sábado, 20 de agosto de 2011

Lula, Jango, a coalizão com o Centro Moderado e as lições da História! - por Marcos Doniseti!

Lula, Jango, a coalizão com o Centro Moderado e as lições da História! - por Marcos Doniseti! 

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 07/03/2010)



É sempre bom lembrar um pouco de História, pois esta ensina inúmeras lições.

Pouco se comenta, mas uma das principais razões que levou a Direita tupiniquim a promover o Golpe de 1964 é que iríamos ter eleição presidencial em Novembro de 1965 e os dois grandes favoritos para vencer a mesma eram JK, do PSD, e Brizola, do PTB.

Quer dizer, a Direita sabia que não tinha chance alguma de vitória na eleição presidencial e este foi um dos principais motivos para que ela apelasse para o Golpe contra Jango.

O grande erro de Jango, dos líderes e dos grupos nacionalistas e esquerdistas da época (Brizola, Arraes, Prestes, PTB, CGT, PCB) foi ter rompido a aliança com o PSD. Foi isso que permitiu que a UDN e a Direita conseguissem apoio suficiente junto à classe política, e a segmentos moderados da opinião pública e da sociedade, para o Golpe contra Jango que, originalmente, era apenas um projeto das facções mais extremistas e radicais da Direita tupiniquim daquele período.

Entendo que foi, também, em função disso que o Presidente Lula, conhecedor deste grave erro cometido pelas forças democráticas e progressistas na época do governo Jango, construiu um amplo governo de coalizão e manteve (mesmo que ao custo de algumas insatisfações localizadas, porém controláveis por Lula) a aliança com o PMDB (que é o PSD de nossa época) e com outras forças moderadas e até conservadoras politicamente (caso do PP, PTB, PR).

Sem o apoio destas forças políticas centristas e moderadas, o governo Lula teria perdido o controle do Congresso Nacional, que cairia nas mãos do PSDB e do DEM. Estes, iriam criar umas 250 CPIs contra o governo Lula, para investigar qualquer bobagem (até o filme sobre a vida de Lula teria sido investigado), e os mesmos teriam conseguido inviabilizar uma série de projetos essenciais para o governo, como os do novo marco regulatório do pré-sal, desgastando o governo Lula e, até, dando início a algum processo de Impeachment, sob qualquer pretexto.

Desta maneira, a Direita troglodita e reacionária, representada pelo PSDB/DEM, entraria na campanha presidencial em plena ofensiva, enquanto o governo Lula estaria acuado, nas cordas, levando bordoadas de tudo quanto é lado.

Com a manutenção, porém, da aliança com o PMDB e com o Centro moderado, o governo Lula manteve a maioria no Congresso Nacional e, assim, está conseguindo aprovar os projetos do seu interesse, algo que não aconteceria (sob hipótese alguma) se a aliança com as forças do Centro moderado tivesse sido rompida.

Além disso, terminar essa aliança com as forças centristas teria provocado o isolamento político da candidatura presidencial de Dilma e levado a que as mesmas se aliassem ao governador José Serra.

Assim, Dilma iria para a campanha apenas com o apoio de partidos como o PT, PDT, PC do B e, talvez, o PSB. As demais forças políticas (PMDB, PTB, PP, PR) cairiam no colo da candidatura de Serra. Este, iria dispor de muito mais tempo na televisão, fecharia alianças e acordos políticos amplos em todos os estados, com um grande número de partidos, e teria muito mais palanques fortes e competitivos em quase todos os estados da Federação. E tudo isso, é claro, seria reforçado pelo apoio total, completo e uníssono da Grande Mídia Golpista. Com isso, as chances de vitória de Serra na eleição presidencial iriam aumentar consideravelmente. Dilma até poderia vencer a eleição, mas isso se tornaria uma tarefa muito mais complexa e difícil.

Logo, ao manter a aliança com as forças centristas moderadas, o Presidente Lula garantiu um amplo arco de apoio e de sustentação para a candidatura presidencial da ministra Dilma e, com isso, ela conseguiu, em poucos meses, eliminar a imensa vantagem que o candidato tucano possuía nas pesquisas e, muito antes do horário eleitoral gratuito começar, ela já atingiu uma situação de empate técnico, confirmado por duas das mais recentes pesquisas (Vox Populi e Datafolha).

Dilma transformou em pó a grande vantagem que o governador de SP possuía até três meses atrás. E ela alcançou isso mesmo sendo, ainda, desconhecida para 50% do eleitorado, como a mais recente pesquisa Datafolha demonstrou.

Fico imaginando o que não acontecerá quando toda a população ficar sabendo que Dilma é ministra do governo Lula desde o início do governo (há mais de sete anos, portanto), que ela é a principal responsável por gerenciar programas fundamentais do governo federal (como o ‘Minha Casa, Minha Vida’, o do PAC e o do Pré-Sal) e que são de grande importância para o país, que é a candidata escolhida pelo PT para concorrer à Presidência da República e que terá o apoio total do Presidente Lula.

Uma pesquisa feita recentemente, na região da Baixada Fluminense, constatou que quando o nome de Dilma é associado ao do Presidente Lula ela dispara, subindo de 26% para 42% das intenções de voto, com Serra caindo dos mesmos 26% para 21%. Assim, nestas circunstâncias, Dilma passa a ter o dobro das intenções de voto do governador tucano de SP.

Portanto, caso Dilma vença as eleições (e as chances disso acontecer são imensas) grande parte dos méritos da vitória será do Presidente Lula, que segurou a aliança com o PMDB mesmo quando esta era fortemente bombardeada pela Grande Mídia, principalmente no caso do ex-Presidente José Sarney, que sofreu uma das mais virulentas campanhas midiáticas da história do país. E vejam que o Sarney sempre foi um aliado desta Grande Mídia, tendo, inclusive, em seu governo, nomeado o ACM para Ministro das Comunicações, o que agradou e muito a Grande Mídia na época, principalmente a Rede Globo.

Logo, embora nem todos do PT gostem desta aliança com as forças do Centro moderado, o fato é que, sem isso, ficaria virtualmente impossível ter maioria no Congresso Nacional, aprovar as medidas de interesse do governo federal no mesmo e as eleições seriam muito mais difíceis.

E quem poderia estar, hoje, debatendo intensamente, enfrentado uma crise profunda, a respeito das possibilidades de vitória de Dilma nas eleições presidenciais seriam o PT, os partidos aliados, o Presidente Lula e, claro, a própria Dilma.

Mas, em vez disso, quem enfrenta uma crise profunda é a candidatura do governador de SP, tanto que nem ele mesmo sabe, de fato, se será mesmo candidato à Presidente ou se tentará a reeleição para o governo do estado.

E mesmo ‘jornalistas’, setores da sociedade e partidos que sempre acreditaram na vitória da sua candidatura presidencial, agora se questionam se fizeram a escolha certa. Muitos já estão convencidos de que a derrota é inevitável e que Dilma vencerá por ampla margem.

