sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Terceira Guerra Mundial já começou! - por Marcos Doniseti!












Pepe Escobar é genial. Quem se assustar com o tamanho da entrevista concedida por ele, sugiro que não desista, pois ela vale realmente a pena. 

Aprende-se mais, sobre os conflitos mundiais e as grandes questões internacionais, com a leitura desta entrevista fantástica do que com a leitura de 'trocentos' outros textos publicados pela grande mídia global afora. Pepe está atualizadíssimo sobre sobre o cenário mundial atual. Não deixem de ler. É imperdível.


Agora, sobre o que o Pepe fala, levanto algumas questões:


1) Pepe deixa claro que está em andamento uma 'nova Guerra Fria' entre as grandes potências (EUA, Rússia e China, em especial) e com outras potências menores - muitas restritas a uma atuação regional ou de caráter mais limitado - também envolvidas (França, Reino Unido, Israel, Arábia Saudita, Qatar) e que, muitas vezes, essa guerra fria se torna bem quente. 

Todas essas potências - as maiores e as menores - procuram, continuamente, ganhar influência e aumentar o seu poder nas regiões estratégicas do planeta. 

Isso não é novidade nenhuma em termos de história da Humanidade, mas esse processo está sempre em andamento e passa por mudanças significativas periodicamente, tal como acontece neste momento histórico. E é a natureza desta reconfiguração do poder mundial que Pepe analisa com brilhantismo inigualável.

Neste processo de mudanças, ninguém é mais agressivo do que os EUA, que usaram a 'Guerra contra o Terror' como mero pretexto para ampliar a sua presença militar direta nas regiões estratégicas do planeta, como são o Oriente Médio (que tem 60% do petróleo do mundo), a Ásia Central, o Norte da África e a América do Sul, devido à sua importância como grandes fontes de fornecimento de recursos naturais que são essenciais ao funcionamento da economia mundial.



2) Lembram-se quando muitos analistas diziam, lá por volta de 1989-1990, quando a URSS desmoronou, que existia uma nova economia, baseada apenas em conhecimento, e que os recursos naturais não tinham mais importância alguma? Pois então, esqueça dessa bobagem monumental. Isso não passa de uma asneira e de uma estupidez sem limites.

A entrevista de Pepe mostra que, na realidade, todas as guerras importantes que estão em andamento pelo mundo afora deve-se à disputa pelo controle de territórios ricos em recursos naturais (água, petróleo, gás, minérios, etc). 

Aliás, não foi à toa que, recentemente, os EUA anunciaram que o Afeganistão possui reservas minerais avaliadas em US$ 1 trilhão.

link: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,eua-descobrem-reservas-minerais-de-r-1-trilhao-no-afeganistao-diz-nyt,22736,0.htm


3) Pepe mostra que os EUA estão procurando passar a controlar, diretamente, todas as regiões que são estratégicas para o funcionamento da economia ianque e da economia capitalista globalizada, e que são aquelas que tem grandes reservas de recursos naturais. 

Isso ajuda a explicar, e muito, o motivo do expansionismo ianque desenfreado pelo mundo afora, principalmente no Oriente Médio, Ásia Central, América do Sul e África. Em alguns casos, esse expansionismo se manifesta através de guerras (Iraque, Afeganistão, Líbia). 


Em outros momentos isso acontece através de Golpes de Estado (exemplos: Venezuela em 2002, Bolívia em 2008 e Equador em 2010). E em outros casos, isso ocorre através de ações militares secretas - e outras não tão secretas - feitas em territórios inimigos ou onde inimigos dos EUA atuem com certa desenvoltura (caso do Irã, Paquistão, Iêmen).



4) A entrevista de Pepe mostra que os EUA perderam poder e influência na Ásia Central, onde Rússia e China aumentaram significativamente a sua presença, tendo formalizado uma aliança econômica entre elas, a chamada Organização de Cooperação de Xangai (OCX), inclusive, para conter o expansionismo ianque nesta região e que está crescendo e incorporando novos países: 

link: http://portuguese.ruvr.ru/2011/05/14/50290439.html

A Rússia, liderada por Vladimir Putin, não aceita se submeter à vontade dos EUA, tal como aconteceu durante o governo de Boris Ieltsin, e diz isso de forma muito clara, com o primeiro-ministro russo dizendo que os EUA querem ter vassalos e não aliados (ver link mais abaixo).

Isso também aconteceu na América Latina, principalmente depois de 2002, quando fracassou o Golpe de Estado contra Chávez. E o fracasso dos golpes contra Evo Morales (em 2008) e Rafael Corrêa (em 2010) e as contínuas vitórias eleitorais de candidatos nacionalistas e reformistas de Centro-Esquerda e de Esquerda (Lula, Kirchner - Nestor e Cristina - Chávez, Rafael, Evo, Lugo, Ortega, Funes, Ollanta) na América Latina também levou a uma significativa redução da influência e do poderio dos EUA na região. 

A criação da Unasul e da Celac representam, claramente, um sinal bem claro da perda do poderio dos EUA na região. Os países da área estão procurando intensificar e aprofundar o processo de integração entre eles, deixando os EUA e o Canadá de fora do mesmo. 



A Venezuela tem relações muito fortes com a Rússia, na área militar, e com a China, na área de petróleo. Isso, é claro, limita o poder dos EUA de continuar interferindo no país de Bolívar. 

A comprovação de que a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo (informação confirmada pela OPEP... ver link abaixo) e de que as reservas de petróleo do pré-sal brasileiro podem chegar a 100 bilhões de barris, transformaram a América do Sul em uma região altamente cobiçada pelos grandes consumidores de petróleo do mundo. Em função disso, Brasil e Venezuela já estão tratando de se fortalecer militarmente a fim de garantir o controle destas gigantescas fontes de riqueza (ver links abaixo).


5) Pepe também demonstra que a 'Primavera Árabe' representa uma grande ameaça aos interesses dos EUA, de Israel e das Monarquias obscurantistas do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, EAU, Bahrein, Kuwait) e que a intervenção da OTAN na Líbia foi feita, em grande parte, com o objetivo de tentar conter o fortalecimento e o crescimento da mesma, que poderia, em algum momento, chegar a se desenvolver nestas Monarquias ditatoriais do Golfo Pérsico. 

Ele também deixa claro que tais monarquias são, na prática, províncias do Império Ianque e que atuam como uma força Contrarevolucionária em todo o Oriente Médio e no Norte da África (regiões que os EUA chamam de 'Grande Médio Oriente') e que elas tiveram um papel decisivo na derrubada de Khadafi, que era um inimigo declarado destas Monarquias do Golfo, bem como do Estado sionista de Israel. 


6) Um comentário muito importante feito pelo Pepe é relativo ao uso do dólar como moeda reserva de valor, por parte de governos e de investidores. 

É isso, de fato, que garante aos EUA a obtenção dos recursos necessários ao financiamento do seu consumismo e, principalmente, de suas guerras e de seus gastos militares. É o fato de que o dólar é a moeda mais utilizada, mundo afora, como moeda de reserva e em transações econômicas e financeiras internacionais que permite aos EUA se financiarem. 


Porém, mesmo isso está sob risco, pois a participação do dólar como moeda de reserva tem diminuído a cada década. 

