domingo, 18 de setembro de 2011

Indústria automobilística representa 23% do PIB industrial brasileiro! - por Marcos Doniseti!

Indústria automobilística representa 23% do PIB industrial brasileiro! - por Marcos Doniseti!



Alguns críticos da decisão do governo Dilma de elevar as tarifas de importação para automóveis e caminhões dizem que a entrada de carros importados serve para baratear e reduzir os preços dos carros nacionais e que, portanto, tal medida seria prejudicial para os consumidores brasileiros.

Mas isso é conversa para boi dormir e simplesmente não tem nenhum fundamento.

Afinal, a importação de carros cresceu de forma bastante considerável nos últimos anos e nem por isso tivemos qualquer redução nos preços dos carros nacionais, muito pelo contrário. Os preços dos mesmos continuaram sendo reajustados todos os anos, como sempre aconteceu. 

Aliás, essa redução não acontece justamente porque a maior parte dos veículos importados são trazidos para o Brasil pelas montadoras que já estão instaladas ou que atuam no país há muitos anos, como a Ford, GM, Volks, Honda, Fiat, Toyota, etc.

Portanto, uma maior entrada de veículos importados no país não significa maior competição, muito longe disso.

Essa iniciativa, na verdade, é uma estratégia das montadoras já instaladas no país para se aproveitar do Real artificialmente valorizado e, assim, aumentar ainda mais os seus lucros.

Como se isso não fosse suficiente, estas mesmas montadoras que atuam aqui levaram adiante, nos últimos tempos, uma política de substituição de peças e de componentes, dos veículos montados no Brasil, pelos seus similares importados, elevando fortemente o grau de desnacionalização dos veículos produzidos no país.

Caso este processo não fosse interrompido teríamos grandes chances de ver as montadoras instaladas no país se transformarem em meras 'maquiladoras', destruindo com a cadeia produtiva do setor.

Foi isso, por exemplo, que aconteceu no México depois que o mesmo entrou para o NAFTA.

Também não se pode esquecer que a indústria automobilística é responsável pela manutenção de, pelo menos, 3 milhões de empregos em todo o país.

E é do conhecimento até do mundo mineral, como diz o Mino Carta, que os trabalhadores ligados, direta ou indiretamente, à indústria automobilística, constituem uma espécie de 'elite' entre os trabalhadores do setor industrial brasileiro, justamente porque são mais qualificados, mais produtivos e, assim, conseguem ser melhor remunerados do que os da imensa maioria dos setores industriais do país.

Também não se pode esquecer que a indústria automobilísta, sozinha, representa 23% do PIB industrial brasileiro e 5% do PIB total do país.

Portanto, a manutenção da situação anterior à elevação das tarifas promoveria um rápido processo de desindustrialização em um setor que é fundamental para o crescimento industrial e econômico do Brasil.

Logo, ela tem um papel estratégico fundamental em qualquer política que deseje promover o desenvolvimento do país e não pode, pura e simplesmente, ser atirada numa política de livre-mercado desregulado e que acabou de falir no mundo inteiro, jogando a economia mundial na sua maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Na verdade, tal medida do governo brasileiro é apenas uma reação do mesmo, e até tardia, aos efeitos fortemente negativos da guerra cambial, travada entre China e EUA, e que resultou numa rápida e artificial valorização do Real nos últimos meses.

Portanto, reafirmo o que eu disse no meu texto anterior sobre o assunto e que publiquei aqui no blog: a decisão do governo Dilma de elevar as tarifas de importação foi mais do que correta.

E reforço o meu argumento: veio tarde.

Porém, antes tarde do que nunca.

Link:
http://truckshopping.com.br/novidades/2011/06/22/industria-setor-automotivo-e-afetado-por-medidas-do-governo-diz-anfavea/

Aumento das tarifas de importação de automóveis foi uma decisão correta! - por Marcos Doniseti!

Aumento das tarifas de importação de automóveis foi uma decisão correta! - por Marcos Doniseti!

Respondendo aos argumentos dos defensores da destruição da indústria automobilística brasileira e que criticaram a decisão do governo Dilma de elevar as tarifas de importação de automóveis e de caminhões:

1 - Entrada de carros chineses e coreanos no Brasil: As empresas chinesas e coreanas estão fazendo isso (trazendo grande números de veículos para o Brasil) graças ao Real artificialmente valorizado.

E essa supervalorização aconteceu devido à guerra cambial entre China e EUA. É algo que foge ao controle do governo brasileiro, portanto.O governo brasileiro tem o direito de reagir a esse dumping cambial. Foi o que ele fez.

2 - Importações das Montadoras: Se as montadoras continuarão trazendo carros importados sem aumento do IPI, como alguns críticos da medida do governo disseram, então porque tanta choradeira em função dessa medida do governo? Seu argumento mostra que essas reclamações todas não se justificam.

3 - Aumento de Preços de carros nacionais: O aumento da venda de carros importados acontece há vários anos e isso não impediu que os carros nacionais fossem reajustados. Muito pelo contrário.

4 - Prejuízo da Inovação: Inovação tecnológica não depende só de importações, mas do crescimento do mercado. E o mercado brasileiro é um dos que mais cresce no mundo há um bom tempo. Tanto que já temos o 4o. maior mercado do mundo, ficando atrás apenas da China, EUA e Japão.

Seria uma total irresponsabilidade deixar um mercado tão grande ser totalmente dominado por veículos importados. Seria uma imensa burrice, de fato.

Além disso, se as montadoras se transformarem em maquiladoras, aí é que não teremos inovação alguma, mesmo.

5 - Empregos dos Trabalhadores: Se os trabalhadores perderem seus empregos devido à inundação de veículos importados, eles não terão força alguma para negociar o que quer que seja, porque desempregados não negociam com patrão nenhum, pois não tem patrão para negociar.

Aliás, tal medida foi uma reinvidicação dos sindicatos de trabalhadores do setor, que já estavam denunciando a desnacionalização e a desindustrialização que ocorria no mesmo há um bom tempo.

6 - Importações de peças e componentes: Se as montadoras se transformarem em maquiladoras, não haverá motivo alguma para investir em inovação. Sem montadoras reais,verdadeiras, funcionando no país, os carros continuarão tão caros como sempre foram. Ou mais, pois não haverá competição, já que não haverá com quem competir.


7 - Impostos e Preços: Uma maior taxação sobre os importados também defende os interesses de 3 milhões de trabalhadores qualificados e bem remunerados e que poderão ficar desempregados se as montadoras se transformarem em meras maquiladoras, tal como ocorreu no México.

Dumping cambial, trabalhadores sub-remunerados e desprovidos de direitos sociais-trabalhistas-previdenciários e apoio estatal (impostos reduzidos, créditos facilitados, etc).

Produzir veículos baratos e exportá-los mundo afora nestas condições é fácil.

Quero ver é fazer isso sem essas mamatas.

O fato é que, com a crise global, os governos e as indústrias de inúmeros países começaram a inundar o mercado mundial com produtos vendidos a preço de banana a fim de aumentar as suas exportações, sair da crise o quanto antes, dominar o mercado internacional e arrebentar com a concorrência.

Isso sempre acontece em épocas de crise.

Daí, quando a economia mundial se recuperar, tais empresas e países aumentarão os preços de seus produtos e as suas margens de lucro irão para o espaço, pois já não haverá quem possa competir com eles.

Isso é mais velho do que andar para a frente. Acontece sempre em épocas de crise.


E o pior é que sempre temos um bando de elitistas deslumbrados e entreguistas que se deixam enganar facilmente por isso.

Lamentável.

sábado, 17 de setembro de 2011

Em defesa da Democratização da Mídia! - por Marcos Doniseti!

Em defesa da Democratização da Mídia! - por Marcos Doniseti!




As forças progressistas brasileiras defendem a democratização da Mídia do país, mas muitos dos seus principais líderes e integrantes usam a expressão 'regulação da mídia' quando se referem ao assunto em questão. Isso é um grave equívoco, em minha modesta opinião.

Porque? Simples: Quando as pessoas ouvem falar da expressão 'regulação da mídia', elas pensam que está se defendendo a censura à imprensa.

E ninguém está defendendo censura nenhuma.

Primeiro, porque foram justamente estas forças progressistas as grandes responsáveis por lutar contra a Ditadura Militar e, assim, por conseguir restabelecer as liberdades democráticas fundamentais no país, incluindo as liberdades de expressão, manifestação, pensamento e, também, é claro, a de imprensa.

