domingo, 27 de novembro de 2011

O PT em seus primeiros anos! - por Marcos Doniseti!

O PT em seus primeiros anos! - por Marcos Doniseti! (atualizado no dia 28/11/2011)



Nos primeiros anos de sua existência, o primeiro caminho escolhido pelo PT, que foi  marcado pelo purismo e por um significativo sectarismo, deu errado, levando Lula a ser derrotado em 3 eleições presidenciais consecutivas (em 1989, para Collor e em 1994 e em 1998, para FHC).

Naquela época, nos seus primeiros anos, o PT 'optou' pelo isolamento político, recusando-se a fazer alianças com outros partidos. Em 1989, por exemplo, os únicos partidos que se coligaram ao PT na eleição presidencial foram o PSB e o PCdoB.

Esta estratégia de isolamento fracassou com as derrotas de Lula em 1989 e em 1994, embora nesta eleição já se defendesse alianças mais amplas, mas que não se concretizaram naquele momento. Esta foi uma época em que o PT recusava alianças até com partidos como o PDT brizolista. E vejam que este era o PDT de Brizola e não o do Carlos Lupi, hein!

Esse isolamento político foi fatal para Lula, principalmente em 1989. Afinal, fora o PT, apenas o PCdoB e o PSB o apoiaram. Lembro quando Lula recusou-se a pedir o apoio de Ulysses Guimarães e do PMDB, no 2o. turno, para derrotar Collor. E olha que o PMDB, na época, dominava quase que inteiramente o Congresso Nacional (tinha maioria absoluta na Câmara dos Deputados e no Senado) e possuía 22 dos 23 governadores de estado. Apenas em Sergipe tivemos a vitória do PFL (ver mapa abaixo).

Lula não pediu o apoio de Ulysses e do PMDB e foi derrotado. Lula perdeu para Collor? Não. Ele perdeu para o purismo e para o sectarismo que dominavam o PT naquele momento, incluindo, praticamente, todas as diferentes lideranças e tendências existentes no partido, tantos as mais moderadas, como as mais radicais.

A postura sectária e purista do PT foi o que inviabilizou qualquer possibilidade de vitória de Lula em 1989. E para agravar ainda mais a situação, Collor contou com um maciço apoio da Grande Mídia e do grande empresariado. Calcula-se que cerca de US$ 200 milhões foram 'investidos' na campanha de Collor, apenas no segundo turno da eleição. O próprio Collor reconheceu, posteriormente, que houve uma enxurrada de dinheiro privado em sua campanha no 2o. turno, dado o temor dos empresários com a possibilidade de vitória de Lula.

Em 1994 e em 1998 não havia muito o que o PT pudesse fazer, devido ao Plano Real. Antes da adoção do Plano Real, Lula liderada disparado todas as pesquisas eleitorais. Chegou a ter 42% das intenções de voto. Mas, isso se devia mais em função do forte desgaste do governo Collor-Itamar, marcados pelas privatizações desnacionalizantes, recessão, desemprego, arrocho salarial, aumento da pobreza e da miséria.

Porém, o Plano Real mudou radicalmente este cenário e, após a sua implantação, em 01/07/1994, bastaram 3 semanas para que FHC ultrapassasse Lula nas pesquisas e caminhasse rumo à vitória, sem maiores dificuldades. Os brasileiros ansiavam, já há muito tempo, pela estabilidade econômica, e isso foi fundamental para que o plano, em um primeiro momento, fosse muito bem visto pela maioria absoluta da população.

Enquanto isso, o PT foi encarado, por uma expressiva parcela da população, como um inimigo da estabilidade econômica, devido às críticas feitas inicialmente ao plano. E a campanha de FHC soube explorar bem essa acusação, nas duas eleições presidenciais, 1994 e 1998, amedrontando e aterrorizando a população ao dizer que se Lula vencesse a eleição ele acabaria com o Plano Real.

Por isso é que, depois de duas derrotas seguidas, para Collor e FHC, em 1989 e em 1994, é que a partir da eleição de Zé Dirceu, em 1995, para a presidência do PT, tal política de isolamento político começou a ser abandonada e o PT se abriu para fazer alianças bem mais amplas, bem como para promover um crescente processo de profissionalização das suas campanhas eleitorais, com a contratação de publicitários renomados, cabos eleitorais pagos, entre outras medidas que visavam fortalecer eleitoralmente o PT e levar Lula à presidência da República.

Como diz Lincoln Secco, em seu livro, 'História do PT', ocorreu um crescente processo de burocratização do partido, com seus líderes e militantes ocupando cargos públicos, de confiança ou de assessoria, por exemplo. Os militantes perdem espaço no PT e a burocracia partidária, profissionalizada, se fortalece cada vez mais, junto com os petistas que passaram a ser eleitos, em números crescentes para ocupar cargos em prefeituras, governos estaduais e no Parlamento (municipal, estadual e federal).


Quanto à questão das alianças , elas se ampliaram e já em 1998, por exemplo, Leonel Brizola foi o vice de Lula. Inclusive, em muitos momentos e a campanha Lula e Zé Dirceu é que pediram para que Brizola moderasse as suas críticas ao governo FHC. Esta foi a primeira vez em que o PT se aliou ao PDT em uma eleição presidencial e Brzola mostrou-se mais radical no discurso do que os próprios petistas. 

E esbravejar e atacar os governos de plantão era a política do PT até 1994 e, nas campanhas presidenciais, o discurso petista limitava-se a isso, deixando de lado a apresentação de programas de governo, erro este que foi corrigido posteriormente, principalmente em 2002, quando Lula foi vitorioso.

Quem não se lembra do 'Fora FMI' e do 'Moratória Já' e outros slogans do mesmo tipo, que assustavam até os segmentos mais moderados das classes médias e dos empresários?

O PT era muito bom para esbravejar, para criticar, mas esquecia de mostrar para a população o que ele faria caso chegasse à presidência da República. Somente em 1998 é que essa postura começou a mudar. Mas, o processo de trasnformação do PT em um partido político destinado a vencer eleições ainda estava em andamento e não estava totalmente consolidado. As lembranças, mesmo entre o eleitorado, daquele PT radical, sectário e purista dos primeiros tempos ainda estavam muito fortes. E isso assustava não apenas os empresários e as classes médias tradicionais, mas até segmentos expressivos das camadas populares, sem a tradição de se mobilizar e de se mobilizar politicamente e que viam no PT um partido de 'baderneiros'.

André Singer, em seu excelente estudo 'As Raízes Sociais e Ideológicas do Lulismo', mostrou que essa visão de setores mais populares do eleitorado em relação ao PT como um partido de 'baderneiros' foi muito importante nas derrotas de Lula em 1989, 1994, e em 1998, levando a que os mesmos preferissem votar em Collor e em FHC.

E o PT pré-1995, anterior à eleição de Zé Dirceu para a presidência do partido, a meu ver, sofria de um outro problema sério: Ele não era um partido, de fato, mas uma grande Frente de Esquerda, com inúmeras correntes se digladiando pelo poder internamente. Existiam até mesmos tendências que, na verdade, atuavam como um 'partido dentro do partido' e que se utilizavam da estrutura petista em seu próprio proveito. Estas tendências internas tinham estratégia, jornais, sedes  e finanças próprias, inteiramente separadas das do PT.

E os conflitos entre elas era muito significativo e tomava a maior parte do tempo e da energia dos seus integrantes. Dias atrás, Plínio de Arruda Sampaio disse que o maior problema do PSOL é justamente. Bem, o PT, antigamente, era um PSOL dezenas de vezes maior.

Gastava-se tanto tempo e energia nestes conflitos internos, que não sobrava nem um e nem outro para apresentar as propostas do partido para a sociedade e convencer a população deste projeto e muito menos para combater os adversários. O partido não fazia isso, até porque o partido, mesmo, não existia. Existia uma grande Frente Esquerdista e na qual coexistiam, inclusive, tendências que desprezavam o processo eleitoral e que ainda diziam que a democracia 'burguesa' era uma farsa.


Foi somente quando percebeu que tal política, sectária e isolacionista, estava condenada ao fracasso é que o PT tomou um outro rumo, o que aconteceu com a partir de 1995, quando Zé Dirceu se elegeu presidente do partido com o total apoio de Lula. Na verdade, já na campanha presidencial de 1994, Lula tentou se desvencilhar da direção do partido que, naquele momento, se encontrava sob o controle das tendências mais esquerdistas e sectárias. O resultado disso, que foi a divisão entre o comando da campanha de Lula e a direção do PT, contribuiu para a segunda derrota seguida de Lula.