Atualmente, cerca de 62% das reservas internacionais são em dólar, mas há cerca de uns 30 anos esse percentual passava dos 90%. Isso aconteceu devido à criação do euro e ao progressivo fortalecimento de outras moedas mundo afora (Yuan, Real, Rublo, Rúpia indiana). 

Como as economias destes países, no caso dos BRICS, crescem muito mais do que a dos EUA, então este processo deve continuar nas próximas décadas. E vários países já estão usando cada vez menos o dólar nas transações comerciais entre eles. Nestes últimos dias, por exemplo, China e Japão decidiram reduzir o uso do dólar nos negócios realizados entre si (ver link abaixo).


Caso este processo, de fato, tenha continuidade e se aprofunde nas próximas décadas, os EUA terão dificuldades cada vez maiores para se financiarem, o que os obrigará a financiar as guerras e os gastos militares com recursos próprios. Para isso, será necessário aumentar impostos e arrochar a renda dos consumidores estadunidenses, reduzindo consideravelmente o padrão de vida dos mesmos.



7) A chamada 'Guerra Infinita', iniciada pelo governo Bush, a pretexto de combater o terrorismo pelo mundo, representa, na prática, o início da Terceira Guerra Mundial por parte dos EUA que, a partir daí, aumentaram significativamente seus gastos militares (sozinhos, os EUA gastam 43% de todas as despesas militares mundiais - ver o link http://cebrapaz.org.br/site/todas-as-noticias/370.html ) e criaram novos campos de batalha pelo mundo afora, principalmente no Oriente Médio (Irã, Síria, Iraque, Iêmen), na Ásia Central (Afeganistão e Paquistão, principalmente) e na África (Líbia). 

Neste processo, os EUA se utilizam da OTAN, com seus 'sócios minoritários' nas guerras contribuindo para tal ofensiva (caso do Reino Unido, da França e da Itália, principalmente). 




Esse cenário demonstra que a política da 'Guerra Infinita' representa uma clara ofensiva bélica global por parte dos EUA, ou seja, são guerras feitas para ampliar o poderio americano no mundo e conter o crescimento dos países emergentes, principalmente dos BRICS, e que o mesmo conta com o apoio de países aliados da OTAN (que é inteiramente controlada pelos EUA) e das Monarquias obscurantistas do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, etc), entre outros 'sócios minoritários' espalhados pelo mundo e que, de alguma maneira, procuram se beneficiar com isso.


Tal expansionismo dos EUA, porém, enfrenta uma forte resistência de outras grandes potências emergentes, mais tradicionais, como Rússia e China,  de outras 'menores', como Brasil e Índia, mas que estão crescendo rapidamente. 

Estas potências percebem, claramente, que essa 'Guerra Infinita' ianque significará perda de poder, de influência e de soberania para eles, pois caso os EUA saiam vencedores destas guerras, estes países ficarão na dependência dos EUA até mesmo para conseguir acesso a produtos essenciais ao funcionamento das suas economias, como são os minérios, o gás natural e o petróleo. 

Com isso, o seu desenvolvimento será prejudicado, pois o acesso aos mercados destas regiões terá que ser obtido através de negociações com os EUA, que cobrarão caro por tal acesso, ou seja, exigirão a submissão aos interesses ianques para concedê-lo. 

Isso ajuda muito a explicar porque Rússia, China e Brasil (e outros países pelo mundo afora) resistem à política de 'Guerra Infinita' dos EUA (e dos aliados deste: OTAN e as Monarquias do Golfo, principalmente) e que o começo dessa, na prática, significou o início da Terceira Guerra Mundial.  

Temos, claramente, neste momento, um cenário mundial no qual os EUA e seus aliados iniciaram uma ofensiva política-militar global, de maneira a controlar todas as grandes fontes de fornecimento de recursos naturais que são essenciais para o funcionamento da economia mundial. 

E neste processo eles iniciam guerras, promovem golpes de estado, tentam desestabilizar governos inimigos ou que não se submetem inteiramente aos seus desígnios (Líbia, Síria, Irã, Venezuela, Iraque, Bolívia, Equador, Honduras, Afeganistão, Paquistão, Iemên... a lista é interminável), espalham sua presença militar pelo mundo inteiro e tentam impedir que governos aliados sejam derrubados.


Enquanto isso, governos de países como Brasil, Rússia, Índia, China, Venezuela, entre muitos outros, lutam para defender a sua independência e garantir a possibilidade de se desenvolverem de maneira autonôma e soberana.


Assim, tudo isso demonstra que o século XXI já está sendo, e será, uma época, como dizem os chineses, na qual viveremos 'tempos interessantes', ou seja, de graves crises, de conflitos intensos e de grandes transformações. 

Links:

Entrevista com Pepe Escobar:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-alteram-se-as-tendencias.html


A Líbia, a OTAN e o Grande Médio Oriente - por José Luís Fiori:

http://www.outraspalavras.net/2011/09/12/a-libia-a-otan-e-o-grande-medio-oriente/

Jogo de Xadrez na Eurásia - por Pepe Escobar:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-jogo-de-xadrez-na-eurasia.html

Unasul condena tentativa de Golpe de Estado contra Rafael Corrêa:


http://noticias.terra.com.br/mundo/americalatina/crisenoequador/noticias/0,,OI4710941-EI17049,00-Unasul+condena+tentativa+de+golpe+contra+Rafael+Correa.html

Golpe de Estado contra Evo Morales em 2008:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15222

EUA são responsáveis por 43% de todas as despesas militares mundiais:

http://cebrapaz.org.br/site/todas-as-noticias/370.html


O sonho da OTAN é uma Guerra Civil na Síria, diz Pepe Escobar:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-o-sonho-da-otan-guerra.html

Guerra de Sombras na Síria - por Pepe Escobar:


http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/12/pepe-escobar-guerra-de-sombras-na-siria.html

Venezuela e China fecham acordos no valor de US$ 6 bilhões:

http://www.brasileconomico.com.br/noticias/venezuela-e-china-fecham-contratos-de-petroleo-de-us-6-bi_109704.html


China apóia a criação da Celac:


http://www.vermelho.org.br/rn/noticia.php?id_noticia=170223&id_secao=9

China e Japão decidem reduzir o uso do dólar:


http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,japao-e-china-fazem-acordo-para-reduzir-uso-do-dolar,97231,0.htm

Organização de Cooperação de Xangai (OCX) incorpora novos países:


http://portuguese.ruvr.ru/2011/05/14/50290439.html

Qatar criou força mercenária anti-Síria:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172183&id_secao=9

EUA vendem 84 caças F-15 para a Arábia Saudita: valor do negócio chega a US$ 29,4 bilhões:


http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/4169/Domino-Arabe---EUA-vendem-cacas-a-sauditas-e-enviam-forte-mensagem-a-regiao

OPEP comprova que Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo:


http://www.cartacapital.com.br/economia/venezuela-supera-arabia-saudita-em-reservas-de-petroleo/

Índia irá adquirir 126 novos caças médios:


http://www.aereo.jor.br/tag/forca-aerea-indiana/

Venezuela compra 24 novos caças Sukhoi da Rússia:


http://cavok.com.br/blog/?p=12914

Brasil aumenta seu poder naval para proteger petróleo do pré-sal:


http://www.defesanet.com.br/naval/noticia/3795/Brasil-aumenta-poder-naval-para-proteger-reservas-de-petroleo

Obama vai a Austrália para garantir presença militar permanente dos EUA:


http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/3562/Obama-vai-a-Australia-para-acertar-presenca-militar-permanente

EUA querem vassalos e não aliados, diz Vladimir Putin:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18541/vladimir+putin+estados+unidos+querem+vassalos+nao+aliados.shtml

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A 'reafundação' do PSDB - por Marcos Doniseti!