Enquanto isso, foram exatamente os grandes veículos de comunicação empresarial existentes hoje (Globo, Veja, Folha, Estadão) os que mais defenderam o Golpe de 64 e a Ditadura Civil-Militar de 1964-1985. Editorial de 'O Globo' de 02/04/1964 até saudou o Golpe de Estado do dia anterior como sendo o responsável por restaurar a Democracia no Brasil.

Cliquem no link e confiram vocês mesmos: http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/08/ressurge-democracia-editorial-do-jornal.html

Além disso, quais são as principais propostas das forças progressistas com relação ao funcionamento da Mídia tupiniquim? São as de impor limites à concentração da propriedade dos veículos de comunicação nas mãos de pouquíssimos grupos empresariais, a de garantir a pluralidade a e diversidade de opiniões na Mídia nacional, bem como a de garantir o respeito aos direitos de resposta, de imagem e de privacidade. É bom esclarecer que tais direitos são garantidos pela Constituição.

Com isso, todas as correntes de pensamento poderão ter espaço na Mídia e as pessoas terão como analisar e comparar tais visões de mundo e, assim, chegar às suas próprias conclusões.

Desta maneira, o público estará em condições de pensar por sua própria cabeça e irá parar de reproduzir, de forma acrítica e superficial, o que a Grande Mídia impõe como sendo a verdade.

Além do mais, as forças progressistas precisam lutar para que se respeite os direitos constitucionais como o de resposta, de imagem e o de privacidade e que são, diariamente, violados pela Grande Mídia.

Como agravante, estas constantes violações destes direitos contam com o beneplácito e com a conivência de um Poder Judiciário omisso, lento, ineficiente e que se deixa influenciar pelo noticiário, parcial e mentiroso, desta Grande Mídia.

Os casos da publicação da ficha falsa da Dilma pela 'Folha', da acusação de estupro contra o presidente Lula feita, sem qualquer apresentação de provas, por um colunista da 'Folha', a acusação mentirosa de 'Veja' a respeito de dinheiro das FARC e do governo de Cuba para a campanha presidencial de Lula, o caso do inexistente grampo contra Gilmar Mendes e Demóstenes Torres são exemplos perfeitos disso que estou dizendo.

Todos estes casos de manipulação grotesca e desonesta da informação, pela Grande Mídia, ficaram totalmente impunes.

Logo, atualmente, nenhum destes direitos constitucionais são respeitados pela Grande Mídia tupiniquim.

E a concentração de mídia no Brasil  é uma das maiores do mundo, com um pequeno grupo de famílias controlando quase toda a Mídia nacional.

Entre estas famílias estão: Marinho (Globo), Mesquita (Estadão), Frias (Folha), Sirotsky (RBS), Abravanel (SBT) e Saad (Bandeirantes).

Estes grupos empresariais familiares de comunicação são verdadeiros latifúndios midiáticos e que foram construídos, ao longo do tempo, principalmente na época da Ditadura Militar, que lhes deu apoio financeiro fundamental, bem como colocou à disposição dos mesmos recursos tecnológicos como os da Embratel, que interligou o país através da televisão, fato que foi fundamental para o crescimento explosivo da Rede Globo. Sem a Embratel, a Globo jamais teria se transformado num Império de comunicação tão vasto e poderoso.



E não se pode esquecer que, na época da Ditadura, incêndios criminosos enfraqueceram a TV Record que era, junto com a Tupi, a maior rede de TV do Brasil. Coincidência ou não, tal fato ajudou a abrir caminho para a 'irresistíveil ascensão' da Rede Globo à condição de maior grupo empresarial de comunicação do país.

E não se pode esquecer, também, que outros veículos de comunicação que, antes do Golpe de 64, tinham uma postura mais democrática e progressista, foram devidamente empastelados ou sufocados economicamente pela Ditadura Militar.

Um caso clássico foi o do jornal carioca 'Correio da Manhã', que era um dos mais progressistas da época e que fazia duras críticas ao regime ditatorial. Sua proprietária e seus principais redatores chegaram a ser presos pela Ditadura, que também promoveu fortes pressões junto aos empresários para que estes parassem de anunciar no jornal. Como resultado, o mesmo não resistiu e acabou fechando.

Portanto, os atuais grandes veículos de comunicação empresarial que monopolizam a mídia brasileira são os beneficiários diretos dessa política, adotada pela Ditadura Militar, de sufocar com os órgãos de imprensa que abriam espaços para formas de pensamento e visões de mundo divergentes e diferentes daqueles que eram desejados pelo regime ditatorial.

Como diria o grande brasileiro Leonel Brizola: Globo, Folha, Estadão, Veja e RBS são os filhotes da Ditadura!



Por tudo isso, entendo que a expressão 'Democratização da Mídia' é a correta, pois é por isso que as forças progressistas do país lutam. Não queremos censurar nada e nem ninguém, como falsamente acusa a Grande Mídia reacionária e que apoiou e sustentou uma Ditadura Militar de 21 anos e pela qual foi beneficiada, de inúmeras maneiras, como demonstrei aqui.

Entendo que, portanto, temos que mostrar para a população que essa pluralidade não existe hoje devido à concentração da propriedade da mídia nas mãos de poucos e que isso é altamente prejudicial para o país.

É necessário que as forças progressistas comecem, o quanto antes, a mostrar para a população que somente com a democratização da propriedade dos veículos de comunicação e com a vigência de respeito à pluralidade e aos direitos constitucionais dos cidadãos é que será possível construir uma Mídia plural e moderna.

Assim, a mesma poderá levar informação de qualidade para toda a população e contribuir para que se encontre soluções para os grandes problemas nacionais através do debate franco, direto, plural e sem censura a respeito do que é necessário fazer para resolvê-los.

Portanto, defendo que devemos usar a expressão 'Democratização da Mídia ' e não 'regulação da mídia', que só serve para confundir as pessoas, quando defendermos os nossos pontos de vista sobre essa importante questão nacional. 

Jarbas Passarinho e as razões fajutas para tentar justificar o Golpe de 1964 – por Marcos Doniseti!

Jarbas Passarinho e as razões fajutas para tentar justificar o Golpe de 1964 – por Marcos Doniseti!


Na semana passada assisti, na TV Brasil, a reprise de um programa (o 3 A 1), que é apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azedo. Um dos quadros reprisados promoveu um debate rápido sobre o Golpe de 64 e a Ditadura Militar.

Os convidados do programa eram Marco Antonio Tavares Coelho, ex-integrante do velho Partidão, o PCB, o filho de Vladimir Herzog, Ivo Herzog, e o ex-ministro da Justiça (na época do AI-5) do regime ditatorial, o coronel Jarbas Passarinho.

O programa começou com o jornalista questionando Passarinho a respeito das razões pela qual os militares promoveram a derrubada do presidente legítimo e constitucional do Brasil e que era João Goulart, o Jango.

Resumidamente, Passarinho apresentou 3 razões que, a seu ver, justificavam o Golpe de Estado contra Jango e que são as seguintes:

'O Golpe Preventivo' - Jango e as Esquerdas teriam um plano para dar um Golpe de Estado e implantar uma ditadura no país;

'Quebra da disciplina e da hierarquia dentro das Forças Armadas' – As revoltas de sargentos e marinheiros estavam destruindo, segundo Passarinho, com a disciplina e a hierarquia dentro das Forças Armadas e tais revoltas eram estimuladas pelas Esquerdas. 

'Guerra Fria' – Segundo Passarinho, a Guerra Fria entre os EUA e a URSS gerou reflexos aqui no Brasil, onde teria se reproduzido o conflito entre forças de Direita e de Esquerda, tal como acontecia no cenário internacional entre os soviéticos e os estadunidenses.

Agora, vou procurar comentar e analisar estes três motivos apontados, por Jarbas Passarinho, como razões para que acontecesse o Golpe de Estado contra o presidente legítimo e constitucional do Brasil, que era João Goulart. 

Com relação ao primeiro item, Passarinho justificou-se dizendo que Leonel Brizola defendia o fechamento do Congresso Nacional com o objetivo de implantar uma Ditadura. Isso é verdade. E tal posição era, também, defendida por setores das Esquerdas mais radicais do período.  

Mas, este posicionamento não era unânime entre as lideranças e as forças esquerdistas e nacionalistas do período, não. João Goulart, por exemplo, jamais defendeu tal posição. 

Ele até fazia críticas à atuação do Congresso Nacional (o que é perfeitamente normal e democrático... Não há nada de golpista nisso), mas daí a defender o fechamento do Congresso Nacional vai uma longa distância. 

Tanto isso é verdade que, mesmo depois de ter se aliado às forças Nacionalistas Radicais (aliança esta que foi formalizada no comício da Central do Brasil de 13/03/1964) Jango recusou-se a adotar esta ideia de fechar o Congresso Nacional e adotou uma estratégia distinta, que foi a de organizar grandes manifestações populares pelo Brasil inteiro a fim de pressionar o Congresso para que este aprovasse as Reformas de Base. 

