domingo, 16 de outubro de 2011

Como a Alemanha reunificada destruiu com a integração europeia! - por Marcos Doniseti!

Como a Alemanha reunificada destruiu com a integração europeia! - por Marcos Doniseti!



Vejam o artigo que o 'sabichão' do Clóvis Rossi publicou na 'Folha' de hoje:

CLÓVIS ROSSI - É a hora do calote em série

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2304201104.htm


Em seu artigo, Clóvis Rossi fala das consequências da crise européia (a crise econômica e social, os países decretando calotes etc), mas faltou explicar as causas deste processo, que é a reunificação alemã e a criação do Euro.

Explicando melhor:

A Alemanha está destruindo com a União Européia.

Como assim? Simples: Depois da reunificação, a economia alemã tornou-se 50% maior do que a francesa (a segunda maior do bloco europeu). E a economia alemã é uma verdadeira máquina de exportação.

A Alemanha é a única, entre as principais economias do mundo, que exporta mais de 50% do seu PIB. Os EUA, por exemplo, exportam apenas 10%. O Brasil também exporta somente 10% do seu PIB.

Mas, para manter a sua máquina de exportação a pleno vapor, os governos alemães (principalmente o de Helmut Kohl, Democrata-Cristão, e o de Gerhard Schrôeder, Social-Democrata) promoveram várias reformas importantes no país, como: redução de impostos para as empresas, cortes de direitos trabalhistas e de benefícios sociais, redução dos salários reais dos trabalhadores alemães (há uma década seguida que eles sequer conseguem acompanhar a inflação).

E muitas empresas alemãs, principalmente a indústria automobilística, transferiram grande parte da sua produção para os novos países-membros do bloco europeu (Polônia, Hungria, República Tcheca, etc) onde os custos de produção (impostos, custo de mão-de-obra, direitos sociais e trabalhistas, leis ambientais) são bem menores do que aqueles que vigoram na Alemanha

Com isso, a Alemanha conseguiu se manter como o país que mais exporta no mundo (como proporção do PIB). Mas, a que preço isso foi feito? Ao preço de destruir com a competitividade externa das demais economias do bloco europeu que adotaram o Euro, principalmente das mais fracas (como os Piigs, sigla em inglês que se refere a Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha - Spain -).

E com a adoção do Euro, estes países ficaram impossibilitados de usar das desvalorizações cambiais, dos aumentos de gastos públicos e da redução dos juros para estimular as suas economias (como Lula conseguiu fazer aqui no Brasil) pois para adotar o Euro exige-se que os países cumpram uma série de requisitos (como redução do déficit público para, no máximo, 3% do PIB).

E ao se adotar o Euro, tais países também são obrigados a transferir para o Banco Central Europeu a definição da taxa de juros e da política cambial. Na prática, o Banco Central Europeu tornou-se o Banco Central da Alemanha reunificada.

Tais exigências, draconianas, para a adoção do Euro, foram impostas pela Alemanha recentemente reunificada e, portanto, fortalecida econômica e politicamente dentro do bloco europeu.

Os países-membros da zona do Euro perderam, assim, o controle das suas políticas monetária, fiscal e cambial.

Sem o controle destas políticas, as economias mais frágeis da zona do Euro ficaram impossibilitadas de adotar medidas (aumento de gastos públicos, redução de juros, desvalorização da moeda nacional) que poderiam estimular o aumento das exportações e o consumo interno e, portanto, retomar o processo de crescimento econômico.

Desta maneira, o único jeito destas economias mais frágeis da zona do Euro de conseguirem continuar crescendo foi apelando para um crescente processo de endividamento externo (embora feito dentro do bloco europeu), principalmente com os bancos alemães e franceses, que são os seus maiores credores.

Mas, com o rápido crescimento da dívida externa destes países, tal processo de endividamento chegou ao fim, pois, com a crise, eles não conseguem mais crédito para continuar financiando seus imensos déficits externos.

Endividados até o pescoço e sem crédito, os calotes e moratórias das economias mais frágeis da zona do Euro tornam-se inevitáveis. E isso ameaça seriamente o sistema financeiro da Alemanha e da França, que são as duas maiores economias européias e que sempre foram os líderes do processo de integração.

Com isso, tenta-se atacar os efeitos da crise, adotando-se pacotes de 'ajuda' que impõe duros ajustes às economias atingidas pela crise, obrigando-as a cortar drasticamente os gastos públicos, principalmente os gastos sociais, com salários, direitos trabalhistas e previdenciários, entre outros. 




Desta maneira, transfere-se a conta da crise para os trabalhadores e para a população em geral, preservando-se os interesses do sistema financeiro europeu, principalmente alemão e francês, e que em nada contribui para debelar a crise.

A continuidade destas políticas é impossível pois, gradualmente, elas estão fortalecendo os grupos extremistas dentro do bloco europeu, principalmente a Extrema-Direita.

Um processo de integração com tais características e na qual a maior economia de todas (a Alemanha) arrebenta e destrói com as economias mais fracas é totalmente inviável. Não tem futuro algum.

Como disse Boaventura de Sousa Santos, em artigo reproduzido recentemente neste blog, o atual projeto europeu está morto. Para superar a crise, portanto, será necessário repensar tal projeto, levando-o adiante em novas bases, com outros princípios e políticas.

Mas, quem governa os principais países europeus, hoje, são justamente as forças políticas mais conservadoras do bloco e que foram justamente as responsáveis por impor tais políticas, que levaram a União Européia à sua atual crise.

Logo, a crise européia já deixou de ser apenas econômica e financeira, e tornou-se uma crise social e política e, mais ainda, de quais deveriam ser os princípios que devem nortear o processo de integração europeu.

Portanto, o processo que levou a União Européia à sua crise atual é bem mais complexo do que o texto de Rossi deixa transparecer. E o sujeito ainda gosta de se gabar a respeito do que escreve... Fala sério, vai!

Em defesa de uma contribuição exclusiva para financiar a Saúde pública! - por Marcos Doniseti!

Em defesa de uma contribuição exclusiva para financiar a Saúde pública! - por Marcos Doniseti! 

 

Texto de autoria do excelente jornalista Paulo Moreira Leite, publicado em seu blog (ver link mais abaixo), divulgou que 51% dos brasileiros são favoráveis à criação de um imposto cujos recursos seriam usados exclusivamente na Saúde pública.

Isso é uma ótima notícia, pois o Brasil é um dos países que menos investe no setor e, como resultado disso, a qualidade dos serviços públicos de Saúde deixa muito a desejar.

Quando fizeram campanha contra CPMF, no segundo governo Lula, a Fiesp e a oposição do PSDB-DEM-PPS diziam que o fim dela (criada pelo governo FHC) iria reduzir os preços dos produtos em 3%.

Alguém viu isso acontecer? Qual o produto que ficou mais barato após o fim da CPMF?

Nenhum!

Sabe por que? É que os empresários mandaram o dinheiro da CPMF para as Ilhas Cayman, Suiça, etc.

A CPMF deveria ser recriada, sim, mas deveria ser cobrada apenas sobre aqueles que movimentam bastante dinheiro no mercado financeiro. E a taxa deveria ser menor do que a anterior (que era de 0,38%).

Obs: Entre os 46% contrários à criação da CSS estão todos os corruptos, traficantes de drogas que lavam dinheiro no mercado financeiro e sonegadores de impostos, pois através da CPMF era possível identificar quem sonegava impostos e qual o valor sonegado.

Aliás, foi justamente por isso que a CPMF foi extinta...

Com certeza, os corruptos, sonegadores de impostos e traficantes de drogas fizeram uma festa gigantesca quando a CPMF foi extinta, pois, com o fim da mesma, puderam movimentar seu dinheiro desonesto no mercado financeiro sem medo. 