A 'reafundação' do PSDB - por Marcos Doniseti!



Um leitor do blog do Nassif, chamado Weden, que sempre escreve ótimos textos sobre a realidade política nacional, publicou um texto por lá (link: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-livro-e-a-possivel-refundacao-tucana)  no qual ele apresenta alguns argumentos em defesa da tese de que o PSDB ainda pode ser 'refundado'.

Daí, eu escrevi um texto respondendo aos principais argumentos do Weden, e que reproduzo abaixo:

A 'refundação' do PSDB - por Marcos Doniseti!

Não acredito na possibilidade de refundação do PSDB e por vários motivos, que exponho abaixo:

1) Weden - "Serra consegue se impor por meio de sua vinculação com o maior estado da Federação, e pelas armas bem conhecidas, materializadas em ameaças, dossiês, estratégias de desagregação e fortes vínculos com os grupos de mídia que o apoiam. Ou seja, se Serra não estivesse em São Paulo, ou não contasse com uma forte mídia - e com um forte aparato subterrâneo - nada seria.":

R - E é justamente por todas essas conexões que Serra tem com a Grande Mídia e devido ao fato de que ele, ao ver que foi abandonado às feras pelo PSDB, poderá sair atirando para tudo quanto é lado, tentando levar os outros líderes do partido para o fundo do poço junto com ele, que não acredito que o PSDB irá tentar se livrar de Serra. É como se o PT tentasse se livrar de Zé Dirceu... Não dá. Há uma relação umbilical entre Serra e o PSDB. Jogar um fora, significa jogar o partido inteiro fora, até porque as práticas de Serra não diferem muito das outras lideranças do partido. Ele pode até jogar mais pesado do que os outros, mas estes estão longe de serem santos e também terão muito a perder se tentarem se livrar de Serra.

O PSDB tentar se livrar de Serra é aquela velha história: fácil de falar... quase impossível de ser feito.

2) Weden - "Cabe ao PSDB propor um programa político sério, orgânico, alternativo ao que temos hoje, e não apostar somente na esperança de uma "crise política derradeira" que destituísse o governo atual.".

R - O PSDB tem um programa, e há muito tempo (desde o governo FHC, no mínimo) e é o Neoliberalismo. Ah, mas este desmoronou no mundo inteiro? E daí?

Quando a URSS e o Socialismo Real também desmoronaram, e a China apostou numa versão própria de Capitalismo de Estado, os partidos comunistas (mais ou menos identificados com o Socialismo Real da URSS ou da China) também desmoronaram e em quase todos os países. Ou eles se tornaram nanicos, com quase nenhuma influência real na vida política-social do país, como o PCB brasileiro, ou aderiram de mala e cuia ao Neoliberalismo, como foi o caso do PPS de Roberto Freire, que virou, praticamente, uma sub-legenda do PSDB.

Então, da mesma forma que os PCs pelo mundo afora tiveram que acertar as contas com o Socialismo Real e se enfraqueceram fortemente após o colapso deste sistema, o mesmo acontecerá com os partidos fortemente identificados com o Neoliberalismo, agora, neste momento em que o Projeto Neoliberal desmoronou nos países centrais (EUA e UE) e já está enfraquecido pelo seu fracasso na América Latina há muitos anos.

Nem o Chile, considerado o maior (e o único, depois que o México também desmoronou) caso de sucesso, na América Latina, do projeto Neoliberal, pelos defensores do Neoliberalismo, está se aguentando mais.


O povo chileno, atualmente, exige maior intervenção do Estado na economia e, principalmente, na área social. E a recusa de Piñera em adotar tal política destroçou com a sua popularidade. Tanto que, hoje, no Chile, a figura pública mais popular é a Camila Vallejo, que liderou os protestos durante todo este ano na pátria de Allende e Neruda.

Na verdade, não existe outra alternativa ao PSDB que não seja torcer e lutar por uma crise devastadora que mine a popularidade de Dilma e, por extensão, de Lula. E é nisso que o PSDB e os seus patrões da Grande Mídia apostam e já há muito tempo. Sem essa crise devastadora, eles sabem que as suas chances de voltar a governar o Brasil são quase que inexistentes.

Além disso, hoje, o grande rival do PSDB na política brasileira não é mais o PT, mas legendas como a do Kassab, o PSD, que disputa, em grande parte, a mesma fatia do eleitorado do PSDB e do DEM. Não foi à toa que grande parte dos principais líderes do PSD vieram do DEM-PPS-PSDB.

É com o PSD de Kassab, governista até o último fio de cabelo, e que vota sempre 100% a favor do governo Dilma no Congresso Nacional, que o PSDB deveria se preocupar e não com o PT. É o PSD de Kassab, caso se viabilize em nível nacional, que poderá tirar grande parte dos votos que, hoje, são dos tucanos.

O fato é que, nos últimos anos, o PSDB encolheu quando comparado com o PT e com o PMDB e não tem mais estatura para disputar com estes dois, pelo menos a nível nacional e em eleições presidenciais.

3) Weden - "Ora, o PSDB precisa de um programa econômico, que seja fruto de um pensamento pós-neoliberal, o que não representa necessariamente que tenha que voltar aos antigos ideias sociais-democratas.".

R - Que proposta 'Pós-Neoliberal' é essa? Ninguém sabe. Ninguém viu.

E duvido que alguém dentro do PSDB, hoje, esteja pensando nisso.

Recentemente, aliás, os principais economistas ligados ao PSDB se reuniram e as grandes propostas que eles tiraram da discussão foi a defesa da privatização do FGTS, do FAT e o fim dos empréstimos subsidiados do BNDES... Mais do mesmo, portanto.

O Nassif, aliás, comentou esse evento em um excelente artigo para a Carta Capital, na qual ele, com precisão, disse o seguinte:

"O encontro já não tinha povo. Com a proposta “revolucionária” de Arida, não terá industriais. Não havia sindicalistas, ONGs, movimentos sociais, redes sociais, novos empreendedores, artistas, nova geração de tucaninhos para pegar o bastão da velha guarda, sequer havia classe média.


Apenas velhas lideranças políticas e ex-intelectuais em uma sessão nostalgia.


Nessa aridez de ideias, o discurso dominante resumiu-se à guerra contra a corrupção – como se o partido estivesse fora do jogo do financiamento partidário."

link: http://www.cartacapital.com.br/economia/o-psdb-limitando-se-a-cumprir-ta...


4) Weden - "Renovação de quadros: Os tucanos, com exceção do grupo de Serra, não foram atingidos em sua totalidade Aliás, a grande maioria passou ilesa pelo livro".

R - Não passou, não, pois as irregularidades estão diretamente relacionadas com o programa de privatizações do governo FHC, que foi a sua 'grande realização'. E se outros líderes importantes do partido não aparecem nas páginas do livro do Amaury, é porque o mesmo se concentrou em investigar as irregularidades que estavam, de alguma forma, relacionadas apenas com Serra.