Assim, o comício da Central do Brasil era para ser o primeiro de uma série de grandes manifestações populares mas, em função do Golpe de Estado de 01/04/1964, elas não foram realizadas, é claro. 

Novamente, pode-se dizer que não há nada de errado, ilegal ou de golpista nisso. 

Pressões populares pacíficas e organizadas para que os parlamentares (nas três esferas: federal, estadual e municipal) tomem certas decisões são perfeitamente normais e legítimas em qualquer regime democrático-representativo. Não há nada de golpista nisso. 

Passarinho chegou, inclusive, a citar o livro 'Combate nas Trevas', de Jacob Gorender, no qual este diz que Jango tinha intenções continuístas, ou seja, de tentar mudar a Constituição para poder se reeleger.

Já li o livro de Gorender e o fato concreto é que ele não prova, de maneira nenhuma, e em parte alguma da sua obra, que Jango tinha planos continuístas. Gorender não apresenta nenhum documento que prove a sua tese. 

O ex-líder do PCB e do PCBR limita-se a citar uma declaração de Luiz Carlos Prestes a respeito do assunto e mais nada, o que é muito pouco para provar qualquer coisa. Declaração oral ou escrita de Jango que prove as intenções continuístas do então presidente, Gorender não apresenta em nenhuma parte do seu livro. 

E no livro 'João Goulart – Uma Biografia', o historiador Jorge Ferreira também diz a mesma coisa. Ele afirma, claramente, que não há nada de concreto que confirme as intenções continuístas ou golpistas de Jango.  

E como Jango era o presidente da República, qualquer tentativa de fechar o Congresso Nacional e implantar uma ditadura esquerdista no país seria inviável sem a sua participação. 

Somente Jango, na condição de presidente da República e de comandante-em-chefe das Forças Armadas, teria condições de comandar um golpe. E como Jango não tinha intenção nem de fechar o Congresso Nacional e nem de se reeleger, é totalmente equivocado usar este argumento para justificar o Golpe de 64, como faz Jarbas Passarinho.

Já com relação à quebra da disciplina e da hierarquia nas Forças Armadas, é verdade, sim, que as Esquerdas radicais estimulavam e apoiavam as revoltas de marinheiros e de sargentos dentro das mesmas.

Aliás, esse foi, a meu ver, o erro mais grave cometido pelas Esquerdas nacionalistas e reformistas do período, pois isso jogou quase toda a oficialidade das Forças Armadas contra elas. 

Mesmo aqueles oficiais que defendiam e legalidade e o respeito à Constituição (na biografia sobre Jango, Jorge Ferreira diz que 90% da oficialidade era legalista), voltaram-se contra Jango, Brizola e contra as Esquerdas Radicais quando perceberam que eles não apenas toleravam mas, principalmente no caso dos grupos nacionalistas mais radicais e de Brizola, estimulavam tais revoltas. 

Jango ainda tentava negociar e conter tais revoltas, mas não conseguiu, pois sua autoridade como Presidente da República praticamente se esfarelou nas últimas semanas do seu governo. 

Exemplo disso foi que Jango mandou o ministro da Marinha, Paulo Márcio Rodrigues (indicado ministro pelo CGT), demitir e prender o Almirante Aragão e também prender os marinheiros rebelados, mas o ministro não cumpriu com as suas determinações. E mesmo assim, Paulo Márcio continuou ministro, como se nada tivesse acontecido. 

Quando se chega a esse ponto, é porque o presidente não manda mais nada. 

Logo, a fala de Passarinho não está errada, não. 


  1. Mas, ele se esquece de algo muito importante, que é o fato de que quem começou com essa história de quebrar a disciplina e a hierarquia dentro das Forças Armadas foram os grupos direitistas mais conservadores. 
     
    Exemplo perfeito disso foi o chamado 'Manifesto dos Coronéis', de 1953, que foi assinado pelos militares ligados às forças mais conservadoras e que atacou o presidente da República, Getúlio Vargas, e o então ministro do Trabalho, João Goulart, pelo fato de estarem defendendo o reajuste de 100% para o salário mínimo. 
    Tal crise acabou desembocando, inclusive, numa tentativa de Golpe de Estado, em Agosto de 1954, que foi abortada e derrotada, apenas, porque Vargas cometeu suicídio e mandou divulgar a Carta-Testamento. 
     
    E também não se pode esquecer das outras tentativas de Golpe de Estado feitas pelas forças direitistas, como em Novembro de 1955, quando tentaram levar adiante um Golpe que tinha como objetivo inviabilizar a posse dos recém-eleitos JK e Jango na presidência e na vice-presidência da República, respectivamente. 
     
    Aliás, tal tentativa de Golpe de Estado das Direitas começou com um ato de insubordinação e de indisciplina por parte de um membro do movimento golpista, que foi o Coronel Jurandir B. Mamede. Este, fez um discurso violento (no dia 31/10/1955) no qual atacou a vitória de JK e de Jango para o governo do país e disse que eles não podiam assumir o comando da Nação porque não tinham sido eleitos com a maioria absoluta dos votos. 
     
    É bom lembrar que a Constituição brasileira da época não exigia a maioria absoluta para coisa alguma... Bastava obter uma maioria simples para considerar-se como legítima a vitória de qualquer candidato à presidência da República. E também não existia, é bom lembrar, nem segundo turno. 

    E uma outra peculiaridade do período era o fato de que se podia votar em um candidato à presidente de uma chapa e no vice de outra chapa. Em 1955, JK e Jango, da mesma, foram eleitos. Mas, em 1960, isso não se repetiu, pois Jango era o vice do Marechal Lott, e foi eleito para o cargo derrotando o vice de Jânio Quadros, que era Milton Campos, da UDN.

    Logo, o coronel Mamede defendia, abertamente, um Golpe de Estado que impedisse a posse de JK e de Jango.

    O ministro da Guerra (equivalente, hoje, ao cargo de Ministro do Exército), o honrado e íntegro Marechal Lott (e grande defensor da Legalidade Constitucional), exigiu que Mamede fosse punido, mas o então presidente Café Filho (que estava comprometido inteiramente com os planos dos golpistas) negou-se a fazê-lo, provocando a demissão de Lott. 
     
    Assim, abriu-se o caminho para o Golpe de Estado, que foi barrado graças à mobilização dos generais legalistas do Exército, a qual Lott acabou aderindo, decidindo comandar o contra-golpe preventivo a fim de garantir a posse dos recém-eleitos JK e Jango no governo do país. 
     
    Portanto, configurou-se, em Novembro de 1955, mais uma situação em que as Direitas golpistas tupiniquins praticaram uma nítida e clara quebra da hierarquia dentro das Forças Armadas a fim de se promover um Golpe de Estado que resultaria na implantação de uma Ditadura Militar. 

    Um contra-golpe preventivo comandado pelo Marechal Lott garantiu a posse de JK e de Jango em 1956. 
      
    Foi a reação de generais legalistas e que sentiam que o Marechal Lott havia sido ludibriado e humilhado pelo presidente Café Filho (pois este havia se recusado a punir o Coronel Mamede) que desencadeou o contra-golpe que garantiu a posse de JK e Jango no final de Janeiro de 1956. Portanto, neste caso, a quebra da hierarquia e da disciplina militares foi obra das Direitas golpistas e, em função disso, o Golpe das mesmas foi derrotado. 
     
    E as tentativas golpistas das Direitas retrógradas não cessaram e, mesmo depois da posse, JK-Jango enfrentaram mais duas tentativas de Golpe de Estado organizadas pelas forças Conservadoras, que aconteceram em 1956 e em 1959. Estas foram as revoltas militares de Jacareacanga e de Aragarças, respectivamente.
    As duas revoltas aconteceram com o apoio de forças direitistas, principalmente do eterno golpista Carlos Lacerda, com o objetivo de derrubar o governo legítimo e constitucional do Brasil, que era o de JK-Jango. 
     
    Assim, mais uma vez, foram as Direitas golpistas que levaram adiante novas tentativas de se quebrar a disciplina e a hierarquia dentro das Forças Armadas e acabaram derrotadas. 
     
    E em 1961, as mesmas forças conservadoras e direitistas que haviam fracassado em suas tentativas golpistas de 1954, 1955, 1956 e 1959, tentaram um novo Golpe de Estado, a fim de impedir a posse de João Goulart na presidência da República após a tentativa de Golpe travestida de renúncia por parte do então presidente Jânio Quadros. 
     