Portanto, a atitude do Presidente Lula em manter a aliança com as forças centristas moderadas foi fundamental para a estabilidade do seu governo e para a força crescente da candidatura da ministra Dilma.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/03/lula-jango-coalizao-com-o-centro.html

Filme 'Jango' e livros sobre o Governo João Goulart!! - por Marcos Doniseti!

Filme 'Jango' e livros sobre o Governo João Goulart!! - por Marcos Doniseti

(Texto originalmente publicado no blog do Guerrilheiro do Entardecer no dia 07/03/2009)



Para os que se interessarem em aprender mais a respeito do Presidente João Goulart (ou, como era conhecido por todos, o Jango) eu quero sugerir que assistam ao documentário 'Jango', de Silvio Tendler, realizado em 1984, em plena época de luta pela Redemocratização do Brasil.

É absolutamente imperdível.

Além disso, sugiro também que procurem ler três livros absolutamente essenciais para se entender Jango e o período do seu governo (1961-1964) que terminou de forma trágica, com o famigerado Golpe Militar de 1o. de Abril de 1964.

Os livros são:

1) 'O Governo João Goulart: As lutas sociais no Brasil 1961-1964', de Luiz Alberto Moniz Bandeira (Editora Revan e Editora da Universidade de Brasília).

2) 'João Goulart: Entre a Memória e a História', Marieta de Moraes Ferreira (Coordenação), Editora da FGV.

3) 'João Goulart: Uma Biografia' - de Jorge Ferreira, Editora Civilização Brasileira, 2011.

São documentos históricos absolutamente fundamentais para se compreender a História brasileira da época.

Os mesmos irão fazer com que muitos descubram informações que serão surpreendentes a respeito de Jango. Entre outras coisas, vocês irão descobrir que o governo Jango:

1) Tinha pleno conhecimento de que o governo dos EUA havia enviado uma força naval a fim de apoiar o Golpe de Estado contra ele, Jango;

2) De que no seu governo ele já havia tentado aprovar o direito de voto para os analfabetos, algo que somente foi legalizado com a Constituição de 1988, cerca de um quarto de século depois, portanto;

3) Jango iniciou um programa de alfabetização de adultos comandado por Paulo Freire. As forças direitistas reacionárias o chamavam de comunista em função disso;

4) Jango estimulou a criação de milhares de sindicatos de trabalhadores rurais, para permitir que os mesmos alcançassem os mesmos direitos sociais e trabalhistas que eram desfrutados pelos trabalhadores das cidades;

5) Jango criou a Universidade de Brasília, com uma proposta muito mais moderna, democrática e participativa do que aquela que vigorava nas universidades brasileiras mais tradicionais;

6) Jango implantou a Eletrobras, e que foi fundamental para modernizar o sistema elétrico brasileiro nas décadas seguintes e que, antes de Jango, era totalmente dominado por empresas privadas estrangeiras (como a Light) que praticamente não investiam na expansão e modernização do sistema elétrico do país, prejudicando o seu desenvolvimento, embora obtivessem lucros elevados em suas atividades;

7) Jango adotou uma lei que restringiu a remessa de lucros para o exterior;

8) Jango iniciou um programa de Reforma Agrária;

9) Jango se recusou a dar um Golpe de Estado a fim de implantar uma Ditadura, que reprimisse e silenciasse com a Direita Golpista que, como era do seu conhecimento, se articulava para derrubar o seu governo através de um Golpe de Estado;

10) Jango aumentou consideravelmente os investimentos públicos na Educação e na Saúde públicas;

11) Jango não quis resistir ao Golpe em 1964, pois não queria jogar o Brasil numa Guerra Civil de consequências imprevisíveis e que resultaria, com certeza, na morte de dezenas de milhares de brasileiros, e para a qual os grupos políticos Nacionalistas e de Esquerda não estavam preparados para travar, o que provocaria uma trágica e inevitável derrota para os mesmos.

Porém, claramente, Jango não imaginava (e mais ninguém) que a Ditadura Militar iria durar tanto tempo e nunca abandonou a idéia de retornar ao Brasil.

Infelizmente, Jango voltou apenas quando morreu, sendo que tudo aponta para o fato de que ele teria sido morto por envenamento promivido por um agente que trabalhava para a famigerada e criminosa 'Operação Condor', através do qual as Ditaduras sul-americanas colaboravam entre si para eliminar os seus opositores, principalmente lideranças políticas democráticas e reformistas e guerrilheiros esquerdistas ou nacionalistas.


Foi o presidente John F. Kennedy quem decidiu, em 1962, levar adiante uma política de desestabilização do governo nacionalista e reformista de Jango. com o objetivo de derrubá-lo, o que aconteceu em 01/04/1964. Talvez este tenha sido o maior erro que Kennedy cometeu em seu governo. 

Estou mais do que convencido de que, caso Jango não tivesse sido derrubado e pudesse ter colocado em prática as 'Reformas de Base', hoje estaríamos vivendo num país muito mais democrático, justo e o povo brasileiro desfrutaria de condições de vida infinitamente melhores do que as que têm atualmente.

As desigualdades sociais seriam muito menores, sem dúvida alguma. Teríamos muito menos violência e criminalidade no país. O nível educacional e cultural da população também seria muito melhor.

Mas, a Ditadura Militar procurou destruir com o legado dos governos de Vargas, JK e de Jango, e depois que a mesma terminou tivemos uma sucessão de governos absolutamente trágicos (Sarney, Collor, FHC) do ponto de vista econômico e social.

Somente agora, com o governo do Presidente Lula, é que pudemos voltar a sonhar com a construção de um país melhor, mais justo, mais democrático e onde todos possam viver com dignidade.

De certa maneira, o governo Lula dá, hoje, continuidade a muitas das políticas e reforça os ideais de construção de uma Nação mais justa, soberana e democrática, o que era também o sonho de Jango.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/livros-sobre-o-governo-joao-goulart.html

Jango, Lula e as mudanças políticas-institucionais no Brasil! - por Marcos Doniseti!

Jango, Lula e as mudanças políticas-institucionais no Brasil! - por Marcos Doniseti!

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 13/03/2009 e atualizado no dia 20/08/2011)


O jornalista Luiz Carlos Azenha, pelo qual tenho um grande respeito, devido ao seu trabalho sério e íntegro, disse em seu blog que:

"A doença que acometeu os governos Sarney e FHC também pegou o governo Lula: a falta de coragem política. O loteamento do governo para garantir a "governabilidade", lá atrás, em 2002, desaguou em 2009 nas vitórias políticas de Collor e Sarney dentro do Congresso. O antigo Centrão divide o poder com o governo Lula, que agora é refém dele para as eleições de 2010. E essa "banda podre" sempre foi, é e sempre será imobilista: do jeito que está, tudo bem. Eles sempre estiveram por cima da carne seca. Assim como FHC, Lula faz um governo "reativo". Não ousa politicamente, apesar de montado em 84% de popularidade. Aposto que o cálculo político do presidente leva em conta que à esquerda dele não há lugar para correr. Por isso, Lula costura à vontade ao centro e à direita.".


Bem, eu não discordo desta avaliação do Azenha.