Link:

http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/10/15/51-topam-imposto-para-saude/#comment-241076

sábado, 15 de outubro de 2011

PT nunca foi um partido revolucionário! - por Marcos Doniseti!

PT nunca foi um partido revolucionário! - por Marcos Doniseti! 

(publicado originalmente no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/06/2010; Atualizado no dia 15/11/2011)

Li um comentário de um leitor no blog do Nassif dizendo que, no começo, o PT teria sido um partido ‘revolucionário’.

Revolucionário, de fato, o PT nunca foi.

Até mesmo os quadros egressos da luta armada contra a Ditadura Militar e que ingressaram no partido e ajudaram a fundá-lo, já haviam abandonado a idéia de Revolução violenta como forma de chegar ao poder e de se implantar o Socialismo no país, quando participaram da criação do PT. Logo, o partido jamais encampou esta tese revolucionária como sendo o melhor caminho para se chegar ao Poder.

Muito pelo contrário. A própria fundação do PT, da qual participaram inúmeros movimentos políticos e sociais originários das hiper-fragmentadas Esquerdas brasileiras (movimentos de estudantes, operários, intelectuais, sobreviventes da luta armada, de trabalhadores rurais e de sem-terra, das chamadas minorias, da Igreja Católica ligada à Teologia da Libertação e às CEBs, etc) era um reconhecimento de que o caminho revolucionário não havia sido bem sucedido e que era necessário se recuperar e valorizar a idéia de Democracia, que era quase que totalmente desprezada por todos os setores políticos brasileiros, tanto à Esquerda, como à Direita, até antes do Golpe de 64 e da Ditadura Militar de 21 anos.





O principal líder das esquerdas nacionalistas radicais brasileiras do período pré-64, Leonel Brizola, vivia dizendo para que o então Presidente João Goulart fechasse o Congresso Nacional, pois o mesmo jamais aprovaria as 'Reformas de Base', que era o projeto pelo qual as Esquerdas da época lutavam intensamente.

E tal idéia era compartilhada por grande parte dos líderes e dos integrantes destas Esquerdas e dos grupos Nacionalistas mais radicais daquele período histórico. Brizola não pregava no deserto quando fazia tal discurso, mas era apoiado por grande parte dos movimentos políticos e sociais de origem popular daquela época (CGT, UNE, etc)

Aliás, Jango viu que perdia a liderança destes movimentos sociais para Brizola e, como também era fustigado e violentamente atacado pelas forças conservadoras das Direitas, ele acabou isolado politicamente e incapaz de aprovar as ‘Reformas de Base’ no Congresso Nacional. Inclusive, o ‘Plano Trienal’, elaborado por Celso Furtado, acabou rejeitado no Congresso Nacional justamente porque foi bombardeado tanto pelas forças conservadoras, como pelas forças mais progressistas e nacionalistas.



Assim, havia uma grande dose de descrença, entre os principais líderes e integrantes das Esquerdas e dos grupos Nacionalistas, naquela época, de que as mudanças sociais, econômicas e políticas (as então chamadas ‘Reformas de Base’) de que o Brasil precisava, pudessem ser levadas adiante dentro das regras do jogo democrático.

E as Direitas tupiniquins eram, é claro, na sua grande maioria, no período pré-1964, fortemente contrárias às tais 'Reformas de Base'. Estas eram apresentadas, com grande apoio midiático e do governo dos EUA, como parte de um processo de ‘comunização’ ou de ‘cubanização’ do Brasil. Diziam que Jango iria transformar o Brasil numa ‘nova Cuba’.

Aliás, esse era o maior medo do governo de John Kennedy. Este chegou a declarar, na época, que a América Latina era “a região mais perigosa do mundo”.

Assim, os grupos direitistas e conservadores da sociedade brasileira naquele período, temerosos da ascensão política e social das classes populares, decidiram, com decisivo apoio do governo dos EUA (principalmente via CIA e Embaixada dos EUA), interromper este processo de mudanças e de inclusão social e política que eram levadas adiante pelo governo Jango e pelas forças nacionalistas e esquerdistas do período.

Daí, as Direitas brasileiras apelaram, em várias oportunidades, para a organização de Golpes de Estado (1945, 1954, 1955, 1959, 1961) até que, em 1964, o mesmo foi vitorioso, infelizmente.

Entendo que o PT surge, assim, como parte de uma nova tentativa de segmentos importantes das forças políticas de Esquerda e Progressistas do país e que se desenvolveram na luta contra a Ditadura Militar (movimento pela Anistia, as greves do ABC, a reorganização da UNE, a criação das Centrais Sindicais e do MST, as CEBs da Igreja Católica, os movimentos de artistas e intelectuais, remanescentes da luta armada, etc) para alcançar novamente o poder e transformar a sociedade brasileira numa sociedade justa, democrática e igualitária, mas sem se esquecer dos erros cometidos antes de 1964 e fazendo isso dentro das regras do jogo democrático.


Inicialmente, porém, o PT acabou sendo controlado por grupos políticos e tendências mais radicais e fechadas para a formação de alianças com outros partidos políticos. Se isso ajudou, inicialmente, a consolidar o partido, com o tempo essa postura também inviabilizava ou dificultava fortemente o crescimento do partido junto a outras forças políticas e sociais, como as classes médias urbanas e o empresariado.

Mesmo os acordos com partidos mais próximos ideologicamente ao PT (PDT, PC do B, PSB) eram mal vistos por estas alas mais radicais que controlavam o partido.

Esta foi uma época em que o PT fazia discursos como o ‘Fora FMI’ e ‘Não ao pagamento da Dívida Externa’. Nas campanhas eleitorais, os candidatos petistas acabavam tendo que defender tais propostas, mesmo que não concordassem com elas, e as mesmas assustavam as numerosas classes médias urbanas e, ainda mais, ao grande, rico e poderoso empresariado do país.

Os discursos e as práticas políticas mais agressivas e radicais mantinham as classes médias longe do PT e quando as eleições majoritárias iam para o 2o. turno, as mesmas votavam contra o PT, praticando um voto útil em benefício dos candidatos mais conservadores, que acabavam, assim, vencendo as eleições.

Tal fenômeno ocorreu, claramente, por exemplo, na eleição presidencial de 1989, quando Fernando Collor derrotou Lula, graças ao apoio maciço do grande empresariado, das classes médias e, até, de setores populares influenciados pelo discurso de que o PT era formado por ‘agitadores, provocadores, baderneiros’, discurso este que acabava tendo repercussão junto às camadas populares de extração conservadora e desorganizadas politicamente.

E o próprio fato do PT recusar a fazer alianças com partidos moderados acabavam levando Lula e os candidatos do PT a um crescente isolamento político.

Tais discursos e práticas, no entanto, entraram em colapso e se inviabilizaram após três tentativas fracassadas de se eleger Lula para a Presidência da República.

Depois da terceira derrota de Lula para Presidente, em 1998, ficou claro para Lula e para grande parte dos dirigentes do PT que ou o partido saía do isolamento e se abria para alianças com forças políticas centristas e moderadas, bem como adotava um programa de governo e um discurso mais moderados, ou então o partido corria o risco de entrar em um processo acelerado de crise e de decadência, até que acabasse se tornando mais um caso histórico de partido de origem popular e de esquerda que se inviabilizou devido ao seu sectarismo e à sua recusa em ampliar o seu leque de alianças.


Neste sentido, a direção do PT que assumiu o controle do partido a partir de 1995, quando Zé Dirceu se elegeu presidente da legenda com o apoio de Lula e das alas mais ‘moderadas’ do partido, soube perceber e tirar proveito do fato de que o governo FHC havia levado o PSDB para um processo de ‘direitização’ tão forte que isso havia aberto um espaço no centro do espectro político brasileiro.

