniseti!

Conheça a lei de FHC que proibiu a construção de escolas técnicas federais! - por Marcos Doniseti!

Governos Lula e Dilma construíram 422 escolas técnicas federais, contra 140 que foram feitas em toda a história do Brasil anteriormente. Com isso, o governo federal já oferece 600 mil vagas anuais nas 562 escolas técnicas federais existentes no Brasil. 

Muito se comentou, durante anos, nas redes sociais e na Internet, que o governo FHC teria assinado uma lei que proibia o governo federal de construir novas escolas técnicas federais.

Pois saibam que isso é a mais pura verdade.

Encontrei rapidamente (através do Google, é claro) o artigo desta lei (de número 9.649, de 27 de Maio de 1998) que trata dessa proibição e o reproduzo logo abaixo:


Art. 47. O art. 3o da Lei no 8.948, de 8 de dezembro de 1994, passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos:


"§ 5o A expansão da oferta de educação profissional, mediante a criação de novas unidades de ensino por parte da União, somente poderá ocorrer em parceria com Estados, Municípios, Distrito Federal, setor produtivo ou organizações não-governamentais, que serão responsáveis pela manutenção e gestão dos novos estabelecimentos de ensino.
§ 6o (VETADO) 
§ 7o É a União autorizada a realizar investimentos em obras e equipamentos, mediante repasses financeiros para a execução de projetos a serem realizados em consonância ao disposto no parágrafo anterior, obrigando-se o beneficiário a prestar contas dos valores recebidos e, caso seja modificada a finalidade para a qual se destinarem tais recursos, deles ressarcirá a União, em sua integralidade, com os acréscimos legais, sem prejuízo das sanções penais e administrativas cabíveis.
§ 8o O Poder Executivo regulamentará a aplicação do disposto no § 5o nos casos das escolas técnicas e agrotécnicas federais que não tenham sido implantadas até 17 de março de 1997."

Link:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9649orig.htm

O conteúdo da lei assinada por FHC é claro: O governo federal somente poderia construir novas escolas técnicas federais se o fizesse em regime de parceria. Sozinho, jamais!

Essa foi mais uma medida que gerou imensos prejuízos ao Brasil e ao seu povo e que foi adotada pelo então presidente FHC.

É por isso que eu digo:

PSDB NUNCA MAIS!


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Neoliberalismo, Mercados e Nações!- por Marcos Doniseti!

Neoliberalismo, Mercados e Nações! - por Marcos Doniseti! 


As imposições feitas pela Troica (UE, BCE, FMI) ao povo grego, para que este tenha acesso a um novo empréstimo, que em nada irá resolver a situação de crise que o país enfrenta, são de uma brutalidade inacreditável. 

Redução do salário mínimo, demissão de 150 mil funcionários públicos (estamos falando de um país com apenas 8 milhões de habitantes, hein!) são algumas das exigências absurdas impostas ao povo grego para que o país possa receber esse 'novo' empréstimo.

Nesse ritmo e com esse rumo, a UE irá transformar a Grécia em um campo de concentração de trabalho escravo. Aliás, não é à toa que essas exigências são, principalmente, feitas pela Alemanha, cujo governo é o que mais exige a adoção de medidas de austeridade como meio de superação da crise. 

Essa postura é uma herança de décadas, séculos mesmo, da mentalidade autoritária e repressiva que vigora na Alemanha.


Aliás, a maneira brutal como os gregos e os povos em crise da Zona do Euro são tratados, atualmente, pela Alemanha mostra que Hitler e o Nazismo não foram um acidente de percurso, mas que souberam explorar aspectos que estão fortemente presentes na Alemanha e na cultura e na mentalidade do seu povo, ainda hoje. 

A arrogância, a recusa em dialogar e em ouvir as demandas dos povos que sofrem com a crise, a imposição de exigências draconianas aos mesmos, mostram claramente que os alemães são virtualmente incapazes de levar adiante um projeto de integração europeia que respeite a soberania e os direitos de outros povos.

Com tais imposições, somente restaurando-se a escravidão será possível ao povo grego manter os pagamentos dessa dívida absurda em dia e, ao mesmo tempo, preservar um mínimo de dignidade e de honra, sem falar das suas condições de vida, que despencam ladeira abaixo, tanto que o PIB grego caiu 7% no quarto trimestre de 2011 e a taxa de desemprego já chegou a 21%.

Ao tratar a Grécia como se fosse um país africano ou asiático e não como um integrante da UE e da Zona do Euro, a Alemanha está destruindo com o processo de integração europeu, que é uma construção de várias décadas e que exigiu muitos recursos e energia de toda uma geração de europeus que sonhava em livrar a Europa das guerras e que via na unificação do continente o caminho para isso. 

Afinal, que outro país irá querer adotar o Euro depois desse tratamento brutal que está sendo imposto ao povo grego? Só se for maluco, mesmo.

Outra coisa importante a se considerar é que o Euro é, de fato, moeda de país com economia forte, competitiva globalmente, o que nunca foi o caso da Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e, em parte, da Itália. 

Esses mesmos banqueiros e seus defensores, hoje, reconhecem esse fato e apontam as vulnerabilidades e fraquezas da Grécia e dos outros países em crise, tais como a ineficiência, a baixa produtividade, enfim, a falta de competitividade das suas economias. 


Mas, se a economia da Grécia-Irlanda-Espanha-Portugal-Itália eram tão frágeis então porque esses mesmos banqueiros (principalmente os franceses e os alemães) emprestaram tanto dinheiro para os mesmos? E porque eles permitiram que tais países, que possuem economias de segunda e terceira divisão, como eles mesmos reconhecem, adotassem uma moeda de país de primeira divisão? 

Afinal, ninguém obrigou os banqueiros e investidores a aplicar o seu capital na Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália, não é mesmo?