Mas, há um elemento fundamental que é preciso levar em consideração, que é o fato de que o Congresso brasileiro sempre foi dominado pela Direita, pelas forças políticas e sociais mais retrógradas e reacionárias do país.

Cerca de 80% das 'Vossas Excelências' em Brasília foram eleitas pelo DEM, PSDB, PMDB, PP, PTB, PR e outras agremiações direitistas menos populares.

As Esquerdas brasileiras sempre foram fracas e isso é um dado histórico.

Elas sempre tiveram muita influência junto à intelectualidade, estudantes e setores de vanguarda do movimento sindical e de movimentos populares, mas nunca conseguiram mobilizar e organizar todo o povo.

Além disso, Lula ganhou em 2002 e em 2006 justamente porque se aliou com forças políticas conservadoras. E ele somente consegue governar, com uma certa tranquilidade, pelo mesmo motivo.

Sem isso, Lula não teria sido eleito e não aprovaria um mísero projeto de lei no Congresso Nacional, onde as Esquerdas têm apenas 20% dos eleitos.

Enquanto a Direita dominar o Congresso, esqueçam. Não teremos grandes mudanças políticas-institucionais no Brasil, não. No Judiciário, a situação é ainda pior. Basta ver como Gilmar Mendes faz o que quer e ninguém reage, mesmo no Poder Judiciário. Ele distribui habeas-corpus, inventa grampos inexistes e fica tudo por isso mesmo. Em qualquer país minimamente civilizado, Gilmar Mendes iria para o banco dos reús, no mínimo.

Aliás, esse dilema não é novo.

O então presidente João Goulart também o enfrentou.

Jango queria fazer as 'Reformas de Base', mas o Congresso Nacional, formado majoritariamente pelo PSD e UND (ambos de Direita e que apoiaram o Golpe Militar contra Jango, bem como a própria Ditadura Militar. Aliás, até Ulysses Guimarães e JK apoiaram o Golpe de 64 e ambos eram do PSD de origem varguista) impediu que elas fossem colocadas em prática.

E quando Jango ameaçou radicalizar, decidindo mobilizar a população e os movimentos populares (CGT, Sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, etc) para aprovar as 'Reformas de Base', ele foi derrubado pelas forças mais retrógradas da sociedade brasileira.

E quando o Golpe estourou, Goulart mandou seus aliados não resistir. Depois, no exílio, Brizola quis iniciar um contra-golpe militar, mas Jango não o apoiou, algo que Brizola não perdoou, rompendo com Jango por 10 anos. Somente poucos meses antes da morte de Jango é que Brizola reatou com o ex-Presidente.

Tudo isso explica, na minha opinião, essa "timidez" de Lula.

Ele não quer ser um novo João Goulart.

Link:
http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/o-jornalista-luiz-carlos-azenha-pelo.html

Nassif, o Golpe de 1964 e a análise de Fernando Trindade!

Nassif, o Golpe de 1964 e a análise de Fernando Trindade! 

(Texto originalmente publicado no blog no dia 27/12/2009)


Nassif, o Golpe de 1964 e a análise de Fernando Trindade!

1) Nassif, finalmente! Até que enfim você escreve sobre tema que pelo menos desde a cobertura das eleições de 2006 pela grande mídia ficou muito claro para muitos: a evidente linha de continuidade entre a ideologia elitista e antipopular da grande mída de hoje e a do passado, que foi fundamental para os golpes contra Getúlio em 1954, contra JK (quando o contragolpe liderado por Lott barrou o golpismo udenista) e contra Jango. Isso o que está por traz da forma achincalhada com que tratam a Lula como bem disse Fábio Barreto, outro dia – espero que se recupere do grave acidente que sofreu.

2) Na verdade, para mim você até demorou em tratar desse assunto que - acredito – o levou a deixar a Folha. Pela sua coragem e posicionamento você tem toda a minha admiração e respeito.

3) Mas lamento muito que até você se refira a Getúlio e a Jango de forma depreciativa, o que para mim é inaceitável e concilia com a indignidade golpista, pois quando se prioriza as debilidades dos respectivos Governos em comparação com o golpismo da ‘elite branca’, o que se está fazendo, por via transversa, é condescender com os golpistas, quando, sabemos muito bem, a via golpista não teve início com a renúncia de Jânio, e sim marcou a direita elitista durante todo o período da Constituição de 1946, só sendo estancada em 1954 pelo gesto extremo de Vargas, a quem você parece responsabilizar – ‘sozinho’, a expressão é sua – pelo Golpe que sofreu então.

E dizer que o problema com Jango era o seu ‘populismo’, pela’amor de Deus! Enfim, o começo do seu texto é politicamente inaceitável, embora o seguimento o redima.

4) É preciso rever com urgência o conceito apenas negativo que a sociologia uspiana tem de populismo (onde parece que você se inspirou).

Essa sociologia uspiana elitista desancou o populismo culpando-o por todos os males do País e acusando-o até – pasmem! – se de ser o grande responsável pelo golpe, livrando a cara da direita oligárquica, dos Lacerda, Mesquita, Marinho e caterva.

E onde estão, hoje, politicamente, dois dos principais expoentes dessa sociologia uspiana, os Srs. FHC e Weffort?

Ernesto Laclau, que tem dado imensa contribuição para que possamos entender o processo político do Mundo de hoje, escreveu mais ou menos recentemente um livro – La razón populista – em que – pela resenha que li – demonstra exatamente que não podemos ter preconceitos com o que o termo populismo representa. Seria bom ver esse livro publicado no Brasil.

Enfim, para mim, popular e populista podem ter uma ou outra contradição, mas não têm nenhum antagonismo, como querem a direita que quer dividir a esquerda e certa esquerda de base elitista.

O grande erro da esquerda no pré-64 foi exatamente não ter entendido a importância de isolar a direita oligárquica (inclusive os seus setores modernosos como os bacharéis da UDN) e deixar romper a aliança com o centro fisiológico, representado especialmente, então, pelo pessedismo.

Lula, de forma genial,como que intuiu isso (na verdade, trata-se da experiência acumulada da luta popular) e buscou – acertadamente – um acordo de convivência com o centro fisiológico de hoje (representado especialmente pelo PMDB).

A direita oligárquica sabe que a aliança esquerda/centro é o maior obstáculo ao seu retorno ao Governo, essa a razão por trás dos ataques ao Congresso, que é hegemonizado pelo centro fisiológico.

5) Outra coisa, o fisiologismo pode ser corrupto ou não.

Fisiológico quer dizer oposto de ideológico.

E enquanto o nosso País tiver uma maioria de excluídos, um amplo mercado de produtos e serviços (e de trabalho!) informal e precário, uma desigualdade social imensa como a historicamente reproduzida, haverá um importante centro fisiológico na política.

É alienação pretender que quem luta pela sobrevivência no dia a dia seja ideológico.

A esquerda errou muitas vezes ao não entender que os fisiológicos não são o seu adversário central.

O adversário central da esquerda é a minoria elitista, “a elite branca” de que falou Lembo, reacionária e excludente, herdeira política do modo de produção escravista, tão bem retratada por Joaquim Nabuco, já em 1883!