E não foi o lulismo que destruiu com a chamada 'Utopia de Esquerda', como alguns críticos do PT atual afirmam, a meu ver.

O grande problema é que com estas posturas sectária e purista Lula e o PT não conseguiram se viabilizar política e eleitoralmente no país a ponto de vencer uma eleição presidencial e derrotar as forças da Direita conservadora. Tal proposta política, fortemente isolacionista, nunca teve apoio popular suficiente para ser vitoriosa em eleições presidenciais. E Lula e o PT não conseguiram esse apoio pois seu projeto era isolacionista, sectário e purista.

Enquanto isso, na hora de derrotar Lula e o PT, as forças conservadoras deixavam as diferenças de lado e se uniam, levando-as à vitória em 1989, 1994 e 1998.

Além disso, caso Lula tivesse vencido a eleição em 1989, seu governo dificilmente se sustentaria por muito tempo e a radicalização política-social (estimulada pela sua vitória na eleição e pela reação das forças conservadoras contra o seu governo) atingiria níveis estratosféricos.

Ocorreu um caso, naquela época, que mostrava muito bem o quanto Lula era mal visto pelas forças mais conservadoras, tanto de classe alta, como de classe média mais tradicional. Lula esteve no estádio do Morumbi poucos dias antes da eleição no 2o. turno, contra Collor, e foi fortemente hostilizado pelos torcedores, principalmente os que se encontravam nas cadeiras numeradas do estádio são-paulino, que era frequentado por um público, basicamente, de classe média mais conservadora. Esse episódio, aparentemente isolado, mostrava bem o quanto Lula teria dificuldades para governar, naquele momento, caso tivesse vencido as eleições.

Se a oposição ao seu governo, entre 2003-2010, foi brutal, violenta e radical, por parte das forças conservadotas, mesmo com ele fazendo um governo moderado de Centro-Esquerda, imaginem o que não teria acontecido entre 1989-1994, quando Lula e o PT adotavam um discurso muito mais agressivo?

E também não se pode esquecer que aquela eleição presidencial de 1989 foi diferente das subsequentes, pois ela foi solitária. Votamos apenas para presidente da República. O Congresso Nacional que existia, naquele momento, tinha sido eleito em 1986 e, no mesmo, o domínio do PMDB era total e absoluto, pois o mesmo havia sido eleito no ano do Plano Cruzado. Os governadores de estado e os deputados estaduais também tinham sido eleitos em 1986. O PMDB elegeu 22 dos 23 governadores de estado em 1986.Somente o estado de Sergipe elegeu um governador do PFL.

Logo, a presença do PT na política institucional brasileira, naquele momento (1986-1994), era bastante frágil, com poucos deputados, senadores e governadores que pudessem dar sustentação política a um eventual governo Lula.

Este Congresso Nacional e os governadores e deputados estaduais, eleitos em 1986, somente foram renovados na eleição de 1990 e tomaram posse no ano seguinte, 1991.


Logo, caso tivesse vencido a eleição presidencial de 1989, um eventual governo de Lula teria que se entender com o PMDB, que era amplamente majoritário, nas três esferas de governo: municipal, estadual e federal.

Um cenário político-social muito semelhante com o existente em 1963-1964 teria se instalado no país e as chances de Lula não terminar o seu mandato seriam muito grandes, tal como aconteceu com Jango. Isso era inevitálvel? Não. Mas, era uma possibilidade concreta, sem dúvida alguma.

E se formos estudar um pouco mais a história brasileira, veremos que sempre que tivemos um processo de radicalização política-social no Brasil, quem saiu vitorioso do mesmo foram as forças das Direitas conservadoras e não as Esquerdas. Vide o que aconteceu em 1935-1937 e em 1964, em que forças de Direita e de Esquerda se enfrentaram abertamente. Em ambas as ocasiões, as forças conservadoras saíram vitoriosas.

Assim, entendo que o PT, enquanto partido político destinado a vencer eleições, propriamente dito, começou a existir, apenas, em 1995. Antes, ele não era um partido, mas uma grande Frente de Esquerda, dentro da qual cabia a maior parte das forças da Esquerda brasileira da época. Ele era o 'partido ônibus' das Esquerdas. Era o PMDB das Esquerdas.

Enquanto atuou como Frente, e não como partido, o fato é que o PT fracassou na sua tentativa de derrotar as Direitas e de levar Lula à presidência da República.

E foi este fracasso que levou Lula a mudar o rumo do PT e a apoiar a candidatura de Zé Dirceu para a presidência nacional do partido, em 1995. Foi a partir deste momento que a idéia de transformar o PT em um partido político propriamente dito, com um mínimo de unidade interna e com um discurso para o público externo que fosse coerente com a linguagem interna dos petistas e que priorizasse a obtenção de vitórias eleitorais crescentes ganhou força e tornou-se hegemônica dentro do PT.

Isto era algo que a Articulação, liderada por Lula, se propunha a fazer desde a sua formação, em 1983, mas ela somente conseguiu maioria no partido para impor tal política a partir de 1995, quando Zé Dirceu se elegeu presidente do PT. Antes, isso era inviável, dada a força de lideranças e tendências do partido que eram contrárias a tal proposta. Mesmo a vitória de Zé Dirceu para a presidência doPT, em 1995, foi bastante apertada e a mesma acirrou os conflitos internos dentro do partido.


Foi sob o comando desta nova direção, inteiramente apoiada por Lula e tendo Zé Dirceu como presidente nacional do partido, que o PT começou a moderar o seu discurso e as suas práticas políticas, bem como a fazer alianças políticas e eleitorais mais amplas, que Lula conseguiu liberdade e apoio suficiente do PT para conduzir, em 2002, uma campanha eleitoral que viabilizou a sua eleição para a presidência da República. 

Assim, estes foram, sem dúvida alguma, alguns dos fatores mais importantes que abriram caminho para a vitória de Lula na eleição presidencial de 2002.

Links:

As eleições no Brasil:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_no_Brasil

Raízes sociais e ideológicas do lulismo - por André Singer:

http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1356

PT: Um Partido para a América Latina - por Lincoln Secco

http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/TD86-lincoln.pdf

Lula e sua herança - por Wanderley Guilherme dos Santos:

http://www.cartacapital.com.br/politica/lula-e-sua-heranca/

PT 30 anos:

http://www.fpabramo.org.br/tags/tags-1345

O Zé Dirceu realmente existente - por Emir Sader

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=166030

domingo, 20 de novembro de 2011

O governo Dilma, a estratégia da Direita e a eleição presidencial de 2014! - por Marcos Doniseti!

O governo Dilma, a estratégia da Direita e a eleição presidencial de 2014! - por Marcos Doniseti!


A estratégia da direita tupiniquim é clara: tentar provocar uma crise gigantesca no Brasil, para ganhar a eleição presidencial em 2014.

Mas como o Brasil está com a economia fortalecida, muito sólida e se encontra abarrotado de reservas (internas e externas) o jeito para ela tentar ganhar a eleição de 2014 é tentar provocar um novo Apagão, ou seja, um novo racionamento de energia elétrica de alcance nacional, tal como aquele que tivemos durante o governo FHC.

Pesquisas recentes, feitas de encomenda pelo Ibope para o PSDB, confirmam que se a eleição presidencial fosse realizada hoje, Dilma teria uma vitória folgada, tanto sobre Aécio, como sobre Serra, com cerca de 54% a 58% de vantagem sobre os dois candidatos tucanos.

Neste contexto, a Direita troglodita tupiniquim sabe que, sem que o Brasil passe por uma nova e gravíssima crise, durante o governo Dilma, a chance dela de vencer a eleição presidencial em 2014 é ZERO!

Sem uma crise econômica de grandes proporções ou uma crise energética de grande alcance, que desgaste fortemente o seu governo, Dilma irá se reeleger em 2014. E a Direita reacionária brasileira já percebeu isso, é claro.

Por isso é que ela está fazendo essa campanha contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Afinal, se a economia brasileira continuar crescendo muito nos próximos anos e os investimentos na geração e transmissão de energia não forem realizados, aumentam consideravelmente as chances de que o Brasil venha a sofrer com um novo racionamento de energia elétrica de grandes proporções. 
Outra coisa: Penso que a Grande Mídia já se tocou que derrubar ministros não enfraquece Dilma. Quando um ministro sofre um desgaste político muito grande, mesmo que não seja culpado de nenhuma das acusações que lhe fazem, Dilma simplesmente troca o ministro e toca a vida. 

E como o novo ministro é sempre do mesmo partido daquele que saiu do governo, a base de sustentação do governo no Congresso Nacional não é prejudicada com este fato. No caso do ministério do Esporte, por exemplo, saiu Orlando Silva, do PcdoB, e entrou Aldo Rebelo, do mesmo partido.