Fico imaginando o que não apareceria no livro se o Amaury tivesse ampliado o seu leque e investigados o envolvimento das outras lideranças do partido no programa de privatizações. Entre outras consequências, o livro teria muito mais páginas e seria bem mais caro...

E quais são esses novos quadros do PSDB que podem surgir? Bruno Covas, que mal consegue se explicar a respeito do seu envolvimento com o escândalo das emendas parlamentares? Ou o líder da juventude tucana de Santo André, que fez comentários grosseiros, estúpidos e agressivos sobre o presidente Lula quando foi divulgada a notícia sobre a doença deste?

Não existem, de fato, quadros ou lideranças novas no PSDB que façam um discurso ou que tenha uma postura diferente do das lideranças tradicionais. Eles repetem o mesmo comportamento e o mesmo discurso dos caciques do partido. Os dois casos que comentei comprovam isso.

E quem manda e desmanda no PSDB são os mesmos de sempre: FHC, Alckmin, Serra, Aécio, Álvaro Dias, Beto Richa, Marconi Perillo e por aí vai...

Quais são, afinal, as novas lideranças do PSDB? Não existem.

5) Weden - "O PSDB tem toda a chance de usar estes dois momentos infelizes do governo passado como exemplo de que, se alguém inventou o caldo da privataria, muita gente além dele lambeu os beiços.".

R - A única chance do PSDB seria PROVAR que o Amaury mentiu, distorceu fatos e fez acusações desprovidas de provas contra Serra e seus amigos, parentes e aliados. Fora isso, não há como o PSDB tentar transferir a responsabilidade pela privataria do governo FHC para Lula, Dilma ou para o PT, pois não foram estes que a promoveram, mas os tucanos.

Lula e o PT podem até dever explicações por outros fatos (como o tal do 'mensalão'). Pelas privatizações do governo FHC, não.

Quem pariu Mateus, que o embale. E quem fez as privatizações, que se explique para o povo brasileiro.


Resumindo: o PSDB é um partido decadente que somente sobrevive graças a estados como SP, MG, GO, PR, os quais governa. Mas ele não tem uma liderança nacional que unifique o partido. O PSDB não tem um Lula. E também não tem um programa viável, política e eleitoralmente, que atraia a maioria do eleitorado. E para tentar conseguir voltar ao poder, o PSDB dependerá que ocorra uma crise de proporções biblícas, que destrua com o governo Dilma.

Ao PSDB restou apenas manter a sua aliança com a Grande Mídia e apostar no caos. Mais nada. Fora isso, a tendência do PSDB está definida: uma longa decadência, que levará a um progressivo enfraquecimento do partido, até que chegará o dia em que perderá os seus únicos baluartes, que são SP, MG, GO e PR. Daí, poderemos providenciar o enterro desse partido, que prometia construir algo de positivo para o país, mas que cumpriu tão pouco.

Assim, entendo que o PSDB está mais próximo de ser 'reafundado' do que 'refundado'.

O Brasil, os portugueses e a estúpida 'Lei de Talião'! - por Marcos Doniseti!

O Brasil, os portugueses e a estúpida 'Lei de Talião'! - por Marcos Doniseti



Publiquei, aqui no blog (o 'Guerrilheiro do Entardecer, ok?), uma excelente reportagem do site português (ótimo, por sinal) 'Público', a respeito da vinda de milhares de trabalhadores qualificados de Portugal para viver no Brasil (ver link abaixo), cuja economia cresce rapidamente e gera milhões de novos empregos formais, enquanto que em Portugal e na Europa as perspectivas profissionais não são nada boas, devido à forte crise que atinge o país e o Velho Mundo. 

Esse mesmo texto do 'Público' eu postei no meu blog lá no portal do Luis Nassif, que o reproduziu no seu blog. E no mesmo, vários comentaristas disseram que devíamos tratar mal aos portugueses que estão vindo para o Brasil, agora, porque eles fizeram isso com os brasileiros, anos atrás, quando milhares deles foram tentar a vida lá em Portugal.

A respeito deste assunto, eu discordei radicalmente deste posicionamento, e publiquei o texto abaixo lá no blog do Nassif e o reproduzo aqui, no 'Guerrilheiro'. Vamos lá, então:

O Brasil, os portugueses e a estúpida 'Lei de Talião'! - por Marcos Doniseti

Estamos recebendo a 'fina flor' da força de trabalho portuguesa, profissionais altamente qualificados, no auge da sua vida profissional (em torno dos 30 anos de idade) e que estão vindo para o Brasil a fim de trabalhar, casar, ter filhos, enfim, viver aqui, contribuindo para o crescimento do país nas próximas décadas.

Nos próximos anos, teremos Copa do Mundo, Olimpíadas, Pré-Sal a pleno vapor, o Etanol entrando livremente no maior mercado do mundo (os EUA) a partir de 2012 e em pouco tempo deveremos nos consolidar como a 5a. maior economia mundial. Portanto, temos tudo para dar continuidade ao atual processo de desenvolvimento econômico e social do país e por muitos anos, ainda.

Daqui a alguns anos o PIB brasileiro deverá ser ultrapassado pela Índia, com mais de 1 bilhão de habitantes e que também cresce rapidamente, mas em compensação iremos ultrapassar a França e, um pouco mais tarde, a Alemanha.

Em função disso, precisaremos de milhões de novos trabalhadores qualificados para construir uma nação brasileira verdadeiramente moderna, democrática, desenvolvida, justa e soberana.

Portanto, os portugueses, espanhóis, bolivianos, paraguaios, peruanos, haitianos, etc, que estão vindo para cá, e que irão contribuir para isso, devem ser bem recebidos por todos nós e não discriminados, como muitos dizem por aí.

Essa história de querer tratar mal aos portugueses (ou qualquer outro povo) pelo fato de que eles fizeram isso com muitos brasileiros que foram trabalhar e viver lá, há alguns anos, é uma bobagem monumental,.

Entendo que um dos diferenciais desta Nação brasileira moderna e desenvolvida que estamos construindo, em relação a outros países com maior tradição de intolerância e xenofobia é, justamente, a de termos um grau maior de tolerância e de respeito para com estrangeiros que vem trabalhar e viver aqui. Temos pessoas preconceituosas, aqui, sim, mas penso que elas não são as mais numerosas em nossa sociedade.

E se reforçarmos essa postura, de respeito e tolerância para com os diferentes, daí sim o Brasil poderá se mostrar como um país ainda mais influente e respeitado no cenário mundial, da mesma forma que já acontece hoje, não por sermos uma potência militar brutal, violenta e agressiva, que invade e destrói com outros países (como são os EUA , principalmente) mas por nos constituirmos como uma Nação que sabe conviver e respeitar com os diferentes, venham de onde vierem  (Portugal, Espanha, Haiti, Peru, Bolívia, Nigéria, etc)  e independente de qual religião, sexo, cor de pele, tendência política, etc, estas pessoas forem.

Da mesma forma que, agora, o Brasil está sendo bem visto mundialmente porque criou programas sociais de combate à pobreza extrema que são altamente eficientes (como o Bolsa-Família, que está sendo adotado pelo mundo afora em um número crescente de países) e porque é um dos países que melhor tem resistido à pior crise econômica mundial desde a Grande Depressão dos anos 1930, poderemos também, se evitarmos a estupidez e a ignorância da idiótica 'lei de Talião', aumentar o respeito e a admiração do mundo pelo Brasil se conseguirmos construir uma Nação marcada pela inclusão,  pela tolerância e pela convivência respeitosa com pessoas do mundo inteiro e de todas as origens e características (cor de pele, religião, nacionalidades, etc).