6) Para terminar, em matéria de análise do PIG insuperável segue sendo o mestre Wanderley Guilherme, conforme dois trechos de entrevista de 2007:


“Destes episódios que o senhor listou qual o senhor acha que é o mais emblemático?

Eu acho que dois episódios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por quê? Porque Juscelino não era intérprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia à elite política. Era um homem do PSD – Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intolerância das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, não aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este episódio é bem emblemático. Não houve nada de dramático, de trágico ou suicídio, mas é um exemplo de até onde pode chegar a intolerância do conservadorismo brasileiro. É impressionante. Esse foi pra mim um episódio que define muito bem até onde o conservadorismo é capaz de violar os escrúpulos democráticos.

E o segundo?

É agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa histórica no país. E revela o quanto o conservadorismo se dispõe a comprometer o futuro do país, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo intérprete de uma nova composição social. Isto é, há um grupo parlamentar e há grupos privados – e neles se inclui a imprensa – dificultando a implementação de políticas que são reconhecidamente benéficas ao país, porque estão sendo formuladas e implementadas por um governo intérprete das classes populares. Isso é impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as forças populares – segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor –, na prática, quem pratica o quanto pior melhor são os conservadores.”

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/nassif-o-golpe-de-1964-e-analise-de.html

Vargas, Jango e a nova política trabalhista entre 1951-1964! - por Marcos Doniseti!

Vargas, Jango e a nova política trabalhista entre 1951-1964! - por Marcos Doniseti! 

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 08 de Novembro de 2009)

Como já explicitei anteriormente, na mensagem intitulada 'A Herança de Vargas', o projeto Varguista original visava controlar e tutelar os trabalhadores, submetendo-os ao controle do Estado, e esta foi a política adotada no período 1930-1945.

Porém, Vargas muda essa política quando do seu segundo governo, já como Presidente democraticamente eleito em 1950, que foi de 1951 a 1954, como é do conhecimento de todos.

Neste segundo governo Vargas, a política adotada em relação aos trabalhadores passará por uma mudança radical e isso ocorre, fundamentalmente, em função da crescente capacidade de luta dos trabalhadores brasileiros daquele período, como ficou demonstrado na 'Greve dos 300 Mil', que paralisou as principais cidades do estado de São Paulo, o mais rico e industrializado do país, entre Março e Abril de 1953, em pleno governo Vargas.

Tal movimento grevista foi o maior da história do Brasil até aquele momento e mostrava uma crescente insatisfação dos trabalhadores com a sua situação, principalmente em função de que o salário mínimo havia perdido grande parte do seu poder de compra entre 1943 e 1951, quando a inflação acumulada atingiu 100%, mas o salário mínimo havia sido reajustado em apenas 14%, acarretando significativas perdas para os trabalhadores.

A 'Greve dos 300 Mil' foi vitoriosa e a principal reivindicação do movimento, um reajuste salarial de 32%, acabou tendo que ser atendida pelos empresários. É bom esclarecer também que toda a sociedade apoiou o movimento. Mesmo setores sociais que não participaram do movimento, acabaram apoiando ao mesmo.

Assim, a mudança da orientação política do governo Vargas foi resultado direto das mobilizações dos trabalhadores brasileiros e não uma 'benesse' do presidente, como os 'teóricos do populismo' gostam tanto de dizer.

E quem implementou esta mudança foi Jango, que Vargas escolheu para ser o seu herdeiro político, visto que Jango já era a principal liderança política do PTB gaúcho (depois de Vargas, é claro), era um antigo aliado varguista e as suas famílias eram aliadas de longa data.

Para compreender melhor essa mudança, sugiro a leitura do capítulo ‘Memórias em disputa: Jango, ministro do Trabalho ou dos trabalhadores?’, publicado no livro “João Goulart: Entre a Memória e a História”, coordenado por Marieta de Moraes Ferreira.

Neste capítulo, mostra-se, claramente, que Vargas encarregou Jango, como Ministro do Trabalho, de adotar uma nova política, visando uma crescente aproximação com os trabalhadores organizados. Entre outros aspectos desta política, estavam:

1) Não intervenção nos sindicatos de trabalhadores, permitindo que estes se organizassem de maneira independente em relação ao Estado, mesmo que tivessem direções controladas pelos comunistas, que eram rivais dos trabalhistas no movimento operário naquele momento;

2) Diálogo e negociações francas e abertas com os trabalhadores, a fim de atender às reivindicações dos mesmos;

3) Recusa do governo Vargas em reprimir a ‘Greve dos 300 mil’, que ocorreu em S.Paulo, o que jogará o empresariado contra o mesmo;

4) Concessão de um aumento de 100% para o salário mínimo, pelo governo Vargas, em 1954, o que foi um dos principais fatores que colaborou para detonar o movimento golpista contra Getúlio e que resultou na sua morte em Agosto do mesmo ano;

5) Criação da CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), com o apoio de Jango e que, legalmente, não poderia existir;

6) Criação, pelo governo Jango, do Estatuto do Trabalhador Rural, que estendeu os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários para os trabalhadores rurais e que Caio Prado Jr. considerou como sendo mais importante do que a Abolição da Escravidão.

7) Estímulo à sindicalização dos trabalhadores rurais pelo governo Jango. Com isso, o número de sindicatos na área rural passou de 5, em 1961, para mais de 1500 no início de 1964. Isso ajuda muito a explicar porque os latifundiários brasileiros atuaram de maneira tão intensa no movimento golpista que derrubou o governo Jango em 1o de Abril de 1964.

8) Apoio às lutas das ‘Ligas Camponesas’ pela Reforma Agrária que era uma das ‘Reformas de Base’;

9) Adoção, pelo PTB e por Jango (escolhido por Vargas como o seu legítimo herdeiro político), da defesa das ‘Reformas de Base’, que incluíam, entre outras inúmeras e significativas mudanças, a Lei de Remessas de Lucros para o exterior (foi adotada em 1962), o direito de voto para os analfabetos, o combate ao analfabetismo adulto (programa este que foi comandado por Paulo Freire).

Assim, os governos de Vargas (1951-1954) e de Jango (1961-1964) promoveram uma mudança radical nas políticas trabalhistas. No lugar de tutelar e controlar os trabalhadores, os governos democráticos de ambos (1951-1954 e 1961-1964) estimularam a sua organização de maneira independente em relação ao Estado.

Eles não fizeram isso porque eram ‘bonzinhos’, mas em função do fato de que possuíam uma aguda sensibilidade política e sociai e também porque havia uma crescente capacidade de mobilização e de organização dos trabalhadores e que se processava de maneira cada vez mais independente em relação ao Estado.

Tais mudanças caracterizaram um total abandono daquela política anterior, de ‘tutela e controle’ do movimento operário pelo Estado, e que vigorou no período de 1930-1945, pois a manutenção de tal política num ambiente democrático era totalmente inviável.