Eles emprestaram toda essa fortuna (em torno de 2,5 trilhões de Euros) devido à sua ganância ilimitada, é claro. Tais banqueiros e especuladores viam na Grécia e nos outros países europeus com economias frágeis apenas mais alguns mercados a serem devidamente explorados e não Nações, com povo, instituições, leis e governo.

Assim, os banqueiros e o sistema financeiro que aguentem com as consequências do que fizeram, oras! 

No fim das contas, tudo isso aconteceu porque o Neoliberalismo trata os países apenas como se fossem meros mercados e seus povos como reles consumidores.  

E povos e nações são bem mais do que isso. 


É claro que com uma visão tão pobre, medíocre e estreita de mundo como é a do Neoliberalismo, isso não podia dar certo, mesmo. 

Como, aliás, não deu. 


Link:
http://www.cartacapital.com.br/economia/o-massacre-do-povo-grego/#comment-139964




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Todos os governos são técnicos e políticos, ao mesmo tempo! - por Marcos Doniseti!

Todos os governos são técnicos e políticos, ao mesmo tempo! - por Marcos Doniseti!



Essa discussão inútil, que está se desenvolvendo, sobre se o governo Dilma é 'técnico' ou 'político' é mais uma 'casca de banana' jogada pela Grande Mídia para tentar desunir a base de sustentação política-social do mesmo.

A Direita troglodita tupiniquim sabe, melhor do que ninguém, que enquanto Dilma mantiver uma base de sustentação, política e social, tão vasta e ampla como a atual, ela não terá, virtualmente, nenhuma chance de vencer, novamente, uma eleição presidencial. Dilma tem, hoje, todas as condições para se reeleger Presidenta, e sem maiores dificuldades, em 2014.

Os adversários reacionários e direitistas do governo Dilma sabem disso. E é justamente esse fato que os deixa totalmente desesperados, pois caso Dilma vença a eleição presidencial de 2014, a Direita entreguista e retrógrada brasileira ficará 16 longos anos fora do governo federal, sem ter o comando e o controle do país.

Por isso é que eles ficam criticando o governo Dilma o tempo inteiro, fazendo de tudo para desgastá-lo perante a população e ainda manipulam e distorcem totalmente o noticiário, como ocorreu recentemente no caso da concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, que foi chamado pela Grande Mídia de 'privatização', embora o Estado continue o proprietário dos mesmos, fato este que foi devidamente omitido por ela.

E o pior disso tudo é que tem muito zémané que se diz 'de Esquerda' que adora cair nessa lorota e faz questão de olhar para a casca de banana jogada pela Grande Mídia, pisar em cima e escorregar de forma patética.

Isso me lembra aquela história do sujeito que vê uma casca de banana no chão, logo à frente, e diz 'ah, mas que droga, lá vou eu escorregar e cair novamente'...

O fato concreto é que todo e qualquer governo é técnico e político ao mesmo tempo, sem exceção, e não há como separar as duas dimensões.

Afinal, de que adianta um governo, seja ele qual for, ter planos maravilhosos para melhorar as condições de vida da população, com a melhor das intenções, mas não ter ninguém com capacidade técnica e política para colocá-los em prática? E de que adianta ter pessoas capacitadas tecnicamente se as intenções delas e as políticas que adotam são destinadas a beneficiar apenas uma pequena parcela da população, ignorando as demandas e necessidades da imensa maioria?

Logo, as competências técnica e política são dimensões complementares e inseparáveis e o principal é que ambas estejam à serviço da contrução de uma sociedade e de uma Nação justa, democrática e soberana.

O resto é perfumaria. 

Link:

http://www.viomundo.com.br/politica/joana-tavares-despolitizando-o-governo-dilma.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Congresso Nacional, o Orçamento e a Ficção-Científica - Marcos Doniseti!

O Congresso Nacional, o Orçamento e a Ficção-Científica - Marcos Doniseti!

Vejam os dados publicados nesta matéria da Carta Maior (link:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19621) que diz que o governo Dilma 'cortou' R$ 55 bilhões do Orçamento de 2012 que foi aprovado pelo Congresso Nacional.


Orçamentos:

Educação em 2011 - R$ 25 bilhões; em 2012 - R$ 33 bilhões (+ 32%);

Saúde em 2011 - R$ 64 bilhões; em 2012 - R$ 72 bilhões (+ 12,5%).

O orçamento da Educação é 32% maior do que foi em 2011 e o da Saúde cresceu 12,5%, certo?

Então, questiono: Que cortes? Quais? Onde?

Parece que a Mídia e os jornalistas brasileiros estão 'revolucionando a Matemática'.

Imaginem um professor de matemática ensinando os seus alunos assim:

Um orçamento passa de R$ 64 bilhões para R$ 72 bilhões e o outro passa de R$ 25 bilhões para R$ 33 bilhões de um ano para o outro. Baseado nestes números, responda: Em quanto eles diminuíram em R$ e em %?

Quem acertar, ganha um doce.


Outra coisa: Em 2011, o Estado brasileiro gastou 5,72% do PIB com o pagamento dos juros da dívida pública, representando R$ 236 bilhões.

Então, como é que o Congresso Nacional pode aprovar um Orçamento no qual esse item consumirá, em 2012, apenas R$ 140 bilhões? 


Se o valor deste item do Orçamento de 2012 for de R$ 140 bilhões, como diz a matéria da Carta Maior, então esse valor será R$ 96 bilhões INFERIOR ao de 2011, o que é uma excelente notícia. Este valor está, claramente, subestimado. Esses congressistas não sabem somar 2 + 2... Eles devem fazer parte da 'Turma do Primário Mal Feito', como diz o José Simão. 


O grande problema é que o Congresso Nacional sempre aprova Orçamentos que são verdadeiras peças de ficção científica.

Esses deputados e senadores são uns brincalhões e aprovam esse Orçamento ridículo.
 