Com isso, o PcdoB permaneceu como um partido integrante da base de sustentação do governo Dilma no Congresso Nacional.

O objetivo desta campanha midiática contra ministros do governo Dilma é desgastar o governo atual, é claro, mas também visa enfraquecer a imagem do governo anterior, do presidente Lula, pois vários dos ministros afastados foram indicados ou já integravam o governo do líder operário petista.

A 'pauleira' feita pela Grande Mídia e pela oposição demotucana para cima do ministro Orlando Silva foi muito forte em função da realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Brasil, pois foi o então presidente Lula que conseguiu trazer as duas competições (principalmente as Olimpíadas) para o Brasil. Então, atacar Orlando Silva era uma forma de tentar desgastar o presidente Lula, é claro. O alvo, na verdade, não era nem a presidenta Dilma, mas o presidente metalúrgico.

Mas, agora, com o câncer de laringe de Lula, a Grande Mídia vai ter que pegar mais leve com ele. Afinal, é feio baixar o sarrafo em alguém doente, não é mesmo?

Como parte dessa estratégia de tentar enfraquecer a imagem de Lula, o ex-presidente FHC chegou a declarar, em várias oportunidades, que os ministros demitidos do governo Dilma que vieram do governo Lula constituíam uma 'herança maldita de fisiologia e de corrupção'.

Mais claro do que isso, é impossível. 
Mas, como Dilma reage com calma e substitui os ministros sem gerar maiores problemas na base de sustentação do seu governo, a oposição midiática já deve ter percebido, claramente, que essa campanha contra ministros não deu resultado algum, sem sequer arranhar a popularidade do governo Dilma. E muito menos diminuiu a popularidade de Lula.

Então, qual é a solução para tentar enfraquecer o governo Dilma?

Tentar provocar uma crise econômica não dá, pois a economia brasileira está muito forte e é a que se encontra melhor preparada, no mundo inteiro, para enfrentar a crise do capitalismo neoliberal globalizado. Essa avaliação foi feita, recentemente, até mesmo pelo banco Goldman Sachs, dos EUA.

O governo brasileiro tem cerca de R$ 1 trilhão em reservas (internas e externas) para usar no combate à crise. A taxa de juros brasileira também tem como ser reduzida, pois está em cerca de 4,5% ao ano acima da inflação (juro real; A taxa Selic está em 11,5%, contra uma inflação anualizada de 7%). Logo, ainda existe margem de manobra para reduzir os juros, o que irá contribuir para combater a crise.

E ainda poderão ser tomadas medidas como a redução de impostos para bens de consumo como automóveis, eletroeletrônicos, móveis, entre outros.

E o governo Dilma também poderá, por exemplo, elevar os valores investidos em programas sociais, como o Bolsa-Família. E em janeiro próximo, o salário mínimo terá o seu maior aumento real em muitos anos, pois sofrerá um reajuste de 14%, indo para R$ 620.

Tudo isso poderá ser utilizado pelo governo Dilma para combater um eventual, e muito provável, agravamento da crise global, principalmente na União Européia.

Então, sem crise 'moral' (corrupção), sem crise econômica e sem uma crise energética para desgastar Dilma, sobra o que para a Direita falar na campanha presidencial de 2014? O aborto... De novo!

Assim, tudo indica que daqui até 2014 vai ser 'pau puro' no Governo Dilma, por parte da Grande Mídia, em tudo quanto é assunto. Se bobear, irão culpá-la até pela extinção dos dinossauros.

Essa foi a política adotada, pela Grande Mídia e pela oposição do PSDB-DEM-PPS com o governo Lula e não mudou nada em relação a Dilma. A Direita golpista vai nessa toada até 2014. 


Aliás, essa é a política das elites golpistas e reacionárias tupiniquins desde o governo de Getúlio Vargas. Este sempre foi violentamente pela UDN, pela Grande Mídia e pelo governo dos EUA. 


Vargas vivia sendo acusado de ser 'bandido, corrupto' e outras asneiras e mentiras abjetas que também foram usadas para atacar os governos de Jango, Lula e, agora, Dilma. Inclusive, o discurso usado contra Vargas, Jango, Lula e Dilma é o mesmo. Não mudou absolutamente nada. 


As críticas que se faziam, por exemplo, às leis trabalhistas também são usadas para atacar o Bolsa-Família.


Quando Vargas criou as leis trabalhistas, as Direitas reacionárias da época diziam que elas iriam 'desestimular' os trabalhadores, que não iriam mais trabalhar. E hoje fala-se a mesma bobagem monumental a respeito do Bolsa-Família.


As Direitas retrógradas tupiniquins são tão burras e obsoletas, intelectual e historicamente, que sequer se deram ao trabalho de elaborar um discurso diferente, preferindo repetir, contra Lula e Dilma, as mesmas baboseiras que eram usadas para atacar Vargas e Jango. Não mudou nada. 


Tais elites obscurantistas e reacionárias nunca aceitaram a adoção do monopólio estatal do petróleo e a criação da Petrobras e tampouco a criação das leis trabalhistas. Aliás, estas somente se tornaram realidade devido às lutas dos trabalhadores e à ação do Estado, que criou a Justiça do Trabalho, garantindo um patamar mínimo de respeito aos direitos dos trabalhadores. 

Assim, a Direita reacionária, em 2014, deverá centralizar a campanha em cima de questões como drogas, comportamento sexual ('casamento gay'), aborto e coisas do tipo. Foi exatamente isso que George Bush fez para derrotar Al Gore, no ano 2000. E é claro que continuarão usando o discurso pseudo-moralista, sobre a corrupção, pois este é o único assunto sobre o qual eles falam, o tempo inteiro. 

E porque as Direitas adotam esta estratégia? Simples: esta é a maneira que elas encontram de esconder da população o seu verdadeiro projeto de governo, que é o de criminalizar os movimentos sociais (vejam como Serra e Alckmin trataram os estudantes da USP e os demais movimentos sociais), de destruir com os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, de privatizar e terceirizar tudo (incluindo a saúde e a educação), de desnacionalizar a economia do país, enfim, é a imposição do projeto Neoliberal.


O problema é que ao se usar um discurso neoliberal, em campanhas eleitorais, torna-se inviável vencer as eleições, pois a maioria absoluta da população rejeita tal política. E é por isso que, em todas as campanhas, as Direitas neoliberais evitam de discutir o seu projeto político-social, e desviam os temas a ser debatidos em campanha para questões como aborto, religião, drogas, comportamento sexual, a fim de explorar o conservadorismo da maioria dos brasileiros a respeito destes assuntos (algo que já foi constatado por inúmeras pesquisas). 


Esta foi, aliás, a estratégia usada, com sucesso, por George Bush na eleição presidencial americana do ano 2000. 

Como o governo de Bill Clinton era muito bem avaliado pela população e a economia havia crescido muito durante o seu mandato, Bush centralizou a sua campanha em questões religiosas ou morais, conseguindo (com a ajuda de muitas fraudes eleitorais, sem dúvida alguma, principalmente na Flórida) vencer a eleição presidencial, mesmo fazendo oposição a um governo muito popular. 
O que vimos recentemente na USP, com essa repressão violentíssima em cima dos 'estudantes maconheiros' por parte da PM paulista, comandada pelo 'bom moço' que governa São Paulo, Geraldo Alckmin, já faz parte desse ensaio do uso de uma prática e de um discurso moralista (falso e hipócrita, sem dúvida alguma, mas que sempre atrai uma parcela mais conservadora da população, principalmente entre as classes médias e alta) para a eleição de 2014.

Logo, é muito provável que a Direita retrógrada brasileira venha apelar para o mesmo discurso, em 2014, que Bush usou em 2002 e do qual Serra também já se utilizou em 2010.

Portanto, tudo aponta para o fato de que a campanha presidencial da Direita, em 2014, e independente de quem for o seu candidato, será ainda mais suja e brutal do que aquela que o candidato tucano, José Serra, já fez em 2010.

Preparem-se, portanto, pois muita 'lama' e muito discurso reacionário e pseudo-moralista será empregado, até 2014, pela Direita reacionária e golpista tupiniquim.


Links:

Rede de corruptos' é herança de Lula para Dilma, avalia FHC


Brasil tem R$ 1 trilhão para combater a crise


EPE PREVÊ R$ 1,019 TRILHÃO DE INVESTIMENTOS EM ENERGIA ATÉ 2020


MÔNICA SERRA: DILMA É A FAVOR DE MATAR CRIANCINHAS



A Grécia, os EUA, Gramsci e o efeito Orloff! - por Marcos Doniseti!