Vargas e Jango tiveram a sensibilidade política para perceber isso, daí as mudanças que promoveram na maneira de se relacionar com as classes trabalhadoras, que se organizavam e se mobilizavam cada vez mais em defesa dos seus interesses.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-nova-politica.html

Jango e o Golpe de 1964 - por Marcos Doniseti!

Jango e o Golpe de 64!- por Marcos Doniseti! 

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 27/12/2009; atualizado no dia 20 de Agosto de 2011)

Nassif, respeito totalmente as suas opiniões, é claro, mas não compartilho com as mesmas em relação ao governo Jango. Este tomou uma série de iniciativas que frutificaram, mesmo depois na época da Ditadura Militar (sob uma forma muito mais autoritária, é claro).

Exemplos:

1) Os primeiros estudos para se construir uma usina hidrelétrica que depois se transformou na Usina de Itaipu foram feitos no governo Jango;

2) O governo Jango aprovou o Estatuto do Trabalhador Rural, que Caio Prado Jr. considerou como sendo mais importante do que a Lei Áurea;

3) Foi o governo Jango que criou a Eletrobrás, que foi fundamental para ampliar os investimentos no setor de energia nas décadas seguintes e que modernizou e ampliou o setor, no qual o Brasil enfrentava grandes dificuldades até então, inclusive com racionamentos e cortes frequentes no fornecimento, mesmo nos estados mais ricos do país (SP e RJ). Então, por aí, se imagina como era a situação no restante do país;

4) Foi o governo Jango quem modernizou a estrutura universitária brasileira, ao implantar a Universidade de Brasília. O modelo de reforma da mesma (liderada por Darcy Ribeiro) serviu, depois, de modelo para a reforma universitária feita no regime militar em 1969;

5) O governo Jango estimulou a criação de sindicatos de trabalhadores rurais, que praticamente não existiam antes do seu governo. Em 1964 já eram cerca de 1500. Assim, o governo Jango criou a legislação trabalhista para o trabalhador rural e, ao mesmo tempo, criou as condições para que os trabalhadores rurais lutassem para transformar tais direitos em realidade.

6) A inflação e o déficit público foram heranças recebidas dos governos anteriores (JK e Jânio). A maxidesvalorização da moeda nacional em 1961, no governo Jânio, mais do que dobrou a taxa de inflação mensal no país, passando de 1,5% ao mês para cerca de 3,5% a 4% ao mês.

A aceleração da inflação, que é anterior ao governo Jango, promovia a desvalorização da arrecadação de impostos, tornando praticamente impossível resolver o problema do déficit público. O regime militar resolveu esse problema criando a correção monetária.

Jango cometeu erros, é claro, mas era o único líder efetivamente democrático que tínhamos no Brasil naquela época. As esquerdas mais radicais, lideradas por Brizola e Arraes, defendiam o fechamento do Congresso Nacional e que Jango governasse de forma autoritária. Jango recusou as pressões neste sentido.

E a Direita brasileira era golpista por natureza, tendo já organizado várias tentativas de Golpe antes mesmo do Golpe de 1964, que ocorreram em 1945, 1954, 1955, mais duas tentativas no governo JK, 1961 (Revoltas Militares de Jacareacanga e de Aragarças... Ambas foram tentativas de se desencadear um Golpe de Estado mas, felizmente, fracassaram).

Os planos de Jango, como o Trienal, foram inviabilizados justamente em função do fogo cruzado entre as Direitas Golpistas e as Esquerdas Radicais (do qual o César Benjamim, é um sofrível sobrevivente).

O erro fatal de Jango, e que acabou contribuindo para o Golpe de 64,  foi romper a aliança com o PSD (que era o PMDB da época).

Isso uniu todas as Direitas (tantos as radicais como as moderadas) em torno do projeto golpista das Direitas extremistas. Estas, até então, eram minoritárias até antes da opção de Jango por fazer uma aliança com Brizola e com as Esquerdas radicais e por romper a aliança com o PSD.

As Direitas moderadas chegaram até a apoiar a volta do Presidencialismo no início de 1963… Inclusive, Jango nomeou alguns dos seus representantes como ministros quando recuperou seus poderes em Janeiro de 1963.

Bem, Jango cometeu erros, sem dúvida alguma, mas seu governo atualizou a agenda política do país e foi vítima do radicalismo político-ideológico da época, quando vivíamos o auge da Guerra Fria.

E não se pode esquecer que foi o governo Kennedy quem decidiu mandar derrubar o governo Jango, ainda em 1961. Esta informação se encontra no livro ‘Uma História da CIA”, de Tim Weiner.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/jango-o-golpe-de-1964-e-o-meu.html

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti!

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti!

(Texto originalmente publicado no blog Guerrilheiro do Entardecer no dia 30/11/2009 e atualizado no dia 25 de Agosto de 2012)


Reproduzi aqui no blog o texto do Luiz C. Azenha, intitulado 'A patética Esquerda sem povo'. E gostei tanto do mesmo que decidi escrever uma análise com base nos pontos levantados pelo Azenha em seu brilhante texto.

Então, vamos lá:

Governo Lula dá continuidade aos governos de Vargas e Jango! - por Marcos Doniseti

"Azenha: Lula ‘roubou’ o povo das Esquerdas radicais!!".

Foi brilhante a conclusão do Azenha em seu texto.

E neste sentido, de 'roubar' o povo (prefiro a expressão trabalhadores, e irei usá-la no lugar de 'povo', ok?) das Esquerdas vanguardistas iluminadas pelo espírito de Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao e cia, Lula nem foi o primeiro a fazer isso no Brasil.

Getúlio Vargas também fez o mesmo, ao criar a legislação trabalhista e reconhecer os direitos dos trabalhadores que, pela primeira vez na história do Brasil, passaram a ser tratados como cidadãos e as suas reivindicações foram, em grande parte, atendidas pelo governo de Vargas.

E foi justamente por isso que Vargas se tornou verdadeiramente adorado pelos trabalhadores brasileiros da época, tal como acontece com Lula, hoje, que é respeitadíssimo entre os trabalhadores, mas é ainda mais admirado entre os pobres e os miseráveis.

Para mim, ao levar adiante um processo de inclusão social, econômico e político, Lula está completando as obras de Vargas e Jango.

O primeiro (Vargas) reconheceu os direitos dos trabalhadores urbanos, o segundo (Jango) criou a legislação trabalhista para o trabalhador rural (foi o governo Jango que elaborou o Estatuto do Trabalhador Rural e estimulou a sindicalização dos mesmos).

Porém, estas políticas trabalhistas tinham uma limitação: elas somente beneficiavam os trabalhadores com registro em carteira de trabalho e que estavam organizados em sindicatos.

Mas, e os demais, que existiam em grande número? E aqueles que permaneciam na informalidade e que nunca tiveram qualquer chance de ter acesso às leis trabalhistas criadas por Vargas e aprofundadas por Jango?

Lula deu continuidade às políticas de inclusão social e política implantadas por Vargas/Jango e criou um conjunto de políticas públicas que beneficiam, justamente, a estes setores que, antes de Lula, não chegavam a se beneficiar com as leis sociais e trabalhistas que vigoravam no país há muitas décadas.