Em uma situação normal de temperatura e pressão o partido mais ‘vocacionado’ para ocupar esse vácuo no centro político do país, gerado pela ‘direitização’ do PSDB, seria o PMDB. Mas, a fragmentação do partido em inúmeras lideranças estaduais e regionais que se preocupam, prioritariamente, com a sua própria sobrevivência política, e a ausência de um líder nacional que unificasse as diferentes correntes e lideranças da agremiação (como havia sido Ulysses Guimarães), impediram que o PMDB assumisse o papel de comandar e de liderar as forças políticas centristas e moderadas do país.

Com isso, surgiu um espaço que os novos líderes do PT souberam ocupar e, assim, os novos dirigentes do partido levaram o mesmo a se abrir para alianças com o PMDB, PP, PR, PTB e até mesmo com lideranças conservadoras tradicionais de vários estados do país, como José Sarney no Maranhão.

Desta maneira, o PT caminhou, a partir da derrota na campanha presidencial de 1998, para uma maior moderação do seu discurso e dos seus programas de governo e, ainda, ampliou fortemente o seu leque de alianças, abrindo caminho, também, para um grau maior de profissionalização da sua prática política.

Como exemplo disso, tivemos a contratação, pela campanha de Lula à Presidência da República em 2002, do ‘marketeiro’ político Duda Mendonça, que sofria muitas restrições de inúmeros petistas devido à sua histórica ligação com Maluf.

Foi esse processo que viabilizou a vitória de Lula na eleição presidencial de 2002. E o fato do seu governo ter sido moderado, principalmente no período 2003-2005, também serviu para desarmar grande parte dos setores mais conservadores, que sempre procuraram ‘demonizar’ Lula e o PT, sempre acenando com a possibilidade de que o Brasil mergulharia no ‘caos’ e na ‘desordem’ caso Lula vencesse a eleição presidencial.

Mas, os bons resultados econômicos e financeiros colhidos pelo governo Lula, como a redução da inflação, diminuição da dívida pública, redução dos juros básicos, ampliação do mercado consumidor do país, o aumento das exportações e do superávit comercial, o grande crescimento das reservas internacionais do país, acabaram por mostrar que não havia mais razões para se desconfiar de um governo do PT e tampouco para ‘demonizá-lo’, como acontecia antigamente.


E os resultados, também positivos, alcançados na área social, com o aumento do poder de compra do salário mínimo, a ampliação e a criação de programas sociais de grande repercussão na vida dos mais pobres, a queda significativa da taxa de desemprego, a geração de milhões de novos empregos com carteira assinada, a recuperação da capacidade de investimentos do Estado brasileiro, a retomada da produção industrial e do crescimento econômico (a partir de 2004, dando início a um novo ciclo de crescimento da economia brasileira, que foi o mais longo dos últimos 30 anos, durando cinco anos consecutivos), a redução da pobreza e da miséria, bem como das desigualdades sociais no país, permitiram a Lula terminar o seu primeiro mandato com um elevado nível de popularidade e obter a reeleição, derrotando Alckmin com quase 61% dos votos válidos, quase o mesmo percentual alcançado em 2002 na vitória sobre Serra.

E os resultados ainda melhores alcançados pelo governo Lula em seu segundo mandato, tanto na área econômica, como na área social (como a redução do desemprego e o aumento do poder de compra do salário mínimo, entre outras), elevaram fortemente o nível de popularidade do Presidente, que chegou, em 2010, a 83% de aprovação pessoal.

Desta maneira, as forças políticas e lideranças que apoiaram e sustentaram o governo Lula, mesmo em seus piores momentos (como em 2005), sustentaram e apoiaram a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff, que foi vitoriosa, derrotando um político veterano em eleições e que contava com total apoio da Grande Mídia.

É sempre bom lembrar que Dilma desempenhou um papel importante no governo Lula, tanto no primeiro, como no segundo mandato, nos ministérios das Minas e Energia e na Casa Civil, bem como coordenando programas importantes como os do Pré-Sal, ‘Luz Para Todos’, PAC e o ‘Minha Casa, Minha Vida’.

Portanto, as forças políticas da Esquerda Reformista e Progressista do país (que é constituída por partidos como o PT, PDT, PSB e PC do B) junto com lideranças e partidos moderados e centristas (PMDB, PR), formam hoje a coalizão dominante no cenário político brasileiro.



E é fundamental que isso tenha continuidade, porque abre a perspectiva de aprofundar o processo de mudanças e de transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que foram iniciadas pelo governo Lula e que poderão ser aprofundadas no governo Dilma (o programa Brasil Sem Miséria e o PNBL são exemplos disso), levando à construção de uma Nação verdadeiramente democrática, justa, solidária, fraterna, igualitária, desenvolvida, soberana e respeitada pelo mundo.

Por tudo isso, foi fundamental eleger Dilma para a Presidência da República.

Assim, podermos dar continuidade aos programas e políticas do governo Lula, a fim de aprofundá-las e, desta maneira, levando adiante um processo de transformação do país, melhorando a vida do nosso povo e fortalecendo cada vez mais a Nação brasileira.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/06/o-pt-o-governo-lula-e-candidatura-de.html

O PT, os governos Lula-Dilma e as Esquerdas Radicais! - por Marcos Doniseti!

O PT, os governos Lula-Dilma e as Esquerdas Radicais! - por Marcos Doniseti! 

 

Estou participando de um debate, no blog do Emir Sader (ver link abaixo) com um suposto 'Esquerdista radical', chamado Raphael Tsavkko, que criticou o Emir Sader pelo seu texto 'Corvos e Urubus' (que reproduzi aqui no blog, inclusive escrevendo um texto a respeito do mesmo).
Abaixo, reproduzo os textos de minha autoria, bem como do Raphael, que escreveu duas mensagens aqui no meu blog criticando as minhas afirmações.

Vamos lá, então:


Raphael Tsavkko diz - 01/10/2011

Engraçado, o texto começa acusando tudo e todos, mas termina dando "permissão" pra se crticiar o governo... oi? Confunde-se oposições contra governos populares e de esquerda da América Latina com um governo cuja base aliada é quase integralmente de direita, que defende privatização dos correios e já privatizou aeroportos...

Não dá.

Eu não consigo mais me surpreender com os caminhos trilhados pela neo-esquerda governista. E digo "esquerda" apenas em honra ao passado militante de muitos, porque ter no Sarney, no Collor, e agora na Bancada Evangélica, aliados de primeira ordem não me parece muito como atitudes de esquerda e sim de oportunistas que tentam atodo custo se manter no poder.

Mas tudo bem, vamos aceitar por um momento que a "governabilidade" valha a pena, me pergunto: Até que ponto?

Qual o limite que podemos chegar?

Na "Base Aliada" do governo temos Jaqueline Roriz, Inocêncio de Oliveira, Garotinho, Magno Malta e muitos "progressistas" e governistas parecem não ver problemas nisso. Em teoria, essa base é necessária para aprovar projetos para o povo. Mas que projetos? Tudo que sempre ouvimos é denúncias de corrupção, ministros caindo, deputados pegos mas inocentados por seus pares e insurgências na base.

Pra que garantir a aprovação do PLC 122 se você pode simplesmente garantir o apoio dos evangélicos e rifar os direitos LGBT's? Pra que servem os LGBT's afinal, não é mesmo? O problema hoje é a heterofobia, já diz o Bolsonaro (que faz parte de partido da base aliada, diga-se de passagem).

Mas estes aliados não são suficientes para se garantir o poder apenas pelo poder, é preciso ampliar a base até abarcar tudo e todos.

Aí chega o PSD, com o higienista Kassab, com a escravista Katia Abreu... Serão recebidos de braços abertos pelo governo de... esquerda?