A Grécia, os EUA, Gramsci e o efeito Orloff! - por Marcos Doniseti!
Quando o assunto é a crise do capitalismo neoliberal gloabalizado, um fato que pouco se comenta a respeito é que a dívida pública TOTAL dos EUA (reunindo as 3 esferas de governo:federal, estadual e municipal) chega a 150% do PIB. 

Geralmente, a Mídia divulga que a dívida ianque é de 100% do PIB (ver link abaixo). Mas esta é apenas do governo federal dos EUA. Porém, quando se leva em consideração, também, as dívidas dos estados e cidades americanas, a mesma atinge gigantescos 150% do PIB.

E o déficit público dos EUA está em torno de 9% do PIB, outra enormidade.

Enquanto isso, a Grécia faliu com uma dívida pública de 165% e um déficit público de 8,5% do PIB.

No aspecto das contas públicas, portanto, os EUA são uma Grande Grécia, mas com uma economia muito mais rica, competitiva e diversificada, é claro.

Mas, por aí se vê o tamanho do abacaxi ianque que os próximos governos do país terão que descascar, de uma forma ou de outra.

Por isso mesmo que fazer uma nova guerra no Oriente Médio, contra o Irã, quando a prioridade da política externa de Obama é a Ásia Central, seria uma gigantesca burrice. 

Até porque, tal guerra representaria uma nova fonte de gastos para o governo dos EUA, aumentando ainda mais a dívida e o déficit públicos. Vejam só o caso das Guerrsa do Iraque e do Afeganistão, nas quais os EUA gastaram a 'módica' quantia de US$ 3 trilhões. 

E uma guerra contra o Irã seria um caso totalmente diferente do da Líbia. Nesta, um ditador brutal, que reprimia violentamente o seu próprio povo, foi derrubado com ajuda interna. No Irã, nada disso aconteceria, até porque o governo do país desfruta, sim, de grande apoio popular. 

Além disso, os iranianos não nutrem qualquer simpatia pelos EUA, muito pelo contrário. 

Os EUA são duramente atacados, pelos iranianos, em função do fato de que o único governo verdadeiramente liberal e democrático da história do país, o de Mossadegh, foi derrubado através de um Golpe de Estado organizado pela CIA e pelo MI-6, o serviço secreto britânico, quando Eisenhower e Churchill governavam os EUA e o Reino Unido, em 1953.

A situação dos EUA somente não é pior porque o mundo inteiro, principalmente a China, financia o déficit externo dos EUA. 


Quanto à China, ela já começou a fortalecer o seu mercado consumidor interno justamente poder diminuir a sua dependência em relação às exportações. Esta é, aliás, a grande prioridade do governo chinês nesta década (2011-2020).


E a China somente não abandona o dólar de uma vez porque ela teria um gigantesco prejuízo com isso. Se ela jogasse os dólares e os títulos públicos ianques no mercado internacional, o valor dos mesmos iria desabar e ela, China, teria um gigantesco prejuízo.

Porém, nas próximas décadas, a China irá procurar diminuir a compra e a quantidade de dólares e de títulos dos EUA em seu poder. Apenas é bom notar que ela terá o cuidado de fazer isso sem que ela mesma seja prejudicada por tal processo. Daí o fato de que ela desenvolverá tal política com muita cautela e numa velocidade não muito rápida, é claro.

E jogar os EUA numa brutal recessão, que é o que aconteceria se a China parasse de financiar os EUA e se livrasse destes débitos ianques, não é também do interesse chinês, visto que os chineses tem um imenso superávit comercial com os EUA e os mesmos são o maior mercado de exportações chinês.

Logo, a estratégia chinesa é a de promover mudanças graduais neste cenário, sem que isso provoque um baque repentino na economia mundial, o que prejudicaria fortemente a própria China.

E não se esqueçam de que a China é uma civilização milenar, com mais de 5 mil anos de história. Eles não são governados por um banco de irresponsáveis ou de 'porra-loucas', muito pelo contrário. Seus dirigentes são cautelosos e pensam muito bem antes de fazer algo. Perto deles, ainda estamos engatinhando.

No entanto, as diferenças entre as economias dos EUA e da Grécia, que são imensas, como eu mesmo já afirmei aqui, não podem ser usadas para escamotear o fato de que a economia ianque enfrenta, sim, uma crise gravíssima e que serão necessários muitos anos até que ela volte a crescer, de fato.

A redução do déficit público e da dívida pública ianques não se farão sem um custo econômico e social elevado, como o aumento de desemprego, da pobreza e da miséria. 

Aliás, isso já está em pleno andamento e há vários anos. E a tendência é que isso continue e por muito tempo, ainda.
 
Além disso, depois que essa crise for superada (se for...) daqui a muitos anos, os EUA sairão muito menor e enfraquecidos da mesma. Até lá, os BRICS já terão crescido bastante e aumentado ainda mais a sua inflência na economia global. A parcela dos EUA na economia mundial, que diminui a cada década, será bem menor do que a atual. 
 
A queda dos EUA somente não será mais rápida, porque não existe, ainda, no mundo, um país ou um bloco de países em condições de fazer o que os EUA fazem hoje: emitir a moeda reserva de valor e que é a mais utilizada nas trocas internacionais.

O Euro cresceu muito nas últimas décadas, mas o dólar ainda representa 60% das reservas globais governamentais... Mas, há 30 anos, ele representava mais de 90%. Logo, a queda do dólar já está em pleno andamento.

Com o fortalecimento das economias dos BRICS, fatalmente em algum momento, nas próximas décadas, suas moedas passarão a ser vistas como um ótimo investimento pelos investidores globais e comporão grandes das reservas internacionais e serão muito mais usadas no comércio internacional do que são atualmente. E elas deverão vir a fazer parte de algum tipo de 'cesta de moedas' que deverá substituir o dólar, já que este valerá cada vez menos. 
 
Quanto ao corte de gastos militares, como é sugerido por alguns para combater a crise ianque, isso é muito fácil de falar e muito difícil de ser feito, dada a força do lobby armamentista nos EUA. Tanto que os EUA acabaram de participar da Guerra da Líbia e já se preparam para um novo conflito, contra o Irã. Assim, como será possível cortar gastos militares, se o envolvimento dos EUA em guerras aumenta cada vez mais? Sem chance. 
 
E vejam que os Republicanos e os membros do Tea Party nunca falam em corte de gastos militares. Falam em cortar direitos sociais, trabalhistas, salários, gastos com previdência e assistência social. Mas cortar gastos militares, disso eles não falam, não. 
 
A decadência dos EUA já está em pleno andamento e, na verdade, ela começou por volta de 1965-1975, quando alguns  acontecimentos abalaram o seu poderio: o fim do padrão-ouro de dólar, o escândalo de Watergate, a derrota na Guerra do Vietnã e a Grande Recessão de 1974-1975, com o primeiro Choque do Petróleo. A atual crise econômica enfrentada pelos EUA é mais um capítulo deste longo processo de decadência do Império Ianque.
 
Desde essa época, o poderio ianque está diminuindo em termos globais. 
 
Mas, a história demonstra que a queda de Impérios (todos os que já existiram na história, em algum momento, desmoronaram... Com os EUA não será diferente) é um processo longo, demorado, complexo e repleto de crises. Foi isso o  que aconteceu com o Império Romano, Chinês, Persa, Britânico, Turco-Otomano, Austro-Húngaro, Russo czarista, Soviético. Todos eles se desmantelaram depois de um longo processo de crise, que foi fragilizando tais impérios... E com os EUA não será diferente. O processo será o mesmo.

A decadência ianque irá atravessar todo o século 21, que será o tempo necessário durante o qual novas potências emergirão no cenário global, como a China, Índia (que eram as duas maiores economias do mundo até o início da Revolução Industrial inglesa, por volta de 1750-1760, e que voltarão a sê-lo, provavelmente, no máximo, até 2050-2060) e o Brasil. Não incluo a Rússia nesta lista porque ela não é uma nova potência, mas uma antiga (e nem tão antiga, assim...) que está tentando voltar a atuar como protagonista no cenário global.

Depois que o processo de transição do mundo, Unipolar, para este novo mundo Multipolar estiver, digamos, 'concluído', lá por volta de 2075-2100, teremos, enfim, um mundo globalizado, de fato, em ação, com China, Índia, Brasil e Rússia atuando fortemente no cenário mundial, e com os EUA, Europa e Japão tendo que dividir espaço com as novas potências, gostem ou não disso.
 
Até lá, porém, muitas guerras e crises acontecerão. Estas representam, a grosso modo, as dores do parto deste novo mundo multipolar que está sendo gerado agora, neste momento histórico. 