    E os golpistas da Direita reacionária novamente fracassaram, devido à fantástica 'Campanha da Legalidade', liderada pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, que derrotou a tentativa golpista e garantiu a posse de Jango na presidência da República. 
     
    Assim, antes mesmo de 1964 e das revoltas de sargentos e marinheiros tumultuarem as Forças Armadas, já existia uma longa e interminável tradição de quebra da disciplina e da hierarquia dentro das mesmas por parte das forças mais direitistas da sociedade brasileira da época. 

    Foram estas forças que inauguraram, por assim dizer, estes movimentos de quebra da hierarquia e da disciplina militares, bem como da Legalidade Constitucional. 
     
    Em sua biografia sobre João Goulart, Jorge Ferreira mostra que foi somente após a vitória do contra-golpe preventivo de Novembro de 1955, que foi liderado por generais legalistas do Exército e pelo então ministro da Guerra, o Marechal Lott, que as Esquerdas começaram a desenvolver atividades políticas dentro das Forças Armadas com o objetivo de formar um 'dispositivo militar' que sustentasse a legalidade democrática no país. 

    Antes disso, isso não acontecia. 

      
    Desta maneira, as Esquerdas começaram a falar, na época, da existência na de um 'soldado cidadão', ou seja, de um Exército comprometido com a defesa da Constituição e da Democracia, que garantiria a estabilidade política do país e que se oporia ao 'Exército anti-popular, golpista e retrógrado' e que era ligado às forças mais direitistas do país e que vivia promovendo Golpes de Estado 'a torto e a direito'. 

    Mas, quando isso começou a acontecer, as Direitas Conservadoras já tinham uma longa tradição de tentar quebrar a hierarquia e a disciplina dentro das Forças Armadas, fazendo isso muito antes que qualquer esquerdista. 
     
    Logo, foram as forças direitistas que mantiveram e fortaleceram, entre 1945 e 1964, a tradição golpista dentro das Forças Armadas, algo que remetia à Proclamação da República e que passava pelas rebeliões tenentistas e pela Coluna Prestes na década de 1920. 
     
    E Passarinho parece se esquecer, como já afirmei aqui, que o presidente da República é, também, o comandante-em-chefe das Forças Armadas. 
     
    Logo, qualquer tentativa golpista de derrubá-lo representa, inegavelmente, uma quebra da disciplina e da hierarquia dentro das Forças Armadas. 

    E não se pode esquecer que todas as tentativas de Golpe de Estado (vitoriosas ou não) entre 1945 e 1964 foram organizadas e levadas adiante pelas forças direitistas e conservadoras.

    Portanto, ninguém contribuiu mais, entre 1945-1964, para quebrar com a disciplina e a hierarquia dentro das Forças Armadas do que as ações golpistas das Direitas Conservadoras, que foram as mesmas forças políticas-sociais que organizaram e apoiaram o Golpe de Estado que derrubou Jango da presidência da República. 
     
    Assim, quando as Esquerdas começaram a agir no mesmo sentido, as Direitas já tinham acumulado uma vasta experiência em promover a quebra da autoridade dentro das Forças Armadas. Não havia nenhuma novidade nisso. Portanto, atribuir às Esquerdas, como faz Passarinho, a responsabilidade pela quebra da hierarquia e da disciplina nas Forças Armadas é um absurdo total. 
     
    Finalmente, a questão da Guerra Fria que, segundo Passarinho, impactava a realidade brasileira e influenciava fortemente o alcance e a intensidade dos conflitos políticos e sociais que aconteciam no Brasil neste período. 
     
    Mas, esta questão não pode ser considerada como sendo importante para desencadear o Golpe de 64 e por várias razões, como:


    A) As quatro principais lideranças populares do Brasil, nesta época, no campo dos grupos Nacionalistas, eram Jango, Brizola, Arraes e Prestes. Dos quatro, apenas este último era, é claro, comunista. Os outros três eram líderes nacionalistas e reformistas, mas não eram comunistas. Nunca foram.
     
    B) Dentro dos principais movimentos sociais e populares do período (CGT, UNE, Ligas Camponesas, intelectuais), a hegemonia não era do PCB, mas do PTB. Este partido é que detinha, por exemplo, o controle da maioria dos sindicatos de trabalhadores e não o PCB. 

    Os comunistas, por isso mesmo, abandonaram aquela política de oposição radical à Vargas e à influência do PTB sobre os operários (política esta que durou até 1954, mas que foi abandonada após o suicídio de Vargas), decidindo atuar de maneira conjunta com os petebistas. 
     
    E o PTB não era, e nunca foi,comunista. 

    Seu programa e suas principais propostas tinham um nítido caráter Social-Democrata, de Centro-Esquerda, defendendo a adoção de um Capitalismo nacionalista e com significativa intervenção do Estado na economia e na área social. 
     
    Estas eram ideias e políticas também adotadas por países da Europa Ocidental, EUA, Canadá, enfim, por todo o mundo desenvolvido da época. 
     
    A não ser que alguém considere que tais países eram Comunistas, não se pode atribuir ao PTB janguista da época uma natureza revolucionária e tampouco comunista. Somente notórios desinformados podem acreditar numa bobagem monumental dessas. 
     
    Na verdade, a principal influência ideológica sobre o PTB do período 1945-1964, principalmente depois que Jango se tornou o presidente nacional do partido, em 1953, era o Trabalhismo britânico, que de comunista não tinha absolutamente nada. 

    As ideias da Igreja em defesa da justiça social também exerceram influência no PTB janguista. 
     
    Logo, de comunista o PTB não tinha coisa alguma. Ele era um típico partido de Centro-Esquerda, Social-Democrata, Nacionalista e Reformista. Comunista, jamais.

    E como o PTB foi o partido político que mais cresceu nesta época, tendo aumentado consideravelmente a sua bancada no Congresso Nacional nas eleições de 1962, tendo deixado a UDN (que os críticos diziam que significava 'Unidos Destruiremos a Nação') muito para trás em número de deputados federais eleitos (o PSD elegeu 116 deputados federais, contra 112 do PTB) não se pode dizer que o crescente número de trabalhadores e tampouco os líderes e integrantes dos movimentos sociais que votavam no PTB fossem comunistas. 
     
    Entre os comunistas, com certeza, o voto no PTB era maciço, mas isso acontecia em função da ilegalidade do Partidão e também porque, entre os partidos legalizados da época, o PTB era o único que aceitava fazer alianças políticas, mesmo que informais, com o PCB. 

    Logo, de comunista, o PTB não tinha absolutamente nada. 

    C) O próprio PCB, naquele momento, dizia que a prioridade não era a de promover uma Revolução Socialista no Brasil, mas uma Revolução Nacional-Libertadora que deveria ser levada adiante através de uma aliança com a Burguesia Nacional progressista. 
     
    Tal aliança foi feita justamente porque o PCB percebeu que não dava para atuar dentro dos movimentos sociais da época falando mal de Vargas, das leis trabalhistas e do PTB. Quando tentaram fazer isso, eles chegaram a ser apedrejados pelos trabalhadores (como Jorge Ferreira conta em seu livro 'O Imaginário Trabalhista).

    Assim, mesmo que o PCB não tivesse, naquela época, abandonado a intenção de fazer do Brasil um país Socialista, não era essa a orientação que predominava no Partidão naquele momento. 
     
    D) As principais propostas de mudanças e de transformações da sociedade brasileira defendidas pelo PTB e pelas Esquerdas Nacionalistas neste período não tinham um caráter Socialista. 
     
    Elas possuíam, sim, características fortemente Nacionalistas e Estatistas. 

    Defendia-se, por exemplo:
    A) A reforma agrária, que foi feita em todos os países capitalistas desenvolvidos e que, logo, não pode ser tachada de comunista, até porque ela amplia o número de proprietários particulares na área rural. E a propriedade privada dos meios de produção não é uma das características fundamentais do Capitalismo?;

    B) A erradicação do analfabetismo, o que é fundamental para qualquer país que deseja se desenvolver, seja Capitalista, Socialista ou o 'ista' que for; 


    C) Maior intervenção do Estado na economia, algo perfeitamente normal nesta época, pois era exatamente isso o que acontecia no mundo inteiro, incluindo os EUA e a Europa Ocidental, onde predominava o Welfare State ou Estado de Bem-Estar Social. 

    Nestes países, os setores mais importantes da economia eram controlados por empresas estatais e o discurso neoliberal não encontrava apoio suficiente na população. Isso somente foi acontecer na década de 1980, depois que Reagan e Thatcher passaram a governar os EUA e o Reino Unido, respectivamente. 
    D) A extensão do direito de voto aos analfabetos, com o objetivo de ampliar a participação popular no processo político, o que fortalece a Democracia em vez de enfraquecê-la. Afinal, a Democracia não é o sistema onde predomina a vontade da maioria da população? Sem participação popular real, efetiva, a Democracia não existe. 
     