E quando me falam que é preciso ter base ampla para avançar nos direitos dos trabalhadores eu me pergunto: Que direitos?

Professores de Institutos Federais estão em greve e os das federais receberam 4% (míseros 4%) de aumento para não pararem.

Os direitos humanos dos indígenas são desrespeitados com Belo Monte, com o genocídio contra os Guarani Kaiowá que o govenro federal não toma conhecimento no Centro-Oeste. As greves pipocam nas obras da copa e até trabalho escravo é descoberto nas obras do PAC e tudo que o governo faz (ou um dos membros do governo, na figura nefasta do Paulinho da Força) é dizer que o problema é a falta de prostitutas pra amansar o trabalhador revoltoso.

Os direitos LGBT's já não são mais pauta. Educação de qualidade nem pensar, a idéia é precarizar a mão de obra do professor e investir pesado no ensino de UniEsquinas sem exigir nada, raciocínio igual para o PNBL e para todo o setor das telecomunicações, onde não há nenhuma competição e somos reféns de preços altos e qualidade zero. Mas o governo está satisfeito.

http://www.tsavkko.com.br/2011/09/da-serie-isso-e-esquerda.html


Respondendo ao Raphael Tsavkko - por Marcos Doniseti!



1) Emir não deu permissão para ninguém. Ele apenas disse que as críticas devem ser feitas sem que se faça uma prévia desqualificação dos que pensam diferente dos esquerdistas radicais, que se consideram os únicos seres 'bons, puros e honestos' sobre a face da Terra.

2) Até Hugo Chávez chegou a se aliar, no começo do seu governo, com setores conservadores da sociedade venezuelana.

E você ainda se esquece de que esta 'base aliada' foi eleita pelo povo brasileiro. Todos os senadores e deputados federais, sem nenhuma exceção, foram eleitos diretamente pelo povo. O que você quer? Trocar de povo?

3) Que Sarney, Collor, são oportunistas, isso é do conhecimento de qualquer pessoa bem informada. Não há novidade nenhuma nisso. A questão é que se dependesse apenas dos partidos de Centro-Esquerda e de Esquerda com representação no Congresso Nacional, teríamos uma 'base aliada' de cerca de 140 parlamentares. Com isso, seria impossível se aprovar qualquer medida ou projeto no Congresso Nacional. O que você sugere? Fechar o Congresso Nacional e implantar uma ditadura de partido único? Seja mais claro, por favor.

4) Quem estabelece esse limite não é você, nem eu, nem o Emir e nem o Lula. É o povo brasileiro.

Ao que me parece, até o momento, ele não está tão insatisfeito, assim, com tais 'limites'.

A mais recente pesquisa da CNI/Ibope, mostrando um aumento da popularidade do governo e da presidenta Dilma, mesmo depois de uma artilharia pesadíssima que ambos sofreram nos primeiros 9 meses de mandato por parte da Grande Mídia, confirma isso.

5) “Tudo que se ouve são apenas 'denúncias de corrupção e ministros caindo”?


Bem, isso vale apenas para quem lê a 'Veja', 'Folha', 'Estadão' e assiste o Jornal Nacional ou fica ouvindo a CBN o dia inteiro.

Como eu não faço nada disso, sei que o desemprego em 2011 é o menor da série histórica, que os salários reais dos trabalhadores continuam crescendo, que o número de empregos formais aumenta sem parar, que o Brasil é o país melhor preparado, no mundo inteiro, para enfrentar a crise global do Capitalismo neoliberal (que se agrava a cada semana) e que a economia brasileira continua crescendo mesmo com a economia mundial enfrentando a sua pior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930.
Somente você que não ficou sabendo de nada disso.

6) Quem aprova ou não projetos de lei, emendas constitucionais, etc, é o Congresso Nacional, que é um poder independente e soberano.
Você nunca ouviu falar de divisão dos poderes, não? É uma das características de uma democracia liberal, como é o caso da brasileira.

Ou você pensa que ainda estamos na época da Ditadura Militar, quando os projetos eram aprovados sem precisar de votação, por mero decurso de prazo?

7) Kassab está apenas liderando a formação de uma legenda conservadora moderada que se alimenta da falência das propostas e dos discursos do PSDB, DEM e do PPS.

Nada além disso.

Será que você está com tanto dó, assim, pelo fato de que o PSDB, DEM e PPS estão indo ladeira abaixo? Eu, pelo contrário, estou adorando ver a derrocada de uma proposta política ultra-reacionária e extremista de direita afundando cada vez mais. Que continue assim.

8) A geração de 15 milhões de empregos formais em 8 anos, a redução do desemprego pela metade entre 2003-2010, o maior aumento do poder de compra dos salários dos trabalhadores nos últimos 50 anos, o aumento dos investimentos públicos federais na área social (hoje, os mesmos são o dobro dos gastos com juros da dívida pública... Eles chegam a 10,5% do PIB, contra 5,3% dos juros da dívida pública). Quando o governo FHC terminou, em 2002, os gastos financeiros eram bem superiores aos gastos sociais. Hoje, ocorre exatamente o contrário.


Também tivemos a redução da concentração de renda e das desigualdades sociais para o menor patamar em décadas, o aumento da participação dos salários na renda nacional, a ampliação do mercado consumidor, com mais 50 milhões de novos consumidores entrando para o mesmo, a participação dos movimentos sociais no governo, bem como o diálogo permanente com os mesmos.

9) Professores estão em greve e, ao que me consta, eles estão tendo o seu direito de mobilização respeitado.

Aliás, antes do governo Lula, eles nem tinham como entrar em greve, pois tais Institutos Federais sequer existiam. Eles foram instalados e criados no governo Lula.

Quanto à usina de Belo Monte, ela usa de uma fonte de energia renovável e contribuirá para a continuidade do crescimento econômico do país, ajudando a gerar milhões de novos empregos para as futuras gerações de brasileiros.

Enquanto isso, muitos dos ditos 'ambientalistas' defendiam, até antes do caso Fukushima, a construção de usinas nucleares pelo mundo afora, dizendo que elas teriam um impacto ambiental menor... Acredite, se quiser.

10) Educação de qualidade não é mais pauta? Conversa fiada!

As principais metas do PNE (Plano Nacional de Educação), para o período 2011-2020, visam, justamente, melhorar a qualidade da educação pública brasileira e prevê, por exemplo, o aumento de 5% para 7% do PIB em educação, equiparando o Brasil aos países desenvolvidos.

Uma das metas do PNE, inclusive, é a de justamente aumentar os salários dos professores.

O governo Lula até criou o Piso Salarial Nacional dos professores, que o governo tucano de Minas Gerais se recusa a pagar, inclusive.

E o PNBL tem como meta, aliás, universarlizar a banda larga, tornando-a acessível a toda a população.

E não é o governo que está satisfeito com tudo isso. É o povo brasileiro.

Basta ver que o nível de popularidade do governo Dilma subiu mais ainda, segundo a mais recente pesquisa CNI/Ibope, mesmo com toda a artilharia contrária da Grande Mídia.

Se você não está satisfeito, então você faz parte de uma minoria, goste ou não disso.



Resposta do Raphael Tsavkko:


1) As mesmas desqualificações que os governistas fazem quando a esquerda critica?

2) MAs ele fez um govenro de Esquerda, certo? Taí a diferença. E FHC foi "eleito pelo povo brasileiro", isso fazia o PT apoiá-lo ou achá-lo lindo?

3) A resposta tem que dar o PT. Escolheu se alicar com a escória e jogar fora bandeiras no caminho. Qu tal se apoiar nos movimentos sociais?

4) Realmente. Contando que o povo brasileiro não está nem aí pra direitos Humanos, e contra direitos pros LGBT, contra aborto, contra direito das mulheres e etc (veja as pesquisas dos mesmos institutos que você citou), o povo deve estar mesmo satisfeito!