Como disse o genial Antonio Gramsci: 
 
"A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem."

Os sintomas mórbidos que vemos hoje são a crise econômica e as guerras, em especial.

Caso os EUA não tomem as medidas necessárias para superar a crise (essencialmente, adotar políticas que levem a uma melhor distribuição de renda, recuperando o mercado consumidor do país) eles poderão se transformar na Grécia do futuro.

Lembrem-se do efeito Orloff: 'eu sou você, amanhã".

Acordem, ianques, senão, daqui a algumas décadas vocês estarão na mesma situação na qual os gregos se encontram atualmente. 

Links: 

Gastos dos EUA em guerras:

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/427/artigo77136-1.htm

Dívida pública dos EUA supera 100% do PIB (obs: esta é apenas a dívida do governo federal dos EUA)

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/divida-publica-dos-eua-supera-100-do-pib

Dívida pública grega sobe a 148,6% do PIB em 2010

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/divida-publica-grega-sobe-a-148-6-do-pib-em-2010

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O PT, o governo Lula e a candidatura de Dilma para Presidente da República! - por Marcos Doniseti!

O PT, o governo Lula e a candidatura de Dilma para Presidente da República! - por Marcos Doniseti 

(texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/06/2010)



Li um comentário de um leitor no blog do Nassif dizendo que, no começo, o PT teria sido um partido ‘revolucionário’.

Revolucionário, de fato, o PT nunca foi.

Até mesmo os quadros egressos da luta armada contra a Ditadura Militar e que ingressaram no partido e ajudaram a fundá-lo, já haviam abandonado a idéia de Revolução violenta como forma de chegar ao poder e de se implantar o Socialismo no país, quando participaram da criação do PT. Logo, o partido jamais encampou esta tese revolucionária como sendo o melhor caminho para se chegar ao Poder.

Muito pelo contrário. A própria fundação do PT, da qual participaram inúmeros movimentos políticos e sociais originários das hiper-fragmentadas Esquerdas brasileiras (movimentos de estudantes, operários, intelectuais, sobreviventes da luta armada, de trabalhadores rurais e de sem-terra, das chamadas minorias, da Igreja Católica ligada à Teologia da Libertação e às CEBs, etc) era um reconhecimento de que o caminho revolucionário não havia sido bem sucedido e que era necessário se recuperar e valorizar a idéia de Democracia, que era quase que totalmente desprezada por todos os setores políticos brasileiros, tanto à Esquerda, como à Direita, até antes do Golpe de 64 e da Ditadura Militar de 21 anos.

O principal líder das esquerdas nacionalistas radicais brasileiras do período pré-64, Leonel Brizola, vivia dizendo para que o então Presidente João Goulart fechasse o Congresso Nacional, pois o mesmo jamais aprovaria as 'Reformas de Base', que era o projeto pelo qual as Esquerdas da época lutavam intensamente.

E tal idéia era compartilhada por grande parte dos líderes e dos integrantes destas Esquerdas e dos grupos Nacionalistas mais radicais daquele período histórico. Brizola não pregava no deserto quando fazia tal discurso, mas era apoiado por grande parte, cada vez mais forte no conjunto dos movimentos políticos e sociais de origem popular daquela época.

Aliás, Jango viu que perdia a liderança destes movimentos sociais para Brizola e, como também era fustigado e violentamente atacado pelas forças conservadoras das Direitas, ele acabou isolado politicamente e incapaz de aprovar as ‘Reformas de Base’ no Congresso Nacional. Inclusive, o ‘Plano Trienal’, elaborado por Celso Furtado, acabou rejeitado no Congresso Nacional justamente porque foi bombardeado tanto pelas forças conservadoras, como pelas forças mais progressistas e nacionalistas.

Assim, havia uma grande dose de descrença, entre os principais líderes e integrantes das Esquerdas e dos grupos Nacionalistas, naquela época, de que as mudanças sociais, econômicas e políticas (as então chamadas ‘Reformas de Base’) de que o Brasil precisava, pudessem ser levadas adiante dentro das regras do jogo democrático.



E as Direitas tupiniquins eram, é claro, na sua grande maioria, no período pré-1964, fortemente contrárias às tais 'Reformas de Base'. Estas eram apresentadas, com grande apoio midiático e do governo dos EUA, como parte de um processo de ‘comunização’ ou de ‘cubanização’ do Brasil. Diziam que Jango iria transformar o Brasil numa ‘nova Cuba’. Aliás, esse era o maior medo do governo de John Kennedy. Este chegou a declarar, na época, que a América Latina era “a região mais perigosa do mundo”.

Assim, os grupos direitistas e conservadores da sociedade brasileira naquele período, temerosos da ascensão política e social das classes populares, decidiram, com decisivo apoio do governo dos EUA (principalmente via CIA e Embaixada dos EUA), interromper este processo de mudanças e de inclusão social e política que eram levadas adiante pelo governo Jango e pelas forças nacionalistas e esquerdistas do período.

Daí, as Direitas brasileiras apelaram, em várias oportunidades, para a organização de Golpes de Estado (1945, 1954, 1955, 1956, 1959, 1961) até que, em 1964, o mesmo foi vitorioso, infelizmente.

Entendo que o PT surge, assim, como parte de uma nova tentativa de segmentos importantes das forças políticas de Esquerda e Progressistas do país e que se desenvolveram na luta contra a Ditadura Militar (movimento pela Anistia, as greves do ABC, a reorganização da UNE, a criação das Centrais Sindicais e do MST, as CEBs da Igreja Católica, os movimentos de artistas e intelectuais, remanescentes da luta armada, etc) para alcançar novamente o poder e transformar a sociedade brasileira numa sociedade justa, democrática e igualitária, mas sem se esquecer dos erros cometidos antes de 1964 e fazendo isso dentro das regras do jogo democrático.

Inicialmente, porém, o PT acabou sendo controlado por grupos políticos e tendências mais radicais e fechadas para a formação de alianças com outros partidos políticos. Se isso ajudou, inicialmente, a consolidar o partido, com o tempo essa postura também inviabilizava ou dificultava fortemente o crescimento do partido junto a outras forças políticas e sociais, como as classes médias urbanas e o empresariado.

Mesmo os acordos com partidos mais próximos ideologicamente ao PT (PDT, PC do B, PSB) eram mal vistos por estas alas mais radicais que controlavam o partido.

Esta foi uma época em que o PT fazia discursos como o ‘Fora FMI’ e ‘Não ao pagamento da Dívida Externa’. Nas campanhas eleitorais, os candidatos petistas acabavam tendo que defender tais propostas, mesmo que não concordassem com elas, e as mesmas assustavam as numerosas classes médias urbanas e, ainda mais, ao grande, rico e poderoso empresariado do país.

Os discursos e as práticas políticas mais agressivas e radicais mantinham as classes médias longe do PT e quando as eleições majoritárias iam para o 2o. turno, as mesmas votavam contra o PT, praticando um voto útil em benefício dos candidatos mais conservadores, que acabavam, assim, vencendo as eleições.

Tal fenômeno ocorreu, claramente, por exemplo, na eleição presidencial de 1989, quando Fernando Collor derrotou Lula, graças ao apoio maciço do grande empresariado, das classes médias e, até, de setores populares influenciados pelo discurso de que o PT era formado por ‘agitadores, provocadores, baderneiros’, discurso este que acabava tendo repercussão junto às camadas populares de extração conservadora e desorganizadas politicamente.

E o próprio fato do PT recusar a fazer alianças com partidos moderados acabavam levando Lula e os candidatos do PT a um crescente isolamento político.

Tais discursos e práticas, no entanto, entraram em colapso e se inviabilizaram após três tentativas fracassadas de se eleger Lula para a Presidência da República.

Depois da terceira derrota de Lula para Presidente, em 1998, ficou claro para Lula e para grande parte dos dirigentes do PT que ou o partido saía do isolamento e se abria para alianças com forças políticas centristas e moderadas, bem como adotava um programa de governo e um discurso mais moderados, ou então o partido corria o risco de entrar em um processo acelerado de crise e de decadência, até que acabasse se tornando mais um caso histórico de partido de origem popular e de esquerda que se inviabilizou devido ao seu sectarismo e à sua recusa em ampliar o seu leque de alianças.

Neste sentido, a direção do PT que assumiu o controle do partido a partir de 1995, quando Zé Dirceu se elegeu presidente da legenda com o apoio de Lula e das alas mais ‘moderadas’ do partido, soube perceber e tirar proveito do fato de que o governo FHC havia levado o PSDB para um processo de ‘direitização’ tão forte que isso havia aberto um espaço no centro do espectro político brasileiro.