Isso é uma jogada política-eleitoreira vagabunda, de 5a. categoria, para iludir e enganar o eleitorado. 

Os congressistas sempre fazem um Orçamento generoso, agradando a todos os segmentos do eleitorado tupiniquim, mas totalmente fora da realidade do país, e ganham pontos com o eleitorado desinformado, que mal sabe somar 2+2 e que não entende lhufas sobre o assunto.

Daí, o governo, que não pode ficar brincando de governar o país e que tem que ter os pés-no-chão, vai lá e 'corta' as maluquices desses deputados e senadores malandros, que não entendem lhufas sobre Economia e Finanças, mas que sabem muito bem como enganar e iludir os eleitores com suas promessas fáceis e totalmente inviáveis.

E o pior é que todos os anos essa palhaçada se repete. E depois ainda temos pessoas que reclamam quando o povo elege o Tiririca. 


Faça-me o favor...

E os tontos, iludidos como sempre, caem direitinho no 'conto do governo perverso' que 'corta' verbas que, na verdade, inexistem no mundo real, mas que existem no mundo de ficçção científica e de fantasia em que vivem as vossas excelências do Congresso Nacional.

Hipocrisia e palhaçada pouca, é bobagem, por parte dos 'nossos' congressistas.

Portanto, esse Orçamento aprovado pelo Congresso Nacional é, claramente, uma peça de ficção científica e não é à toa que, depois, o governo federal é obrigado a 'cortá-lo', trazendo-o, novamente, de volta à realidade.


Link:

Gastos com juros da dívida pública:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/despesa-com-juros-da-divida-publica-soma-r-236-bilhoes-em-2011-diz-bc.html

Queda da dívida líquida do setor público em 2011:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/pela-1-vez-divida-do-setor-publico-fecha-ano-abaixo-de-37-do-pib.html

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Por que sou contra a aliança do PT com Kassab! - por Marcos Doniseti!

Por que sou contra a aliança do PT com Kassab! - por Marcos Doniseti! 


É mais do que evidente, para qualquer pessoa que conheça relativamente bem como funciona o sistema político brasileiro, que é praticamente impossível ganhar eleições e governar sozinho, sem fazer algum de tipo aliança, sem formar uma coalizão para governar.

As caracterísiticas vigentes no sistema político brasileiro, implantado com a Constituição de 1988, obrigam a todo e qualquer partido político a formar coalizões para vencer as eleições e poder governar com um mínimo de estabilidade.

A Constituição de 1988 se caracterizou por adotar no Brasil um sistema político-partidário caracterizado pela ampla liberdade de criação de partidos políticos, com exigências reduzidas para se criar uma nova legenda (assim, temos 29 partidos políticos registrados no país), pela virtual ausência de qualquer mecanismo real de fidelidade partidária (o que dá aos políticos ampla liberdade para trocar de legendas por quase todo o tempo) e pelo fato de que os parlamentares votam do jeito que eles querem, sem prestar contas ao partido pelo qual se elegeram e tampouco aos eleitores que votaram neles.

Na prática, o sistema político-partidário tupiniquim funciona como se cada parlamentar ou liderança política mais forte fosse um partido próprio, o 'partido do eu sozinho'.

Além disso, a Constituição de 1988 transferiu para o Poder Legislativo a última palavra em todos os assuntos. Nomeação de embaixadores e de diretores do Banco Central (incluindo o presidente da instituição), a aprovação de projetos de lei e de medidas provisórias, reajustes salariais do funcionalismo e do salário mínimo, criação de programas sociais, aumento ou criação de impostos, enfim, praticamente todas as decisões do Poder Executivo precisam ser aprovadas pelo Parlamento para começar a vigorar. Até mesmo os vetos dos chefes do Poder Executivo (Presidente, Governadores e Prefeitos) podem ser derrubados pelo Poder Legislativo. 


Tudo isso obriga a que todos os partidos formem alianças e coalizões bastante amplas para, como já dissemos aqui, vencer as eleições e poder governar.

Essa é uma realidade tão marcante do sistema político-partidário brasileiro que até mesmo o PSOL, que sempre criticou o fato do PT fazer alianças amplas, também já se rendeu a este fato e decidiu que, nas eleições municipais de 2012 o mesmo irá ampliar fortemente o seu leque de alianças eleitorais, incluindo até legendas conservadoras neste processo (como o PPS, PTB, DEM e PSDB). 

Apesar disso, quero deixar bem claro que sou contra a aliança que setores do PT pretendem fazer com o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. 

E as razões disso são várias. Vamos comentá-las, então:
 
1) O tipo de governo que Kassab faz: 

Kassab fez um governo marcado por políticas de exclusão social e de repressão aos setores populares. 


A maneira como tratou os dependentes da Cracolândia e a política higienista adotada com relação aos pobres que vivem, principalmente, no centro da capital paulista, e o virtual abandono de setores como transporte coletivo, moradia, saneamento básico, saúde e educação são inaceitáveis para um partido que, tal como o PT, sempre se pautou pela defesa de um projeto político-social totalmente diferente e oposto ao de Kassab e que é caracterizado pela inclusão política, social, cultural e econômica dos setores populares historicamente marginalizados em nosso país;


2) Kassab fez um péssimo governo: 


Kassab conseguiu uma gigantesca proeza nestes quase 7 anos em que governou a capital paulista. É que mesmo tendo vultosos recursos financeiros à sua disposição, e que poderiam ter sido utilizados em amplos programas e projetos sociais e de investimentos na infra-estrutura da cidade, ele conseguiu não fazer absolutamente nada de relevante em termos de realizações durante todo este período de tempo. E tem que ser muito, mas muito incompetente, mesmo, para conseguir algo semelhante. 