O Brasil pode vir a se transformar no grande modelo de sociedade multicultural bem-sucedida do século XXI, caracterizada pela inclusão, respeito, tolerância e pela convivência pacífica entre os diferentes que aqui vivem e viverão.

Em um mundo  que ainda é, infelizmente, fortemente marcado pela intolerância, xenofobia, racismo e preconceitos de todos os tipos e gostos, temos plenas condições de nos distinguirmos justamente pelo oposto: respeito, tolerância e convivência pacífica entre os diferentes. 

Assim, poderemos vir a ser imitados e seguidos por outros povos e nações, construindo um modelo de sociedade multicultural que será respeitado e admirado pelo mundo. E este aspecto tem tudo para ser o grande diferencial e a grande contribuição do Brasil para a Humanidade.

Que assim seja.

Links:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/12/mais-de-50-mil-portugueses-pediram.html

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/crise-traz-portugueses-ao-brasil#comment-731247

http://www.publico.pt/Mundo/a-avalanche-dos-novos-portugueses-no-brasil-1526845

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Por que a redução da dívida pública é positiva para o Brasil! - por Marcos Doniseti!

Por que a redução da dívida pública é positiva para o Brasil! - por Marcos Doniseti! 



A notícia de que a dívida pública brasileira foi reduzida para 36,6% do PIB, em Novembro deste ano, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica, em 2001, é uma excelente notícia para o Brasil e por vários motivos. 


Vamos comentá-los:

1) Quanto menor for a dívida pública (proporcionalmente ao PIB), menor será a despesa (como proporção do PIB) com o pagamento dos juros da dívida. 


Não é à toa, por exemplo, que o pagamento dos juros da dívida absorvia 7,5% do PIB em 2003 e, em 2010, o gasto caiu para 5,3% do PIB. 


Isso aconteceu porque, no mesmo período, a dívida pública brasileira foi reduzida de 51,5% do PIB (2002) para 38% do PIB (2010). 


Portanto, uma dívida pública menor, resulta na redução dos gastos com juros. 


2)  Quanto menor for a dívida pública, menor será a taxa de juros (Selic) que remunera essa dívida. 


Como o Estado brasileiro está reduzindo a dívida, ele pode reduzir os juros que incidem sobre a mesma, pois terá mais credibilidade junto aos credores e estes aceitarão receber menos pelos empréstimos feitos ao Estado. E isso implicará em nova redução dos gastos com juros.

Portanto, as despesas com juros irão diminuir por dois motivos: a dívida pública foi reduzida e os juros que incidem sobre ela também. 


Logo, a economia de despesas, para o Estado, é dupla.

3) Com a redução da dívida pública e dos gastos com juros, sobrarão mais recursos do Orçamento para serem investidos na infra-estrutura (energia, transportes) e na área social (saúde, educação, transportes coletivos, saneamento básico, habitação), contribuindo para acelerar o ritmo de crescimento da economia e melhorar as condições de vida da população.


Assim, é extremamente importante que o Estado brasileiro continue reduzindo a dívida pública, tal como acontece desde o início do governo Lula, e cujo processo de redução tem continuidade, agora, com o governo Dilma.


Quanto menor for a dívida, melhor será para o país e para o seu povo.  

E o mais importante disso tudo é que essa redução está sendo feita de maneira a que não impede o crescimento da economia, nem a geração de empregos e tampouco a melhoria dos salários dos trabalhadores.  


Tanto isso é verdade que, entre 2003-2011, foram gerados 17 milhões de empregos com carteira assinada, o poder de compra do salário mínimo subiu 66% (contando já com o reajuste de 2012, com o valor do mínimo subindo para R$ 622) e o crescimento da economia brasileira foi tão significativo desde 2003 que o Brasil se tornou a 6a. maior economia mundial neste ano, superando a do Reino Unido. 


Portanto, é extremamente importante que esse processo de redução da dívida pública tenha continuidade, agora, no governo Dilma e que isso aconteça sem que o desenvolvimento econômico e social do Brasil seja prejudicado, tal como está ocorrendo até este momento.
Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2011/12/meta-da-economia-para-pagar-juros-do-brasil-chegou-a-99-em-novembro

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Salário Mínimo acumula ganho real de 66% nos governos Lula e Dilma! - por Marcos Doniseti!

Salário Mínimo acumula ganho real de 66% nos governos Lula e Dilma! - por Marcos Doniseti!


Com o aumento anunciado do salário mínimo, que subirá para R$ 622 e cujo novo valor irá vigorar a partir de 01 de Janeiro de 2012, o mesmo acumula um reajuste de 211% desde a posse de Lula na presidência da República, há 9 anos atrás.


Quando Lula tomou posse, o Brasil tinha um salário mínimo de R$ 200, o que representava, naquele momento, apenas US$ 56, pois a cotação do dólar era de R$ 3,54. Agora, o salário mínimo subirá para R$ 622, o que dará US$ 336 (valor 6 vezes maior) , já que o dólar está cotado (atualmente) em R$ 1,85.


Enquanto isso, a taxa de inflação acumulada, no mesmo período, foi de apenas 61%.


Logo, o reajuste acumulado do salário mínimo (211%) é 3,46 vezes maior do que a inflação (61%)  do mesmo período de tempo (2003-2011). 


Isso representa o maior aumento real  de 66%, segundo o Dieese, que é a maior valorização concedida para o salário mínimo desde a época dos governos Vargas-JK-Jango, período histórico no qual o poder de compra do salário mínimo atingiu o seu valor máximo.


Depois, durante a Ditadura Militar, o poder de compra do salário mínimo caiu fortemente, devido a uma política oficial de arrocho salarial que, para ser implantada, levou os militares a promover uma fortíssima repressão ao movimento sindical brasileiro, na época. 


Como resultado disso, cerca de 10 mil dirigentes sindicais, eleitos pelos trabalhadores, foram afastados de suas entidades, pela Ditadura, entre 1964-1966. 


E é bom lembrar que esta política de valorização do salário mínimo é fruto de um acordo feito entre o governo Lula e as Centrais Sindicais, e que foi renovado no governo Dilma, no início de 2011, pelo qual o salário mínimo será, reajustado, até 2023, com base no resultado da soma da taxa de inflação do ano anterior com a taxa de crescimento do PIB brasileiro de 2 anos anteriores. 


Como o PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010 e a inflação de 2011 será de 6,5%, a soma dá 14%, que foi exatamente o percentual aplicado ao salário mínimo vigente, de R$ 545, resultando no valor de R$ 622.


Assim, a política de aumento real do salário mínimo garante, todos os anos, uma elevação do poder de compra dos salários dos trabalhadores e dos aposentados e pensionistas mais pobres (pois 19 milhões de pensionistas do INSS recebem 1 salário mínimo mensal), contribuindo para o crescimento do mercado consumidor e, logo, da economia brasileira. 


No total, cerca de 48 milhões de pessoas tem a sua renda atrelada ao salário mínimo, confirma o Dieese.