Em uma situação normal de temperatura e pressão o partido mais ‘vocacionado’ para ocupar esse vácuo no centro político do país, gerado pela ‘direitização’ do PSDB, seria o PMDB. Mas, a fragmentação do partido em inúmeras lideranças estaduais e regionais que se preocupam, prioritariamente, com a sua própria sobrevivência política, e a ausência de um líder nacional que unificasse as diferentes correntes e lideranças da agremiação (como havia sido Ulysses Guimarães), impediram que o PMDB assumisse o papel de comandar e de liderar as forças políticas centristas e moderadas do país.


Com isso, surgiu um espaço que os novos líderes do PT souberam ocupar e, assim, os novos dirigentes do partido levaram o mesmo a se abrir para alianças com o PMDB, PP, PR, PTB e até mesmo com lideranças conservadoras tradicionais de vários estados do país, como José Sarney no Maranhão.

Desta maneira, o PT caminhou, a partir da derrota na campanha presidencial de 1998, para uma maior moderação do seu discurso e dos seus programas de governo e, ainda, ampliou fortemente o seu leque de alianças, abrindo caminho, também, para um grau maior de profissionalização da sua prática política.

Como exemplo disso, tivemos a contratação, pela campanha de Lula à Presidência da República em 2002, do ‘marketeiro’ político Duda Mendonça, que sofria muitas restrições de inúmeros petistas devido à sua histórica ligação com Maluf.

Foi esse processo que viabilizou a vitória de Lula na eleição presidencial de 2002. E o fato do seu governo ter sido moderado, principalmente no período 2003-2005, também serviu para desarmar grande parte dos setores mais conservadores, que sempre procuraram ‘demonizar’ Lula e o PT, sempre acenando com a possibilidade de que o Brasil mergulharia no ‘caos’ e na ‘desordem’ caso Lula vencesse a eleição presidencial.

Mas, os bons resultados econômicos e financeiros colhidos pelo governo Lula, como a redução da inflação, diminuição da dívida pública, redução dos juros básicos, ampliação do mercado consumidor do país, o aumento das exportações e do superávit comercial, o grande crescimento das reservas internacionais do país, acabaram por mostrar que não havia mais razões para se desconfiar de um governo do PT e tampouco para ‘demonizá-lo’, como acontecia antigamente.

E os resultados, também positivos, alcançados na área social, com o aumento do poder de compra do salário mínimo, a ampliação e a criação de programas sociais de grande repercussão na vida dos mais pobres (como o Bolsa-Família e o Luz Para Todos), a queda significativa da taxa de desemprego, a geração de milhões de novos empregos com carteira assinada, a recuperação da capacidade de investimentos do Estado brasileiro, a retomada da produção industrial e do crescimento econômico (a partir de 2004, dando início a um novo ciclo de crescimento da economia brasileira, que foi o mais longo dos últimos 30 anos, durando cinco anos consecutivos), a redução da pobreza e da miséria, bem como das desigualdades sociais no país, permitiram a Lula terminar o seu primeiro mandato com um elevado nível de popularidade e obter a reeleição, derrotando Alckmin com quase 61% dos votos válidos, quase o mesmo percentual alcançado em 2002 na vitória sobre Serra.

E os resultados ainda melhores alcançados pelo governo Lula em seu segundo mandato, tanto na área econômica, como na área social, elevaram fortemente o nível de popularidade do Presidente, que chegou, agora, em 2010, a 83% de aprovação pessoal.


Desta maneira, as forças políticas e lideranças que apoiaram e sustentaram o governo Lula, mesmo em seus piores momentos (como em 2005), chegam a 2010 com grandes possibilidades de, novamente, vencer a eleição presidencial, com a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff, que desempenhou um papel importante no governo Lula, tanto no primeiro, como no segundo mandato, nos ministérios das Minas e Energia e na Casa Civil, bem como coordenando programas importantes como o do Pré-Sal, o ‘Luz Para Todos’, o PAC e o ‘Minha Casa, Minha Vida’.

Dilma, que será a candidata do PT à Presidente da República, terá o apoio oficial, ainda, do PMDB, PDT, PSB, PC do B e PR, podendo também conseguir o apoio de importantes lideranças do PP e do PTB, mesmo que estes partidos não cheguem a declarar apoio oficial à candidatura de Dilma.

Portanto, as forças políticas da Esquerda Reformista e Progressista do país (que integram partidos como o PT, PDT, PSB, PC do B) junto com lideranças e partidos moderados e centristas (PMDB, PR PTB), formam hoje a coalizão dominante no cenário político brasileiro.

E é fundamental que isso tenha continuidade, porque abre a perspectiva de aprofundar o processo de mudanças e de transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que foram iniciadas pelo governo Lula e que poderão ser aprofundadas num futuro governo Dilma, levando à construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, justa, solidária, fraterna, igualitária, desenvolvida, soberana e respeitada pelo mundo.

Por tudo isso, temos que continuar lutando para eleger Dilma para a Presidência da República, a fim de que possamos dar continuidade aos programas e políticas do governo Lula, a fim de aprofundá-las e, desta maneira, poder continuar mudando o país, melhorando a vida do nosso povo e fortalecendo cada vez mais a Nação brasileira.

Brasil, Urgente, é Dilma Presidente!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

As Esquerdas e as práticas políticas brasileiras!! - por Marcos Doniseti!

As Esquerdas e as práticas políticas brasileiras!! - por Marcos Doniseti!


O Nassif publicou, no blog dele, um texto de um leitor chamado Luis Horacio (ver link abaixo) no qual ele faz uma série de considerações e críticas às Esquerdas brasileiras em geral.

Respondi ao texto do Luiz Horacio lá no blog do Nassif e decidi reproduzir os meus comentários sobre o mesmo aqui no blog. Vamos lá, então:


As Esquerdas e as práticas políticas brasileiras!!


1) 'Os esquerdistas'

R - Já começou mal! Aí vem mais um texto que usa de uma expressão vaga e genérica e que coloca, 'no mesmo saco', grupos e tendências políticas as mais distintas possíveis, com idéias e projetos políticos completamente diferentes. Aliás, o texto inteiro é muito vago e genérico.

Sobre quais 'esquerdistas', exatamente, se está falando aqui? Existem muitos e das mais variadas tendências (reformistas, revolucionárias... e ainda temos os stalinistas, trotskistas, leninistas, guevaristas, maoístas e por ai...). O texto refere-se a quais grupos esquerdistas? O PT? PSOL? PC do B? PSTU? PCO? PCB? Nunca ficamos sabendo, infelizmente.

São tantas as tendências, inclusive as que existem dentro de cada um dos partidos ‘esquerdistas’, que é até difícil conhecer todas em detalhes, saber o que elas defendem. O uso da expressão 'esquerdistas' é uma generalização grosseira que não respeita as diferenças imensas existentes dentro das chamadas 'Esquerdas'.


2) e me desculpem, mas não se pode usar um extremismo desses para fazer a crítica responsável da esquerda.

R - Que extremismo? O autor do texto não diz. E o que é uma crítica 'responsável'? Como diferenciamos uma crítica 'responsável' de uma 'irresponsável'? Quem define o que é uma crítica 'responsável' e uma crítica 'irresponsável'? Você? O César Benjamim? O Otávio Frias Filho? O Papa? O Abominável Homem das Neves?


3) A esquerda ainda tem problemas enormes, graves e atávicos (que ressurgem do vazio do tempo, do nada).

R - Novamente, fala-se genericamente de uma 'Esquerda' que ninguém sabe qual é. E nada surge do nada ou do vazio do tempo. Os problemas que as 'Esquerdas' possuem hoje tem alguma razão de ser, mas daí é preciso estudar muito o assunto para poder compreender as origens dos mesmos e me parece que você não fez isso.


4) estratificações do pensamento, as formas de raciocínio, as tendências sociais que levam a certas posturas e a certos padrões de valores e comportamento.

R - Estas críticas são muito genéricas. Quais estratificações de pensamento? Quais formas de raciocínio? Quais tendências sociais? Quais posturas? Quais padrões de valores e de comportamento? Sem detalhar tudo isso, é impossível debater.


5) Tem muita coisa boa, diga-se de passagem, mas está demonstrando nos últimos anos no Brasil que infelizmente manteve adormecida muita coisa ruim.

 R - Está demonstrado, como? E que coisas ruins são essas que ficaram adormecidas? E é 'muita coisa boa' ou 'muita coisa ruim' para lá e para cá o tempo inteiro. É tudo muito vago e genérico. O autor não especifica nada, nem os grupos esquerdistas aos quais está se referindo, nem detalha os problemas que cita. É complicado!