Mesmo com uma reserva financeira de R$ 10 bilhões, o fato concreto é que não há um único projeto ou programa levado adiante por Kassab que possa ser lembrado por qualquer morador da cidade de São Paulo e que tenha melhorado a vida dos seus habitantes, em algum aspecto importante.

Combate às enchentes, transporte coletivo, saúde pública, educação, moradia... Qualquer setor da vida dos paulistanos que seja analisado por uma pessoa dotada de um mínimo de inteligência e de honestidade intelectual não encontrará nada de importante ou de relevante que tenha sido feito pelo prefeito Kassab. 

Não há uma única obra ou projeto de impacto, relevante, que tenha sido realizado por Kassab em todos estes anos. E dinheiro para isso nunca faltou, pois ele governou a capital paulista durante um longo ciclo de crescimento econômico brasileiro, que começou em 2004, e que levou a um grande aumento no valor do Orçamento da prefeitura paulistana durante o seu mandato.


Assim, dinheiro para fazer tais investimentos nunca faltou. No último ano do governo de Marta Suplicy, o orçamento da prefeitura paulistana foi de R$ 13 bilhões. 


Agora, em seu último ano de mandato, Kassab terá R$ 39 bilhões (trêz vezes mais do que há 8 anos atrás, portanto) e, mesmo assim, não consegue fazer uma mera fração do que o governo de Marta fez.

Enquanto Marta 'arregaçou as mangas', trabalhou intensamente e conseguiu promover uma série de melhorias na cidade, Kassab não fez nada que preste, literalmente. 


Marta, em apenas 4 anos de mandato, reestruturou totalmente o sistema de tranposre coletivo da cidade, renovou a frota de ônibus da capital (6 mil novos ônibus e microônibus), implantou o Bilhete Único, construiu 7 novos piscinões, fez 24 CEUs, municipalizou a saúde pública (acabando com a picaretagem do PAS), iniciou a construção de novos grandes hospitais (como o da Cidade Tiradentes, retomou projetos de construção de moradia pelo sistema de mutirão, de alfabetização de adultos e de coleta seletiva de lixo (projetos que vigoravam na época da Erundina e que foram destruídos pelos governos de Maluf-Pitta e que foram retomados por Marta). 


E o que Kassab fez? Alguém sabe? 


Duvido...


Não é à toa, portanto, que a popularidade de Kassab está tão reduzida e seu governo é considerado ruim ou péssimo por quase 40% dos eleitores paulistanos. A capital paulista está literalmente abandonada pelo seu prefeito, que se revelou um péssimo administrador. 

3) Divisões entre os petistas:


Em função do tipo de governo que fez, da péssima gestão que realizou e da sua elevada impopularidade neste último ano de gestão, faz com que uma aliança com Kassab seja fortemente rejeitada pelos petistas e com razão. 

E isso vale tanto para muitos dos líderes mais importantes do partido (Marta, Berzoini, etc), como também para a militância e o eleitorado do PT, que é fortemente concentrado nas periferias da capital paulista, regiões nas quais as realizações do governo Kassab foram praticamente inexistentes. 


A vaia imensa que Kassab recebeu, semana passada, no Encontro Nacional do PT, mostra o quanto ele e as políticas que adota e representa são rejeitadas pelos petistas em geral.  

Fazer uma aliança com Kassab provocaria, com certeza, um racha monumental dentro do PT, de consequências imprevisíveis para o futuro do partido em SP e, talvez, no Brasil.

Até mesmo líderes como Zé Dirceu, um grande defensor da necessidade do PT fazer alianças com outras forças políticas-sociais para vencer eleições e poder governar, resiste a uma aliança com Kassab.


E se existe alguém dentro do PT e na política brasileira que conhece muito de estratégia política, esse é o Zé Dirceu. Suas opiniões devem servir sempre como um referencial e serem levadas em consideração nestes momentos.

E com o PT rachado e fortemente dividido, a vitória de Haddad ficará, inegavelmente, muito mais difícil de ser conquistada. Talvez torne-se impossível, mesmo, ganhar, se o racha for muito grande dentro do PT. Aliás, essa é a opinião do próprio Zé Dirceu. 


Logo, não há nada de bom que uma aliança com Kassab possa, portanto, trazer para o PT e, tampouco, para os paulistanos. Sua gestão não é reprovada pelos eleitores paulistanos de uma forma tão intensa à toa. É reprovada porque Kassab fez e faz um governo muito ruim.

4) Projetos políticos-sociais opostos:

Kassab não fez praticamente nada em benefício da população mais pobre e que vive na periferia da capital. Enchentes, saúde e educação pública abandonadas, ruas e avenidas em péssimo estado de conservação, lixo nas ruas e calçadas... A imensa periferia paulistana foi totalmente abandonada por Kassab.


E isso vai contra tudo o que o PT luta, faz e representa quando governa. Vamos comentar, por exemplo, sobre os 24 CEUs que Marta construiu em apenas 4 anos de governo. Eles foram erguidos nas regiões mais pobres e carentes da capital paulista. 


No primeiro ano de sua gestão, o governo de Marta analisou as diferentes regiões da cidade, traçou um perfil de cada uma delas e identificou quais eram as mais pobres e carentes em termos de acesso aos serviços públicos e de condições de vida. Foi justamente nestas áreas mais carentes da capital paulista que Marta construiu os CEUs. 


Não há, em quase 7 anos de mandato, um único programa ou projeto de Kassab que se pareça com isso. 

Alguns poderiam usar mais um argumento para justificar uma aliança com Kassab, que seria o fato de que Lula também fez alianças problemáticas, digamos assim, para poder vencer a eleição presidencial de 2002 e poder governar. 