    E) A extensão dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários para os trabalhadores rurais, o que era fundamental para se levar justiça social e democracia à area rural brasileira, onde as relações de trabalho capitalistas já eram hegemônicas e estavam plenamente estabelecidas e há muito tempo.
    Essas propostas não tinham nada de Socialistas ou Comunistas. Isso é uma asneira monumental. 
     
    Na verdade, elas constituíam um amplo programa de reformas políticas, sociais e econômicas que visavam conciliar o sistema capitalista brasileiro com um elevado grau de justiça social e com a manutenção da Democracia, melhorando-se a distribuição de renda e as condições de vida dos mais pobres e dos trabalhadores. 

    Jango nunca se cansou de dizer isso, mas parece que muitos dos seus inimigos não perceberam, embora alguns mais esclarecidos entre os direitistas da época soubessem disso, sim. 

    Ao lado de sua bela esposa, Maria Thereza, Jango discursa para cerca de 300 mil pessoas no Comício da Central do Brasil, em 13/03/1964. O conteúdo do discurso é uma grande síntese do projeto reformista e nacionalista que Jango defendia para a modernizar e desenvolver o Brasil, transformando-o num país justo, democrático e soberano. 

    Tais propostas tinham como objetivo, portanto, promover um amplo processo de inclusão política, econômica e social, pois somente assim (pensavam as Esquerdas Nacionalistas do período) seria possível se construir um país desenvolvido, justo, moderno, democrático e soberano. 
     
    É por tudo isso, inclusive, que vários estudiosos do período chamam essa época de 'Nacional-Estatista'. 
     
    De fato, a implantação do Socialismo não era o que estimulava estes movimentos sociais, bem como a maioria das suas lideranças e tampouco os trabalhadores da época, mas a construção de uma Nação soberana, moderna, democrática e com uma distribuição de renda mais igualitária. 
     
    Tal programa, portanto, não tinha nada de Socialista ou Comunista. 
     
    Assim, pode-se concluir que a Guerra Fria não foi, nem de longe, um aspecto importante para desencadear o Golpe de 64. Ela foi mais um pretexto, utilizado posteriormente pelos defensores do Golpe, do que uma causa efetiva do movimento golpista que derrubou Jango da presidência da República. 
     
    A exploração do sentimento anti-comunista pelos golpistas foi real, mas isso se fez muito mais para explorar os preconceitos, o medo e o elitismo das classes mais abastadas da sociedade da época do que pelo fato do Brasil estar caminhando, inexoravelmente, rumo à construção de uma sociedade Socialista. 
     
    Não estava, pois não eram socialistas o programa e as propostas de mudanças defendidas pelas Esquerdas Nacionalistas do período. 
     
    Na verdade, dentro mesmo destas Esquerdas Radicais havia divergências sobre qual o melhor caminho para se promover as mudanças. Jango e o PTB, que seguia, quase que inteiramente, a sua liderança, pregavam o caminho democrático-parlamentar. 
    Esta foi a estratégia de Jango e, até pouco antes do Golpe de 64, também do PCB. 
     
    E havia a estratégia de Brizola e de importantes lideranças dos movimento sociais (CGT, das Ligas Camponesas, e de setores da intelectualidade e dos estudantes), que pregavam o caminho do confronto, com o fechamento do Congresso Nacional, pois este rejeitava todas as tentativas de se aprovar as Reformas de Base. 
     
    Aliás, este foi um dos principais motivos que levou à radicalização dos movimentos sociais do período, bem como por parte de Brizola. 
     
    Afinal, como o Congresso Nacional não permitia que estas reformas fossem implementadas pela via democrática e legal, muitos líderes e integrantes dos movimentos sociais passaram a defender o fechamento do mesmo, algo que era rejeitado pela imensa maioria da população brasileira. 

    Aliás, a defesa desta tese não tinha sustentação sequer entre a maioria dos trabalhadores que apoiavam as Reformas de Base. O caminho democrático, defendido por Jango e pelo PTB, era o preferido da imensa maioria da população. 

    Movimento liderado por Francisco Julião mobilizou os camponeses brasileiros na luta pela Reforma Agrária nos anos 1950-1960.
     
    Porém, sempre que Jango tentou aprovar as Reformas de Base no Congresso Nacional elas foram rejeitadas. As direitas as rejeitavam por as considerarem radicais demais. E as Esquerdas mais radicais as consideravam moderadas demais. Imprensadas entre os dois grupos, elas nunca foram aprovadas pelo Congresso Nacional, infelizmente. 
     
    Na biografia de Jorge Ferreira sobre Jango, informa-se que, segundo pesquisas feitas neste período, as Reformas de Base eram desejadas pela maioria absoluta da população. 

    Mesmo na cidade de São Paulo, cerca de 60% dos mais ricos e das classes médias queriam a implementação das Reformas de Base. 

    Se em SP, capital do conservadorismo político da época, o sentimento dominante era assim, imagine-se o que acontecia nos demais estados brasileiros. 
     
    Portanto, em função de tudo isso, pode-se afirmar claramente que as três razões apontadas por Jarbas Passarinho para justificar o Golpe de 64 são falsas e sem nenhum fundamento histórico. 
     
    O tal golpe preventivo contra um suposto 'Golpe das Esquerdas' é uma ficção, pois todas as tentativas golpistas levadas adiante, no Brasil, entre 1945-1964, partiram das Direitas e não das Esquerdas. 
     
    Além disso, o projeto continuísta ou golpista de Jango também nunca passou de ficção científica, e é fruto mais do desejo daqueles que possuem uma visão histórica ou pessoal negativa a respeito de Jango, do que de provas históricas concretas que confirmassem a veracidade de tais projetos por parte do presidente João Goulart. 

    Congresso da UNE, em Ibiúna, terminou com todos os estudantes sendo presos. 
     
    A quebra da disciplina e da hierarquia dentro das Forças Armadas era, ainda em 1964, uma tradição iniciada ainda nos 1920, com as chamadas Revoltas Tenentistas, que colocavam oficiais de média e de baixa patente (os chamados 'tenentes') contra a alta oficialidade (Generais, Coronéis, etc). 

    E o próprio fato das Forças Armadas intervirem no processo político vinha desde a Proclamação da República. Culpar as Esquerdas por tudo isso só pode ser piada. 
     
    E as Direitas Conservadoras continuaram com essa política depois de 1945, tento realizado inúmeros Golpes de Estado no período mais democrático da história do Brasil até aquele momento, que foi o de 1945-1964. Nunca tínhamos tido tanta Democracia, no Brasil, como nesta época. 
     
    E de que maneira as Direitas Retrógradas tentavam chegar ao poder neste período extremamente democrático da história brasileira? Através de sucessivos Golpes de Estado. A UDN que o diga... 

    Seus líderes, principalmente Lacerda, viviam batendo nas portas dos quartéis implorando para que os militares promovessem Golpes de Estado. Ganhar eleições com o voto do povo, que é bom, nada, né?

    E quanto à Guerra Fria, o argumento de Passarinho também não se sustenta, pois nem os movimentos sociais (estudantil, operário, camponês, intelectuais), tampouco os principais líderes nacionalistas e reformistas do período (Jango, Brizola e Arraes em especial) e menos ainda as propostas defendidas por ambos eram Socialistas ou Comunistas. 
     
    O programa defendido por tais líderes e movimentos sociais tinham um caráter Nacionalista e Reformista, mas não era nem Socialista e nem Comunista. 


    Alguns destes líderes e militantes eram mais moderados e outros eram mais radicais, mas a imensa maioria destas lideranças não desejava implantar o Socialismo ou o Comunismo no Brasil. 
     
    Assim, é melhor os defensores do Golpe de 64 inventarem argumentos bem melhores do que esses três que analisei acima a fim de justificar o seu posicionamento a respeito do assunto, pois estas três argumentos defendidos por Jarbas Passarinho não tem nenhuma sustentação histórica. 

Por que o aumento de tarifas de importação dos automóveis foi uma medida correta? - por Marcos Doniseti!

Por que o aumento de tarifas de importação dos automóveis foi uma medida correta? - por  Marcos Doniseti! 



O governo brasileiro está absolutamente correto em sua decisão de elevar as tarifas de importação sobre automóveis e caminhões. 

Tal medida protege não as montadoras, mas os empregos dos trabalhadores brasileiros.

E para se entender isso é muito fácil. 