Eram os excluídos.

E não foi apenas através de políticas de inclusão social (como o Bolsa-Família, o Luz Para Todos ou o ProUni) que Lula conseguiu isso mas, principalmente, através da geração de empregos formais (foram gerados quase 15 milhões deles no governo Lula), do controle e da redução da taxa de inflação, e que é fundamental para se aumentar a renda dos mais pobres, pois estes não tem recursos para aplicar no mercado financeiro, como ocorre com os ricos e as classes médias mais abastadas.

O governo Lula reduziu a taxa de inflação pela metade quando se compara com o governo FHC, com a mesma caindo de 12,5% ao ano em 2002 para 5,9% em 2010, e o aumento real do salário mínimo atingiu 53% em seus oito anos de mandato.

A combinação de geração de empregos formais em número recorde, concessão do maior aumento real para o salário mínimo desde o governo Jango, a criação e ampliação de políticas de inclusão social, redução da taxa de desemprego (caiu de 10,5% em Dezembro de 2002 para 5,3% em Dezembro de 2010) e a redução da inflação pela metade fizeram com que o governo Lula terminasse a obra de Vargas/Jango, ou seja, a de construir um país melhor e digno Para Todos.

Não é à toa, portanto, que 40 milhões de brasileiros subiram de classe sócio-econômica, ascendendo, principalmente, das classes D/E para a classe C. Outros 10 milhões subiram para as classes A/B. No total, 50 milhões de brasileiros ascenderam social e economicamente no país entre 2003-2010. E este processo teve continuidade no governo Dilma, sendo que em seu primeiro ano de governo a pobreza diminuiu 7,9%, segundo o IPEA.

Assim, pela primeira vez na história do Brasil temos, hoje, a chance de construir um país em que todos possam desfrutar de uma vida digna e mesmo aqueles que estão, ainda, no mais baixo degrau da escala sócio-econômica, tem possibilidades reais e concretas de melhorar de vida.

O governo Lula criou, para as classes D e E e mesmo para grande parte da classe C a possibilidade concreta e real de melhorar de vida. Tais segmentos, que são a maioria absoluta da população, nunca chegaram a se beneficiar, de fato, com as leis trabalhistas de Vargas/Jango.

Isso aconteceu não por culpa deles, é claro, mas em função do fato de que o processo de inclusão social iniciado por eles foi interrompido pela Ditadura Militar. Esta, aliás, foi instalada justamente para isso mesmo, ou seja, para destruir com aquele projeto de inclusão iniciado por Vargas e que teve continuidade com Jango, dizendo que o mesmo era sinônimo de ‘comunismo’, o que era uma gigantesca asneira, é claro.


Mas, o argumento ‘comunista’ colou junto às classes médias e altas da época e entre as Forças Armadas e isso resultou na derrubada do governo Jango.

E o que a Ditadura Militar fez depois disso? Intensificou o processo de exploração da força de trabalho, arrochando brutalmente os salários. Foi justamente para viabilizar tal política de arrocho que o movimento sindical, tanto rural como urbano, foi duramente reprimido pela Ditadura.

E o resultado disso é que nos dois primeiros anos da Ditadura Militar mais de 10 mil dirigentes sindicais foram afastados de seus cargos, com muitos sendo presos, torturados, exilados e até assassinados. Tal política foi mantida até 1985 e aumentou fortemente a concentração de renda e as desigualdades sociais no país durante o período ditatorial.

E o estrago feito pela Ditadura nas áreas econômica e financeira (a falência do Estado, com o brutal aumento da dívida externa, o forte aumento da inflação, o forte crescimento do desemprego e o arrocho salarial) inviabilizaram qualquer tentativa de se redistribuir a renda em benefício dos mais pobres e dos trabalhadores durante os 21 anos de regime ditatorial no Brasil. 

Já o projeto neoliberal de Collor e de FHC, na verdade, radicalizou essa política implantada pela Ditadura Militar, de aumentar a exploração da força de trabalho, e não poderia, mesmo, portanto, resultar em qualquer melhoria para os trabalhadores e para os mais pobres. No governo FHC, por exemplo, a taxa de desemprego subiu de 3,4% (em Dezembro de 1994) para 6,5% (Dezembro de 2002). segundo o IBGE.

Assim, coube ao governo Lula (apoiado pelos mais significativos movimentos sociais brasileiros, como o sindical, de sem-terra, sem-teto, estudantil, entre muitos outros) a tarefa de retomar o projeto de se construir uma Nação mais justa, igualitária, democrática, soberana.

Vejam que a política externa do governo Lula é uma continuação da política externa independente que começou a ser implantada ainda no final do governo JK, que tinha Jango como Vice-Presidente, e que já defendida pelo PTB no início dos anos 1950.

Neste modelo de sociedade e de Estado, os trabalhadores, os mais pobres e os miseráveis podem ter a chance de ascender social, econômica, política e culturalmente.

E é neste aspecto, de se criar políticas que promoverm a ascensão das classes mais pobres, que entendo que o governo Lula é uma continuação do projeto de Vargas/Jango.

E não é à toa que, principalmente nos casos de Vargas e de Lula, ambos conseguiram afastar os trabalhadores e os mais pobres dos grupos mais radicais das Esquerdas .

Aliás, Jango não conseguiu isso e teve que se aproximar das Esquerdas mais radicais (que se fortaleceram muito entre 1961-1964) e isso foi fundamental para que fosse derrubado pelas Direitas em 01 de Abril de 1964. Estas até aceitavam Jango como Presidente, mas desde que ele se afastasse dos grupos nacionalistas e esquerdistas mais radicais e adotasse políticas conservadoras, o que ele não aceitou, evidentemente.

E é por causa disso que as Esquerdas radicais tem tanto ódio de Lula e do PT.

Aliás, elas destilam contra Lula e o PT o mesmo ódio que direcionavam contra Vargas, Jango e o PTB e justamente pelo mesmo motivo: porque eles, com suas políticas trabalhistas e reformistas de inclusão social, cultural, política e econômica, afastaram os trabalhadores das Esquerdas mais radicais.

Recentemente, li o livro ‘O Imaginário Trabalhista’ (muito bom... recomendo a leitura), do brilhante historiador Jorge Ferreira, onde ele conta que, na época do segundo governo Vargas, o PCB decidiu fazer oposição radical ao mesmo e, daí, os seus militantes começaram a ir para as portas das fábricas falar mal de Vargas, chamando-o de ‘agente do Imperialismo’ e outras imbecilidades do mesmo tipo.

Sabe o que aconteceu? Os pecebistas passaram a levar um monte de pedradas e de pauladas dos trabalhadores. Estes ficaram com tanto ódio dos comunistas que quando Vargas se suicidou o primeiro prédio que os trabalhadores atacaram, no Rio de Janeiro, foi o do jornal do PCB, o 'A Voz Operária'.


Depois disso, o PCB percebeu o absurdo de se falar mal de Vargas e se aliou ao PTB e a Jango. Somente nos meses anteriores ao Golpe de Abril de 1964 é que o PCB se integrou aos grupos nacionalistas e esquerdistas mais radicais.