6) por aí que se abre uma crítica consistente, nem “anti-esquerda”, nem “anti-direita”, mas uma crítica.

R - Críticas têm que ser feitas sempre, seja com relação às posturas das 'Esquerdas ou das 'Direitas'. Mas, é difícil ‘abrir’ uma crítica consistente quando não se sabe, exatamente, quais grupos esquerdistas estão sendo criticados, o que está sendo criticado e assim por diante.


7) O problema é a resistência a melhorar nos pontos que precisa melhorar, a redundância nas limitações, a negativa de evoluir e o apego a jogos de poder ultrapassados, retroativos.

R - Novamente, temos um festival de generalidades. Este é um discurso que pode ser aplicado a muitos grupos políticos (de Direita, Esquerda, etc) que 'se recusam a evoluir, não aprendem com os erros e por aí vai...'. Tais generalidades poderiam estar se referindo a qualquer outro movimento social, político, cultural ou religioso.


8) As alternativas se abrem, a meu ver, mais pelo equilíbrio e pela diversidade, e jamais pela radicalização ou pelo enorme sectarismo (atitude primitiva para a complexidade do séc. 21).

R - Radicalização e sectarismo não são problemas de certos grupos de Esquerda, apenas. Eles acontecem, também, entre grupos de Direita, extremistas islâmicos e por aí vai.

Além disso, quem estudou um pouco a história das Esquerdas sabe que sempre tivemos uma fragmentação em inúmeras tendências e correntes e que sempre ocorreram casos de radicalismo, sectarismo, etc.

Daí, o autor do texto aparece e quer acabar com isso, que tem raízes históricas, concretas, meio que por decreto? É complicado, hein? Baixa-se um decreto e se diz 'Estão proibidos qualquer tipo de radicalização e de sectarismo dentro das Esquerdas!'. E aqueles, que serão muitos, que não obedecerem, o que será feito deles? Irão para o paredão de fuzilamento?


9) Agora, a história das ações de esquerda são muito diferentes do que a “versão oficial” da esquerda. São muito anteriores à resistência frente ao regime autoritário,

R - Mais generalidades, pois não se especifica de qual 'Esquerda' o autor está comentando o tempo inteiro. É claro que as ações das Esquerdas, no mundo inteiro, são anteriores ao Golpe de 64 no Brasil. O mesmo vale para as ações das Direitas. Marx e Engels nasceram e viveram no século XIX, mais de 100 anos antes do Golpe de 64. O movimento Socialista se iniciou também no século XIX. A Revolução Socialista na Rússia foi vitoriosa em Novembro de 1917. Tudo isso ocorreu bem antes, portanto, do Golpe de 64.


10) Essa resistência foi sim instrumentalizada por potências estrangeiras da Guerra Fria (tanto os EUA quanto o URSS e China), espalhando-se pelo mundo todo, e houve planos e ações sistemáticas e persistentes para se derrubar o regime capitalista brasileiro e latino-americano e se implantar – pelo nome atual que se dá hoje – ditaduras comunistas de esquerda,

R – E também tivemos inúmeros planos e ações dos EUA, por exemplo, para organizar, financiar e apoiar Golpes de Estado e Ditaduras Militares por toda a América Latina, começando na Guatemala em 1954, e chegando até a primeira década do século XXI. Veja os Golpes na Venezuela (contra Chávez, em 2002), na Bolívia (contra Evo Morales, em 2008) e em Honduras (contra Zelaya, em 2009). Sem falar das ações dos EUA, principalmente através da CIA, para impedir vitórias eleitorais dos Partidos Comunistas na França, Itália e na Grécia logo depois da Segunda Guerra Mundial, quando tais partidos desfrutavam de uma grande popularidade em seus países. E ainda tivemos o Golpe contra Allende, o assassinato de Patrice Lumumba e por ai vai...

Sim, é verdade, que as Esquerdas do mundo todo, de diferentes maneiras e em épocas distintas, lutaram para levar o Socialismo para o mundo inteiro. Não há novidade alguma nisso.

Mas, faça o favor de não confundir as ações das Esquerdas brasileiras com esse objetivo (e mesmo isso tem que ser discutido de forma mais detalhada para ser melhor compreendido) com as ações políticas de líderes como Vargas, Jango, Brizola, do PTB ou do movimento sindical ligado à eles.

Nenhum dos principais líderes do PTB foi comunista, socialista ou qualquer coisa parecida com isso. Eles eram líderes políticos Trabalhistas. Aliás, o Trabalhismo nada tem a ver com ‘Populismo’. Esta tese do ‘Populismo’ já foi devidamente desmoralizada por estudos mais recentes realizados por autores como Angela de Castro Gomes e Jorge Ferreira, entre muitos outros. Para entender melhor isso, sugiro a leitura de livros como ‘A Invenção do Trabalhismo’, ‘O Populismo e sua História’ e ‘O Imaginário Trabalhista’.

O PTB de Vargas/Jango/Brizola, nos seus últimos anos, caminhou na direção de se tornar um partido tipicamente Social-Democrata na linha escandinava (leia a obra do Luiz Alberto Moniz Bandeira, 'O Governo Jango e as Lutas Sociais no Brasil 1961-1964)).

O PTB defendia a conciliação entre o Capitalismo, a Democracia e a Justiça Social. Nada a ver com o Comunismo revolucionário, portanto.

E o PTB é que foi, no período 1945/1964, o principal partido progressista brasileiro, sendo muito mais forte e popular do que o PCB e do que outros grupos esquerdistas da época. Aliás, os comunistas e os ‘esquerdistas’ mais radicais nunca se conformaram com isso.

O PCB sempre foi minoritário e atraía mais a intelectualidade e estudantes. Ele atuava nos movimentos sociais de extração popular, sim, mas não tinha a maioria nos mesmos.

Assim, como o PCB iria fazer uma Revolução Socialista no Brasil se não tinha apoio popular suficiente para tal iniciativa? Sem chance. Aliás, o PCB, na verdade, não defendia que se fizesse uma Revolução Socialista no Brasil, mas uma Revolução Nacional Libertadora, o que é muito diferente.

Nos demais países da América Latina, os Partidos Comunistas também se recusavam, mesmo depois da vitória da Revolução Cubana e da transformação de Cuba em um país Socialista, a participar de Revoluções Socialistas, preferindo uma estratégia gradual de mudanças sociais, dando prioridade para as lutas políticas e sociais pacíficas.

Tanto isso é verdade, que Fidel Castro nunca conseguiu o apoio dos PCs latino-americanos para espalhar a Revolução na América Latina. Os grupos esquerdistas que tentaram fazer isso eram de dissidentes dos PCs latino-americanos. Foi o caso, no Brasil, por exemplo, de Marighella (que criou a ALN) e do PC do B.


11) com todas as barbaridades que isso causou nos países em que foram implantadas.

R - Como eu já disse, o PTB não era comunista ou socialista. E os partidos ou movimentos de Esquerda (e o principal era o PCB) que tínhamos no Brasil no período de 1930/1964 eram minoritários, mesmo dentro dos movimentos sociais.

Os comunistas atuavam intensamente nestes movimentos (sindical, estudantil, camponês), mas estavam muito longe de ter o controle dos mesmos.

Foi o PTB (que não era nem comunista e nem socialista, mas Social-Democrata na linha escandinava) que se tornou o partido político que recebia a imensa maioria dos votos dos trabalhadores e não o PCB, que era ilegal e não podia participar das eleições.

Mesmo dentro do movimento sindical, onde os comunistas dispunham de uma liberdade de ação muito maior (pois os governos Vargas, JK e Jango permitiram essa atuação), o domínio era dos petebistas e não dos comunistas.

A imensa maioria dos sindicatos brasileiros da época era controlada pelo PTB e não pelo PCB. Este, muitas vezes, somente conseguia eleger seus representantes para as diretorias sindicais caso fizesse alianças com os petebistas.

E mesmo depois que se instalou a Ditadura Militar no país, o PCB se posicionou contra a luta armada para derrubá-la, dando prioridade total para a luta política e social pacífica.

E apesar dos regimes políticos autoritários (cuja implantação é uma história à parte e muito complexa, sendo impossível analisar aqui) os regimes socialistas europeus, por exemplo, tiveram avanços sociais significativos, como o fim do analfabetismo, o aumento da expectativa de vida, a eliminação da miséria, a redução das desigualdades sociais, o avanço da industrialização e da urbanização e por aí vai.