A indústria automobilística brasileira gera cerca de 120 mil empregos diretos na montagem dos veículos, mas para cada emprego existente nas montadoras são criados outros 25 empregos nos mais variados setores da economia. São os chamados empregos indiretos. 

Assim, no total, cerca de 3 milhões de trabalhadores brasileiros (e que estão entre os mais qualificados e melhor remunerados do país) devem a manutenção dos seus empregos à preservação da produção de automóveis do país em território nacional.

Com relação à uma possível reclamação contra o Brasil na OMC, dificilmente isso irá acontecer porque, nos últimos anos, após o início do colapso do Neoliberalismo globalizado, inúmeros países mundo afora tomaram medidas semelhantes e ninguém reclamou de ninguém na OMC. 

Na verdade, em função da crise iniciada em 2008, os governos estão fazendo 'vistas grosssas' para medidas como essa que o governo Dilma tomou.


É bom dizer que, quando se trata de proteger seus empregos, os países ricos são muito mais protecionistas do que nós. E para isso eles se utilizam de todo um arsenal protecionista, como medidas anti-dumping, elevação de tarifas, sobretaxas, cotas, exigências fitossanitárias, entre outras. 

Portanto, essa decisão tomada pelo governo Dilma dificilmente será contestada por outros países e é mais do que acertada. Na verdade, tal medida já deveria ter sido tomada há muito tempo. 


Afinal, o que está em jogo são os empregos de milhões de trabalhadores brasileiros, muitos dos quais são chefes de família e, portanto, são responsáveis pelo sustento de boa parte da população brasileira.

Valeu, Presidenta Dilma! Assim é que se governa!

Ricos do meu Brasil varonil: A Lei não vale para vocês! A impunidade está garantida! - por Marcos Doniseti!

Ricos do meu Brasil varonil: A Lei não vale para vocês! A impunidade está garantida! - por Marcos Doniseti! 



O mesmo STJ que anulou a Operação Satiagraha, que investigou as atividades nada enobrecedoras de Daniel Dantas (o banqueiro, não o ator) agora anula as investigações feitas pela PF a respeito das ações de José Sarney. Meses atrás, a 'Operação Castelo de Areia', da mesma Polícia Federal, também foi anulada pelo... STJ, é claro.

Como se percebe, o STJ está sempre atento para defender os interesses da turma da 1a. classe, os eternos pilantras que roubam e saqueiam esse país e o seu povo desde Pedro A. Cabral e que mandam essa grana toda para os paraísos fiscais do mundo inteiro.

Logo, ricos do meu Brasil varonil, fiquem tranquilos: As leis não se aplicam para vocês, só para os outros 190 milhões, ok?

E depois ainda existem pessoas que acreditam em 'campanhas' contra a corrupção. 

A corrupção jamais irá diminuir, no Brasil, enquanto existir um STJ como esse, que não permite que qualquer investigação sobre os ricos e poderosos seja levada adiante e resulte em qualquer tipo de punição para os eternos privilegiados deste país. 

Assim, é de se questionar, afinal, qual a necessidade de se gastar tanto dinheiro com um Poder Judiciário tão inepto, ineficiente, omisso e conivente como esse? Isso é o mesmo que jogar dinheiro no lixo. 

E depois ainda existem pessoas que reclamam dos políticos. Talvez eles façam isso porque ignoram como atua o STJ... 


Assim, ricos do meu Brasil varonil, não se preocupem, pois a impunidade de vocês está totalmente garantida.

Afinal, para quem tem um STJ como um aliado tão generoso, para que se preocupar, não é mesmo? 

Links:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1709201102.htm
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/04/05/stj-decide-e-proibido-investigar-rico-e-salva-indiciados-na-castelo-de-areia/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-07/stj-anula-operacao-satiagraha

sábado, 10 de setembro de 2011

Jason Burke: A Al-Qaeda é o McDonald's do terrorismo islâmico - por Marcos Doniseti!

Jason Burke: A Al-Qaeda e o Radicalismo Islâmico - por Marcos Doniseti (texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 08/01/2010)

Ótimo livro de Jason Burke, que explica a origem, os métodos, o projeto político e os objetivos do Radicalismo Islâmico, em suas várias vertentes. 

Atualmente estou lendo um ótimo livro (foto acima), chamado 'Al-Qaeda - A Verdadeira História do Radicalismo Islâmico', de Jason Burke, jornalista britânico que trabalha no 'The Observer', um dos melhores jornais britânicos.

No livro, Burke conta as origens da Al-Qaeda, da mesma maneira que mostra que o fenômeno do radicalismo islâmico vai muito além de Bin Laden e da sua organização, sendo um fenômeno extremamente complexo, pois existem inúmeras organizações extremistas islâmicas pelo mundo afora e que tem visões de mundo, prioridades e formas de atuação muito distintas entre si.

No livro, Burke mostra que a imensa maioria das organizações extremistas islâmicas se preocupa, basicamente, com lutas políticas locais, específicas do seus país de origem e que elas são muito fragmentadas e divididas.

Assim, as organizações islâmicas paquistanesas priorizam totalmente a luta dentro do Paquistão, as organizações extremistas afegãs se preocupam com a luta dentro do Afeganistão e assim por diante.

Enquanto isso, a Al-Qaeda já tem uma postura distinta, pois a sua guerra visa não modificar a realidade de um país especificamente (o Afeganistão, a Arábia Saudita, o Egito ou qualquer outro país muçulmano em especial), mas de todo o mundo islâmico.

A Al-Qaeda é uma espécie de 'Internacional Terrorista Islâmica' e, por isso, seus alvos podem estar localizados em qualquer país do planeta no qual os seus inimigos atuam ou estejam presentes.

E quem são, essencialmente, os inimigos da Al-Qaeda de Bin-Laden? São os EUA e os países ocidentais que apóiam o Estado de Israel e que invadiram ou ocuparam territórios islâmicos, seja através de guerras ou da instalação de governos muçulmanos aliados e nos quais ainda tenhamos bases militares norte-americanas.

A Arábia Saudita (o país de origem de Bin Laden, embora seu pai seja tenha origem iemenita), por exemplo, preenche vários destes requisitos: é aliada dos EUA e tem bases militares norte-americanas em seu território. Assim, o governo da Arábia Saudita é considerado um inimigo por Bin Laden e este deseja derrubar o governo do país.

Por que Bin Laden rompeu com o governo saudita, com o qual os demais integrantes da sua família tem um bom relacionamento? A origem deste rompimento está na primeira 'Guerra do Iraque' (1991).

Aqui faço um parêntesis: A família de Bin Laden enriqueceu principalmente com negócios ligados à construção civil e é imensa. Seu pai teve muitas esposas e Bin Laden tem dezenas de irmãos e meio-irmãos. Isso sem falar dos tios, primos, etc, etc.

Com a invasão do Kuwait pelo regime ditatorial de Saddam Hussein, Bin Laden (que, ao contrário do que os EUA disseram, sempre foi um inimigo mortal de Saddam, a quem considerava como a encarnação do Demônio, devido principalmente ao caráter laico do governo iraquiano) defendeu junto ao governo saudita que fosse formado um exército exclusivamente composto por muçulmanos do mundo inteiro, principalmente por veteranos da Guerra do Afeganistão e que o mesmo invadisse o Kuwait e expulsasse as tropas iraquianas do país.

É bom esclarecer que Bin Laden participou da guerra contra a URSS, embora ele tenha sido um personagem de pouca importância na mesma... Mas, a guerra foi importante porque Bin Laden estabeleceu muitos contatos e foi ali que ele recrutou os primeiros integrantes da sua, naquela época, pequena organização, a Al-Qaeda.

Mas o governo saudita, antigo aliado dos EUA, preferiu pedir a ajuda militar norte-americana e britânica a fim de expulsar os iraquianos do país vizinho, o Kuwait.

Com isso, Bin Laden rompeu com o governo saudita e passou a considerá-lo como seu inimigo, dizendo que os países do Ocidente estavam invadindo e ocupando as terras consideradas mais sagradas do Islamismo, que são as da Arábia Saudita, afinal foi lá que nasceu, viveu e morreu o Profeta Maomé e é neste país que se localizam as duas cidades mais sagradas para os muçulmanos (ao lado de Jerusalém) e que são Meca e Medina.

Para Bin Laden, e para muitos outros muçulmanos que pensam como ele, os soldados dos EUA, Grã-Bretanha e de outros países ocidentais que hoje estão presentes em países muçulmanos (Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Afeganistão, Qatar, Paquistão, etc) são os 'Novos Cruzados' e precisam ser, urgentemente, expulsos destas terras.