5) Espera, então OK corrupção, desde que haja emprego? É isso? Seja claro. Porque as denúncias que você não lê derrubaram ministros. Se eram falsas, porque caíram? Por Prazer?

Sejamos claro, você não vê problema em corrupção desde que haja "crescimento"? Maluf voltou? Rouba, mas faz?

6) Ditadura Militar? Aquela que Dilma não quer trazer pro debate, apoiando Comissão da Meia-Verdade e sigilo eterno de documentos? Ah bom! Sim, porque o Collor é aliado e defende isso.
7) E que vai pra Base Aliada. MAs tudo bem, corrupção, canalhas e etc, o Brasil tá com emprego. Às favas com os escrúpulos!

E voltamos ao ponto 1. Criticar o governo significa ser de direita? Apoiar o DEM? Faça o que eu digo, mas depois dane-se? Bom saber!

Hipocrisia é pouco!


Minha nova resposta ao Raphael Tsavkko:

O PT, o governo Lula e as Esquerdas radicais! - por Marcos Doniseti!


1) Qual esquerda? Aquela que, como você, dá crédito para todas as informações que a Grande Mídia reacionária e golpista (Veja, Folha, Estadão, Globo, RBS) tupiniquim divulga?

Ou aquela esquerda da Heloísa Helena que, nas votações do Senado, se aliava à Álvaro Dias, Artur Virgílio, ACM e Agripino Maia para derrotar o governo Lula?

Essa esquerda (dita radical) pode fazer esse tipo de aliança, mas o governo Lula e Dilma não pode? Faça o que eu mando, mas não o que eu faço, é isso o que você pensa?

Realmente, Hipocrisia é pouco!

2) O PT nunca apoiou o governo FHC. Informe-se.

E o que é fazer um governo de Esquerda? Tem que explicitar isso.

Promover a participação dos movimentos sociais no governo, aumentar fortemente o poder de compra do salário mínimo, ampliar os direitos sociais e trabalhistas, tornar o ensino técnico e superior mais acessível às camadas populares e adotar uma política externa soberana e independente (que, por exemplo, repudiou a ALCA) significa fazer um governo de Esquerda? Bem, nesse caso, ambos os governos, de Hugo Chávez e de Lula, foram governos de Esquerda, pois ambos fizeram tudo isso.

Quer dizer que o Chávez pode se aliar com setores mais conservadores (caso, por exemplo, do Gustavo Cisneros, dono de um dos principais grupos de mídia da Venezuela) e Lula e a Dilma não podem?

Haja incoerência! E Hipocrisia, é claro!

3) Por que só o PT tem que ter a resposta para tudo? Ridículo. Essa tarefa cabe às Esquerdas como um todo e não apenas ao PT.

E quem se alia com a escória é a Esquerda radical, como foi o caso de Heloisa Helena no Senado, e que dá crédito para informações falsas e mentirosas divulgadas pela Grande Mídia retrógrada e golpista (como a ficha falsa de Dilma, o inexistente grampo de Veja e outras mentiras descaradas divulgadas pela mesma, à qual você venera). Se aliar com a escória é reproduzir, exatamente, as mesmas críticas e o mesmo discurso, contra Lula-PT-Dilma, que as Direitas reacionárias tupiniquins fazem.

Isso, sim, é se aliar com a escória.

E quais bandeiras o PT jogou fora?

A de melhorar a distribuir a distribuição de renda, tal como aconteceu no governo Lula e, agora, continua a ocorrer no governo Dilma?. Informe-se: há várias pesquisas comprovando isso. Ou seria a bandeira de gerar 15 milhões de novos empregos formais? A de dialogar, de forma permanente, com os movimentos sociais, inclusive adotando inúmeras das suas reivindicações como, por exemplo, a adoção de uma política permanente de valorização do salário mínimo, que era uma reivindicação antiga do movimento sindical brasileiro, e que foi implementada no governo Lula e que tem continuidade, agora, no governo Dilma e promovendo a participação destes movimentos sociais em cargos importantes no governo federal.

Se apoiar, apenas, nos movimentos sociais não é suficiente para obter apoio da maioria do Congresso Nacional.

E todas as vezes em que a Esquerda fez isso, no Brasil, ela perdeu, e feio, a disputa política para Direita. Foi assim com o governo Jango, em 1964, por exemplo. Quando ele rompeu a aliança com o PSD e com o Centro e se aliou apenas com as Esquerdas da época, acabou derrubado. Sem falar da tentativa de Golpe Civil-Militar de 1935, que fracassou totalmente. Aliás, tanto em 1935, como em 1964, as Esquerdas foram derrotadas (até com muita facilidade) justamente porque elas avaliavam que tinham o povo ao seu lado e que a população iria aderir às suas iniciativas.

É inacreditável que, depois de tantos erros primários cometidos pelas Esquerdas ao longo de sua história, e que gerou derrotas acachapantes, ainda exista quem defenda a repetição dos mesmos erros.

O fato concreto é que os movimentos sociais e as Esquerdas não são hegemônicas na sociedade brasileira. Se fosse, então elas elegeriam a maioria absoluta dos integrantes do Congresso Nacional, dos governadores, dos prefeitos, deputados estaduais e vereadores, o que está muito longe de acontecer.

4) Que uma parte significativa do povo brasileiro é conservador numa série de assuntos, (como os relacionados ao aborto, drogas e união civil de homossexuais) isso é do conhecimento até do mundo mineral, como diz o Mino Carta.

Agora, você diga, já que é tão sabichão: Qual é a solução? Trocar de povo? Ou mandar tais pessoas, que carregam esses preconceitos, para campos de concentração de trabalhos forçados ou de extermínio? Responda, por favor.

5) Ninguém disse isso, cara-pálida! Vê se faz um curso de leitura e de interpretação de texto e urgentemente.

Afinal, você não questionou quais tinham sido os principais direitos e conquistas alcançadas pelos trabalhadores brasileiros durante o governo Lula? Então, eu te respondi de forma clara e objetiva.

Aliás, você não conseguiu contestar nenhum dos dados e informações que eu postei em minha mensagem a respeito das melhorias que os trabalhadores tiveram no governo Lula.

Você fugiu do assunto, na cara-dura, e começou a usar o mesmo discurso pseudo-moralista da UDN dos anos 50-60 que, como não conseguia vencer eleições, ficava o tempo inteiro batendo na mesma tecla, ou seja, a da corrupção.

Assim, você faz, de forma acrítica, hipócrita e superficial, o mesmo discurso da UDN golpista de 1945-1965 e que, agora, é reproduzido pelo PSDB, DEM e PPS e por uma Grande Mídia reacionária tupiniquim.

E mesmo assim você ainda se considera de Esquerda?
Brincou, né?

É sempre a mesma história: O fulano não tem argumento real e verdadeiro para debater e foge do assunto na cara-dura. E tampouco vocês têm a capacidade de reconhecer as melhorias e conquistas alcançadas, durante o governo Lula, procurando sempre desqualificá-las e desvalorizá-las, como se não tivessem importância alguma.

E quem gosta de corrupção é quem se alia com o PSDB, DEM, PPS e com a Grande Mídia para reproduzir o mesmo discurso hipócrita e pseudo-moralista das Direitas reacionárias tupiniquins e que é o mesmo discurso desde os tempos da UDN.

Além disso, o governo Lula foi aquele que mais promoveu e organizou ações, principalmente por parte da Polícia Federal, contra esquemas de corrupção que sugavam o dinheiro público e que funcionavam há muitos anos, bem antes de Lula tomar posse.

Os dados a respeito disso são públicos e notórios. Somente os notórios desinformados, como é o seu caso, que não sabem disso.