E a implantação do Socialismo nestes países dói um dos principais motivos que obrigou os países capitalistas europeus ocidentais a adotar uma ampla legislação social, trabalhista e previdenciária, criando-se um ‘Welfare State’ ou ‘Estado de Bem-Estar Social’. Este jamais teria sido construído se não fosse pelas lutas dos movimentos socialistas do mundo inteiro.

Aliás, bastou a URSS entrar em crise e o Bloco Socialista europeu desmoronar para que os governos capitalistas do mundo todo iniciassem uma ofensiva a fim de desmantelar todo o aparato social, trabalhista e previdenciário da época do ‘Welfare State’. Eric Hobsbawm, respeitado historiador marxista britânico, disse que os maiores beneficiários da Revolução Russa e da expansão do Socialismo no mundo foram os trabalhadores dos países capitalistas, pois passaram a desfrutar de direitos e de benefícios com os quais jamais haviam sequer sonhado anteriormente. Logo, isso foi fruto da expansão do Socialismo pelo mundo, sim.


12) Não é folclore, é fato, e algumas páginas da história brasileira contam muito bem esses movimentos, ao longo de todo o século 20. Havia planos e projetos, houve várias tentativas, e a coisa foi pra valer.

R - Novamente, o autor não cita um único caso concreto sequer. Então, vou me encarregar disso. A 'Revolta Comunista de 1935', por exemplo, foi desbaratada sem muitas dificuldades, apesar da resistência dos seus participantes, pelo Governo Vargas.

E depois dela, qual outra tentativa organizada pelos comunistas brasileiros do PCB para conquistar o poder através da violência revolucionária que tivemos no país? Pelo que estudei, não tivemos mais nenhuma. Então, quais são os outros planos e projetos que você cita, exatamente?

E o PCB claramente tinha um projeto político voltado para se promover, no Brasil, uma Revolução Nacional Libertadora, junto com a Burguesia Nacional, que os comunistas brasileiros encaravam como sendo sua aliada na luta contra o 'Feudalismo' e contra o Imperialismo norte-americano. Esta visão foi predominante no PCB desde as suas origens, nos anos 1920.

Quanto à luta armada contra a Ditadura (à qual você também parece se referir em seu texto, que não é muito claro...), ela foi muito mais fruto da falta de espaço político público para continuar atuando pacificamente do que de algum projeto prévio de Revolução.

O fato de que a luta armada, de fato, somente se tornou uma opção para alguns grupos esquerdistas quando ficou claro que a Ditadura militar não iria abrir mão do seu poder pacificamente, nem por vias eleitorais, e começou a fechar o sistema político do país, comprova isso.


13) Mas o que deve preocupar mais são as tendências atuais da esquerda, essa é a crítica mais necessária: a mania de politizar simplesmente tudo, de radicalizar questões de funçôes e cargos públicos, claramente instrumentalizando o Estado brasileiro,

R - Instrumentalizar, como? Ocupando cargos públicos? Oras, o governo do DEM no Distrito Federal instrumentalizou muito mais os cargos públicos do que qualquer outro partido no governo que se conhece. Num Distrito Federal cuja população é muito inferior ao de estados como SP ou RJ, tínhamos milhares de cargos ocupados por indicação meramente política.

O governo do estado de SP tem mais de 20 mil cargos de confiança. A prefeitura de SP tem quase 12 mil. Vai me dizer que tais cargos não são ocupados pelos representantes dos partidos aliados? Você deve estar de brincadeira! Serra loteou politicamente todas as secretarias estaduais.

Vamos ver se eu entendi: a Direita ganha as eleições e distribui totalmente os cargos públicos entre os seus aliados. Mas, quem instrumentaliza o Estado brasileiro são apenas as 'Esquerdas'? Fala sério, vai!


14) e a negativa de enquadrar “companheiros” que porventura desrespeitem a lei de alguma forma,

R - Quem tem que enquadrar tais pessoas é a Justiça e não os partidos políticos. Você queria o que? Que os partidos políticos fizessem justiça com as próprias mãos? Que se fizesse um julgamento sumário, sem direito à defesa, e se fuzilasse os culpados? Especifique, por favor.

Então, o DEM deveria fuzilar o Arruda, pura e simplesmente? E o PSDB deveria fazer o mesmo com o Eduardo Azeredo, por exemplo?

Quem cometeu irregularidades tem que responder pelos seus erros, sim, mas perante a Justiça, e não perante um paredão de fuzilamento formado pelos integrantes dos partidos. É assim que funciona em países democráticos.


15) e mais recentemente, na deriva para da esquerda para o centro, após chegar ao poder (um movimento natural),

R - Se você está se referindo ao PT (como parece ser o caso) essa deriva ao centro é anterior à vitória na eleição presidencial em 2002. Ela vem desde 1995, quando Zé Dirceu se elegeu Presidente do PT.

O programa de governo com o qual Lula se elegeu em 2002 já era bem mais moderado do que o da campanha de 1989, por exemplo.

Portanto, o PT se aproximou do Centro político e, por isso, venceu resistências na sociedade, o que abriu caminho para a vitória de Lula em 2002. Primeiro o PT se tornou mais moderado e depois chegou ao governo. Ocorreu o contrário do que você disse, portanto.


16) a incorporação das práticas anti-democráticas, de favoritismo, clientelismo e de corrupção que a esquerda tanto combatia na política “burguesa” e no tempo dos coronéis.

R - Novamente, temos um festival de generalidades. Não se cita um caso concreto que seja, para que possa ser devidamente debatido e analisado. Assim, fica difícil... Isso está mais parecido com discurso pseudo-moralista da UDN do que qualquer outra coisa... Parece o discurso do DEM antes do Arrudagate. E o autor atribui às 'Esquerdas' (mais generalizações) práticas que perpassam todo o sistema político brasileiro e que já vem de muito tempo.

E o mesmo se esquece que no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras Municipais a imensa maioria dos parlamentares não são das 'Esquerdas', mas das "Direitas'.

Somando-se todos os partidos de 'Esquerda' e de 'Centro-Esquerda' (PT, PSB, PDT, PC do B, PSOL) os mesmos tem apenas cerca de 20% dos Deputados Federais e Senadores. Os outros 80% são de legendas moderadas (PMDB, PTB, PR, PP) ou francamente conservadoras (PSDB, DEM, PPS).


17) O custo para o país e para a sociedade é gigantesco, capaz de causar refluxos e até retrocessos nas conquistas que se conseguiram até agora.

R - Mais generalidades e, agora, elas vem acompanhadas de pura futurologia. Não dá para levar à sério.


18) As regras e normas de convívio, as instituições sociais e mesmo a normalidade democrática estão em risco por causa da atitude de algumas lideranças da esquerda, e de alguns de seus aliados.

R - Quais lideranças? Quais atitudes? O autor não especifica, como aliás, ele não especifica coisa alguma neste texto que é um festival interminável de generalidades e discurso vazio.

E porque tais atitudes, destas lideranças, coloca em risco a 'normalidade democrática' e as 'regras de convívio e as instituições sociais'? Novamente, o autor não explica nada.


19) E mesmo a saúde econômica pode acabar tendo reveses, por causa das limitações, ou falta de limites, da política atual.

R - Pode, mesmo? Mas, você não tem certeza, certo?

Então, trata-se de mais futurologia, ou, de chutometria.

Pode ser que faça sol, mas também pode ser que chova, ou que fique apenas nublado... Pode acontecer tanta coisa, não é mesmo?


20) A esquerda (e a direita) precisam evoluir, para que a política brasileira possa avançar, para que a democracia em consolidação seja fortalecida.

R - Todos precisam evoluir e não apenas a Direita e a Esquerda. A Grande Mídia, por exemplo, precisa evoluir muito mais. Os jornalistas, idem.

Ontem eu li um texto do Clóvis Rossi no qual ele mente na cara-dura sobre a questão da distribuição de renda no Brasil. E você pensa que ele irá parar com isso? Claro que não, pois não foi a primeira vez que ele fez isso. E como ele faz e ninguém o contesta, ele continua espalhando as suas mentiras.

Sem falar do comportamento da Grande Mídia, que vive tentando fabricar crises inexistentes no país. Agora, mesmo, tentaram inventar uma crise ‘militar’.

Esta Grande Mídia tupiniquim chegou até ao ponto de inventar uma inexistente epidemia de febre amarela, com a Eliane Cantanhêde se comportando de maneira inteiramente irresponsável, como se fosse uma das maiores especialistas mundiais no assunto e dizendo para que todos, indistintamente, se vacinassem contra a doença.

Por enquanto, paro por aqui, pois já cansei de ler tantas generalidades!

Link:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/02/vicios-e-virtudes-da-esquerda-brasileira/