Mas há várias diferenças que tem de ser levadas em consideração quando se faz tal comparação, como:

1) Lula era um candidato de oposição contra um governo fortemente impopular, que era o de FHC;

2) Lula recebeu inúmeros apoios de última hora, dados por políticos oportunistas que viam que a canoa dos tucanos estava afundando;

3) Lula viabilizou a sua vitória em 2002 antes mesmo de receber tantos apoios de políticos oportunistas. Na verdade, os apoios dados a Lula vieram justamente em função dele ter consolidado a sua liderança durante a campanha eleitoral. 

Portanto, os apoios imensamente variados e, na época, polêmicos, que foram dados à Lula em 2002 foram consequência do fortalecimento da sua candidatura e não o contrário. Políticos como ACM, Maluf, entre outros, apoiaram Lula apenas quando perceberam que a vitória do petista era, de fato, irreversível. Antes, não. Sarney foi uma exceção quanto a isso, mas o seu apoio à Lula veio antes da definição da disputa eleitoral em função do fato de que Serra agiu decisivamente (usando a Polícia Federal no caso Lunus) para destruir com a candidatura de Roseana, filha de Sarney.

Mas, quando Lula ainda disputava com Ciro Gomes e Garotinho a condição de candidato mais forte da oposição, ele tinha um apoio bem restrito de lideranças de outros partidos políticos. 


Somente quando consolidou a condição de candidato oposicionista mais forte é que estes apoios 'polêmicos' a Lula cresceram consideravelmente.  


Agora, o que está se propondo é justamente o contrário, pois:

1) Defende-se uma aliança com um governo altamente impopular, cuja orientação política-administrativa é totalmente diferente e oposta ao que Lula, Dilma e o PT sempre defenderam e que colocam em prática quando governam. 

Lula-Dilma-PT fazem governos de inclusão, enquanto Kassab vai no caminho da exclusão. E os paulistanos vão querer que o novo prefeito siga um caminho radicalmente distinto daquele que foi adotado por Kassab. 


Como o candidato do PT, Haddad, poderá vir a se diferenciar de Kassab se receber o apoio deste? Sem chance. Existirá um grande risco de que a impopularidade de Kassab seja transferida para Haddad, inviabilizando a sua vitória na eleição paulistana.


E Haddad e o PT não podem pensar em correr esse risco. 


2) É preciso fortalecer e consolidar a candidatura de Haddad:

Propõe-se a fazer uma aliança com Kassab antes mesmo de se consolidar e de fortalecer a candidatura de Haddad junto ao eleitorado e às demais forças políticas. 


Oras, é claro que, nestas circunstâncias, Kassab negociará em posição de força e poderá fazer muitas exigências para fechar um acordo, enfraquecendo Haddad já no nascedouro da sua candidatura. 


Lula não cometeu esse erro em 2002. Espera-se que Lula e o PT não cometam esse erro, agora, em 2012, na eleição paulistana.


Caso Haddad vá para o 2o. turno da eleição (e as chances disso acontecer são muito grandes, dada a força eleitoral antiga do PT na capital paulista), e tendo o apoio que poderá vir a ser decisivo do presidente Lula, ele poderá, aí, sim, impor condições para receber um eventual apoio ou obter uma 'neutralidade simpática' de Kassab em um eventual segundo turno contra um candidato, provavelmente, do PSDB. 


Então, Haddad e o PT não tem nada a ganhar e muito a perder caso fechem essa aliança com um prefeito tão impopular e rejeitado quanto é Kassab.

3) O PT tem, pelo menos, 30% dos votos em qualquer eleição que se faça na cidade de SP, independente de qual seja o seu candidato e para qual cargo for a disputa. 

E com esse percentual de votos, Haddad estará no 2o. turno da eleição paulistana, com certeza. E daí ele terá plenas condições de atrair outras lideranças e partidos políticos para poder viabilizar a sua vitória.


Esse é o patamar mínimo de Haddad e do PT na capital paulista e à medida que ele for se tornando cada vez  mais conhecido dos paulistanos, é mais do que óbvio que ele crescerá bastante nas pesquisas, tal como aconteceu com a própria Dilma durante a campanha presidencial. 

 
Nas primeiras pesquisas eleitorais, Dilma aparecia com apenas 3% das intenções de voto, que é o atual patamar de Haddad, e isso não a impediu de vencer a eleição presidencial. 

Assim, penso que Haddad tem todas as condições de repetir, na capital paulista, o que aconteceu com Dilma em 2010, embora sejam eleições diferentes, é claro.


4) O apoio decisivo do Presidente Lula:

O presidente Lula saiu do governo consagrado, com um índice de aprovação de 87%, o que é algo inédito na história de países democráticos pelo mundo afora. 

Seu apoio, segundo o Datafolha, influenciará o voto de 48% dos eleitores paulistanos, que se dispõem a votar em um candidato apoiado por ele, Lula. 

O PT nunca desfrutou de uma vantagem como essa em qualquer outra eleição na história da cidade de SP ou de qualquer outra. 

Isso é uma grande novidade que teremos nesta eleição. E não se sabe qual será o alcance exato desta influência do ex-presidente Lula na mesma. 


Mas os dados da pesquisa do Datafolha mostram que esse apoio de Lula tem grandes possibilidades de acabar se transformando no fator que decidirá o resultado da eleição na capital paulista. 


E esse é um patrimônio que o PT não pode esquecer que tem na hora em que negocia apoios e alianças com outras lideranças e partidos políticos. 



O PT tem Lula. Os outros não tem... E estou convencido de que isso fará uma grande diferença, a favor do PT e de Haddad, nestas eleições.


Portanto, há inúmeras, fortes e variadas razões para que o PT e Haddad rejeitem uma aliança com Kassab. 


E é em função de tudo isso que sou contra tal aliança.