Pare de se informar apenas pela Veja, Folha, Globo e Estadão que você ficará sabendo de tudo isso.

O governo Lula prendeu políticos (inclusive de partidos aliados do governo), empresários, juízes, desembargadores, banqueiros, enfim, membros da fina-flor das elites tupiniquins, o que é um fato inédito na história do país. Isso jamais foi reconhecido pelas Esquerdas radicais, bem como as conquistas obtidas nas áreas econômica e social e que não são poucas.

Enquanto FHC nomeou um 'Engavetador-Geral da República', que não mandava investigar coisa alguma, o presidente Lula nomeou Procuradores-Gerais que investigam a tudo e a todos, independente do partido a que pertencem. Vê se isso acontecia nos tempos do governo FHC.

Mesmo com tudo isso, você e os Esquerdistas radicais colocam Lula e FHC no mesmo nível, recusando-se a reconhecer as diferenças de atitude entre eles. Mas, como os fatos entram em choque com esse discursinho mentiroso e hipócrita de vocês, a maioria absoluta da população os ignora, corretamente, aliás.

O fato concreto é que vocês não governam coisa alguma e não o fazem por medo de governar. Vocês (supostos esquerdistas radicais) fazem de tudo para NÃO ganhar uma eleição. Vocêd fogem de uma vitória eleitoral do mesmo jeito que o diabo foge da cruz).

Logo, vocês não colocam em prática nada do que pregam e limitam-se a fazer um discurso retrógrado, mentiroso, vazio e demagógico a respeito de todos os assuntos. Dizem que é possível fazer muito mais, mas não dizem como. Isso é demagogia pura, tipicamente malufista! Nada além disso.

No dia que vocês começarem a governar e a colocar em prática tudo o que pregam, eu começarei a levá-los a sério. Até lá, não!

6) Dilma foi presa e barbaramente torturada pela Ditadura Militar, isso numa época em que você ainda devia estar usando fraldas. Logo, limpe a boca antes de falar dela.

E a Comissão da Verdade nem começou a funcionar e você já a desqualifica, mostrando que condena os resultados da atuação da mesma antes dela começar a funcionar. É o famoso, e estúpido, ‘não vi e não gostei’. Por que você não espera para ver como será, na prática, a atuação da Comissão antes de começar a avaliar. Depois vocês são os ‘anjinhos’ que não desqualificam ninguém, não é mesmo?

Quanto ao Collor, um dos motivos dele ter sido eleito Senador por Alagoas é que ele teve o apoio da Heloísa Helena, do PSOL, partido integrante das Esquerdas Radicais. Você sabia disso? Vocês ajudaram a levar o Collor para o Senado e a culpa é do Lula e da Dilma?

Hipocrisia é pouco!

7) Como eles iriam para a base aliada de um governo das Esquerdas radicais, ou das Direitas radicais, caso estas forças políticas governassem o país. São oportunistas, mas foram eleitos pelo povo. Eles são representantes da população, goste-se ou não disso. O que você sugere para mudar isso? Fechar o Congresso Nacional e implantar uma Ditadura de partido único? Se for isso, então diga isso de forma clara, para que todos fiquem sabendo. Ou você age como o PCB pré-1964, que publicamente fingia apoiar a Democracia Liberal, mas que tinha como objetivo final destruir com a mesma? Se for isso que você e as Esquerdas radicais defende, então afirme isso de forma clara, por favor.

Além disso, você precisa explicar como é possível governar o Brasil sem ter maioria no Congresso Nacional, que tem a última palavra em todos os assuntos de governo (reajuste do salário mínimo, criação de políticas sociais, Orçamento da União, etc). As forças de Esquerda e de Centro-Esquerda têm apenas 20% dos congressistas, contra 80% de parlamentares conservadores (uns mais, outros menos).

Depois da Constituição de 1988, tudo depende do Congresso Nacional para começar a vigorar. Até os vetos do presidente da República podem ser derrubados pelo Congresso Nacional. O presidente e os diretores do BC, por exemplo, são nomeados pelo Senado. O presidente apenas indica os seus nomes, mas é o Senado quem, de fato, os nomeia. Você sabia disso? Parece que não...

Então, explique, por favor: Como é possível ter um governo exclusivamente de Esquerda nestas circunstâncias? Como é possível ter um governo formado apenas por forças de Esquerda se esta não tem maioria nem na sociedade e nem no Congresso Nacional? E muito menos tem o poder econômico e midiático em suas mãos, muito pelo contrário.

Um governo exclusivamente esquerdista jamais conseguiria aprovar qualquer coisa no Congresso Nacional, viveria em guerra contra as principais instituições e interesses estabelecidos, ficaria com a opinião pública majoritariamente contra si e e acabaria inviabilizado. Se durasse uns seis meses, no máximo, seria muito.

Aliás, isso já aconteceu, em 1964, quando Jango passou a se apoiar nas Esquerdas radicais, afastando o Centro moderado. Resultado: o Centro moderado se aliou com as Direitas golpistas, o que viabilizou a derrubada do governo de Jango e a instalação de uma Ditadura Militar de 21 anos. Já se esqueceu de tudo isso?

E criticar o governo Lula-Dilma não significa ser de direita, principalmente quando se faz críticas a partir de uma perspectiva de Esquerda.
Mas isso é tudo o que as Esquerdas radicais não fazem.

Tanto que as principais críticas que você e as Esquerdas radicais dirigem ao governo Lula-Dilma estão relacionadas com a corrupção, o que é exatamente o discurso das Direitas reacionárias e da Grande Mídia golpista deste os tempos de Vargas e da UDN.

E a partir do momento em que se faz críticas sob uma perspectiva direitista e reacionária, então você se torna, sim, um integrante da Direita e tão reacionário quanto os direitistas mais pré-históricos.

Reconheçam os avanços (inegáveis) obtidos pelo governo Lula-Dilma, façam críticas sob uma perspectivas de Esquerda, governem e coloquem em prática o que pregam, mobilizem e organizem a população para que esta lute pela ampliação e aceleração das suas conquistas e dos seus direitos e, daí, quem sabe, vocês conseguirão ser levados um pouco mais a sério.

Boa Sorte!

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sábado, 1 de outubro de 2011

Emir Sader, a ultra-esquerda, o medo de ser vidraça e o estilingue! - por Marcos Doniseti!

Emir Sader, a ultra-esquerda, o medo de ser vidraça e o estilingue! - por Marcos Doniseti!



Gostei muito deste artigo de autoria do Emir Sader (ver link abaixo) criticando a ultra-esquerda que adora nivelar a todos por baixo, pois somente eles seriam os 'bons, puros e honestos'.

A ultra-esquerda adora fazer o papel de metralhadora giratória. Ela atira para todos os lados, só para ter certeza de que irá acertar. Essa forma de atuar é medíocre, fácil e simplista demais.

Esse pessoal da ultra-esquerda é especialista em subir num banquinho e, num discurso de meia hora, resolver todos os problemas da Humanidade.

Agora, assumir a tarefa de governar e, assim, tentar provar que as suas teses são as corretas, isso a ultra-esquerda nunca faz. Muito pelo contrário. Ela foge de uma vitória eleitoral do mesmo jeito que o diabo foge da cruz. 

E é muito fácil entender a razão disso: É que se a ultra-esquerda assumir o governo (de uma cidade, estado ou do próprio país) ela terá que provar, na prática, que as suas teses são as corretas.

E daí ela terá que enfrentar todas as dificuldades de governar, como: a atuação e o barulho da oposição, os ataques brutais e a perseguição da Grande Mídia, a impossibilidade de se resolver problemas da noite para o dia (até porque eles são resultado de mais de 500 anos de descaso, exploração, violências e injustiças), a existência de interesses conflitantes, não apenas em relação aos grupos sociais de oposição, mas entre os que, inicialmente, apóiam o governo.