Não duvido muito, que daqui a alguns anos, as Esquerdas radicais percebam que essa oposição radical, maluca e suicida que fazem ao governo Lula, está afastando-as dos trabalhadores e dos mais pobres.

E daí, mesmo que a contragosto, talvez elas voltem a se aproximar de Lula e do PT. 

Mas, até lá elas irão levar muita paulada e muita pedrada dos trabalhadores, principalmente nas urnas.

Então, o Azenha 'matou a charada' com este texto.


Links:

Pobreza no Brasil diminui 7,9% em 2011, diz IPEA:

http://revistaepoca.globo.com/Negocios-e-carreira/noticia/2012/03/pobreza-no-brasil-diminui-79-em-2011.html

Taxa de Desemprego em Dezembro de 2002 foi de 10,5%:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR55190-6012,00.html

Taxa de Desemprego em Dezembro de 1994 foi de 3,4% (metodologia antiga):

http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/monografias/GEBIS%20-%20RJ/pme/1994_PME_12.pdf

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-lula-e-as-esquerdas.html

Por que Vargas, Jango e Lula foram os melhores presidentes da história do Brasil:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/07/por-que-vargas-jango-e-lula-foram-os.html

Vargas, Jango e a nova Política Trabalhista entre 1951-1964:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-jango-e-nova-politica.html

Vargas, o PTB, Eduardo Gomes, Hugo Borghi e os marmiteiros:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/11/vargas-o-ptb-eduardo-gomes-hugo-borghi.html

Nassif e o Golpe de 64:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/nassif-o-golpe-de-1964-e-analise-de.html

Azenha:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/o-jornalista-luiz-carlos-azenha-pelo.html

Livros sobre o governo Jango:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/03/livros-sobre-o-governo-joao-goulart.html

Nassif, o governo Jango e o Golpe de 64:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2009/12/nassif-o-governo-jango-e-o-golpe-de.html

Lula, Jango e a coalização com o centro moderado:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/03/lula-jango-coalizao-com-o-centro.html

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Kassab e Alckmin tentam se mostrar confiáveis para o eleitorado lulista! - por Marcos Doniseti!

Kassab e Alckmin tentam se mostrar confiáveis para o eleitorado lulista! - por Marcos Doniseti!


Os mais recentes movimentos de Alckmin e de Kassab mostram que ambos estão tentando se mostrar como sendo lideranças políticas confiáveis para o eleitorado lulista, principalmente para a 'nova classe média' que se formou durante o governo do Presidente Lula. Neste, 40 milhões de brasileiros entraram para a classe média, ampliando consideravelmente o mercado consumidor do país. 

Vejam o caso de Kassab: Ele criou um partido de direita, o PSD, e faz um 'discurso de esquerda', falando de justiça social e em se construir um país mais avançado, para tentar atrair o 'povão' assalariadao, pobre e miserável que melhorou de vida e que 'lulou' e, em 2010, 'dilmou'.

Assim, Kassab abandonou inteiramente o discurso do PSDB/DEM/PPS, que ficaram os últimos 8 anos dizendo aos brasileiros o quanto o governo FHC e as privatizações foram lindas e maravilhosas, o que entrava em choque frontal com a percepção que a própria população tinha, tanto de um, como de outro.

Como esse discurso fajuto dos tucanos e de seus aliados não 'colou' junto aos eleitores, Kassab abandonou esse monte de asneiras e, agora, tenta chegar ao topo do poder  usando de um discurso e de uma postura aparentemente progressistas, que defende o diálogo com todos, tentando agradar a cariocas e baianas, capitalistas e assalariados.

No caso de Kassab, isso significa vencer a eleição para o governo do estado de SP em 2014 e, provavelmente, ele fará isso tentando estabelecer algum tipo de aliança, formal ou informal, com o PT, Lula ou Dilma (dependendo de qual deles será o candidato do PT à Presidência da República), a fim de viabilizar a sua vitória. 

Com a sua origem de classe, a burguesia comercial paulista (Kassab foi presidente da Associação Comercial de SP), e seu perfil político-ideológico, um conservador 'moderado', Kassab tenta abrir uma brecha na polarização existente (tanto no plano estadual, como no federal), entre PT e PSDB.

Alckmin e FHC já perceberam isso e tentam, agora, se mostrar confiáveis para Dilma e para o eleitorado lulista, para a nova classe média criada pelo governo de Lula  (que é quem decide eleição no Brasil, agora) pois sabem que se não ganharem a confiança deste segmento da sociedade os tucanos jamais conseguirão voltar ao centro do poder, ou seja, à Presidência da República. E foi por isso que eles decidiram colaborar com o governo Dilma na política de erradicação da miséria na região Sudeste. 

Assim, na próxima eleição de 2014, o PSDB poderá se apresentar como um dos responsáveis por tal política, principalmente no caso dela ser bem sucedida, é claro.

Se cuidem, Lula e Dilma! Tratem de garantir o apoio do 'povão', da classe C, da nova classe média, antes que a mesma eleja um Berlusconi, como diz o PHA.

A questão é: Quem será o Berlusconi tupiniquim? Aécio, Alckmin ou Kassab?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A desnacionalização do grande varejo e a vocação colonial do Brasil! - por Marcos Doniseti!

A desnacionalização do grande varejo e a vocação colonial do Brasil! - por Marcos Doniseti!


Infelizmente, os entreguistas venceram: Com o fracasso da compra do Carrefour pelo Pão de Açúcar não sobrará nenhum grande grupo varejista sob controle brasileiro em nosso país. Todos os grandes grupos estarão sob controle estrangeiro. É a total e completa desnacionalização e entrega de todo um setor, cada vez mais importante, da economia brasileira.

Os entreguistas venceram e podem comemorar: Em 2012 o grupo francês Casino assumirá o controle do Pão de Açúcar. E o Carrefour no Brasil será comprado pelo norte-americano Walmart.

Aqueles que defendem o retorno do Brasil à condição de colônia estão vibrando com essa derrota que impuseram ao país e ao seu povo.

Assim, apenas grupos estrangeiros controlarão o grande comércio varejista no Brasil. Como se percebe, a vocação para ser colônia ainda não acabou no Brasil.

Brizola Neto acertou em cheio: 'Progressistas' de araque ajudaram a entregar o grande varejo do Brasil para o capital estrangeiro.

Assim, descobrimos que grande parte dos ditos 'progressistas' tupiniquinsambém são entreguistas e vende-pátrias, tal como os neoliberais tupiniquins aos quais eles sempre atacaram.

Esses 'progressistas' entreguistas não perceberam, ainda, que a construção de uma nação mais democrática e mais justa passa pela questão da Soberania.

E com setores importantes e cada vez mais numerosos da economia brasileira nas mãos de estrangeiros esta Soberania vai para a lata de lixo.

A soberania é pré-condição essencial para a construção de uma Nação democrática e justa. Mas os 'progressistas' de araque ainda não descobriram isso, coitados.