Junto com a geração de 17 milhões de empregos formais, entre 2003-2011, o aumento do poder de compra do salário mínimo é o fator que mais  contribui para a melhoria da distribuição de renda no país, que ainda é fortemente concentrada nas mãos dos 10% mais ricos. 



Além disso, com a renda nacional sendo melhor distribuída, o mercado consumidor do país cresce fortemente. Tanto isso é verdade que cerca de 50 milhões de pessoas ingressaram no mercado consumidor brasileiro desde o início do governo Lula. 


E também foi em função disso que a participação da renda do trabalho na renda nacional aumentou de 39% para 43% do PIB desde 2004, segundo o IPEA. 


Portanto, tal política de aumento real do salário mínimo tem que continuar, pois gera inúmeros benefícios para o Brasil e para o seu povo. 


Links:


Salário Mínimo é reajustado para R$ 622 a partir de 2012:


Salário Mínimo acumula ganho real de 66% desde 2003, diz Dieese:


Política Permanente de valorização do Salário Mínimo vale até 2023:


Aumenta a participação da renda do trabalho na renda nacional:



50 milhões de pessoas ingressaram no mercado consumidor brasileiro desde 2003:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/09/mercado-consumidor-brasleiro-ganhou-50.html

Participação da renda do trabalho na renda nacional:

Evolução do Salário Mínimo brasileiro:

Diminui em 5,6% a desigualdade na distribuição de renda, diz IPEA:



O Salário Mínimo e a distribuição de renda:


IPEA: Uma análise da queda da desigualdade de renda no Brasil:



 A Ditadura Militar e a política de arrocho do salário mínimo:


A Ditadura Militar e a resistência operária:

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana e a frustração da classe média! - por Marcos Doniseti!

A Privataria Tucana e a frustração da classe média! - por Marcos Doniseti! 


Ao ler o livro do Amaury Ribeiro Jr, é muito provável que a classe média brasileira tradicional, conservadora e udenista, que sempre votou em 'políticos' como Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Quércia, Maluf, FHC e Serra, e  que apoiou ostensivamente ao processo de privatizações levado adiante nos governos de Collor-Itamar-FHC, descubra que foi enganada pelos neoliberais tupiniquins e pelos demotucanos quando estes lhes disseram que bastava privatizar tudo para que a qualidade dos serviços públicos (de energia, transportes, telecomunicações, saneamento básico) melhorasse e as tarifas dos mesmos fossem reduzidas.

Além disso, lembro-me muito bem que a tucanada e a Grande Mídia diziam que, com os recursos das privatizações, seria possível reduzir consideravelmente a dívida pública e, logo, diminuir a carga tributária. E com os recursos economizados, seria possível ao Estado aumentar os seus investimentos na área social.


Todos estes argumentos foram exaustivamente repetidos pelo governo FHC e pela Grande Mídia tupiniquim durante o processo de privatizações levado adiante na época.

Mas a classe média foi enganada, tanto pelos demotucanos, como pela Grande Mídia, que participou ativamente do processo de privatizações. Afinal, grandes grupos empresariais privados de Mídia (como a Folha, Estadão e Globo) foram sócios de consórcios que participaram dos leilões de privatização.


E é exatamente esse processo, caracterizado por mentiras e manipulações a granel, que o livro do Amaury Ribeiro Jr. desnuda, sem deixar margem para dúvidas.


E é por isso que a Grande Mídia mantém um silêncio sepulcral a respeito do conteúdo do 'A Privataria Tucana' e quando os seus empregados, como é o caso do Merval Pereira, se manifestam a respeito do mesmo, é para atacar o seu autor e o conteúdo do livro, que é inteiramente baseado em documentos públicos.

O fato de que a classe média brasileira foi, claramente, enganada com a história das privatizações é algo que pode ser confirmado pelo que ocorreu após a realização das mesmas.


Afinal, a dívida pública e a carga tributária brasileiras dispararam e a qualidade dos serviços privatizados não melhorou. Esse foi o caso, por exemplo, do setor de energia elétrica, que foi privatizado. Depois da privatização do mesmo, tivemos um Racionamento nacional de energia entre 2001-2002, que penalizou o consumidor brasileiro com interrupção no fornecimento de energia e aumento do valor das tarifas. Sem falar do impacto negativo para a economia brasileira como um todo. O TCU (Tribunal de Contas da União) calcula que, na época, o Brasil teve um prejuízo de R$ 45 bilhões devido ao racionamento.

Veja-se também o caso dos serviços da Internet brasileira, que é a mais lenta e a mais cara do mundo, ao mesmo tempo.

Além disso, o valor das tarifas subiu muito acima da inflação APÓS as privatizações, contribuindo para corroer o poder de compra da mesma classe média que, naquela época, apoiou o processo de privatizações. 

Ao ler o livro do Amaury, a classe média brasileira irá descobrir porque tudo isso aconteceu.

Afinal, o processo de privatizações foi levado adiante em meio a um verdadeiro festival de privilégios e em meio a um verdadeiro mar de lama e de irregularidades, como o livro do Amaury Ribeiro Jr demonstra claramente. 


E é claro que tudo isso influenciou diretamente na qualidade do processo de privatizações. Se este tivesse sido levado adiante com um mínimo de seriedade e de competência, por parte dos governos Collor-Itamar-FHC, é evidente que o resultado do mesmo poderia ter sido bem melhor. 

Isso significaria que as privatizações estariam justificadas? Claro que não. Afinal, mesmo em países desenvolvidos a privatização deu resultados ruins, como foi o caso da privatização da água no Reino Unido (ver link abaixo). As tarifas dispararam e a qualidade dos serviços despencou.

Mas, com um processo de privatização que fosse melhor conduzido, é provável que a decepção da classe média brasileira não fosse tão grande e seria mais fácil aos defensores da privatização justificar as vendas das estatais para o setor privado. Mas, da maneira como ela se desenvolveu, e com os resultados altamente negativos que ela gerou, tivemos a inevitável perda de prestígio e de popularidade dos partidos e líderes políticos que a promoveram (PSDB-DEM-PPS; Serra, FHC, etc).

Logo, não seria equivocado concluir que o sucesso e o impacto do livro de Amaury Ribeiro Jr., "A Privataria Tucana', é resultado direto do fracasso do processo de privatizações levado adiante, no Brasil, nos governos Collor-Itamar-FHC.

Os fatos relatados por Amaury, em seu livro, que se tornou um best-seller instantâneo, explicam as razões deste fracasso: A privatização (algo que, por si, já é altamente questionável, para dizer o mínimo, e pelas razões já apontadas aqui) se transformou numa privataria. 

Links:

PHA: Classe Média fez a 'Primavera Árabe' e comprou 'A Privataria Tucana':


http://www.conversaafiada.com.br/economia/2011/12/23/a-classe-media-fez-a-primavera-arabe-e-a-privataria/

Íntegra do livro 'O Brasil Privatizado', de Aloysio Biondi:

http://www.fpa.org.br/uploads/Brasil_Privatizado.pdf


Apagão de 2001-2002 gerou prejuízo de R$ 45 bilhões:


http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2009/07/16/ult1913u109995.jhtm

Internet brasileira é lenta e cara:

http://consumidormoderno.uol.com.br/na-pele-do-consumidor/onu-comprova-brasil-tem-banda-larga-mais-cara-do-mundo

A Ideologia e a Privatização das Teles:

http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/a-ideologia-e-a-privatizacao-das-teles.html

A privatização da água no Reino Unido:


http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=969



BNDES financiou privatizações:


http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u43720.shtml


Reflexos da Privatização (por Aloysio Biondi):


http://www.aloysiobiondi.com.br/IMG/pdf/engenheiros_pr_privatizacoes_ago10.pdf

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por que o Brasil continuará crescendo em 2012! - por Marcos Doniseti!