Exemplo: Entre conceder um substancial reajuste salarial para o funcionalismo público e investir na educação e na área social como um todo, qual será a opção deste governo ultra-esquerdista? Afinal, nâo há recursos suficientes para se fazer tudo ao mesmo tempo, correto? Então, será preciso se estabelecer prioridades.

Assim, alguém ficará insatisfeito nessa história.

E daí será preciso muita capacidade de diálogo com os mais variados segmentos da sociedade para se conseguir manter, pelo menos, a simpatia das mais variadas correntes populares ao governo em questão.

E capacidade de diálogo com os diferentes não é exatamente uma das virtudes da ultra-esquerda, não é mesmo? Muito pelo contrário. A postura dela é exatamente a de que somente os seus integrantes são 'de esquerda, socialistas, bons, puros e honestos'. Os demais? São um bando de traidores e mais nada.

Por isso é que a ultra-esquerda não quer, e nem tenta, jamais, vencer eleições.

Esse repúdio ao processo eleitoral não tem nada a ver com aquela baboseira (repetida indefinidamente pela ultra-esquerda) de que vivemos numa 'democracia liberal burguesa'. Isso tem a ver, sim, com o fato de que, quando se chega à conquistar o poder do Estado (mesmo que seja apenas uma parte do mesmo, como é o caso do Poder Executivo e o comando de algumas empresas estatais e autarquias), os novos governantes tem que provar que aquilo que eles defendiam quando estavam na oposição é viável e têm como ser colocado em prática. E eles também precisam gerar inúmeros benefícios aos trabalhadores e aos mais pobres, melhorando consideravelmente as condições de vida destes grupos sociais historicamente explorados e excluídos dos benefícios (materiais, educacionais, culturais, etc) gerados pela sociedade. 

Assim, esse discurso  sobre a 'democracia burguesa' também não se sustenta. Até porque, quando temos um governo de Esquerda autêntico, o mesmo trata de ampliar o diálogo e os canais de negociação com os setores populares, bem como promove a participação dos mesmos no governo. E tal governo também procura atender as reivindicações das camadas populares, melhorando as suas condições de vida e de trabalho.

Portanto, um verdadeiro governo de Esquerda não fica restrito às práticas de uma mera 'democracia burguesa'.Vai muito além disso.

Logo, a rejeição do processo político-eleitoral, por parte de setores significativos da ultra-esquerda, mostra apenas o medo que a mesma têm de governar e de começar a fazer papel de vidraça.

Como eu já afirmei, muitos setores da ultra-esquerda preferem fazer o papel fácil de estilingue, ou de metralhadora giratória, atacando a tudo e a todos.Desta maneira, eles continuam vendendo a ilusão de que somente eles são os 'bons, puros e honestos'.

E assim, eles também não precisam provar que aquilo que defendem é, de fato, viável e benéfico para os trabalhadores e para os mais pobres.

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http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=764

Kassab, o PSD, o lulismo, a classe C e Jânio Quadros! - por Marcos Doniseti!

Kassab, o PSD, o lulismo, a classe C e Jânio Quadros! - por Marcos Doniseti!


Gilberto Kassab é a principal liderança e representante de uma Direita oportunista que percebeu qual é, exatamente, a direção em que os ventos da política e da sociedade brasileira estão soprando.

Justamente por isso, Kassab e o PSD são muito mais perigosos do que o 'trio de ferro enferrujado' do PSDB/DEM/PPS, que perderam o trem-bala da história, mergulhando num anti-lulismo e num anti-petismo histérico e pré-histórico, totalmente obsoleto e atrasado, e que assusta e afasta os setores populares beneficiados pelo governo de Lula e do PT, ou seja, a chamada 'classe C' ou 'nova classe média'.

Estes segmentos populares, que ascenderam social e economicamente durante o governo Lula, graças às políticas de inclusão social e política promovidas pelo mesmo, são muitos conservadores (em sua imensa maioria), principalmente em questões religiosas, morais e de comportamento.

Grande parte desta 'nova classe média' é muito influenciada e segue líderes e movimentos políticos-religiosos de nítido perfil conservador, como o famoso 'bispo' Silas Malafaia.

Algumas igrejas e seitas evangélicas (não são todas... Por isso não vamos generalizar a crítica, ok?), que são especialistas em promover a 'Teologia da Prosperidade', possuem e defendem, em muitos aspectos, um discurso medieval, falando cobras e lagartos contra o tal do 'casamento gay', o aborto e outras práticas e comportamentos mais liberais.

Tais igrejas e seitas chegam ao extremo de defender que eles têm o direito de discriminar e de praticar, abertamente, um preconceito descarado e deslavado contra tais grupos mais liberais da sociedade e da população. Criminalizam, por exemlo, as mulheres que recorrem à prática do aborto, só faltando defender que elas sejam queimadas vivas em praça pública, como ocorria na época da Inquisição. Também atacam, de forma explícita, aos homossexuais, querendo negar aos mesmos o exercícios dos seus direitos, mesmo sendo garantidos pela Constituição brasileira.

É verdade que muitas Igrejas, seitas e líderes evangélicos não concordam com tal discurso e tampouco o reproduzem, como ficou claro na última eleição presidencial, quando muitas das suas lideranças repudiaram o discurso teocrático e medieval do candidato tucano, José Serra, e apoiaram abertamente a candidatura de Dilma Rousseff.

Kassab e os políticos conservadores que criaram e ingressaram no PSD (e que são, grosso modo, originários do PSDB, DEM e PPS) perceberam que o discurso anti-lulista e anti-petista já não permite vencer eleição presidencial alguma.

O 'sapo barbudo' não assusta mais ninguém, com exceção de alguns grupelhos de fanáticos de extrema-direita e de uma Grande Mídia retrógrada e golpista, cujo poder continua grande, mas que já não consegue influenciar tanto a população, pelo menos no que diz respeito à Lula e, agora, à presidenta Dilma, cuja popularidade voltou a subir, segundo a mais recente pesquisa CNI-Ibope, mesmo com toda a artilharia midiática contra o seu governo. 

Dilma parece ter adquirido a mesma capacidade de resistir a ataques que o presidente Lula possuía. Como o teflon, nada gruda neles.

Mas, penso que isso se deve a dois fatores fundamentais, que são:

A) Nenhuma das acusações envolveram, até o momento, o ex-presidente Lula e a atual presidenta Dilma;

B) O excelente momento econômico e social do Brasil deve-se ao trabalho de Lula e Dilma, em especial, e a população reconhece isso.


Logo, o 'lulismo' já foi absorvido pela imensa maioria da população brasileira. 

Até porque, tal fórmula política conseguiu combinar, e muito bem, o crescimento econômico, a promoção da justiça social e o respeito às liberdades democráticas fundamentais. Nunca tivemos um governo tão brutalmente atacado pela Grande Mídia como nestes 8 anos de governo Lula. Nem Vargas e nem Jango sofreram tanto com ataques tão brutais e violentos da Grande Mídia conservadora e golpista.

Como Lula fez um governo extremamente bem avaliado pelos brasileiros, graças às sua políticas de redistribuição de renda que beneficiaram aos trabalhadores e aos mais pobres, o discurso anti-lulista e anti-petista do PSDB/DEM/PPS foi para a lata de lixo da história. Ninguém mais leva esse discurso patético à sério, com a exceção de alguns grupelhos de fanáticos de extrema-direita e de elitistas preconceituosos que consideram Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão, Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi como as maiores sumidades intelectuais da história humana.

Kassab foi um dos líderes políticos que percebeu isso claramente e, justamente por isso, decidiu criar uma nova legenda, o PSD. Esta irá procurar repetir a fórmula política bem-sucedida de Jânio Quadros, na eleição presidencial de 1960.