Links:

Zé Dirceu comenta sobre a aliança do PT com Kassab - "Não se vence com um partido dividido":


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2012/02/ze-dirceu-sobre-eleicao-em-sp-nao-se.html

Datafolha mostra que 37% dos paulistanos consideram governo Kassad ruim ou péssimo:


http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/01/30/46-nao-votariam-em-candidato-indicado-por-kassab-indica-datafolha/

Orçamento da prefeitura de SP em 2004 era de R$ 13 bilhões:


http://www.senado.gov.br/noticias/marta-suplicy-manifesta-preocupacao-com-a-cidade-de-sao-paulo.aspx

Prefeitura de SP tem R$ 10 bilhões em caixa, mas não investe:


http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/sp-tem-r-10-bi-em-caixa-mas-tira-verba-de-obras/

Ulysses Guimarães, a Constituição de 1988 e o 'Presidencialismo de Coalizão':


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com/2011/12/ulysses-guimaraes-constituicao-de-1988.html

PSOL decide ampliar leque de alianças:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2012/02/psol-segue-caminho-do-pt-e-flexibiliza.html

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A concessão de aeroportos, Goebbels, a Grande Mídia e o Desenvolvimentismo! - por Marcos Doniseti!

A concessão de aeroportos, Goebbels, a Grande Mídia e o Desenvolvimentismo! - por Marcos Doniseti!


A decisão do governo Dilma de levar adiante o processo de concessão dos aeroportos  de São Paulo, Brasília e Campinas gerou inúmeras críticas, tanto de setores neoliberais, tipicamente direitistas, como por parte de esquerdistas, do espectro político brasileiro.

E tanto as críticas de uns (neoliberais), como de outros (supostos esquerdistas) são inteiramente equivocadas e pelos motivos que irei expor na sequência.

Em primeiro lugar, os neoliberais, devidamente papagaiados pela Grande Mídia, insistem em dizer, de forma totalmente falsa e deturpada, que o governo Dilma 'privatizou' tais aeroportos e que adotou a mesma política 'privatista' da época do governo FHC. Nada é mais falso do que isso.

Em primeiro lugar, porque CONCESSÃO NÃO É PRIVATIZAÇÃO.

Somente pessoas que pratiquem uma deslavada desonestidade intelectual ou que nada saibam sobre o assunto em questão podem fazer tamanha confusão.

Privatizar significa VENDER o patrimônio público, transferindo a propriedade do mesmo para o setor privado, que passa, é claro, a ser o seu dono. O regime de Concessão, por sua vez, não implica em qualquer tipo de venda. É mais parecido com um 'aluguel'.

E da mesma forma que uma pessoa ou empresa não deixa de ser o proprietário de um imóvel quando decide alugá-lo à outra pessoa ou empresa, o Estado não deixa de ser o dono de um patrimônio quando decide transferir a administração de um bem público, sob o regime de concessão, para o setor privado.

No regime de concessão, o Estado continua sendo o proprietário do bem público. O setor privado irá apenas administrá-lo conforme regras previamente estabelecidas pelo Estado e durante um determinado período de tempo.

Encerrado o contrato de concessão, seja porque o mesmo expirou ou então porque o concessionário não cumpriu com as regras determinadas para a mesma e teve que devolver a concessão para o Estado, o patrimônio em questão retornará para a administração estatal. Daí, o Estado poderá promover uma nova concessão ou voltar a administrar o patrimônio que, de fato, nunca  deixou de lhe pertencer.

E foi esse modelo de concessão que o governo Dilma usou para transferir os aeroportos de SP, Campinas e Brasília para o setor privado, que irá administrar os mesmos, mas que continuarão sob o controle Estatal.

Logo, é uma deslavada mentira da Grande Mídia a de chamar esse processo de 'privatização'. Essa é velha e surrada estratégia já utilizada pelo regime Nazista, em especial por seu ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, de repetir uma mentira mil vezes até que ela se transforme em uma verdade.

Essa mentira é mais uma demonstração de que a Grande Mídia tupiniquim não tem qualquer interesse em informar corretamente a população, mas apenas em enganar, mentir e em manipular descaradamente a opinião pública a fim de desgastar o governo Dilma.

A Grande Mídia, como não é novidade para ninguém, funciona como um partido político de oposição como, aliás, até a presidenta da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Judith Brito, já admitiu publicamente.

Que a oposição demotucana se alie à Grande Mídia e reproduza esse discurso falso e mentiroso a respeito da concessão dos aeroportos não é nenhuma surpresa, pois eles são aliados antigos e defendem, basicamente, as mesmas ideias e políticas, que são as neoliberais e que pregam a redução da intervenção do Estado na economia.

As informações divulgadas na Internet mostram, claramente, que pelo regime de concessão adotado pelo governo Dilma para os aeroportos em questão, a Infraero manterá uma participação de 49% nos mesmos.

Na verdade, as empresas concessionárias adquiriram uma participação de 51% nos três aeroportos e não de 100%. Assim,  nestas condições, torna-se impossível dizer que o Estado está simplesmente 'se retirando' ou 'se ausentando' dos mesmos.

Como se não bastasse isso, uma parte do aumento de faturamento das empresas que passarão a administrar três aeroportos será transferido para o Estado.

Logo, este irá lucrar, sim, com o crescimento dos mesmos. Portanto, nem todo o aumento de faturamento ficará para o setor privado.

Além disso, no caso específico do aeroporto de Cumbica, o maior do país, os compradores da participação de 51% do mesmo foram três fundos de pensão de empresas estatais, que ficaram com 90% da parte comprada. Somente 10% ficaram para uma empresa da África do Sul (olha os BRICS aí...) que é especializada em administração de aeroportos, pois nenhum dos três fundos de pensão das estatais tem experiência no setor. Os fundos de pensão tinham o dinheiro para ganhar a concessão, mas faltava-lhes a experiência para administrá-la. Daí a necessidade de se aliar à empresa sul-africana, que ficou com 5,1% de Cumbica.