Não se pode assistir, passivamente, a um fato tão deprimente quanto este: ver todo um setor da economia nacional ser entregue para estrangeiros de mãos beijadas e com o total apoio de um segmento majoritário das chamadas forças 'progressistas' do país.

O governo Dilma deveria reagir e baixar uma MP proibindo a desnacionalização do grande varejo do país, limitando o capital estrangeiro no setor. Isso deveria ser feito mesmo que gerasse desgaste político e eleitoral.

E os grupos estrangeiros que já atuam no país deveriam se submeter às novas regras. A China faz isso, aliás.

Na China, uma empresa estrangeira que queira investir no país precisa se associar com uma empresa estatal chinesa e criar uma nova empresa (uma joint-venture). Nesta nova empresa, a empresa estatal chinesa controla 51% do capital, ou seja, a nova empresa já nasce estatal. E isso vale para todas as multinacionais estrangeiras que desejam investir na China.

Além disso, as empresas estrangeiras são obrigadas a transferir a tecnologia (de administração, de produção, etc) para os chineses.

Tais regras deveriam começar a valer no Brasil também, antes que seja tarde demais e toda a economia brasileira caia nas mãos do capital estrangeiro, tal como está acontecendo com o grande varejo do país.

Acordem, brasileiros, antes que seja tarde demais!

Acordem!


Obs:

Vejam o que um típico neoliberal entreguista e vende-pátria postou no blog do PHA:

"""Que alívio esse negocio furar, assim o ano que vem sai mais um player do mercado, bye bye Abiliô benvido Casino.""":

Como se percebe, os neoliberais e entreguistas estão vibrando com o fracasso da compra das operações do Carrefour no Brasil pelo Pão de Açúcar.

Aos supostos 'progressistas' (que, na verdade, revelaram-se entreguistas e vende-pátrias enrustidos e que viraram os queridinhos do Warren Buffett, maior acionista do Walmart) que também estão felizes com isso, o meu aviso:  

Diga-me com quem andas e te direi quem és!

Link:
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2011/07/12/bndes-conta-meia-verdade-e-diz-bye-bye-abilio/#comment-489953

Por que ninguém consegue aprovar a Reforma Política! Referendo Já!- por Marcos Doniseti!

Por que ninguém consegue aprovar a Reforma Política! Referendo Já!- por Marcos Doniseti!

Muitos defendem a adoção de uma Reforma Política que moralize, um pouco que seja, a prática política no país e que fortaleça os partidos, diminuindo a margem de manobra para a atuação de políticos fisiológicos e corruptos, que vivem exigindo verbas e cargos para aprovar qualquer projeto de interesse dos governos.

O problema é que uma Reforma Política precisa ser aprovada por esse mesmo Congresso Nacional cujos integrantes são os que mais se beneficiam com as regras do atual sistema político. Portanto, eles são os últimos interessados em mudar qualquer coisa.

Pedir para os congressistas aprovarem uma Reforma Política que vai contra os seus próprios interesses é como pedir para um criminoso se condenar à morte e acionar a caderia elétrica que irá matá-lo.

Isso jamais acontecerá, a não ser que haja uma fortíssima pressão popular, semelhante à do 'Fora Collor' ou das 'Diretas Já'.

Outra possibilidade é a de se eleger uma Assembléia Constituinte exclusiva para discutir e aprovar a Reforma Política e que os atuais congressistas sejam proibidos de participar da mesma, pois permitir isso seria o mesmo que eleger a raposa para tomar conta do galinheiro.

A presidenta Dilma deveria convocar um referendo, perguntando à população se esta deseja eleger uma Assembléia Constituinte exclusiva para aprovar uma Reforma Política.

Como a insatisfação popular com a classe política é gigantesca, duvido que a proposta seria rejeitada pela população. As chances de aprovação seriam imensas.

Daí, com a instalação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para fazer a Reforma Política, a mesma deveria aprovar mudanças importantes no sistema político brasileiro, tais como:

1) Adoção do voto distrital misto;

2) Proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais;

3) Adoção do financiamento público de campanha;

4) Proibição de coligações para eleições proporcionais;

5) Adoção de uma fidelidade partidária rígida, proibindo a troca de partido em qualquer circunstância. Quem abandonasse o partido pelo qual fosse eleito, perderia o mandato;

6) Criação de regras mais rígidas para a criação de partidos políticos, exigindo-se um número maior de filiados, de diretórios municipais e estaduais, a fim de impedir a criação de partidos de aluguel ou de conveniência, como é o caso do PSD do Kassab;

7) Criação de cláusula de barreira, a fim de exigir um mínimo de representatividade dos partidos para que eles possam ter representantes no Parlamento.

Governo Dilma está certo em perseguir um crescimento de 4% em 2011 e em 2012! - por Marcos Doniseti!

Governo Dilma está certo em perseguir um crescimento de 4% em 2011 e em 2012! - por Marcos Doniseti.

Entendo que o governo de Dilma está absolutamente correto em sua decisão de tentar manter a economia crescendo a um ritmo de 4% ao ano neste e no próximo ano. E por vários motivos:

A inflação não está muito acima do teto da meta, não, que é de 6,5% ao ano e os dados mais recentes mostram queda da mesma.

As metas de inflação variam de 2,5% (piso) a 6,5% ao ano (teto) justamente para absorver os efeitos das crises e mudanças que ocorrem na economia mundial.

Além disso, a própria redução do crescimento econômico mundial irá colaborar para reduzir a inflação no Brasil. Uma das consequências da crise global deverá ser a redução dos preços das commodities exportadas pelo Brasil. E isso diminuirá a inflação no mundo inteiro, incluindo o Brasil.

Assim, com uma inflação menor, a taxa Selic também poderá ser reduzida.

E com um crescimento de 4% ao ano, além de não termos problemas nas contas externas (afinal, o déficit é financiado sem maiores dificuldades e o país já tem reservas internacionais superiores a US$ 350 bilhões), a inflação ficará sob controle e o país continuará gerando novos empregos e permitindo as melhorias dos salários dos trabalhadores.

E com um crescimento de 4% ao ano, a arrecadação de impostos do governo continuará aumentando, permitindo a manutenção dos programas de investimentos, como o PAC 1 e 2, o Minha Casa Minha Vida 1 e 2, e reduzindo a relação dívida/PIB.

Portanto, a continuidade do crescimento também irá colaborar para manter as contas públicas sob controle sem que seja necessário reduzir os gastos públicos.

Com tudo isso, o mercado interno brasileiro continuará vigoroso e puxando o crescimento do país em um momento de forte retração da economia dos países ricos, que deverão ficar estagnados por muito tempo, ainda, o que irá prejudicar as nossas exportações, até porque os preços das commodities deverão cair nos próximos anos, à medida que a estagnação dos países ricos se confirmar.

Com os EUA, a União Européia e o Japão estagnados, não há como o comércio internacional continuar crescendo no mesmo ritmo de antes desta recente crise que, na verdade, é continuação da crise de 2008 e que ainda está muito longe de terminar.

Logo, o governo Dilma está mais do que certo em perseguir um crescimento econômico de 4% em 2011 e em 2012.