Portanto, os objetivos de Bin Laden e de seus aliados, é o de recuperar, para os povos muçulmanos, o controle sobre territórios que estão, hoje, sob ocupação de forças militares ocidentais e, também, derrubar os governos muçulmanos (como os da Arábia Saudita, Afeganistão, etc) que são aliados do Ocidente.

O problema para Bin Laden e seus aliados é que a imensa maioria dos muçulmanos pode até concordar com os objetivos deles, mas discorda totalmente dos métodos violentos utilizados pelos extremistas islâmicos, incluindo Bin Laden, é claro.

Burke também mostra, no livro, que não será nada fácil para os EUA e para os seus aliados vencer esta Guerra contra o ‘Terror Islâmico’, pois os extremistas islâmicos estão convencidos de que irão vencer a guerra e a sua luta não tem prazo para terminar.

Eles sabem que os EUA e os seus aliados têm muito mais recursos (militares, financeiros, tecnológicos, etc), mas acreditam que o exemplo de luta deles e os seus sacrifícios serão, cada vez, apreciados pelos muçulmanos e que estes acabarão por se juntar à sua luta, permitindo que vençam a guerra.

Assim, Burke demonstra que estas organizações de extremistas islâmicos se organizam como 'Vanguardas', se inspirando no modelo de organização das Esquerdas revolucionárias leninistas.

Mas, embora a maneira de se organizar tenha semelhanças, é claro que os objetivos destas organizações extremistas islâmicas são completamente diferentes dos das Esquerdas revolucionárias leninistas, pois eles querem criar sociedades totalmente islamizadas, com governos islâmicos, cujas ações sejam baseadas nos ensinamentos da religião islâmica, e que sejam totalmente independentes em relação à qualquer força tida como estrangeira (sejam os EUA, a Grã-Bretanha, a Rússia ou qualquer outro país não-muçulmano).

Portanto, embora estas organizações de extremistas islâmicos se inspirem na religião muçulmana e nos ensinamentos de muitos teóricos e pensadores islâmicos, o objetivo deles é basicamente político, pois eles pretendem expulsar os 'cruzados ocidentais' de terras muçulmanas, derrubar governos muçulmanos aliados do Ocidente ou dos inimigos do Islã e criar governos e sociedades rigidamente islamizados.

Além disso, Burke mostra que, na verdade, muitos grupos de radicais islâmicos são independentes e, muitas vezes, sequer fazem parte de uma organização, unindo-se apenas para desempenhar uma missão específica (Exemplo: A realização de um atentado contra um prédio de algum governo aliado dos EUA) e depois que o atentado foi realizado cada sobrevivente toma um rumo diferente.

Assim, Burke mostra que essa organização que se chama de 'Al-Qaeda' é formada, na verdade, por conjuntos esparsos de ‘células terroristas’ autônomas espalhadas por muitos países e que recebem ajuda para levar adiante missões específicas.

Estas ‘células terroristas’ elaboram um plano, levam o mesmo até o núcleo da Al-Qaeda ou a pessoas que tem papel de liderança na organização e, daí, recebem apoio para realizar um atentado (treinamento, dinheiro, armas, contatos).

Desta maneira, a Al-Qaeda funciona como uma verdadeira franquia terrorista. A Al-Qaeda é o McDonald's do Terrorismo!

Portanto, vale a pena ler este ótimo livro de Jason Burke, que nos dá uma visão muito mais rica e aprofundada da questão do extremismo islâmico do que aquela que a Grande Mídia comercial, seja brasileira ou internacional, costuma oferecer.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Medidas de Obama podem ter vindo tarde demais - por Marcos Doniseti!

Medidas de Obama podem ter vindo tarde demais - por Marcos Doniseti!


 
A iniciativa de Obama de começar um programa de aumento dos investimentos públicos, de conceder maiores benefícios aos desempregados, estímulos para pequenas empresas, entre outras medidas, está vindo com quase 3 anos de atraso. 

Isso é o que Obama deveria ter feito logo que tomou posse na presidência do país. Mas, ele preferiu salvar o sistema financeiro privado, que estava falido, em vez de fazer isso.

Se essas medidas tivessem sido tomadas na época da sua posse, quando ainda desfrutava de um imenso apoio popular e tinha maioria folgada no Congresso, estas medidas já estariam surtindo efeito e a situação econômica do país seria bem melhor e o desemprego não seria tão elevado como agora (9%). 

Agora, Obama não tem nem uma coisa e nem outra, muito pelo contrário. 

O Congresso é dominado pelos Republicanos que são reféns ou seguidores dos alucinados e imbecis do Tea Party, cujos integrantes pensam que corte de gastos públicos numa economia estagnada gera empregos. 

E a maioria da opinião pública rejeita o governo Obama, que tem um índice de reprovação superior ao de aprovação.

Agora, talvez, seja tarde demais para tomar iniciativas como essa. 

Não é que Obama seja lá essas coisas, mas se os doidos,ignorantes e irresponsáveis do Tea Party ganharem a eleição presidencial do ano que vem, não irá demorar nem 6 meses para que os americanos e o mundo inteiro passem a morrer de saudades de Obama.

Esse é o caso clássico do 'Ruim com ele, Pior sem ele'.

A 'Veja', Zé Dirceu e o silêncio da Grande Mídia sobre os crimes do panfleto murdochiano - por Marcos Doniseti!

A 'Veja', Zé Dirceu e o silêncio da Grande Mídia sobre os crimes do panfleto murdochiano - por Marcos Doniseti!



As atividades ilegais e criminosas de um empregado do panfleto murdochiano, a 'Veja', que tentou invadir o quarto de hotel no qual o ex-ministro José Dirceu se hospeda em Brasília, junto com a instalação de câmeras de origem também criminosa no mesmo hotel,  mostra, mais uma vez, que essa Grande Mídia reacionária e golpista é perigosa, criminosa e não tem nenhum respeito pelos direitos de quem quer que seja. Logo, ela não merece ser levada à sério.

Somente estúpidos e imbecis lêem a 'Veja', bem como os seus colunistas idiotizados que veneram os criminosos chamados Rupert Murdoch e Roberto Marinho (sugiro que pesquisem sobre o acordo ilegal da Globo com a Time-Life e fiquem enojados).

Na época da Ditadura Militar, a Editora Abril demitiu o Mino Carta da 'revista Veja' e em troca recebeu US$ 50 milhões 'emprestados' pela mesma. 'Veja' funciona assim. É preciso dizer mais alguma coisa?

Mas o que se pode esperar de uma empresa, o Grupo Abril, que se associou ao grupo empresarial sul-africano Naspers, que foi um dos grandes sustentáculos do regime do Apartheid? Dois dos executivos da empresa em questão chegaram a ser Primeiros-Ministros da África do Sul na época do Apartheid. É com empresas e pessoas qualificadas como essas que a Abril se associa. 'Sem comentários'...

Em qualquer país civilizado, estes criminosos disfarçados de jornalistas e de colunistas, que espionam ilegalmente e invadem a privacidade alheia, violando vários artidos do Código Penal brasileiro, estariam na prisão por estimular o racismo, o elitismo e o preconceito contra os mais pobres, como vários dos empregadinhos da 'Veja' fazem e na cara-dura em seus textos patéticos. Isso claramente caracteriza o uso de práticas criminosas por parte desta Grande Mídia reacionária e golpista.

Aliás, é interessante notar como toda a Grande Mídia ignorou e silenciou totalmente sobre o caso do 'jornalista', empregado do panfleto murdochiano chamado 'Veja', que agiu ilegalmente, de maneira criminosa, contra o ex-ministro José Dirceu.

Isso caracteriza conivência e cumplicidade por parte da Grande Mídia com as atividades ilegais desta publicação rastaquera que é a 'Veja'. Aliás, tal silêncio é altamente comprometedor e nos levar a questionar se os demais veículos da Grande Mídia também já não usaram de métodos semelhantes contra outras figuras públicas com as não simpatizem. Não é de se duvidar.

Na verdade, estes pseudo-jornalistas e colunistas de araque desta Grande Mídia criminosa e golpista morrem de saudade da Ditadura Militar e do governo FHC, o mesmo que comprou votos de parlamentares para aprovar a reeleição em proveito próprio. Aliás, esta mudança na Constituição brasileira foi uma manobra espúria e um verdadeiro 'Golpe Branco' contra a Democracia brasileira e, mesmo assim, ela foi totalmente defendida por toda a Grande Mídia reacionária e troglodita tupiniquim naquela época.

Na verdade, a oposição udenista (PSDB, DEM e PPS) e essa Grande Mídia troglodita e pré-histórica não perdoam o José Dirceu pelo fato dele ser um dos principais estrategistas do PT e que teve um papel importante por levar Lula e, agora, Dilma, à Presidência da República.