Jânio conseguiu a proeza, naquela eleição, de atrair o voto da classe média conservadora e udenista, usando de um discurso moralista (todos aqui se lembram do 'Varre, Varre, Vassourinha', é claro), e dos operários. Como ele fez isso? Jânio mandou os seus seguidores criarem comitês 'Jan-Jan' (Jânio-Jango) por todo o país. Ao fazer isso, Jânio conseguiu convencer os operários de que a sua candidatura não representava nenhum ameaça para os direitos sociais e trabalhistas que eram a principal herança de Getúlio Vargas e por cuja ampliação e aprofundamento Jango e o PTB lutavam, através da defesa das 'Reformas de Base'.

Desta maneira, Jânio obteve uma fácil e tranquila vitoriosa sobre a candidatura do Marechal Lott, de quem Jango era o vice. Mas, como era possível, naquela época, votar no Presidente e no Vice de chapas distintas, a estratégia de Jânio foi muito bem sucedida.

Aliás, a sigla PSD não foi escolhida ao acaso pelo atual prefeito paulistano.

Afinal, ela remete ao PSD do período 1945-1965, que era um partido conservador e moderado, tal como pretende ser o 'novo' partido criado por Kassab.

Além disso, a principal liderança do PSD de 1945-1965 foi o ex-presidente JK, que implantou a indústria automobilística, construiu Brasília e fez o país crescer cerca de 10% ao ano, em média, durante o seu govenro (1956-1961). E JK conseguiur fazer tudo isso dentro das regras do jogo democrático, mesmo tendo enfrentado três tentativas de Golpes de Estado organizados pela Direita udenista da época (em 1955 - antes da posse - em 1956 - revolta de Jacareacanga - e em 1959, com a revolta de Aragarças).

Kassab também tenta, assim, se apropriar da imagem e da história política de um presidente da República, JK, e de um governo do qual, até hoje, o povo brasileiro guarda boas lembranças, devido ao rápido crescimento do país que tivemos em sua administração.

E Kassab/PSD também tentam repetir, agora, a estratégia janista vitoriosa de 1960, com um discurso moralista (que agrada à classe média conservadora e udenista) e de defesa das conquistas sociais e econômicas da Era Lula-Dilma (como o aumento do poder de compra, a conquista de um emprego com carteira assinada, a participação no mercado consumidor, entre outras), o que atrairia o apoio dos lulistas conservadores que integram esta 'classe C'. 




Com isso, Kassab e o PSD representam, a partir de agora, e no médio prazo, a mais séria ameaça à hegemonia política do PT e dos partidos de Centro e de Centro-Esquerda que estão coligados à ele desde o governo Lula (PMDB, PP, PTB, PR, PC do B, PDT, PSB), embora acredite que isso não irá acontecer já.

Em um primeiro momento, é muito provável que Kassab e o PSD procurem se mostrar confiáveis ao eleitorado lulista da 'nova classe média', apoiando as políticas sociais dos governos Lula-Dilma.

Enquanto isso, eles também irão procurar ampliar a sua penetração junto à 'classe C', ou nova classe média, fazendo um discurso conservador e religioso ao mesmo tempo,  deixando clara a sua posição conservadora com relação à temas como o 'casamento gay' e o aborto, entre outros, que são muito valorizados pelos segmentos populares mais conservadores e que votaram Lula em 2006 e em Dilma em 2010. 

É verdade que Serra já tentou usar dessa estratégia na eleição presidencial de 2010.

Mas, ele foi prejudicado, e desmoralizado, pela sua brutal incoerência, oportunismo e hipocrisia, pois ele e os partidos que o apoiaram fizeram uma oposição radical e intolerante contra Lula e as políticas deste durante 8 longos anos. Logo, como poderiam ter mudado tão radicalmente de opinião e em tão curto período de tempo? É claro que, em função disso, eles não foram levados à sério pela maioria da população.

Tal reviravolta, tipicamente oportunista, foi bem explorada pela campanha de Dilma, principalmente no 2o. turno, quando mostrou reportagens em que Serra havia atacado o Bolsa-Família e o PSDB defendia a entrega do petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras.

Assim, a postura de Serra acabou não convencendo o eleitorado lulista da 'classe C', mesmo que este não conhecesse Dilma muito bem, visto que esta disputava a sua primeira eleição.

É provável, portanto, que a 'classe C' conservadora votou em Dilma mais por acreditar na palavra de Lula, de que apenas ela saberia dar sequência ao seu governo, do que por estar inteiramente convencida de que Dilma fosse a melhor opção.

Desta maneira, Serra foi derrotado, mesmo sendo um velho conhecido do eleitorado brasileiro.

Enquanto isso, Kassab não carrega esse estigma de opositor radical das políticas de Lula e de Dilma, muito pelo contrário.

 
Na verdade, ele tem procurado se mostrar como uma liderança política moderada, centrista, de valores conservadores, mas que não despreza as conquistas sociais e econômicas da Era Lula-Dilma. E assim Kassab espera se fortalecer politicamente a ponto de, em um futuro não muito distante, se viabilizar politicamente como um forte candidato ao governo do estado de SP (já em 2014) e, posteriormente, à Presidência da República (talvez em 2018).

Tal estratégia será bem-sucedida? Isso somente o tempo dirá.

Afinal, nunca se pode esquecer daquele imortal ensinamento do famoso filósofo popular brasileiro, que foi o genial Mané Garricha. Na Copa do Mundo de 1958, Garrincha perguntou ao então técnico Feola: "O sr. já combinou com o adversário"?, logo após ouvir uma longa explanação do técnico da Seleção sobre como chegar à linha de fundo e cruzar a bola para a área da URSS a fim de que o centroavante Vavá - 'o peito de aço' - pudesse marcar o gol.

E o 'adversário', neste caso da estratégia política de Kassab/PSD, é o povo brasileiro.

A este, portanto, caberá a última palavra nessa história.

Obs: Este texto também foi publicado pelo Luis Nassif, em seu blog.

Link:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/kassab-o-psd-o-lulismo-a-classe-c-e-janio-quadros


Fontes:

1) Por que falar mal de Lula e de Dilma é uma má idéia para a oposição:

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/09/pesquisa-2014-dilma-57-x-18-aecio-ou.html


2) Kassab diz: PSD é de centro e pode apoiar Dilma em 2014:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2011/09/29/04020E1A3264C8892326.jhtm

3) Governo Dilma herdou popularidade de Lula, avalia CNI/Ibope

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/01/governo-dilma-herdou-popularidade-de-lula-avalia-cni-ibope-924137487.asp

4) Dilma critica idéia da faxina:

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/08/24/dilma-critica-imprensa-rejeita-ideia-de-faxina-e-nega-escala-de-demissoes/


http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/03/28/se-nao-for-jk-psd-vai-homenagear-outro-brasileiro-diz-kassab/

6) As pretensões políticas de Kassab e a Eleição para governador de SP em 2014:

http://blogs.estadao.com.br/jt-politica/de-olho-em-2014-alckmin-e-kassab-disputam-aliados/

7)  Kassab diz que PSD é de Centro e defende Constituinte para 2014:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/982188-kassab-defende-constituinte-em-2014-e-diz-que-psd-e-de-centro.shtml


8) Pesquisa Vox Populi mostra conservadorismo dos brasileiros em questões de comportamento:

http://marceloparcerim.blogspot.com/2010/12/pesquisa-vox-populi-sobre-aborto.html

9) PSD de Kassab faz estrago no PPS, PP, PSDB, DEM e conquista prefeitos destas legendas no Mato Grosso:


http://www.onortao.com.br/ler.asp?id=47374