Por que o Brasil continuará crescendo em 2012! - por Marcos Doniseti!

O Brasil deverá continuar com o processo de crescimento econômico, iniciado em 2004 (com uma breve interrupção em 2009), no próximo ano e por várias razões.

O crescimento acumulado do PIB brasileiro em 2011 não foi zero, como algumas pessoas estão dizendo por aí. Ele foi de 3,2%, até Setembro. E no acumulado de 12 meses, o crescimento do PIB brasileiro foi de 3,7%.

Assim, o crescimento econômico brasileiro está garantido em 2011, mesmo que seja em torno de 3%. Entre 2004-2011, um período de 8 anos, o Brasil deixou de crescer apenas em 2009. Desta maneira, já temos 7 anos de crescimento acumulado em 8 anos, algo que não acontecia no Brasil desde... desde... sabe-se lá quando.

Mas o maior mérito do atual período de crescimento econômico brasileiro é que ele se dá em meio a uma Depressão econômica nos países ricos (EUA e UE em especial), que é a pior crise que eles enfrentam desde a Grande Depressão dos anos 1930, e em meio ao início de uma, por enquanto, leve desaceleração econômica na China.

A China é, e já há vários anos, a verdadeira locomotiva que puxa o crescimento econômico global, principalmente dos países emergentes, de quem ela adquire quantidades crescentes de matérias-primas (minérios, alimentos). Depois, a China transforma e industrializa tais matérias-primas e exporta os produtos industrializados, principalmente para os mercados europeu e americano, que são os dois maiores mercados consumidores do planeta.

Como a China deverá continuar crescendo, pelo menos uns 8% ao ano nos próximos anos, então os países que estão aumentando fortemente as suas exportações de matérias-primas para a China, o que é o caso dos países africanos e latino-americanos, deverão continuar crescendo, mesmo que a um ritmo menor do que o atual. E o Brasil, como grande exportador de soja, milho e minério de ferro para o mercado chinês, está neste grupo de países que não sofrerá nenhuma interrupção no seu processo de crescimento, salvo algum desastre maior na economia dos EUA, da UE e da China.

Além disso, em 2012, teremos o maior maior aumento real dado ao salário mínimo desde 2003, quando o mesmo foi reajustado em 20%, contra uma inflação acumulada de 12,5% em 2002.

O reajuste do mínimo será de 14,7%, subindo para R$ 625, contra uma inflação de 6,5% em 2011. O aumento real será de expressivos 8,2%, o que é bastante para um único ano. E é claro que quem recebe salário mínimo, gasta tudo o que ganha e, portanto, esse reajuste irá aumentar o consumo interno e ajudará a aumentar a taxa de crescimento do PIB brasileiro. E o número de pessoas que, no Brasil, têm a sua renda atrelada ao salário mínimo chega a 45 milhões de pessoas. Logo, qualquer aumento real concedido ao mesmo gera uma significativa expansão do consumo interno, principalmente dos mais pobres, é claro.

E como a taxa de inflação caiu para o teto da meta (6,5% ao ano), já neste ano, e ruma para uma queda ainda maior, indo para 5,5% em 2012, a taxa Selic poderá continuar sendo reduzida, e deverá cair para 9,5% ao ano. Esta redução, aliás, já está prevista pelo próprio mercado financeiro.

Além disso, a taxa média anual de desemprego está caindo a cada ano que passa. Mesmo com a desaceleração da economia em 2011, fecharemos o ano com a geração de, no mínimo, 2 milhões de empregos com carteira assinada, algo bastante significativo.

Para comparar, basta dizer que, em Dezembro de 2002, a taxa de desemprego brasileira era de 10,5% (calculada já com o uso da nova metodologia, que passou a ser empregada pelo IBGE a partir de Março de 2002) e em Dezembro de 2010 ela foi de 5,3%, tendo sido reduzida pela metade durante o governo Lula. Agora mesmo, o IBGE acabou de divulgar que a taxa de desemprego em Novembro deste ano foi de 5,2%, sendo que esta é a menro taxa para o mês desde que a nova metodologia passou a ser utilizada pelo IBGE, em Março de 2002.

Agora, com a continuidade do crescimento econômico nos próximos anos, a taxa de desemprego cairá ainda mais. Isso, por sua vez, favorece fortemente aos trabalhadores, que passam a ter um maior poder de barganha nas negociações com os patrões, permitindo que eles consigam sucessivos aumentos reais de salário, todos os anos.

Dados divulgados pelo Dieese mostram que, no primeiro semestre de 2011, 84% das categorias de trabalhadores conquistaram reajustes salariais superiores ao índice de inflação.

E como se não bastasse tudo isso (queda inflação e da taxa Selic, aumento real dos salários, redução do desemprego), não se pode esquecer que 2012 é um ano eleitoral, o que faz com que todas as esferas de governo gastem muito mais em obras e programas sociais, a fim de que os governantes atuais possam ganhar a eleição, reelegendo-se ou elegendo o sucessor. 


Isso também representará mais um estímulo ao crescimento econômico em 2012.

E com o recente acordo fechado na cúpula da União Européia, as decisões tomadas na mesma evitam que o bloco afunde de uma hora para a outra. As causas da crise européia não foram atacadas, longe disso, mas o desmoronamento da zona do Euro e da UE foram evitadas, pelo menos neste momento. Os europeus, basicamente, ganharam tempo (talvez mais uns 3 ou 4 anos) para tentar colocar a 'casa em ordem' de uma vez por todas e, assim, poder voltar a crescer.

Logo, a economia européia dificilmente crescerá nos próximos anos, mas tampouco irá cair em uma crise profunda. A estagnação é o caminho mais provável para a economia da Europa nos próximos 5 anos, pelo menos. Porém, o simples fato dela não desmoronar já é algo positivo para a economia mundial.

Portanto, em função de todos estes fatores, tudo aponta para a continuidade do processo de crescimento econômico brasileiro, que se iniciou em 2004 e que continuará em 2012 e nos anos seguintes.

Somente uma Grande Depressão de alcance mundial, que derrube fortemente a economia dos países emergentes, principalmente da China, é que poderia impedir o Brasil de continuar crescendo.

Mas, pelo menos neste momento, este cenário não está à vista. Tudo aponta para a continuidade do crescimento da economia mundial, mesmo que a uma taxa menor, nos próximos anos.

Que assim seja.