Como eles sabem que o ex-ministro é uma figura importante e influente dentro do PT e do governo Dilma e é um dos grandes responsáveis pelas vitórias petistas nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e de 2010, eles fazem de tudo para atingí-lo e, assim, destruir com a sua força e influência, a fim de, com isso, derrubar Lula, Dilma e o PT. Mas, tenho certeza de que eles não conseguirão atingir os seus objetivos criminosos e anti-populares. 

A verdade é que somente fascistas ou notórios desinformados e ingênuos compram e lêem esse lixo imundo que é a 'Veja' e levam à sério o lixo imundo que essa Grande Mídia divulga contra os seus adversários e inimigos. 

Mas não esqueçam do seguinte:

"Veja, mas não compre. Se comprar, não leia. Se ler, não acredite. Se acreditar, RELINCHE".

Por que o PT é um partido Social-Democrata e Reformista! - por Marcos Doniseti!

Por que o PT é um partido Social-Democrata e Reformista! - por Marcos Doniseti!  (atualizado no dia 15/11/2011)


O PT realizou, na semana passada, o seu 4o. Congresso. Este foi muito importante, porque reforçou o caráter reformista do partido, como uma força política organizada que visa resgatar milhões de brasileiros que vivem na pobreza e na miséria, além de continuar a sua luta pela realização de mudanças de natureza estrutural na sociedade brasileira, com o objetivo maneira a construir um país soberano, justo, moderno e democrático.

A partir de 1995 o PT tornou-se, na prática, um partido na linha da Social-Democracia escandinava que construiu o Welfare State no pós-guerra. Os dirigentes e militantes do PT podem até não concordar com isso, mas foi o que aconteceu. E esta é a linha programática dominante nos governos do PT, tanto no plano federal, como nas esferas estadual e municipal.

Felizmente isso aconteceu, aliás. Pois foi somente a partir desta mudança que o partido se tornou uma alternativa real de poder e pôde governar o país em favor dos trabalhadores e dos mais pobres.

Aliás, esta é a verdadeira missão do PT. O resto é conversa fiada para boi dormir.

Foi somente a partir do momento em que deixou de lado os purismos sectários e pseudo-revolucionários de muitos dos grupos que ajudaram, sim, a criar o partido e que acabaram expulsos do PT por atuarem como 'um partido dentro do partido' - caso da Convergência Socialista, que deu origem ao PSTU - que o PT pôde diminuir as resistências ao partido em segmentos importantes da burguesia e das classes médias.

A parte mais lúcida destes grupos sociais elitistas já percebeu que o PT não é mais um partido com vocação revolucionária, mas reformista, numa linha de Centro-Esquerda, que pode até não ser o 'sonho de consumo' destes setores elitizados e, muitas vezes, retrógrados, da sociedade, mas é melhor ter um PT reformista de Centro-Esquerda governando o país e que distribui renda, amplia o mercado consumidor, aumenta o faturamento e o lucro das empresas, do que vê-lo nas mãos de neoliberais incompetentes que quebram o país 3 vezes em 4 anos de governo e que o mantém de joelhos para o FMI por um período interminável de tempo, ou sob o controle de esquerdistas radicais alucinados que desejam reinventar a roda, a terra, o fogo, a água e o ar.


Desta maneira, ao mudar a sua linha de atuação, tornando-se menos sectário, mais pragmático e adotando uma política claramente reformista de Centro-Esquerda (e mesmo que não admita isso, dada a força interna de segmentos de Esquerda que ainda professam o Socialismo na sua vertente marxista), o PT também ajudou a uma parcela da burguesia e da classe média a alterar as suas percepções sobre o partido, mesmo que com ressalvas, aceitando-o como um ator legítimo da disputa política do país. Sem isso, o PT teria dificuldades gigantescas para crescer e se consolidar, muito maiores do que aquelas que já enfrentou ao longo dos seus 31 anos.

Ao conseguir ampliar os seus espaços de atuação na sociedade, o PT conseguiu eleger Lula para a Presidência da República e levar adiante, durante o período 2003-2010, um projeto de mudanças graduais, mas progressivas, na sociedade brasileira.

Como parte desta nova linha política reformista, o governo Lula não modificou as estruturas produtivas da sociedade (os meios de produção continuaram nas mãos da burguesia, sim) mas implantou políticas que retomaram o crescimento econômico do país e que efetivamente melhoraram a distribuição de renda.

Conciliando o controle da inflação, o respeito aos contratos herdados do governo anterior e à Constituição, a retomada do crescimento econômico e a melhoria da distribuição de renda, o PT adotou um programa clássico reformista de Centro-Esquerda (tipicamente keynesiano e roosevelteniano) , mas que melhorou, inegavelmente, a vida de milhões de trabalhadores e dos mais pobres.

A geração de 17 milhões de empregos formais (entre 2003-2011), o aumento significativo do poder de compra do salário mínimo, a criação de políticas de inclusão social (Bolsa-Família, Luz Para Todos), permitiram que 50 milhões de brasileiros entrassem para o mercado consumidor e passassem a desfrutar de benefícios que, antes, muitos sequer sonhavam, como ter a sua casa própria, comprar um carro novo, comprar a casa própria e até viajar de avião.

Se tais conquistas foram possíveis, tudo isso deve-se ao fato do PT ter abandonado a linha purista, sectária e pseudo-revolucionária que predominou no partido até a eleição de José Dirceu para a presidência do mesmo, em 1995.

Caso o PT tivesse insistido nessa trajetória inicial de radicalismo infantial e inconsquente, ele até poderia se manter como um partido 'puro, coerente, honesto e imaculado' (como dizem ser, por exemplo, os nanicos PSOL, PSTU e PCO) , mas jamais teria tido a possibilidade de governar o país e, portanto, de adotar políticas que, inegavelmente, melhoraram as condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres.

A democracia brasileira precisa de um partido reformista de Centro-Esquerda que mantenha um diálogo constante com os movimentos sociais (sem criminalizá-los, como tanto gosta de fazer a Direita neoliberal e troglodita - muito bem representada pela trinca PSDB-DEM-PPS e, também, por essa Grande Mídia controlada por meia-dúzia de famílias poderosas - Marinho, Frias de Oliveira, Sirotsky, Civita, Saad, Abravanel - e de mentalidade golpista e reacionária que ainda sobrevive no país), adote políticas que atendam (mesmo que parcialmente) as suas reivindicações, ampliando e aprofundando o processo de conquista de direitos, e que adote políticas que beneficiam aos trabalhadores e aos mais pobres.

Na verdade, todas as democracias modernas e maduras necessitam de um partido com essas características. E no Brasil o único partido que reúne todas elas é o PT, gostem ou não disso os críticos do partido e os anti-petistas alucinados e histéricos.

Nenhum outro partido político brasileiro possui a penetração que o PT alcançou junto aos movimentos sociais do país (sindical, estudantil, de trabalhadores rurais, GLBT, feministas) e tampouco elege tantos parlamentares, prefeitos, governadores e, mais ainda, o Presidente da República como o PT o faz.

Não é à toa, portanto, que as outras legendas de Centro-Esquerda brasileiras (PDT, PSB, PCdoB) acabem, mesmo que a contragosto, se comportando como planetas que giram em torno do Sol petista.

Aliás, um dos maiores problemas enfrentados nos EUA e na União Européia, hoje, é que eles não tem mais partidos assim, já que as antigas agremiações trabalhistas, socialistas e social-democratas européias adotaram o programa neoliberal. A Social-Democracia alemã, o Trabalhismo britânico, os Socialistas franceses são exemplos perfeitos disso. O mesmo raciocínio vale para o partido Democrata dos EUA que, anteriormente, defendia as políticas do New Deal de Franklin D. Roosevelt, classicamente reformistas e social-democratas, mas que também foi abandonando, gradualmente, este ideário nas últimas décadas.


Não foi à toa, portanto, que o governo de Obama se preocupou mais em salvar o sistema financeiro privado falido do que em governar em favor da classe média empobrecida, dos desempregados e dos mais pobres.Isso foi resultado, em grande parte, desse caráter neoliberal que o Partido Democrata adquiriu nas últimas décadas, em especial a partir do governo de Bill Clinton.

O resultado de tudo isso é que, hoje, a Centro-Esquerda européia e dos EUA está órfã e sem perspectiva alguma, mesmo com a crise generalizada e a falência do Neoliberalismo.

Felizmente, este partido partido reformista e de Centro-Esquerda ainda existe no Brasil e é o PT.

Vida longa ao PT.