Assim, o Estado continuará sendo, por outras vias, como o maior acionista e controlador do maior aeroporto brasileiro. A participação privada e estrangeira no mesmo não passará de 5,1% (são os 10% dos 51% adquiridos pela concessionária de Cumbica). O Estado brasileiro, via fundos de pensão das estatais e Infraero, continuará sendo o dono de 94,9% do maior aeroporto do país, que é o de Cumbica.

E os recursos que o Estado obteve com a venda da participação (em 51%) nestes três aeroportos serão usados pela Infraero na construção, reforma e ampliação de aeroportos em regiões menos desenvolvidas do país (Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste) mas que crescem rapidamente (bem mais do que o Sul-Sudeste) há vários anos e que precisam urgentemente de investimentos na ampliação e modernização dos aeroportos. Sem isso, o desenvolvimento econômico e social delas será fortemente prejudicado.

Portanto, os recursos obtidos pelo governo brasileiro com a concessão destes três aeroportos serão investidos de maneira a permitir uma continuidade do processo de redução das desigualdades regionais, que ainda são muito grandes, mas que já começou e que está se intensificando com o passar do tempo. Isso levará, como já está se processando, a um crescimento muito forte e bastante rápido dos mercados consumidores destas regiões. E para que isso tenha continuidade, torna-se fundamental a realização de grandes investimentos em infra-estrutura, incluindo os aeroportos.

Outro fato que deve ser levado em consideração quando se analisa essa concessão é que o Estado brasileiro não possui, de fato, todos os recursos necessários para fazer os investimentos em infra-estrutura que são fundamentais para a continuidade do processo de crescimento da economia brasileira, que se vivencia um ciclo de crescimento de longo prazo.

Embora o governo Lula reduzisse a dívida pública de 51,5% do PIB para 38% do PIB entre 2003-2010 (e que caiu, agora, em 2011, para 36,5% do PIB) e tenha também quase dobrado o percentual do PIB investido pelo Estado (passou de 1,5% do PIB em 2002 para 2,9% do PIB em 2010) o início deste ciclo de crescimento de longo prazo, por parte da economia brasileira, exigirá investimentos gigantescos, tanto na área social, como em infra-estrutura. E o fato concreto é que faltam, para o Estado brasileiro, os recursos necessários para se promover todos estes investimentos.

Daí, é neste contexto de crescimento econômico, de forte crescimento do mercado consumidor nacional (com a entrada de 50 milhões de pessoas para o mesmo apenas entre 2003-2010) e de limitada capacidade de investimento público, torna-se necessário chamar o setor privado para participar deste processo de aumento dos investimentos produtivos, principalmente em infra-estrutura, e que são essenciais para a continuidade desta expansão, que já transformou o Brasil (em apenas 9 anos) na 6a. Maior economia do mundo, desde que respeitadas as regras estabelecidas pelo Estado, é claro.

E foi exatamente isso que aconteceu com a concessão dos aeroportos, nos quais serão investidos mais de R$ 24 bilhões durante o período no qual vigorarão os contratos de   concessão e cujos recursos obtidos com a concessão (R$ 24 bilhões) serão utilizados para a construção e ou ampliação de aeroportos no Norte, Nordeste e no Centro-Oeste, que são aquelas que crescem mais rapidamente.

A própria Infraero, como manteve uma participação de 49% nos três aeroportos, irá se beneficiar com o aumento do faturamento e do lucro que serão obtidos nos mesmos e poderá utilizar estes recursos nas outras regiões do país e que são bastante carentes no setor.

E existe também um outro elemento importante a ser considerado neste assunto, que podemos classificar como sendo histórico-político-ideológico.

Refiro-me ao fato de que as grandes transformações que ocorreram no mundo nas últimas décadas. Entre estas, temos:

1)                O colapso do Stalinismo, com o desmoronamento da URSS e dos países que seguiam a sua liderança;

2)                As grandes mudanças que se processam na China desde o final da década de 1970, que resultaram na implatanção de um novo modelo sócio-econômico e que o governo do Partido Comunista chinês chama de 'Economia Socialista de Mercado');

3)                A virtual e inegável falência do projeto Neoliberal, que afundou as economias dos países capitalistas ricos na sua mais grave e profunda crise desde a Grande Depressão da década de 1930 (o FMI chama a crise atual dos países desenvolvidos como sendo “A Grande Recessão”).

Com tudo isso, o fato concreto, que ficou claro para todos que não professam ideologias fanáticas, estúpidas e extremistas, e que se recusam a reconhecer as rápidas e significativas transformações que se desenvolvem pelo mundo afora, é que tanto o modelo sócio-econômico em que o Estado controla tudo (genericamente chamado de 'Stalinismo') ou no qual o setor privado domina tudo (o Neoliberalismo) foram para as Cucuias e para o Beleléu, respectivamente. Ambos faliram, acabaram, já eram. Acabaram!

Nenhum destes modelos, Stalinismo e Neoliberalismo, podem mais ser considerados como alternativas válidas para se tentar resolver os grandes problemas econômicos, políticos, sociais, ambientais, entre outros, que a Humanidade enfrenta atualmente. Eles são brutais, cruéis e primitivos demais.

O Stalinismo cria uma Ditadura Burocrática-Estatal -Policial, que não permite qualquer manifestação mais significativa por parte de qualquer segmento da sociedade (mesmo os operários, estudantes e intelectuais) que não se submetam aos burocratas de plantão. Quando tivemos a chamada 'Revolução Democrática' no ex-bloco socialista europeu, no final dos anos 1980, a principal reivindicação daqueles povos (na Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, Bulgária) era por liberdades democráticas amplas. Isso mostrava, por si, que tais liberdades não existiam nestes países. Caso contrário, a população dos mesmos não as estaria reivindicando, certo?

Já o Neoliberalismo cria um outro tipo de Ditadura,  a do Mercado, principalmente a do setor financeiro da economia, que transforma governos e povos em seus escravos e semi-escravos e que sequer permite que a população se manifeste livremente a respeito do seu futuro.