Links:


Obras do PAC 2 irão impulsionar o crescimento em 2012:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=171549

BRICS são a locomotiva da economia mundial:

http://www.enemvirtual.com.br/paises-do-bric-sao-a-locomotiva-da-economia-mundial/

Dieese mostra que 84% dos reajustes salariais superaram a inflação no 1o. semestre de 2011:


http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/08/18/dieese-84-dos-reajustes-salariais-foram-acima-da-inflacao-399498.asp

Aumento real do Salário Mìnimo beneficia 45 milhões de pessoas:

http://sul21.com.br/jornal/2010/10/salario-recupera-a-renda-de-45-milhoes-de-pessoas-no-governo-lula/

Taxa de Desemprego de Novembro de 2011 é a menor da história, mostra IBGE:

http://economia.ig.com.br/taxa-de-desemprego-no-pais-e-a-menor-da-historia-diz-ibge/n1597419701018.html

Mercado financeiro estima inflação de 5,39% e taxa Selic de 9,5% para 2012:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economa%20brasl,mercado-eleva-previsao-de-inflacao-em-2011-e-reduz-em-2012,96448,0.htm


CEPAL estima crescimento de 3,5% para o Brasil em 2012:

http://www.onu.org.br/brasil-deve-crescer-35-em-2012-afirma-cepal/


Crescimento econômico da China desacelera no 1o. semestre de 2011, mas chega a 9,5% no 2o. trimestre:


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110713_china_economia_fm_is.shtml

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Raúl Prebisch e a sua longa e rica trajetória de vida! - por Marcos Doniseti!

Raúl Prebisch e a sua longa e rica trajetória de vida! - por Marcos Doniseti!


Terminei de ler o livro 'Raúl Prebisch (1901-1986): A construção da América Latina e do Terceiro Mundo', de Edgar J. Dosman, e recomendo a leitura do mesmo a todos que se interessam por economia, pela história da América Latina e pela construção de um mundo mais justo e igualitário, pois a vida do grande economista argentino retratado nesta obra está intimamente ligada a estes assuntos. 

Entre outras informações importantes, o livro mostra como Prebisch desafiou ao 'pensamento único' de sua época, que dizia que o livre-comércio internacional seria igualmente benéfico para todos os povos e nações, mostrando que isso, de fato, não acontecia.

Prebisch demonstrou que, na verdade, o livre-comércio beneficiava muito mais aos países industrializados e que a tendência da economia mundial mostrava que os países exportadores de matérias-primas (ministérios e alimentos) eram prejudicados pelo livre-comércio, pois os preços dos produtos que eles exportavam caíam constantemente, enquanto isso não acontecia com os produtos industrializados. Esta situação gerava um aumento crescente das desigualdades entre países industrializados e os demais, prejudicando a estes que eram, essencialmente, produtores exportadores de matérias-primas. 

Daí, Prebisch passou a defender a necessidade de que os países em desenvolvimento, dependentes de matérias-primas e cujas economias funcionavam em função do desenvolvimento das economias industrializadas (dependendo do crescimento destas), investissem fortemente na industrialização, via substituição de importações.

Tal projeto deveria, porém, estar atrelado a programas de aumento da produtividade e de elevação das exportações, a fim de que tais indústrias se tornassem competitivas internacionalmente. 

Assim, Prebisch sempre condenou programas de industrialização via substituição de importações que resultassem na construção de economias fechadas, autárquicas, caracterizadas pela baixa produtividade, pela ineficiência e pela existência de estatais ineficientes que gerassem grandes déficits públicos e taxas de inflação elevadas. Sempre que políticas desse naipe eram implementadas, Prebisch tornava-se um crítico das mesmas. 

Porém, a vida de Prebisch não se limitou, apenas, a fazer críticas ou a elaborar novas explicações para o funcionamento da economia latino-americana e mundial. Ele também foi um homem de ação, durante toda a sua vida.

Desta maneira, ele se tornou um dos principais fundadores de instituições como o Banco Central da Argentina (que foi criado e inteiramente estruturado por ele, que o tornou uma ilha de excelência mesmo em meio ao conturbado cenário político-social da Argentina e do mundo nos anos 1930-1940), da Cepal, da Unctad e do Ilpes. 

Desta forma, Prebisch procurou colocar suas idéias em prática, enfrentando todos os tipos de dificuldade e de obstáculos, inclusive de natureza política-ideológica. Exemplo disso, foi a oposição do governo dos EUA à criação e a transformação da Cepal em uma instituição permanente, como parte integrante do chamado 'sistema ONU'. Foi Prebisch quem conseguiu comprovar a necessidade de existência da Cepal e quem mais lutou para a sua continuidade. 

Prebisch também foi o principal defensor e criador da Unctad, na qual desenvolveu um trabalho visando criar regras mais justas quanto, principalmente, ao funcionamento do comércio internacional e da realização de empréstimos e de investimentos  internacionais que beneficiassem aos países mais pobres.

Portanto, Prebisch participava intensamente debates com os economistas e representantes dos governos dos países ricos e de instituições ligadas aos mesmos (como o GATT, FMI e Banco Mundial), tentando abrir os olhos deles para a necessidade de se construir uma 'Nova Ordem Econômica Internacional' que possibilitasse a criação de um mundo mais rico e mais justo. 


Além disso, já em 1941 Prebisch defendia que o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai deveriam começar um processo de integração de suas economias, criando uma área de livre-comércio e uma união aduaneira entre eles.


Assim, ele foi o pioneiro na defesa da construção daquilo que, hoje, é o Mercosul.

Prebisch também defendia a realização de grandes investimentos públicos na área social e a realização de uma reforma agrária, a fim de melhorar as condições de vida dos trabalhadores rurais e dos camponeses, dada a brutal exploração que os mesmos sofriam em, virtualmente, todos os países da América Latina, mesmo na rica Argentina, algo que ele pode constatar pessoalmente. 

Assim, esse brilhante e genial economista argentino sempre colocou o seu imenso talento e conhecimento à serviço do desenvolvimento que, para Prebisch, não era apenas um processo meramente econômico, mas também ético, visando construir um mundo baseado no desenvolvimento, no respeito às liberdades democráticas e na justiça social, tanto na América Latina, como em todo o então chamado Terceiro Mundo. 

Com o advento do Neoliberalismo, a partir dos governos Reagan (com o qual Prebisch antipatizava fortemente) e de Thatcher, na década de 1980 em diante, muitos economistas e políticos pensaram que as idéias e projetos de Prebisch tinham se tornado ultrapassados. 

Aliás, já na época em que tais políticas neoliberais começaram a ser implementadas, Prebisch as criticou fortemente, alertando as pessoas sobre mais esse modismo intelectual. Para ele, isso não era nenhuma novidade, pois ele já havia presenciado algo semelhante, logo depois da Primeira Guerra Mundial, quando economistas latino-americanos e do mundo inteiro louvavam a economia liberal que, naquele momento, funcionava sob a liderança da Grã-Bretanha. 

Porém, a mais recente crise econômica global, que abalou fortemente as economias dos países mais ricos (principalmente dos EUA e da UE) mostra que Prebisch estava certo em condenar as políticas Neoliberais que passaram a ser adotadas pelo mundo afora, pois tal crise mostra que as críticas que ele fazia ao Neoliberalismo eram mais do que corretas. 

O tempo mostrou que Prebisch estava com a razão. E este é mais um motivo para se ler este ótimo livro, que mostra a vida e as lutas deste grande argentino e latino-americano que lutou, intensamente, para a construção de um mundo desenvolvido, justo, democrático e ético. 

Link:

Autor de biografia de Prebisch fala sobre as contribuições do economista argentino:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/948443-america-latina-e-mais-autonoma-em-relacao-aos-eua-diz-dosman.shtml