Os fatos que se desenrolaram recentemente na Itália e na Grécia, onde seus respectivos primeiros-ministros foram substituídos por ex-funcionários do banco Goldman Sachs, comprovam esse fato.

Na Grécia, em especial, o então primeiro-ministro foi afastado do governo logo depois de ter defendido que as medidas de 'austeridade' que seu governo iria implantar por ordem da Troica (BCE, UE e FMI) fossem submetidas a um referendo popular. Maior confirmação do que essa de que as políticas Neoliberais e a própria ideia de Democracia são incompatíveis, é muito difícil.

Na verdade, como o Neoliberalismo resulta em um brutal processo de aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria, a manutenção de suas políticas passa a exigir, cada vez mais, o reforço considerável de políticas e de mecanismos de repressão e controle da população, não apenas por parte do Estado (com o uso da Polícia, Justiça, Exército), mas também com a utilização, principalmente, da Grande Mídia.

Não é à toa, aliás, que muitas corporações midiáticas, hoje, são propriedades de empresas do setor financeiro.

Nas últimas décadas o que tem se verificado, na verdade, que os países que alcançaram os melhores resultados em termos de desenvolvimento econômico e social são os integrantes dos BRICS, nos quais há espaço tanto para a atuação do Estado, como para a ação do Mercado, mas sem que isso gere uma hegemonia total e absoluta de um (Estado) ou de outro (Mercado).

Tais países possuem, claramente, elementos de economia planificada e intervencionista, com a realização de grandes obras de infra-estrutura, por exemplo, feitas com dinheiro público (no Brasil, por exemplo, temos o caso da Transnordestina, Ferrovia Norte-Sul, a transposição das águas do Rio São Francisco), ou com a implantação de políticas sociais que melhoram a distribuição de renda, principalmente no Brasil (exemplos: Bolsa-Família, Pronaf, Luz Para Todos, etc), 

Tal política de intervenção estatal se mistura com características de economias capitalistas, permitindo que o setor privado invista e lucre em inúmeros setores de suas economias, como na própria infra-estrutura, em bens de consumo, serviços, telecomunicações, entre outros.

Tais países também permitem uma participação significativa do capital estrangeiro, principalmente o voltado para o setor produtivo, mas procuram impor limites à ação do capital especulativo, de curtíssimo prazo, voltado apenas para a atuação no setor financeiro da economia.

Recentemente, inclusive, a revista britânica 'The Economist' disse que os BRICS praticam um 'Capitalismo de Estado'.

Independente de se concordar ou não com o uso deste conceito para se referir aos BRICS, o fato é que nestes países os investimentos mais importantes, que promovem o desenvolvimento econômico e social, são feitos tanto pelo Estado, como pelo setor privado.

Logo, nos BRICS, temos uma nítida combinação de ação estatal e particular, ao mesmo tempo, que gera o rápido crescimento de suas economias e que as leva para o clube das maiores economias mundiais em poucos anos ou décadas.

A China, hoje, já é a segunda maior economia do mundo, enquanto o Brasil é a sexta. Índia e Rússia também avançam no ranking.

Em um futuro relativamente próximo (talvez em 10 ou 15 anos, no máximo, o que não é nada em termos históricos) as 5 maiores economias do mundo serão: China, EUA, Índia, Japão, Brasil e Rússia. Não teremos nenhuma nação européia nesse clube e 4 dos 5 países dos BRICS farão parte do mesmo. Atualmente, se somarmos o PIB dos países membros dos BRICS teremos um total de aproximadamente US$ 14 trilhões, quase igual ao dos EUA e pouco superior ao da UE.

Assim, EUA, BRICS e UE são, hoje, as maiores economias do mundo. E no caso dos BRICS o modelo sócio-econômico adotado está longe de poder ser comparado ao Neoliberalismo puro e duro que é imposto nos EUA e na UE.

Aliás, essa combinação de investimentos públicos e privados, e de capital nacional e estrangeiro, sempre fez parte do modelo econômico chamado de 'Desenvolvimentista' e que foi implantado no Brasil a partir, principalmente, do governo JK (1956-1961). Neste, por exemplo, tivemos a entrada da indústria automobilística no Brasil, principalmente de origem européia, ao mesmo tempo em que o Estado brasileiro fez significativos investimentos em siderurgia, rodovias, petroquímicas, entre outros setores fundamentais para o desenvolvimento do país.

E os próprios governos de Lula e de Dilma procuraram, nos últimos anos, criar grandes grupos de capital nacional, com significativa participação estatal, que receberam aportes do BNDES (via crédito ou mesmo participação acionária) e que tem plenas condições de se transformarem em empresas multinacionais brasileiras competitivas globalmente.

Aliás, a criação de empresas com essas características, recebendo forte apoio estatal (crédito farto e barato, impostos reduzidos, educação e qualificação da força de trabalho) para que tornasse competitiva em todos os grandes mercados mundiais, foi um dos fatores que mais contribuiu para o rápido desenvolvimento econômico de países como Japão e Coréia do Sul no Pós-Guerra.

Portanto, a política de concessão de aeroportos levada adiante pelo governo Dilma, mostra que ao mesmo tempo em que o Estado aumenta os seus investimentos públicos (tanto na infra-estrutura, como na área social) isso não irá resultar em falta de estímulo ou de apoio estatal para a realização de investimentos privados no setor. 

Na verdade, ambos os investimentos, públicos e privados, se completam e são absolutamente essenciais para que o Brasil continue crescendo, gerando empregos, distribuindo renda e construindo uma Nação cada vez mais rica, moderna, justa, soberana e democrática.

O resto é conversa fiada para boi dormir de quem adora Ditaduras, seja a do Estado Burocrático (os Stalinistas), seja a do Mercado Financeiro (os neoliberais).